Things I hate about You.

Fizeram meu mapa astral enquanto estive no Brasil e parte dele dizia: "Uma atmosfera "melancólica" pode fazer as pessoas equivocadamente acharem que você é uma pessoa fria. O que ocorre é que seus sentimentos são muito profundos, e tudo aquilo que é profundo é mais internalizado. Convém aprender a verbalizar as coisas que você sente, para que os outros tenham mais percepção do que se passa dentro de você. Pois, sob muitos aspectos, você é um verdadeiro - e fascinante - mistério!"

Verbalizar? É, acho que vou continuar fascinando as pessoas.

Da série: "Coisas que achei um saco no Brasil":

1. O preço dos livros. Não existe nada mais esnobe, elitista e ridículo que o mercado editorial brasileiro. Na Europa, um livro é apenas isso: um livro. Uma coisa que serve pra ler e depois doar, guardar numa gaveta, jogar fora... No Brasil o livro é um símbolo de status. Algo que a classe média (a única que parece conseguir pagar os preços absurdos cobrados pelas livrarias) gosta de "mostrar pras visitas" para tirar onda de culta. Só pode. Porque só isso explicaria um exemplar de literatura descartável para meninas custar SESSENTA REAIS. O mesmíssimo livro saiu pelo equivalente a dezesseis reais numa livraria aqui de Jersey (eu teria pago ainda menos se tivesse comprado pela Amazon). Pelo equivalente aos sessenta reais, eu saí da livraria carregando um livro de capa dura e dois comuns, tipo brochura.

E não venha dizer que livro no Brasil é caro "porque ninguém compra". Que tal "ninguém compra porque é caro"? E porque as editoras preferem publicar livro pseudo de gente com influência do que publicar literatura simples e boa que o povão queira ler e possa pagar?

Uma amiga comprou o "Comer, Rezar, Amar" e eu percebi que a encadernação brasileira é desnecessariamente elaborada. Aqui, esse livro é uma brochurinha pequena, letras miúdas, papel fino e capa sem frescura. Eu tenho um exemplar europeu e fiquei bestificada com o chiquê da edição da minha amiga: o livro era enooorme, com letras grandes, papel caro... Só que ela teve que pagar 39 reais (na promoção) por todo esse circo. Quanto eu paguei? Com o desconto leve 3 e pague dois da Waterstones, uns doze reais. No fim das contas nós duas lemos a mesma história, e não é isso o que interessa? Às editoras, minha sugestão: parem de tratar livro como se fosse artigo de luxo. Já se passou muito tempo desde que Gutenberg inventou a prensa; acreditem em mim, A NOVIDADE JÁ ERA.

2. Os brechós cariocas. Tudo muito caro e muito ruim. Não me admira que brasileiros ainda tenham tanta relutância em comprar peças de segunda mão. Os donos de estabelecimento precisam se tocar de que, só porque uma coisa é VELHA, não significa que seja "vintage". E que é sinal de decência e apreço pelo consumidor LAVAR e PASSAR a peça antes de pendurá-la nos cabides, sob o risco de intoxicar a clientela com toda aquela variada nhaca centenária e transformar a loja numa casa de repouso para ácaros aposentados. Também vale aprender que, se depois de uns cinco anos você ainda não conseguiu vender uma peça, tá na hora de desistir e transformar em pano de chão. Tinha umas coisas penduradas ali que PELAMOR, nem a Helena Bonham-Carter conseguiria incorporar a um look. E as araras TÃO cheias de peças ruins que a gente mal conseguia mover as roupas para tentar procurar alguma coisa. No segundo brechó (de uma lista de oito) eu simplesmente desisti e entrei na Renner.

Trinta reais numa blusinha com etiqueta da Citycol? Com trinta reais eu viro SÓCIA MAJORITÁRIA daquela titica!! Cem reais por uma blusa feia com cara de bisavó? Duzentos (!!) reais num casaco comprado numa loja de departamento inglesa, sendo que é possível comprar um similar, na própria Inglaterra, na mesma loja, NOVO, por menos do que isso?? Pelo preço que eles cobram em roupas cafonas do comecinho dos anos 90, fedidas, sujas e em mau estado, eu saio da C&A com uma sacola cheia. Façam-me o favor.

3. Os novos vizinhos da minha mãe. Eles moram no apartamento dos fundos, cuja área de serviço fica exatamente atrás da nossa, separadas apenas por um muro que não vai até o teto. Eles não estavam aqui ano passado e, na remota hipótese de eu retornar para aquele mesmo apartamento ano que vem, espero que não mais estejam. Na real, no tal apartamento só vive uma senhora de meia idade. Mas quase todos os dias (e noites, madrugadas...) a casa dela se enche de outras pessoas - a maioria jovens adultos e crianças pequenas. Sem uma gota sequer de educação ou classe. Sabe o elo perdido? Pois é, acabei de achar e quero o meu Nobel.

TODO MUNDO FALA AOS BERROS. As crianças gritam, grunhem e choram, os adultos xingam e se esgoelam, e eu gostaria de poder gravar um dia inteiro de atividade para poder registrar os sons guturais, gritos primais aterrorizantes produzidos pela gentalha. Juro que às vezes parece que tem alguém virando lobisomem, ali. Ou sendo sodomizado. Ou ambos. Tem coisa pior do que gente que tosse feio? Um deles tosse medonhamente, é tão nojento que já me peguei interrompendo o almoço, enojada. E por falar em comida, eles cozinham com banha de porco. Fritam PEIXE em banha de PORCO. Todos os dias na hora do jantar a casa da minha mãe ficava cheirando a frigorífico depois de um apagão (aka. carne podre) e não imagino como as pessoas do outro lado do muro conseguem comer algo tão fedorento.

Sério, é caso pra Napalm.

4. Os homens. Ok, queridos leitores masculinos desse blog (todos os dois). Antes que o céu desabe sobre a minha cabeça, eu não estou falando de rapazes inteligentes, finos, bem educados e que demonstram evidente bom gosto para leituras virtuais, como vocês. Me refiro àquela corja que se amontoa em calçadas, portas de boteco/padaria, lugares onde se consertam automóveis, construções, etc. You get the idea. É extremamente desagradável ter que ser analisada milimetricamente sempre que passo na frente de um desses grupinhos - e não, eu não sou a Jessica Alba. E nem precisa. Quando eles não se dignam a apenas olhar bem no meio dos nossos peitos e trocar risadinhas escrotas uns com os outros, eles nos honram indo mais além e descrevendo em riqueza de detalhes o que gostariam de fazer com eles. E com variadas partes recônditas da nossa anatomia. Se esquecendo de que, geralmente, as pessoas preferem escolher com quem fazer essas coisas. E que se me fosse dada a opção, EU preferiria cometer harakiri com uma gilete enferrujada OU uma faquinha de plástico de embalagem de rocambole.

Há quem goste desse tipo de coisa. Beleza, eu entendo quem aprecie - só que eu detesto. Esse tipo de homem em geral é aquele que balança na mão a chave do carro para cair no radar de Marias Gasolinas e fala alto, BEM ALTO, como se o suposto excesso de testosterona deixasse a pessoa surda e incapaz de aferir os decibéis da própria voz. Pra resumir, se esse tipo fosse o último homem sob a face da terra, eu preferiria ter sucumbido à hecatombe/peste negra versão reloaded e não ser a última mulher. Vade retro.
Coisas que eu gostei no Brasil? Sapatinhos bonitos, girlie e ridiculamente baratos, claro. :)

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