La Mare

Pegamos o almoço do último dia de funcionamento da vinícola La Mare este ano. Estão fechados para o inverno e só reabrem na primavera. :)











Esse cheesecake de black butter (uma geléia bem grossa feita de maçãs, típica da ilha) estava delicioso. E a garçonete (que, por incrível que pareça, não era do leste europeu) ainda me trouxe a receita impressa quando eu elogiei o sabor. Nota dez, hein?


beach walk

Andar na praia. No inverno é mais legal.



Depois almoçar no La Pulente, um pub/restaurante com essa vista:



Minutos antes de fazer a foto dos meus pés (com as fatídicas Melissas comedoras de calcanhar) quase fui atropelada por um ciclista. Descendo os degraus, numa área restrita a pedestres. Buzinou e passou a dois centímetros do meu pé, não olhou para trás e seguiu em frente.

Outono 2010

Primeira caminhada desse outono - é, eu sei: vergonhoso. Hoje o dia amanheceu nublado porém sem chuva ou vento, e fomos a Waterworks Valley, uma pequena represa bem no meio do vale de Saint Lawrence. A maioria das folhas das árvores já havia caído, por isso não tive muita vontade de fazer fotos. Mas foi bom respirar um pouco de ar puro antes do almoço dominical, esticar as pernas, sair da frente do computador e me lembrar que, apesar dos pesares, essa ilha é um dos lugares mais bonitos que já vi - fotos não fazem justiça.









Me apaixonei por essa casinha no meio do vale, à beira da reserva.



Tenho essas botas há anos e raramente uso. São confortáveis, quentinhas (forro de pele de ovelha) e com uma vibe folk que muito me agrada. Tenho outro par igual, só que em vermelho. Decididamente vão sair do armário com mais frequência nesse inverno. :)



O inverno promete vir congelando esse ano, mas vamos repetir o mantra:



Sempre válido. ;)

Agridoce



Bombons de chocolate branco recheados com purê de framboesa da Hotel Chocolat. Pena que o atendimento da loja (que acabou de abrir uma filial aqui em Jersey) seja péssimo.

gratuitous kitty pic of the day



Chantilly agradece os inúmeros votos de pronto restabelecimento recebidos na internet e anuncia que está bem melhor de saúde, many thanks. :) O olho se recupera bem depois da cirurgia e os veterinários estão satisfeitos com o progresso.

E agora vou ali incorporar a Scarlett O'Hara, recitar "tomorrow is another day" e esquentar a minha sopa de abóbora, feita com o que sobrou do Jack O'Lantern de halloween. Could be worse. ;)

Cellar door

Estou apaixonada pela Cellar Door Magazine. Mantida pelas inglesas Jade Cooper-Collins e Amy Power desde 2009, a revista é graficamente linda (de um jeito bem Lula) e não fica nada a dever à inspiração. Moda, fotografia, arte, mixtapes, novos talentos, receitas... O talento e o esforço das meninas em fazer algo no mesmo nível das mídias impressas é notável. Eu podia ficar aqui falando e colando fotos o dia todo, mas por que você não vai logo lá? :) É possível folhear a revista inteirinha pelo site (café e biscoitos recomendados), bem como todas as edições antigas.










winter warmers

Preciso de um casaco marrom ou bege. Não porque a cor está na moda, e sim porque combina com tudo e é menos funérea e formal que preto. E porque andei estressada e minha caspa voltou (haha). E porque eu não tenho nenhum casaco de inverno marrom. Cogitei guardar dinheiro e comprar um trench coat na Burberry, clássico eterno, etc., mas sinceramente? Clichê. Abri a página da Zara e tive vontade de jogar todo o meu guarda roupa de inverno no lixo.



E o melhor: nenhum deles quebra o banco. Woohooo.

the kindness of strangers

A sua loja não ficava, exatamente, no meu caminho. Para falar a verdade, durante todo aquele ano-e-mais-um-pouco que passei perambulando sem destino a minha pseudotropicalidade por entre os arianos na capital da baixa saxônia, eu nem mesmo tinha um caminho. Nem trabalho, estudo, ocupação, assuntos-a-resolver, nada (a falta de livros, DVDs, TV e cinema numa língua compreensível provou-se fatal). Eu mesma compunha o itinerário do dia, motivada pelo tédio e com o único objetivo de sair, por algumas horas, da frente do computador (“e da geladeira”, me lembram os seis quilos que ganhei por lá). O roteiro da caminhada era variável, mas quase nunca passava por aquela rua lateral onde não havia nada digno de interesse além de uma creche, bicicletas ordenadamente estacionadas na calçada, um bar frequentado quase que unicamente por moscas e a sua loja. Talvez nesta ordem de importância.

A vitrine chamou a atenção por combinar duas coisas que, num mundo regido pela ordem como a das bicicletas na calçada, não se devia combinar numa vitrine. Brinquedos e bebidas alcóolicas. Garrafas de vinho cobertas de poeira pontilhavam prateleiras ocupadas por bonecas feias de porcelana e móveis para as casinhas em que elas deveriam morar. Mas o que mais me intrigou foi o anúncio colado com durex no vidro e escrito à mão. Onde, segundo o google translator, lia-se: “aberto às quartas feiras, das 13h às 16h.”. Sim, uma loja que vendia bonecas e entorpecentes e que funcionava apenas três horas por semana. Um vórtex para uma dimensão muito mais interessante do que aquela onde eu estava vivendo; agendei mentalmente a visita.

Na quarta seguinte cheguei meia hora depois da abertura e pus os dois pés atrás quando, ainda na esquina, vi alguém limpando o vidro da vitrine e me dei conta de que você era um velhinho. Eu e meus arraigados preconceitos contra alemães, todo aquele background sinistro de nazismo + eugenia + frieza + obsessão por regras… Tintas em cores acinzentadas e vermelho sangue pintando um quadro muito mais ameaçador do que toda uma realidade de motoristas sorridentes que paravam na faixa de pedestres para que eu passasse, crianças bem comportadas e caixas de supermercado que iluminavam meu dia com um “Hallo!” musical. Me apeguei à lembrança dessas experiências felizes para conseguir me aproximar da loja - apesar do medo de ser atirada no forno crematório que ficaria nos fundos do estabelecimento, disfarçado de fábrica de pretzels. Me demorei de propósito fuçando uma mesinha cheia de tralhas na promoção que havia sido posta na calçada e foi aí que você chegou à porta. Saído de algum conto de natal vitoriano, blusa e colete, a barba branca e os olhinhos como duas blueberries caídas na neve. E um sorriso daqueles de fazer a gente acreditar em coisas improváveis (como blueberries no inverno, por exemplo).

Passei os melhores trinta minutos da minha estadia na Alemanha dentro daquele cômodo apertado e cheirando vagamente a mofo e vinho oxidado. A conversa fluía tão bem que levei algum tempo até perceber que você não falava inglês e eu não entendia alemão. Comecei a desenterrar expressões e palavras soltas que tinham se incrustado na minha cabeça muito antes de eu sequer sonhar em conhecer o seu país, mas a maior parte do nosso animado diálogo era composto de risadinhas e dedos sendo apontados para objetos randômicos. “Puppenhaus!!”, eu exclamava eufórica. Você fazia que sim com a cabeça, e rindo, abria a portinha da tal casa de bonecas, revelando o que mais parecia ser um puteiro parisiense, tamanha a quantidade de poltronas de veludo vermelho e abajures acesos. Eu queria saber quanto custavam as coisas e quase sempre você erguia os ombros com uma expressão impagável de “não tenho a menor idéia!” no rosto e aí caíamos na gargalhada e era preciso telefonar para a esposa em casa, descrever o objeto em questão e perguntar o preço. Rindo o tempo todo. Você não sabe, mas a sua gentileza me fez sentir menos inferior e deslocada e destruiu mais estereótipos do que dez anos vivendo na terra do Chucrute. Aqueles risos foram a música mais bonita que ouvi durante toda a minha estadia na Alemanha.

Saí da loja carregando um pequeno sofá, uma cômoda vintage em escala 1:12, um carrinho de bebê para bonecas de madeira, um pouco mais de apreço pela humanidade e ainda mais desconfiança em relação a clichês comportamentais. Semanas depois deixamos o apartamento em List e nunca mais tive outra oportunidade de voltar.

Naquele dia, enquanto eu saía da loja, você me chamou e pôs na minha mão uma garrafa pequena, coberta de gordura e pó, contendo algo que parecia vinho. Fez com as mãos um gesto que interpretei como sendo “muito bom, muito bom mesmo”, e eu confiei. A garrafa eu mantenho no sótão rosa, meu lugar favorito da casa. E, mesmo não sabendo bem o que diabos estou bebendo, tomo um gole sorrateiro sempre que alguém aqui nesta ilha de gente supostamente educada e amável ignora o meu good morning, me atende numa loja sem sorrir ou revira os olhos quando esqueço como se diz uma palavra. E aí é como se os sininhos de natal daquele conto de onde você certamente saiu (para me fazer menos solitária e ausländer) repicassem de novo em uníssono, na frequência do seu riso.

Achei que você gostaria de saber, Mr. Walter.

paper love

Para quem perguntou (há milênios atrás - sorry!) sobre como eu guardo as minhas colagens: num arquivo simples, como o da foto abaixo.



A única parte chata é ter que fazer os dois furinhos, mas acho mais fácil de folhear do que simplesmente pôr tudo numa pasta de elástico comum, e mais econômico do que usar aquelas pastas com folhas de plástico (que costumam ser caras).

E, para quem cobrava lá no formspring, o blog de colagens foi atualizado. As fotos não estão muito boas por causa da escuridão invernal que já tomou conta de algumas partes desse hemisfério (inclusive a minha, infelizmente).











Para ver mais fotos (e em tamanho maior) vai lá. :)

never let me go

Still do filme "Never Let me Go", com Carey Mulligan e Keira Knightley. Não assisti ainda, mas adoro o que a Carey está vestindo. Minha idéia de "comfort wear" para o frio; cores outonais, materiais quentinhos e macios e sobreposições.


Girlie



Esse vestido. Tem meu nome escrito nele. E custava apenas sete libras. SETE. E eu não fiquei sabendo. E, por isso, ele não é meu. Kill myself, why don’t I?

(via Miss Selfridge, não por acaso uma das minhas lojas preferidas da high street britânica)



Vestido de camurça See by Chloe. Vale o investimento, eu acredito, porque tanto a cor quanto o modelo são eternos.

rose shine

Comprei esse duo de brilhos labiais na Marks & Spencer outro dia desses, simplesmente pelo fato de que eram bonitinhos. Detesto brilhos que você precisa espalhar com os dedos (eu tenho unhas longas) e a textura deles é de angu. Eu realmente não devia ficar fazendo essas coisas, mas é que eles eram tão baratos e oh, como resistir a essas cores/embalagens fofinhas?





Se os correios brasileiros prestassem eu até faria um sorteio. Tenho pencas de esmaltes, creminhos e tralhinhas diversas que sei que não vou usar. Infelizmente cerca de 80% das coisas que envio para a pátria amada jamais chegam ao destino; então, para as minhas desnecessidades não-utilizadas, o destino mais provável há de ser a loja de caridade ou o lixo. Too bad.