the foot of the matter

"Uma das razões pelas quais eu faço fotos é não ter que estar na frente da câmera. Costumo dizer que uma das alegrias de ser fotógrafa é ter uma caixa preta na frente do meu rosto e passar várias horas dentro de um quarto escuro. Quando me pedem um auto-retrato, quero captar minha essência com simplicidade e senso de humor. Cada imagem resume um momento da minha vida - uma rotina, um medo, um detalhe do meu mundo. E ao mostrar apenas meus pés, eu permito uma certa intimidade a quem vê, e talvez o reconhecimento universal de estarmos conectados ao mundo através dos nossos pés ". - aline smithson



Dizem que "foto de gato, flor e pé" são fases por que todo fotógrafo amador passa antes de começar a fazer "fotos de verdade". Mas desde que a pessoa tenha colocado algum esforço e muito de si no seu trabalho, para mim o resultado sempre será genuíno, mesmo que as fotos nunca ganhem prêmios ou reconhecimento.

Eis um pequeno medley das minhas tentativas ao longo dos anos. Meu estilo mudou pouco, mas a variedade de sapatos, meias, locações e bronzeado está sempre em constante evolução.

Pé na cozinha

Uma das coisas que percebi enquanto dava uma olhada marota em imóveis no Rio de Janeiro (não, não estou de mudança, mas não custa investigar o mercado) foram as diferenças assustadoras na decoração das casas e na hierarquia dos cômodos entre o Brasil e a Europa. Folheando revistas de decoração européias, a gente percebe o quanto as cozinhas são importantes. Tendem a ser grandes, espaçosas, coloridas, tão ou mais bem decoradas do que o resto da casa. Algumas têm até lareiras ou agas, que é para ficarem bem quentinhas no inverno - e é em torno delas que a família se reúne para fazer as refeições, tomar um café, conversar, ler... O verdadeiro coração da casa.

No Brasil, a cozinha é, na maioria das vezes, um cubículo sem graça enfiado em algum canto do apartamento. Porque no nosso país cozinhas são domínio das serviçais, a beleza e o conforto do ambiente não interessam; afinal, a madame não vai passar nem perto e os filhos adolescentes talvez entrem somente para saquear a geladeira num momento de larica hormonal. A tríade pia-fogão-geladeira é vista como mais do que adequada, juntamente com alguns armários insossos pregados pela parede. Se a cozinha tiver acesso direto ao quartinho de serviço (onde a escrava vai se espremer quando finalmente chegar a hora de dormir) e uma mesinha com cadeiras onde ela vai fazer suas refeições separada da família, ainda melhor.

Misantropias e Anti-socialidades

Uma das minhas alegrias de estimação nesse lugar é lidar com vendedoras e atendentes grosseiras. Em lojas de departamento eu instintivamente procuro a senhorinha de meia idade, que geralmente vai me atender com um sorriso, bater um papinho enquanto tenta desencalhar seus produtos, elogiar o formato da minha boca (e tentar me vender um batom no processo), reclamar que a filha adolescente usa muita maquiagem nos olhos, perguntar se eu sou turista e me presentear com amostrinhas. Evito até à morte as vendedoras mais jovens, especialmente as do leste europeu. São fáceis de reconhecer pelos traços eslavos e pela expressão entediada e embrutecida. O sotaque é áspero e, mesmo quando estão fazendo uma pergunta simples como "posso ajudar?" soam agressivas e irritadas. A última simplesmente se materializou na minha frente, se interpondo entre a minha pessoa e o produto que eu estava examinando, e disparou um "você quer alguma ajuda afinal ou está só olhando?". Like, bitch has no money, get the fuck off my face and stop wasting my time.

Resumindo, insuportáveis. Não sou só eu que reclamo, e honestamente não sei por que as lojas contratam essas moças. Ela são desagradáveis e não sorriem nunca - a menos que, por algum motivo, achem que você tenha MUITO DINHEIRO e a comissão proveniente do seu shopping descontrol vá cobrir um mês de aluguel. Bem, eu sou uma pessoa marrom e tenho cara de pobre. Posso contar quantas vezes a tcheca de crachá no balcão de maquiagem da Guerlain me sorriu dentro da Selfridges nos dedos da mão: basta fechar a mão. As inglesas, pelo menos, são naturalmente hipócritas. Prefiro um sorriso falso e uma puxação de saco interesseira do que ser praticamente expulsa de um balcão pelo crime de estar olhando um produto que eu tinha toda a intenção de adquirir.


Se bem que a última historinha pitoresca que eu tenho para contar foi protagonizada por uma garçonete num pub, e ela era inglesa. A criatura conseguiu a proeza de me ignorar completamente durante as duas horas em que fiquei sentada cozinhando sob o sol do beer garden, enquanto batia altos papos sorridentes com o Respectivo. Meu prato foi praticamente jogado no meu colo e, cada vez que ela punha uma garrafa na minha frente o estrondo resultante provocava um mini-terremoto em alguma ilha remota do oceano pacífico. Eu olhava para a cara fechada da moça e esperava por um pedido de desculpas - que nunca veio. Ao invés disso ela abria um sorriso para o meu marido e perguntava se ele estava gostando da comida.

O que mais me surpreende nessas horas é que eu sou a pessoa mais_simpática_ever com serviçais. Já trabalhei servindo o público e sei que a atitude do freguês pode estragar a sua semana. Sorrio sempre, agradeço sempre, me despeço sempre - o verdadeiro arquétipo da nouveau middle class com complexo de culpa. Dessa vez não foi exceção. Enfim, eu podia ter me irritado. Mas o fato é que, dali a pouco, era eu quem entraria num carro com ar condicionado para tomar sorvete na praia enquanto ELA ia continuar passando calor de avental servindo mesas num raro domingo ensolarado de primavera. E calçando Crocs verdes. Assim sendo, meu amor, pode fazer cara feia à vontade. Lhe presenteei com outro sorriso, pus os pés para cima, pedi mais uma cidra e perdão aos desabrigados pelos terremotos.


Le Pub:


Le Cidra:


Le Burger (será que ela cuspiu nele? esfregou os talheres nos fundilhos? nunca saberei e é melhor assim):


Les Moules a la creme:


Le Beach:


e Les Swings (porque nós temos 10 anos e expulsamos as outras crianças dos balanços, tee-hee):

Weekend outfit

Cardigan Zara, vestido New Look (na verdade é uma blusa da seção plus size da loja, tamanho 22), meias da House of Fraser, sapatos Next, bolsa Moschino e o indefectível colar Thomas Sabo.


Close no sapatinho à direita, que eu comprei para substituir o vermelhinho velho de guerra, à esquerda. Que já viu algumas outras primaveras (e invernos, outonos, verões), alguns países, muitas aventuras. E que vai continuar sendo usado até não mais poder, mas agora eu tenho um dublê pra dar um descanso nele, de vez em quando, e quem sabe assim fazê-lo durar mais.


E por falar em sapato novo:


Certamente eram a coisa mais girlie da loja, unapologetically pink e com o adendo do laçarote.


Só não recomendo usar para regar as plantas...

Who's calling?

Novo telefone:


É da Pedlars (vale a visita, o site é cheio de meiguices) e, segundo eles, vintage; foram recondicionados e funcionam perfeitamente com os serviços telefônicos modernos.


Mas não é um retrocesso ficar discando número por número naquela rodinha paleozóica e esperando voltar à posição inicial? Não ter botão redial e você ter que discar TUDO DE NOVO se cometer um erro ou se estiver ocupado ou ainda se cair na casa errada? Não ter o botão "#" e por causa disso eu não conseguir fazer ligações através dos números que oferecem desconto? Por isso ele fica desligado, função 100% decorativa. Porque o pior de tudo é a estridência do toque: TRRRRRRIIIIIMMMMMMMMMM. Sério, é de deixar qualquer um surdo (e feliz por ter ficado).

Pretty things.

Idéia bonitinha para fazer chá para o(a) amado(a); escreva alguma pieguice nos coraçõezinhos e ganhe mil pontos na escala Meg Ryan de romance embalado a vácuo:


Seleção de álbums inspiradores no Flickr: 1, 2, 3, 4, 5.

Fotos feitas no cemitério de HighGate, em Londres. Admiro quem consiga fazer fotos bacanas lá dentro; a escuridão é considerável e não se pode usar tripés (e nem certas câmeras profissionais).


Para os fãs de Polaroid, Polamour. :)

Essas molduras que, ao invés de mostrar obras de arte, destacam a beleza de objetos mundanos do dia-a-dia. Daqui.


Templates para casinhas de papel que encontrei no Just Something I Made; pense em todas as utilidades fofas que você pode dar a elas, na diversão que será decorá-las com papel ou mesmo chitas coloridas. Fica legal para decorar quartos infantis ou transformá-las em caixinhas úteis para guardar tralhas. Cola lá pra pegar o molde. :)


Esses sapatos da TopShop.


Ainda falando em sapatos... Já pode encomendar tudo e colocar na estante para enfeitar? (via)


Guirlanda de corações de crochê, via Wood & Wool Stool. Eu acho que não sei fazer corações em crochê, mas nada nos impede de tentar. :)


Robert Smith lendo Nabokov. Perfection, anyone?