the fab four

today i saw three chinese kids (probably from the chinese pastry shop nearby) singing kid’s songs in chinese/english to a homeless person in the street. i bet they were all feeling a bit misplaced in the world (the kids were taken from their home land, school and friends to start life over in south america, and the homeless guy had to wear rags in the cold and sleep on a cardboard sheet on the pavement, ignored by the rest of the world except those three children). the kids were all laughing and dancing and the guy was smiling and clapping his hands. it was the most beautiful thing i have seen all day. i pointed the scene to a friend and she just shrugged, “whatever, this place stinks; let’s get out of here”. sometimes i feel really stupid for believing that moments like this are worth having to put up temporarily with a crowded bus station smelling of stale food and piss.

memórias de uma ex-internauta

Assistir a esse vídeo foi estranho.
1998. Mas eu ainda levei mais um ano para finalmente ter internet em casa. Conexão discada, e lembro de ligar para uma amiga e tirar dúvidas estúpidas durante o processo ("não está dando certo! tô ouvindo um barulho de fax ao invés de internet!"). Lembro do amigo técnico que veio ajudar e me apresentou aos newsgroups - uma praga que me consumiu madrugadas inteiras numa prévia do que hoje seria nomeado "xingar muito na internet". Lembro dos sites de anime e de salvar uma quantidade assustadora de imagens em bitmap para o hard drive de, sei lá, 210MB. Lembro de instalar programas em disquete (no caso do windows, por exemplo, uma caixa inteira deles), de comprar CDs com joguinhos deliciosos para DOS e programinhas inúteis, de receber CDs de instalação da America On Line em casa e jogar todos fora (ou usar como descanso para copos), de trapacear para passar de fase em Doom e Heretic, de trocar skins para Winamp com meus amigos, de usar o Altavista para fazer buscas (e do saudoso tempo em que as buscas traziam SITES, não blogs ou lojas), de fazer conta de email no BOL, de baixar vários discadores de internet para testar um quando o outro estivesse busy. Do "uh oh" no ICQ e de não entender quem usava Aol Instant Messenger. De fazer um blog no Blogger e ficar meio que perdido no espaço, sem saber direito o que escrever ou se mais alguém leria. De descobrir um portal de blogs brasileiro chamado Desembucha que mudaria seu universo e ver, a partir dali, a internet como então conhecíamos entrar num declínio sem volta.

Evolução, alguns dizem. E eu só me arrependo por nunca ter feito uma conta no IRC, e lamento que o uso da palavra "internauta" tenha caído em desuso. O que temos pra hoje? TWITTOSFERA.

I rest my case.

Lolita de Lempicka



















Lolita Lempicka. Belo frasco, conteúdo mais ou menos. Não é ruim, mas também não é bom - a fixação é pífia e olha que se trata de eau de parfum. Mas como eu disse, frasco lindo que vai ficar perfeito na minha futura bandeja 80s com fundo de espelho - onde colecionarei vidros de perfume bonitos e vazios.

Vela perfumada da Royal Horticultural Society. Nome solene, mas essa veio da B&Q e só me custou 4 libras. Quarto inteiro com cheiro de rosas, no entanto. Result. :)

Batoms preferidos atualmente: Rouge Volupté em Beaubourg Brown (Yves Saint Laurent - não é linda essa embalagem?), Ruby Woo e Fanfarre (MAC). Blush preferido (até o cheiro é ótimo): Brun 545, Guerlain. E esse site me lembra de que preciso comprar outro vidro de Shalimar. :)

P.S.: A Raquel, do Uma Aspone Qualquer, fez uma feature com fotos do meu sótão. Para quem quiser ver um pouco do lugar de onde eu escrevo (e como, assisto dvds, ouço música e, eventualmente, durmo) é só clicar aqui. :)

{Actions by Iemai + Annie}

madrid - parte III



























Enfim, foram menos de quatro dias inteiros na Espanha. Não fotografei muito (ocupada demais comendo e falando) e, devido ao céu cinzento, configuração errada na câmera e muita preguiça, o resultado fotográfico não ia mesmo ser bom. Whatever.

Não é o que importa. Revi minhas amigas, comi tapas, paella, presunto ibérico, bocaditos e montaditos (nota mental: com toda essa variedade, nunca mais pedir coca cola ou batata frita em terras espanholas - até porque ambas são ruins), bebemos prosecco e Heineken (!), caminhei por um parque lindo, conheci a mais antiga chocolateria de Madrid (onde os churros ali em cima foram consumidos, apesar de o chocolate ser amargo demais), comprei batom no El Corte Inglés, tomei café da manhã em padarias, resisti às compras na baratíssima filial da Zara na Gran Via, encarei cinco horas de trem entre Madrid e Algeciras, comi algo que não combinou com a minha personalidade e passei metade do sábado ejetando seus pedaços não digeridos no banheiro do hotel em La Línea, visitei cavernas repletas de estalactites e estalagmites milenares, conheci os famosos macacos da pedra de Gibraltar (que até posam para fotos desde que em troca de amendoins, aqueles mercenários) e encerrei a visita jogando boliche em Marbella (sem conseguir nem um strike, mas não importa porque teve comida chinesa depois).

Tudo fotografado na minha lembrança, em altíssima resolução e com trilha sonora de risos e música espanhola.
Me esperem de volta no verão. :)

madrid - parte II
















Doces numa padaria em Calle de Velazquez, palácio de cristal no Parque do Retiro, meu casaco insuficiente contra a ventania madrilenha, chafariz e estátuas no Parque, chocolateria San Gines - a mais antiga da cidade, churros fritos na hora a serem mergulhados no chocolate grosso e amargo.

Madrid - Parte I












As fachadas de azulejos antigos das lojas e restaurantes, construções clássicas na Gran Via, primeiro café da manhã na cidade, detalhe da fachada de um restaurante, cerveja Tio Pepe ("o sol da Andaluzia engarrafado"), chafariz no Parque do Retiro.

built to have us in it

“… imagine a puddle waking up one morning and thinking, ‘This is an interesting world I find myself in – an interesting hole I find myself in – fits me rather neatly, doesn’t it? In fact it fits me staggeringly well, must have been made to have me in it!’ This is such a powerful idea that as the sun rises in the sky and the air heats up and as, gradually, the puddle gets smaller and smaller, it’s still frantically hanging on to the notion that everything’s going to be alright, because this world was meant to have him in it, was built to have him in it; so the moment he disappears catches him rather by surprise.”

- Douglas Adams

after the fire.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.

No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.

- O Amor que Acende a Lua, Rubem Alves

confessions of a shoeholic?

Eu já usei Crocs.




Fotos de outubro de 2006. Os crocs foram comprados em Camden porque os sapatos que eu estava usando machucavam meus pés. Bastou sair da loja com eles e uma dupla de patricinhas (em Camden?) me olhou torto e deu uma risadinha. LE LOVE.

Juro que tentei usá-los, mas depois de alguns dias eles foram morar no fundo escuro do armário - de onde nunca mais saíram. Não por causa da opinião alheia, e sim pela inconveniência: aquela sola texturizada machuca meus pés.

cemetery gates

Meu avô costumava dizer que "a gente só precisa ter SEIS amigos na vida, um para segurar cada alça do caixão". E eu dizia que, se o cidadão fosse gordo, então precisaria de seis amigos bem fortes.

Para minha tranquilidade, descobri hoje que existem carros que circulam pelo meio do cemitério levando os caixões, daí ninguém mais precisa ter seis amigos. Como eu vou ser cremada e não dou a mínima para as cinzas, não preciso de nenhum, nem mesmo pra levar o pote pra casa. Pensar nisso hoje de manhã me deixou feliz.

Gorila Gum

Não resisti a esses chicletinhos com cara de vintage numa loja de doces aqui em Jersey:



Houve um tempo em que chicletes vinham assim, em pacotinhos coloridos individuais que pareciam ter sido embalados à mão. Alguns vinham com figurinhas dentro, às vezes decalques de raspar que a gente podia passar para capas de caderno. A coleção Ploc Monsters é inesquecível, com decalques de monstros pavorosos (bom, pelo menos para as crianças) e cada um tinha um nome. Paula, Alexandre, Carolina, Patrícia, Gustavo, Henrique... Quanto mais feio o monstro, mais chochada a criança era, e os bordões "o seu monstro é muito mais feio que o meu!" ou "até que essa monstra Luciana é bonitinha... Pelo menos mais bonita que a própria Luciana!" se espalhavam pelos playgrounds e pátios de colégio.

Quem diria que chiclete um dia já serviu de veículo pra bullying? :)
A melhor coisa da minha infância? Nunca acharam um monstro Ploc com o MEU nome.

oh sweet claire, i can see your underwear

Dizem não ser de bom-tom postar fotos das suas próprias calcinhas na internet.
Mas acho que, desde que nunca tenham sido usadas e eu não esteja dentro delas, não deverei passar por maiores constrangimentos.



Como resistir às promoções "3 por £7" da New Look?



Adoro os babadinhos, rendinhas e demais frescurices.
Duvido que vão resistir a mais de três lavagens, no entanto. Nada é perfeito.

In the backseat.

I like the peace
in the backseat,
I don't have to drive,
I don't have to speak,
I can watch the country side,
and I can fall asleep.

My family tree's
losing all its leaves,
crashing towards the driver's seat,
the lightning bolt made enough heat
to melt the street beneath your feet.

Alice died
in the night,
I've been learning to drive.
My whole life,
I've been learning.


"This is a wonderful, emotional song to finish "Funeral." The song still pertains to the central theme of the album: the passing of loved ones. This song brings me to tears with the dramatic buildups and the easily experienced, metaphorical lyrics. Basically, being in the back seat means to be as a child. As a kid there are no responsibilities and everything simply observed. But since "Alice", the mother, has passed away, she now has to take control of her life as the adult now. This song is simply a tearjerker when reminiscing about childhood, growing up, and the death of a beloved parent. "