tédio randômico

Sabadão, feriadão, chuva, não viajei, me sinto loser e fico floodando o Twitter com piadas politicamente incorretas sobre o Eurovision. Para chutar o pau da barraca, falemos de esmaltes. ;)



Há duas semanas atrás minhas unhas estavam absolutamente rainbow. Sempre tive vontade de fazer isso, e agora com a oferta generosa de esmaltes em tons pastel no mercado (que para mim, assim como os tons neon, ficam melhores para esse tipo de "projeto") resolvi testar; aí embaixo as cores usadas:



Da Barry M: Pale Yellow, Pure Turquoise e Baby pink; da Hot Looks: BMX Bandit (haha, adoro esse nome) e Button Moon.



Esse aí é um genericão que comprei ano passado na H&M e só agora, com a febre dos dourados inspirados no Gold Lamé da Chanel, resolvi testar. Resultado: FABULEUX. O negócio é quase furta cor, psicodélico, perua-on-drugs, realmente fantástico. Nem nome tem, a porcaria. Genérico de pai e mãe. Tenho outro igual, só que pink (façam idéia!) que testarei logo.



Não havia limpado ainda os cantinhos, ok?

jardins de Rozel

É costume aqui na ilhazinha, por essa época e até o meio do verão, abrirem-se os jardins das manor houses (mansões tradicionais de famílias locais) ao público para fins de caridade. Paga-se uma pequena taxa pela entrada, dá-se algumas voltas pelos jardins imaculados, inveja-se fortemente o poder aquisitivo dos bem nascidos, bebe-se o obrigatório chá com bolinhos e sanduíches variados e, depois de algumas fotos e interação social com idosos e jovens famílias (o público alvo quase que exclusivo desse tipo de evento), todo mundo volta pra casa. Bem civilizado.

Há algumas semanas atrás foi a vez da Rozel manor (cada "bairro" tem a sua própria), tão perto que fomos andando. Os jardins não são tão grandes e a casa não é tão majestosa como outras que já vi, mas a capela medieval à beira do lago foi uma surpresa bastante agradável e as plantas foram muito bem escolhidas e posicionadas. E, nesse época do ano, o efeito é ainda surpreendente.



























Seguindo pela trilha das bluebells com os novos sapatinhos vermelhos indefectíveis.



Manor house.



É hora do chá; vai um bolinho, biscoitinho ou scone?



Babei nos morangões radioativos de tão vermelhos, pena que os cupcakes eram sem glúten.





Old windows, old money + minha singela compra: um pote de margaridas.




Difícil acreditar que tudo isso seja o jardim particular de alguém, não é? :)

the british summer

Uma das coisas de que eu realmente sentiria falta se voltasse a morar no Brasil? As estações do ano. Em especial a primavera, que chega depois de meses de cinza, frio, chuva e, de uns tempos para cá, a novidade da neve. Há décadas não nevava em Londres ou Jersey como nos dois últimos invernos. Só que, para a maioria das pessoas, a novidade da neve se esgota rápido (EU ainda não atingi o nível de nonchalance necessário para esnobar essa maravilha metereológica e fazer cara feia para floquinhos únicos e simétricos caindo dos céus). E ao se esgotar, deixa para trás ruas cobertas de uma papa preta feia, escorregadia e incômoda; isso sem mencionar as interrupções nos transportes, já que isso aqui não é a Finlândia e falta o know-how para lidar com neve. Para muitos, quando o gelo finalmente derrete, é impossível esconder o alívio e a sensação de que o inverno já vai tarde.

Ingleses gostam do verão por vários motivos, mas nunca parecem estar realmente à vontade com temperaturas acima de 25 graus. Bônus é a possibilidade de se enfiar num vôo barato para o Algarve ou Ibiza vestindo bermuda cáqui, boné branco e crocs azul turquesa com meia bege. As adolescentes se jogam num kaftan estampado com todas as cores da paleta pantone e repleto de paetês, TODOS os colares, pulseiras e anéis da coleção atual da Accessorize (que, vale lembrar, aqui não é uma loja chique), chinelinho de palha decorado com pedrinhas azul turquesa (inevitável) e óculos de plástico em formato de coração. Ou seja, let's not even go there. O fato é que, depois de um ou dois fins de semana de insolação no mediterrâneo ou comendo bacon com cogumelos + chá em algum café litorâneo em Bognor Regis, as pessoas acham que já tiveram verão o suficiente e começam a sentir falta da praticidade dos seus velhos casacos de lã.

O outono é popular por conta da transformação fabulosa das árvores, todas aquelas cores psicodélicas num pé de carvalho ali pertinho de você. Mas quando a festa acaba, e as crianças (ok, alguns adultos também, eu inclusive) já se cansaram de pular em cima das montanhas de folhas pelas ruas, sobra toda aquela sujeira para limpar. E o legado da estação são árvores nuas, a natureza com cara de morta e enterrada, o vento frio que anuncia o inverno e aquela temporada onde as pessoas se despencam para lugares quentes feito aves de arribação, ou para lugares muito mais frios ainda, onde possam se encharcar de bebida longe de casa com a desculpa de ter um par de esquis debaixo do braço.

Mas não consigo encontrar pontos negativos na primavera. Talvez para os que tenham alergia a pólen, mas né, convenhamos. Trata-se de um renascimento anual, enchendo os campos (e até as cidades) de flores, cores, perfume e beleza indescritível. Depois de meses ressecando a pele no aquecimento central e dormindo de meias, a primavera é praticamente um apocalipse às avessas. E, quando ela termina, ainda temos o veranico pela frente e a temporada de churrascos de hambúrguer regados a Pimm's ou piqueniques bem servidos de sanduíches de pepino. Yay.

Depois de tudo isso me imagino voltando a viver num lugar onde as quatro estações atendem pelo nome de "quente", "quente pra cacete", "SOCORRO, estou derretendo!" e "chuva", e então sinto uma nostalgia precoce do que ainda não se foi.

Passa aí um sanduba de pepino e o filtro solar, dear.

Axes Femme

Ainda falando em Mori style, adorei o lookbook da Axes Femme:







Não precisa usar tudo junto, mas algumas dessas peças dariam vida a um visual mais básico. Essa echarpe de renda eu tentei copiar para mim; fotos em breve. :)

Mori Girls

Uma das (muitas) coisas que eu considero interessantes no Japão é o fato de que, apesar de terem um radar impecável e serem ávidos consumidores de tendências estrangeiras, eles seguem respeitando e preservando a própria cultura. Não somente a milenar e mais tradicional, mas também as subculturas urbanas que se manifestam de diversas maneiras, entre elas a moda. Alguém já ouviu falar de Harajuku? Aquela área perto da estação de mesmo nome em Tóquio, lotada de jovens vestidos em diferentes estilos? Mais ou menos como Camden costumava ser; mas hoje em dia não é mais tão "cool" ser radicalmente alternativo na Inglaterra; e você ainda pode levar tabefes na escola se não gostarem da localização do seu piercing.

Mas em Tóquio o momento é todo dos teenagers esbanjando criatividade, customizando as próprias roupas, misturando o que lhes vier à cabeça sem se preocupar com "tendências" ou seguir padrões ditados por "manual de fashionista" algum. É claro que as fashion victims existem por lá também, nas mesmas quantidades industriais que entopem qualquer grande metrópole; mas o fato é que ninguém está muito interessado nelas. O que gera assunto e material para livros, websites, revistas e sacode estruturas são os loucos urbanos e a sua revigorante liberdade de auto expressão. Ainda que seja transformar um balde em chapéu ou sair pelas ruas usando bóias de braço da Hello Kitty. Adoro porque é espontâneo, verdadeiro e 100% japonês; o que a gente vê por lá, dificilmente vai encontrar em qualquer outro lugar do planeta.




Quer ver mais? Japanese Streets. :)

Entre as diversos "tribos" (ganguro, yamanba, hime girl, lolita, gothic lolita, bibinba, decora, sukeban, etc) minha preferida é a das Mori Girls. "Mori" significa floresta, então uma tradução mais ou menos adaptada para a situação seria "meninas que parecem viver numa floresta". Não, elas não são peludas e vivem em árvores; muito pelo contrário, são femininas, delicadas e eu as chamaria de "fadas urbanas". Elas adoram vestidos longos e vaporosos, muitas rendas, babados, bordados e nervuras, roupas vintage e com modelagem reminiscente de outras eras, patchwork, estampas florais ou xadrez vichy, chapéus, sobreposições, cores neutras ou tons outonais e intensos, tecidos orgânicos, lã, cashmere, cardigans gigantescos, botas, calças de linho, leggings, acessórios feitos à mão, bolsas de couro cru, pele ou tecido e muito couro e pele (nesse caso sempre falsos para se manter na linha ecológica, é claro).

Ou seja, tudo o que eu queria poder usar sem ser chamada de louca na rua.\o/


A natureza romântica das Mori Girls as diferencia do estilo mais agressivo das mulheres urbanas. Elas descartam o uniforme padrão da moda (sapatos de salto, roupas justas e de corte estruturado, bolsas de grife, excesso de maquiagem) e preferem sapatos rasteiros, unhas curtas e pele limpa. São delicadas, mas sem ser "cute". Têm interesse em objetos de outras épocas e que tenham uma história; acessórios vintage como relógios de bolso, óculos, lenços, chapéus, guarda sol, colares e câmeras de filme são considerados verdadeiros tesouros.




Embora a maioria das Mori girls habite grandes centros urbanos, sua alma está no campo. Procuram manter um ritmo de vida mais lento, preferindo saborear pequenos prazeres que muitos consideram insignificantes. Mori girls gostam de explorar cidades históricas e, quando viajam, procuram descobrir espaços fora da rota turística habitual, como pequenas livrarias, cafés escondidos e lojas de artesanato local. Gostam de expressar sua criatividade através de diversos meios (fotografia, pintura, desenho, diários, escultura, moda) mesmo que poucos apreciem sua arte e as suas idéias. Adoram a Escandinávia; detalhes característicos do design tradicional desses países frequentemente influenciam suas criações, modo de se vestir e a decoração do seu lar.










Da sua maneira tranquila e introspectiva, Mori girls prezam a individualidade. Não se importam em parecer diferentes, viver e se vestir da forma que escolheram, mesmo que sejam rotuladas como sonhadoras ou até mesmo estranhas. Não são consumistas, mas gostam de adquirir peças que as inspirem e não de acordo com o que proclama a moda ou o status econômico embutido no produto. Mesmo apreciando o valor da amizade, Mori Girls gostam da própria companhia; de fato, embarcaram sozinhas na maior parte das suas aventuras mais memoráveis.


Se a gente tirar a parte "sua alma está no campo" da história, é quase como se fosse o meu mapa astral, não? Me identifiquei. É claro que é mais difícil usar roupas assim no Brasil; primeiro por causa do calor, e depois porque o brasileiro costuma achar qualquer coisa que fuja ao padrão "jeans + camiseta + melissa/salto alto/tênis" coisa de gente maluca. Mas acho que, com um pouquinho de criatividade e alguma personalidade, é possível tentar adaptar aos trópicos, sim. :)

Mori girl eye candy? Oh Yeah Mori Girl e Mori Girls no Tumblr, o blog Mori Girl (meu favorito, sempre bem atualizado e de onde adaptei parte da descrição), In the Mori que não mostra apenas looks mas também lifestyle e uma comunidade no livejournal. Vale checar os blogs mesmo que não seja muito o seu estilo, porque as fotos são lindas e relaxam os olhos e alma nesse mar de saltos agulha, ombros pontudos, tachinhas, alça de corrente, cílios postiços e preto preto preto que domina a moda mundial (só de imaginar tudo isso junto depois de tanta leveza meu coraçãozinho se sentiu agredido, haha).

E aqui um vídeo fofo de uma banda com visual bem Mori chamada Noanowa. :)

Lime Crime

Estou obcecada pelos batons da Lime Crime. OBCECADA.



A Doe Deere (autora do Doe Deere Blogazine e que se auto proclama "Rainha dos Unicórnios" - "OHNOES outra maluca!" você vai pensar e eu entendo, mas lê aí) estava desencantada com a maquiagem disponível nas lojas. Segundo ela, o "batom azul" não ficava azul, AZUL na boca. Mesma coisa para o preto, lilás e todas as cores bizarras do arco íris. Foi assim que ela resolveu criar a sua própria empresa de makeup (oh, se fosse assim tão fácil, né mesmo, minha gente?), a Lime Crime, para produzir batons e sombras altamente pigmentadas e com cores saturadíssimas. A galeria do site tem fotos absurdas demonstrando os produtos. Vai lá, é lindo.



Os batons custam 16 dólares, as sombras 12 dólares e eles enviam para o mundo todo.

It's a hat!

Preciso de um chapéu com cara de verão; todos os que tenho aqui são de lã e invernais demais. Os da Accessorize são bastante bonitinhos, e os modelos florais e coloridos são tentadores. Maaaaas, como eu quero comprar apenas UM chapéu, ele precisa ser básico e combinar com tudo. Cores claras ou neutras, aba para proteger o rosto (mas não muito larga, para ser discreto) e sem excesso de detalhes ou penduricalhos são as minhas únicas exigências.



Talvez use essa flor para decorar o chapéu quanto estiver num dia mais Mori Girl. ;)

Eley Kishimoto

Quem é essa tal Eley Kishimoto? Como assim eu nunca ouvi falar? Não por que eu esteja atualizada com o mundo da moda e seus talentos, mas gostei bastante da atual coleção primavera/verão:



meias com a mesma estampa do vestido? over, mas fofo! baby pink + verde neon? nada a ver, mas FOOOOFO!



adorei a idéia da gola "impressa" no vestido tricolor (bem mod), e esse azul lindo meio estilo navy só peca por parecer roupa de grávida; infelizmente aqui magreza é fundamental, ou vão te perguntar pra quando é o baby. Ops...

Sem mencionar os sapatos; ADOREI as cores, as estampas, os recortes e o tamanho dos saltos (nada absurdos e totalmente usáveis):





Enfim, eu poderia colar o site da criatura inteira aqui; vão fuçar. :)