Bardot in Blue

De vez em quando a gente esbarra num daqueles brógues tão, mas tão lindos, que parecem inventados e se pergunta "mas por que eu não tenho a vida mágica dessa pessôua?". Para o meu suprema desespero e inveja, descobri mais um pra lista ontem: Bardot in Blue.





Tive que me segurar para não trazer o blog da criatura inteirinho pra cá. Principalmente as fotos feitas na Provence - mon Dieu!! E os vestidinhos vintage. E as comidinhas. E as fotos das festinhas em barcos navegando pelo rio Sena em frente à Eiffel. Ai, ai... *choro desconsolado* E ela ainda tem uma lojinha de badulaques vintage garimpados em Paris especialmente para você. *escondam os cartões de crédito, NOW!*



Mas atenção! Se você acha que não segura a onda de ver uma loira linda, rica e esvoaçante desfilando vestidinhos Dior e sapatinhos Miu Miu pelas ruas mega chiques de Paris e comendo cupcakes e macarons da Ladurée sem engordar, então recomendo nem clicar no link. Não me responsabilizo pelos resultados catastróficos que isso possa causar na sua auto estima e nem reembolso a conta dos antidepressivos, okêi? Beyjas.


Isso me fez lembrar de alguns eventos ocorridos ultimamente na minha formspring. Sempre achei muito esquisito o PAVOR que certas pessoas parecem ter de admitir um sentimento tão humano quanto simples, como a inveja. À menor menção da possibilidade, as penas voam pelos ares: "invejosa, EU? Imagiiiiina!". Caríssimos amigos, vamos colocar a máscara de perfeição e superioridade moral na gaveta só por um instante? TODO MUNDO sente inveja. Eu *morro* de inveja de muita gente; por serem mais bonitos do que eu, mais inteligentes do que eu, mais ricos do que eu, mais talentosos do que eu, mais populares do que eu - a lista é infinita. Não tenho o MENOR problema em admitir.

Sou humana e é natural sentir-se encantado por uma pessoa, pelos dons ou posses de que ela desfruta e sentir aquela pontadinha gostosa de cobiça, que motiva a querer mais, a não se acomodar, a tentar melhorar. Ou simplesmente agradecer por existir gente assim tão interessante - e bacana o bastante para dividir suas bençãos (quaisquer que sejam) com todo mundo. E que certamente sentem invejinha de outras pessoas também, porque ninguém tem ou é absolutamente tudo o que quer ter ou ser.

São as pessoas que se enfurecem quando sugerimos que elas possam estar com inveja que me preocupam. Quem tem vergonha de admitir a própria inveja o faz por medo, ou pior ainda, por saber que a inveja que sente não é aquela benigna e natural, mas sim destrutiva e tóxica. O tipo de inveja que nasce da insegurança, que quer destruir e desmerecer o objeto da inveja na esperança de se sobrepujar à ele. O tipo de sentimento que eles preferem renegar, e com certa razão. Mas quando cai o pano, quem se recusa a analisar e reconhecer seus próprios sentimentos acaba se impedindo de crescer, de se desvendar, de lidar melhor com as suas carências e desejos mais escondidos.

A inveja que eu sinto não se traduz em raiva ou ressentimento pelo objeto da minha cobiça. A minha inveja é puramente contemplativa e, por várias vezes, me enleva, me inspira e me põe um sorriso no rosto. Quero que todos à minha volta fiquem cada vez mais lindos, mais loiros, mais ricos, mais inteligentes, mais talentosos, mais felizes - porque quanto mais belos forem, mais belo ficará o mundo em que eu vivo. E, ainda que por reflexo somente, mais bela eu ficarei.

Quero ter muita inveja, e de muita gente. Sempre.

Bom fim de semana. :)

No comments