Resumindo, insuportáveis. Não sou só eu que reclamo, e honestamente não sei por que as lojas contratam essas garotas. Ela são desagradáveis e não sorriem nunca - a menos que, por algum motivo, achem que você tenha MUITO DINHEIRO e a comissão proveniente do seu shopping descontrol vá cobrir um mês de aluguel do quartinho que elas dividem com outras cinco conterrâneas periguetes. Bem, eu sou uma pessoa marrom e tenho cara de pobre. Posso contar quantas vezes a tcheca de crachá no balcão de maquiagem da Guerlain me sorriu dentro da Selfridges nos dedos da mão: basta fechar a mão. As inglesas, pelo menos, são naturalmente hipócritas. Prefiro um sorriso falso e uma puxação de saco interesseira do que ser praticamente expulsa de um balcão pelo crime de estar olhando um produto que eu tinha toda a intenção de adquirir.

Se bem que a última historinha pitoresca que eu tenho para contar foi protagonizada por uma garçonete num pub, e ela era inglesa. A serviçal conseguiu a proeza de me ignorar completamente durante as duas horas em que fiquei sentada cozinhando sob o sol do beer garden, enquanto ela batia altos papos sorridentes com o Respectivo. Meu prato foi praticamente jogado no meu colo e, cada vez que ela punha uma garrafa de cidra de pêra na minha frente, o estrondo resultante provocava um mini-terremoto em alguma ilha remota do oceano pacífico. Eu olhava para a cara fechadíssima da moça e esperava por um pedido de desculpas - que nunca veio. Ao invés disso ela abria um sorriso para o meu marido e perguntava se ele estava gostando da comida.
O que mais me surpreende nessas horas é que eu sou a pessoa mais_simpática_ever com serviçais. Já estive no lugar deles (não servindo mesas, mas em outras funções similares) e sei que a atitude do freguês pode estragar a sua semana. Sorrio sempre, agradeço sempre, me despeço sempre - o verdadeiro arquétipo da nouveau riche com complexo de culpa. Dessa vez não foi exceção; tratei a moça como se fosse uma amiga, e não a pessoa que ia levar meu prato com restos de comida para a cozinha quando eu fosse embora. Enfim, eu podia ter me irritado. Mas o fato é que, dali a pouco, era EU quem entraria num Mercedes para ir tomar sorvete na praia enquanto ELA ia continuar servindo mesas num raro domingo ensolarado de primavera. E calçando Crocs verdes. Assim sendo, pus os pés para cima, pedi mais uma cidra e perdão aos desabrigados pelos terremotos.

Le Pub:

Le Cidra:

Le Burger (será que ela cuspiu nele? esfregou os talheres nos fundilhos? nunca saberei e é melhor assim):

Les Moules a la creme:

Le Beach:

e Les Swings (porque nós temos 10 anos e expulsamos as outras crianças dos balanços, tee-hee):






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