The first ones.

Não lembro de ter feito amigos no pré-escolar, mas o primário começou bem. Numa escola particular, porém barata e numa parte menos afluente da cidade que já não era lá muito afluente. No começo minha mãe me levava no fusquinha azul, que depois foi roubado. Mas mesmo antes de alguém arrombar o portão da casa e levar o carro embora (sob as barbas do nosso cachorro adormecido e que depois não teve sequer a decência de aproveitar o portão aberto e fugir) eu já havia começado a dar meus primeiros passos solitários no mundo, deixando o casulo quentinho dos cobertores pela manhã e cobrindo o quilômetro que me separava da escola com sapatos de fivelinha, meias brancas, saia plisada azul marinho, camisa branca de tergal com botões na frente e o emblema do Centro Educacional costurado à mão no bolsinho do peito.

Quando chovia eu ainda ganhava carona da mãe; até porque a rua da escola costumava alagar ou encher-se da lama que descia dos barrancos da ladeira. As crianças que moravam nela desciam junto com a lama porque precisavam estudar e um dia, quem sabe “ser alguém na vida” e ter casa num lugar melhorzinho. Desciam quase da mesma cor do barro, o uniforme respingado de lama, os pés dentro de sacos plásticos presos à perna com elástico para não sujar os sapatos, preciosos talvez por serem únicos.

Karla Danielle era o protótipo de futura gatinha da classe, cabelão longo e o sorriso eternamente colado no rostinho bonito. Um dia me defendeu quando outras meninas tentavam me impedir de participar de uma brincadeira no recreio: “a corda é minha e ela é minha amiga, vai brincar sim!”. Me surpreendi porque há tempos a gente não comia merenda juntas, o que me fez concluir que talvez já não fôssemos mais tão amigas assim; daí eu não estar esperando que ela tomasse o meu partido. Pais separados, ela morava com a mãe e o irmão menor numa casa amarela de esquina, próxima à minha. Eu a chamava para tomar banho de piscina e lembro de um dia ter observado fascinada a menina submergir inteira antes do cabelo (os fios oleosos ficaram boiando na água). Mas tarde ela acabou se tornando mesmo a gata da classe, numa escola diferente (fomos separadas aos 11 anos quando começamos o segundo grau). Engravidou cedo, aos 16 anos já desfilando um carrinho de bebê. Ficou menos bonita com a idade, ganhou peso, a pele oleosa virou playground para a acne se espalhando no rosto cansado das noites sem dormir cuidando do pequeno. Da última vez que a vi ela estava empurrando a segunda filha numa dessas bicicletinhas de criança, num desses sábados onde a prefeitura fecha o tráfego de veículos em algumas ruas para o lazer dos moradores. Me viu de longe e me jogou um beijo. Nem tive como agradecê-la depois pela gentileza de me oferecer, no meio de tantas mudanças na minha vida e na dela, o mesmo sorriso de sempre.

Renata (ou Renatinha, por conta do tamanho diminuto) era a líder nata. Óculos, feições levemente orientais, “cara de fuinha” segundo a crueldade da minha mãe. Autoritária, mentora dos planos, representante de turma, conselheira, juíza de brigas e pendengas, ela sempre tinha alguma coisa para dizer e, vindo dela, qualquer coisa se tornava importante e digna de atenção. Um dia correu o boato de que ela estava com piolhos. Depois das lendas criadas por adultos para aterrorizar os pequenos de que era preciso raspar ou queimar cabelos que adquirissem o parasita, as outras crianças mantiveram uma distância segura. No dia seguinte ela apareceu com o cabelo cortado curto, bem curtinho mesmo, mais curto ainda que o do irmão, Fabiano, que estudava na mesma classe e tinha o cabelo liso num corte tigelinha. Mas como se tratava da Renata ninguém teve coragem de tocar no assunto. Ela também nunca disse palavra, embora vez por outra levasse as mãos até a nuca como se esperasse encontrar um rabo de cavalo ali, para então recuar desconcertada. E o cabelo curto da Renatinha se tornou assunto banido sem que ela precisasse pedir, nem mesmo reconhecer o respeito implícito no nosso silêncio.

O Ivan era um loirinho troncudinho, com cara de alemão de meia idade (foi a melhor descrição que me veio à mente), olhos verdes miúdos, bastante tímido e que sentava na lateral direita da sala de aula - e me surpreendo por lembrar disso até hoje. Ele usava uma camisa uns dois números abaixo do que devia e a barriga estufava os botões quando ele se sentava; não sei se por descuido ou falta de dinheiro para uma nova. Até o sapato parecia com os de adulto, numa época em que praticamente todos os meninos (e as meninas não adeptas do sapato boneca) usavam conga, bamba ou kichute. Não havia bullying, no entanto. Ele era apenas diferente e isso não era considerado um crime. Um dia, em que minha mãe viria me buscar mas se atrasou, eu e o Ivan ficamos sentados no pátio da frente da escola, dividindo com precisão quase aritmética o conteúdo de um pacote de biscoitos e discutindo algo muito importante na época (hoje não consigo lembrar) e ele me fez companhia até o fusca azul surgir na esquina.

A Leila era a gordinha que sempre tinha as coisas mais legais. No primário, anos 80, ter um estojo de canetinha com 72 cores era garantia de popularidade. Eu achava um desperdício que ela tivesse aquele estojo, já que não sabia desenhar e nem pintar. E pintava usando as canetinhas ao invés dos lápis de cor (o estojo de lápis de cor dela também era fenomenal), o que manchava a parte de trás da página do livro. Eu lamentava mentalmente ao vê-la esfregar a canetinha com força no desenho. Poucos meses depois do começo das aulas, metade das canetinhas do estojo da Leila já estava falhando. No meio do ano já era preciso comprar outro. Uma vez ela me deu, sem dizer nada, algumas canetinhas do estojo velho - as que ainda estavam boas. Não que meus pais não pudessem comprar; eu é que nunca vi razão para pedir. Mas fiquei tocada pela generosidade da menina, que simplesmente pediu que eu abrisse e juntasse as palmas das duas mãos, depositou nelas as canetinhas coloridas e saiu sem dizer nada. Além desse momento, que eu nunca soube explicar direito, nós nunca fomos especialmente amigas; mas aprendi que existem vários talentos no mundo e que não há nada de errado em não dominar alguns.

A Elaine parecia um boneca de porcelana; na beleza e, principalmente, na fragilidade. Cabelo loiro curto e encaracolado, rosto melancólico e pálido, olhos verdes enormes e fundos, saia um tanto mais longa que a das outras meninas, pernas esguias, mãos delicadas e ainda mais brancas que o rosto. Hoje em dia eu talvez pensasse que ela poderia ser modelo quando crescesse. Era sempre muito bem comportada, tirava boas notas nas provas, usava bolsa tiracolo ao invés de mochila e falava pouco. Tinha um cordãozinho fino de ouro de verdade e nunca tirava. Jamais corria na hora do recreio, o que interpretávamos por boa educação. Um dia uma moça muito bonita apareceu na escola, loira e pálida e melancólica, e essa moça pegou a Elaine pela mãozinha branca e a levou embora. Ela não apareceu para estudar no dia seguinte, nem no outro, nem na outra semana. Mais tarde algumas crianças ficaram sabendo através das mães que a tal moça era mãe da Elaine, e que ela não podia mais estudar porque estava muito doente. Elaine nunca mais voltou para a escola. Nem para aquela, nem para nenhuma outra.

Clayton era o arquétipo do moleque insuportável. Dentuço, tinha um tique nervoso que o fazia estalar os lábios constantemente, o que era irritante e um pouco ridículo. O tique também fazia com que ele levasse a cabeça para trás e depois para a frente, num movimento bastante parecido com o que certas aves aquáticas fazem quando andam - o que imediatamente lhe garantiu o apelido de Ganso (curioso eu ter tido um amigo chamado Pato no segundo grau e outro chamado Ganso no primeiro). Clayton colava chiclete no assento da professora, falava palavrão constantemente, metia-se em brigas, punha espelhos no chão para ver a calcinha das meninas. Hoje em dia acredito que o mau comportamento tenha sido a maneira que ele encontrou de sobressair às piadas e apelidos, cortesia do probleminha neurológico. Ele sentava atrás do Ivan, e apesar do contraste de personalidades, eram os melhores amigos. Uma vez ele fez uma piada direcionada a mim e eu respondi com um “legal você fazer com os outros o que não gosta que façam com você!” e ele ficou calado e a gente se olhou em silêncio por uns segundos, daqueles onde tudo muda, e ganhamos um pelo outro um respeito mútuo que durou até perdermos contato.

Michel era o Pequeno Príncipe. Imaginou o livro, viu o filme? Então. Era ele. Além disso tinha uma daquelas réguas paraguaias made in china, com desenhos que se mexiam quando você mudava o ângulo. Todas as meninas eram fascinadas por ele porque nunca ninguém tinha visto um menino tão bonito. Eu era fascinada pela régua. Mas reconhecia que sim, além de bonito ele era também educado e inteligente. Mas não exatamente sociável. As mais afoitas sentavam perto e puxavam conversa (que ele retribuía com silêncio ou monossílabos), ou sentavam na cadeira atrás dele e ficavam penteando com os dedos os cabelos perfeitos do menino - e eu tinha certeza que ele só permitia por preguiça de ter que lhes dirigir a palavra pedindo para parar. Eu tinha tudo em comum com o Michel, só não tinha coragem de falar com ele; minha arrogância não aceitaria receber a mesma resposta monossilábica e descuidada que ele oferecia às outras. E assim fiquei sem falar com ele, até o dia em que ele chegou atrasado e sentou na única cadeira vazia da sala - do meu lado. Me senti extremamente desconfortável com a situação, até que a lâmpada se acendeu. Eu podia falar com ele de maneira digna, pedindo emprestada a borracha que ele estava usando (não tive coragem de pedir a régua). “Espera”, ele respondeu. Assim que terminou de usá-la passou a borracha, sem me olhar. Impossível não se apaixonar. A paixão súbita alimentou minha coragem: “posso pegar a régua emprestada, também?”. Ele levantou os olhos do caderno e me olhou e eu achei que fosse virar pedra. “Tá, pode pegar a régua também”. Peguei. E perdi vários minutos girando a dita cuja nas mãos e vendo as princesas e pôneis e florzinhas se mexendo no fundo cor de rosa, até que me ocorreu: “a sua régua é de menina”. Disse em voz alta e ele me olhou de novo, levemente espantado. Olhou para a régua e começou a rir. Eu ri também e desde então ele ria sempre que eu a pedia emprestada. “Régua de menina, né?”

No último ano do primário, bem, alguma coisa aconteceu. Deve ter acontecido, eu não lembro. Só lembro que de repente me vi sozinha, sem amigo algum - a não ser a Claudinete. Que quase não ia à escola; dava o ar de sua graça em classe umas três vezes por semana, no máximo. Eu não sabia então, mas fiquei sabendo depois que seus pais estavam tendo dificuldades para pagar a mensalidade. Eu ficava completamente perdida quando ela não aparecia. Todos os dias chegava cedo, me instalava na minha cadeira e passava a encarar a porta obsessivamente. Sempre um alívio do tamanho do mundo, como se um rebanho de mamutes tivesse se levantado das minhas costas, quando a cara morena, o cabelo curto e crespo e os braços magros segurando apenas um caderno, lápis e caneta (Claudinete não tinha mochila) entravam por ela. Mas as entradas foram rareando cada vez mais e se tornando cada vez mais frequentes os dias em que eu esperava em vão, a ansiedade escalando velozmente cada minuto. Quando a professora por fim se sentava na mesa iniciando os trabalhos do dia, eu relutantemente mudava o foco da porta para o caderno, dando minha esperança como perdida. Certa vez, uns quinze minutos depois do começo da aula, já absorta na leitura, senti a mão magra e gelada no meu braço quando minha amiga se atirou na cadeira, sem fôlego pela corrida para compensar o atraso, me iluminando a manhã naquele sorriso de dentes grandes e brancos.

A ele seguiram-se várias semanas de sumiço absoluto, onde eu fui aos poucos me dando conta de que ela não ia mais voltar. Não voltou. Depois que me conformei, aceitei sem reclamar o meu destino: passar o recreio sozinha na sala ou descer e vagar invisível pelo pátio, pisando incerta o chão de pedrinhas, vendo a infância dos outros acontecer diante de mim e com a certeza resignada de que a minha havia começado a acabar no instante em que aprendi o que era a solidão.

Mudei de escola no ano seguinte.



Lolla, 7, pronta para entrar no palco na festa junina do Centro Educacional.

40 comments

  1. Eu vejo tanta beleza na melancolia que não consigo deixar de achar seu texto lindo. (E eu espero que não se ofenda por eu me referir assim à ele).
    Certa vez fiz um texto parecido sobre os colegas que compartilhavam a sala comigo (seria muita audácia chamá-los de amigos), mas era sobre o Primário, e não o pré-escolar. Tinha planos de continuar e fazer sobre todas as épocas, mas acabei colocando a ideia de lado.

    O seu rostinho não mudou muito. E achei o seu olhar tão doce na foto. (:

    Bisous.

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  2. Nossa.... nem tem o que dizer...

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  3. Você está tão bonitinha nessa foto!
    Ah, essa coisa de ficar sozinha no recreio - eu sei como é. Parece que a solidão em alguns aspectos persegue certas pessoas. Lindo seu relato.

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  4. Lolla, acho que um dia você poderia escrever livros, eu compraria. Ao mesmo tempo que amei o texto, eu fico agora brigando com meus neurônios, porque eu não lembro os nomes nem os rostos de muitas pessoas desta fase da vida, só lembro de flashes, algumas poucas situações...

    bjs

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  5. Olha, não sei se você liga pra minha opinião, mas fiquei com vontade de falar. A grande maioria dos seus posts me irrita, porque você só reclama, só fala do lado ruim das coisas, e tem muita gente que gostaria de ter essas coisas das quais você tanto reclama (eu, por exemplo). Por que eu não cancelo a inscrição no reader? Porque suas fotos são lindas, basicamente. Mas hoje eu descobri que tenho outro motivo além das fotos pra não cancelar. Você escreve maravilhosamente bem, em todos os sentidos. Sou extremamente crítica pra isso, e não é fácil eu dizer que alguém escreve maravilhosamente bem.
    -
    Compartilho essa melancolia dos tempos de escola, conheci a solidão muito cedo também, o preconceito, o bullying, etc etc. Acho que muita gente passa por isso, mas não é muita gente que reflete sobre.

    Sinceramente, além das fotos (e agora dos textos), tem outro motivo pra eu não cancelar o Hello Lolla do reader... sou tão reclamona quanto você. Acho que por isso me irrito tanto. Olha eu aqui reclamando dos seus posts.

    Bom, só queria dizer que seu texto me tocou, hoje ignorei inúmeros textos extensos e seu primeiro parágrafo me prendeu. Obrigada por me fazer voltar à minha infância e por compartilhar a sua.
    Tudo de bom pra você :)

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  6. Ain, caiu lagriminhas com seu post :~~
    Muito tocante.

    E que memória detalhista, mulé.

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  7. Ler teu texto me deixou com saudade dos meus ex-colegas de escola, pessoas com quem eu brinquei/briquei/bolei planos maquiavélicos e que perdi ao longo dos anos. Vontade de saber como estão e onde estão :)

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  8. tenho saudade do primário e do tempo que eu chorava sozinha porque achava que ninguém gostava de mim. mas tinham aquelas amigas especiais que até hoje me chamam pra ir na casa delas.

    que texto lindo, lolla. você deveria, mesmo, escrever um livro. assim podia continuar viajando com o marido. e eu teria um livro de histórias lindas com capa rosa claro na estante.

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  9. era pra emocionar??? emocionei.
    abraço!!!

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  10. não me lembro se já comentei aqui... sempre leio.
    estou arrepiada até no couro cabeludo com a história da Elaine.
    este post inteiro foi realmente profissa.


    (sou editora, minha opinião também é profissa :)

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  11. Queria ter o talento que você tem para dar descrições tão incríveis sobre as pessoas que marcaram a minha infância. De algumas, sinto saudades até hoje, mas perdi o contato. Isso antes da 5ª série, onde começou meu calvário de segregação (mas ainda assim, consigo me lembrar dos momentos de alegria genuína, mesmo que estivesse frente ao sarcasmo alheio sem me dar conta). Parabéns pelo texto.

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  12. Bonito esse talento para os detalhes da memória. É engraçado como sintagmas tal como "canetinhas de 72 cores" trazem flashbacks. As minhas foram roubadas, quis por tanto tempo e foram roubadas - rolava todo um crime organizado na minha escola. E pedir material emprestado. Eu ainda tenho uma dessas réguas, acho que a vi na caixa das poucas coisas que restaram do meu passado - a minha era do "Emperor's New Clothes" ;-). Não relaciono escola à solidão, mas sim, outros ambientes e situações. Acho que as férias eram sempre a minha experiência imediata de tédio e solidão. Não viajávamos muito, quase nunca, e todo mundo desparecia, e os meses abafados do verão pareciam eternos. Os pernilongos. O background de programas de auditório aos sábados.
    Enfim, desculpe o devaneio, é que certas coisas às vezes abrem caixas de Pandora.
    Belo texto! E a foto é fofa!
    Bj,

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  13. Lolla, lindo demais o que você escreveu, me fez lembrar desta minha época também.
    Adoro seu blog, parabéns pelo talento incrível *--*
    Bjuss

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  14. Eu te acho reclamona e mal agradecida por tudo que tem. Deveria dar mais valor para as coisas e deixar de tentar ser uma Lolita Pille da vida.

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  15. A Elaine me fez lembrar uma amiga de infância. Lindo texto, Lolla.

    Ah, e vc não mudou nada. O rosto continua igual.

    Beijo.

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  16. Lolla... que transporte você me proporcionou... tô me sentindo tão estranha. Nó na garganta, lágrimas nos olhos (no meio do trabalho, sua safada hahaha), uma moleza no corpo (ok, essa parte pode ser da gripe). Sei lá, vontade de ficar quieta num canto, mergulhar nas minhas memórias e reconstruir essa Letícia de agora. Você tinha o que, uns dez anos quando algo mudou? E a percepção de todo esse universo, veio quando? Que foto mais linda, que olhinhos cheios de significado, que vontade de ver a dança dessa menininha... Tô falando demais, quando a única palavra capaz de resumir o impacto desse seu texto é "obrigada".
    Beijos,
    Letícia R.

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  17. Compartilho total desta opinião abaixo.


    "Olha, não sei se você liga pra minha opinião, mas fiquei com vontade de falar. A grande maioria dos seus posts me irrita, porque você só reclama, só fala do lado ruim das coisas, e tem muita gente que gostaria de ter essas coisas das quais você tanto reclama (eu, por exemplo). Por que eu não cancelo a inscrição no reader? Porque suas fotos são lindas, basicamente. Mas hoje eu descobri que tenho outro motivo além das fotos pra não cancelar. Você escreve maravilhosamente bem, em todos os sentidos. Sou extremamente crítica pra isso, e não é fácil eu dizer que alguém escreve maravilhosamente bem."

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  18. Muito bonito o seu texto. Lágrimas cairam no final.

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  19. Que lindo e triste lolla, fico pensando..Será que você já era tão crítica com as coisas a sua volta nessa idade mesmo, ou se todas essas impressões foram surgindo depois..

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  20. Também tive uma amiga Renatinha com "cara de fuinha" mas era por um defeito de nascença... Lendo seu post me fez lembrar da minha própria infância, dos first ones. Coincidência ou não, e motivo ou não dos motivos porque nos damos melhor com a internet do que pessoas de verdade, foi uma experiência bem parecida com a sua. Até um amigo nosso também se foi durane os nossos anos, mas de maneira muito mais chocante.
    Adorei o seu relato melanólico, saudoso mas tão carinhoso também. Acho que todo mundo tem uma visão que crianças são todas felizes e despreocupadas da vida mas quando olhamso pra trás vemos tanto struggle não é mesmo? Alívio saber que eu não era a única. Gostei do seu take no post sobre a escola, está na minha fila de posts pra escrever um dia desses :)

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  21. Pri - obrigada!

    Luana - não me ofendo não, claro. concordo com você. :) tem esse texto seu para ler em algum lugar?

    Dri - :o****

    Mia - obrigada! foi somente durante aquele ano, eu realmente não sei o que aconteceu. as outras crianças haviam saído da escola e eu não perdi o bonde, acho.

    Naomi - eu também não achei que fosse lembrar. quando comecei a escrever tinha apenas 3 ou 4 pessoas em mente, depois fui lembrando de outras e, com a lembrança, os nomes vieram. até esqueci de falar sobre duas amigas importantes.

    J - eu acho importante falar também do lado ruim das coisas. até porque nunca se pode agradar a todos. se eu falasse bem de tudo, dissesse que minha vida é maravilhosa e tudo o que eu tenho é perfeito, as pessoas me classificariam como deslumbrada ou arrogante. é claro que eu vejo beleza nas coisas, mas pessoas que só parecem ver o lado bom de tudo o tempo todo de modo geral não me interessam - elas soam falsas e pouco confiáveis. por exemplo, fui ao seu blog e você estava reclamando da sua franja. algo super normal para você, mas pense quanta gente gostaria de ter "cabelo bom" ou até ter qualquer cabelo depois de ter perdido o seu para uma doença ou quimioterapia. de repente você fazer um post reclamando da sua franja parece fútil, né? questão de perspectiva, de ângulo. :) mas fico muito agradecida por você ter mantido meu blog no seu reader apesar das irritaçõezinhas (eu também tenho no reader blog de gente que nem gosto muito, mas que produzem conteúdo que me interessa). obrigada mesmo, e espero que pelo menos as fotos tenham conseguido mostrar um pouquinho da beleza das coisas que as minhas palavras muitas vezes não conseguem expressar.

    Rozzana - Putz, minha memória recente é PÉSSIMA. :) como eu disse no forms, lembro de coisas acontecidas há 20 anos atrás, mas o que eu jantei no sábado JÁ ERA. :)

    MM - tentou achar no facebook/orkut? eu achei muita gente do segundo grau nesses sites, mas infelizmente eu não lembro da maioria dos sobrenomes do pessoal do primário...

    Deborah - não é esquisito a gente sentir saudades de épocas onde não éramos exatamente super felizes? será que é porque somos ainda mais tristes agora ou talvez não tivéssemos sido de fato infelizes antes? hahaha, mas por que o livro teria capa rosa claro? Acho que eu prefiro bordô. ;)

    Eliane - outro abraço pra você! :)

    Laura - obrigada mesmo. :) acho que as frases ficaram meio amontoadas porque era o fluxo do pensamento e eu ainda não revisei o texto. but thanks, fico feliz!

    Carol - não sei se é talento, apenas aconteceu de querer escrever sobre alguma delas e ir aos poucos fazendo pontes e lembrando das outras. devo dizer que até eu me surpreendi por lembrar nomes e detalhes, eu realmente não esperava escrever mais que três parágrafos sobre umas poucas crianças. minha quinta série foi linda, eu tinha 11 anos e havia acabado de mudar de escola (morrendo de medo) mas fui super bem aceita, fiquei amiga de pessoas bacanas e populares. Lá pela oitava série eu era até considerada bonita, hahahaha. Isso foi mudando aos poucos até os últimos dois anos do segundo grau, que foram infernais.

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  22. Dani - aqueles estojos eram fantásticos. a maioria das crianças tinha apenas o estojinho básico de seis cores (preta, marrom, verde, vermelha, azul e amarela) ou no máximo doze. Os estojos maiores, de 24 ou 36, eram duplos, e os de 72 como o da Leila vinham numa caixa com desenhos na frente. Havia crime organizado na minha escola também, mas comecei a me dar conta disso na quarta série (algumas coisas sumiam porque já havia alunos viciados em drogas em classe - colégio relativamente pobre, alunos de 14 ou 15 anos ainda na quarta série). A única coisa que me roubaram naquela escola foi um sanduíche de queijo. A Rosemary (feinha e pobrinha - ops, acabo de lembrar de mais uma!) confessou o crime chorando. Quando a professora perguntou, rispidamente, por que ela havia roubado o meu sanduíche, ela respondeu com lágrimas nos olhos: "porque eu estava com fome". Aula de empatia, anyone? Se eu tivesse outro sanduíche, teria dado. Falando em comida, acabo de me lembrar de outra coisa. O Ivan me deu uma bolinha de naftalina dizendo que era bala. Só percebi o engodo quando pus na boca. Ele não achou que eu fosse cair no truque e ficou mais branco que a naftalina. A professora também foi extremamente cruel, deu um esporro federal e nos levou para a sala da diretoria. O Ivan chorou muito e eu me senti péssima. Eu adorava os programas de auditório aos sábados, acho que foi a ÚNICA época da minha vida em que passar uma tarde de sábado na frente da TV não me causava ansiedade e tristeza. Eu também nunca viajava, mas adorava poder ficar em casa ouvindo música, vendo TV, dormindo até tarde e brincando com minhas bonecas. Bom, isso não mudou muito! Eis a caixa de pandora se abrindo aqui também, hahah. Obrigada, dear!

    longhairedlady - Beijo! :)

    confusoesemserie - Obrigada! E por que você não escreve sobre o seu tempo de escola também? :)

    Anônimo - HAHAHAHAHA you kill me. Seria bacana se você parasse de citar literatura (mesmo ruim, como a da Miss Pille) para embasar sua opinião porque é evidente que você não sabe ler, nem interpretar texto. Tutorial pra vida: para ser grata pelo que tenho eu não preciso ESCREVER NO BLOG. Se você está sob a ilusão de que esse site representa 100% do que eu vivo, sinto, penso e faço, eu lamento mas vou ter que encostar um cigarro quente nessa sua bolha. Você não sabe rigorosamente *nada* sobre a minha vida e qualquer opinião que faça a meu respeito é somente isso: a SUA opinião. Que não necessariamente tem algo a ver com a realidade. Agora, faça-nos um favor? Vá levar a sua bile, a sua inveja e o seu recalque para tomar um chá de sumiço. Eis a beleza da internet: se não gosta do que lê, procure outra coisa. A grande rede é vasta. Boa sorte na busca e desculpe o mau jeito; você teve o azar de me pegar num dia sem paciência para gente que acha que sabe mais de mim do que eu mesma.

    Tath - yep, eu continuo com cara de batata e com esse meio-sorriso que é o melhor que consigo fazer quando necessário. ;)

    Letícia - Você é uma linda, hahaha. Sim, foi na quarta série (eu tinha dez anos), acho que todo mundo saiu da escola e eu acabei numa turma de pessoas mais velhas que eu ou de crianças que eu não conhecia e simplesmente não aconteceu, sabe? não sei explicar. A dança era "Sereia", essa música foi regravada pelo Lulu Santos mas a original era cantada por uma voz feminina que eu não consigo lembrar de quem seja. E obrigada você pela fofura e pelo carinho. <3

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  23. Brizza - Obrigada! :) Então vale mais ou menos o que eu disse para a outra amiga.

    Marcela - :o*****

    Mariana - eu acho que sempre fui crítica, mas essas coisas amadurecem com o tempo e com as experiências ruins, eu acho. a gente percebe que não dá pra ser pollyana o tempo todo; é cansativo. :) quando a gente realmente observa as coisas vai fatalmente encontrar lados bons e ruins. você pode escolher falar apenas dos bons, mas quase todo mundo faz isso.

    Lelei - não sei se me dou melhor com a internet. dos meus amigos (poucos) a maioria é offline - o que se torna outro problema, porque a distância inviabiliza o contato e eles são desses que nem checam email. e é verdade, mesmo crianças pequenas se esforçam para pertencer, sofrem quando não conseguem e têm objetivos, planos e sonhos frustrados. às vezes isso forma caráter, mas também pode criar ressentimentos que a gente carrega pra vida. eu adoraria ler as suas memórias de escola, adoro quando você escreve bastante - do it, girl!! :)

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  24. Lolla, nostálgico o seu texto. Lembrei-me da régua de menina...
    Como muitos já lhe disseram, você escreve muito bem!

    E ah, eu me vi na Renata! rs

    Um beijo,
    Roberta.

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  25. olá lolla, vc não me conhece, eu visito seu blog há uns 2 anos já... sempre volto pq vc posta fotos fofas, textos fofos e pq quando vc faz relatos de sua vida, de suas viagens e até suas de mudanças, vc escreve lindamente... reclamar da vida, faz parte de vivê-la e eu me identifico muito com esse lado ranzinza que vc mostra aqui de vez enquando... hello lolla, obrigada por vc existir!
    beijos isabela

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  26. Oi, Lolla. Tô começando a acompanhar teu blog agora, e li um post, de tempos atrás que tu citaste algo do gênero "dizem que você é realmente fotografo depois de tirar foto de gatos e flores" (não lembro se foi exatamente isto, mas, bem, acho suas fotos maravilhosas. (:
    E, a nível de curiosidade, qual era a doença da Elaine?

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  27. Sei exatamente como se sentiu, já passei por isso também. Ao ponto das pessoas que estarem a minha volta mudarem de lugar. E só percebi quando alguém falou: Coitada, deixaram a menina sozinha! Fiz uma cara de quem não se importava, mas foi o suficiente pra agir diferente no ano seguinte.
    Você escreve muito bem!
    Beijos.
    http://verboprocrastinar.blogspot.com/

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  28. Você era lindinha *-*
    Por mais que eu pareça maluca ou que as pessoas achem o contrário, você está menos chata e mais emotiva nos últimos posts. Uma mudança beeeem pequena, mas tudo bem.

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  29. Lolla, seus textos são incríveis!
    Por favor, não pare de escrever. Você não sabe o quanto me ajuda.

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  30. Linda a mini você!
    E que texto soberbamente escrito!
    Amo quando vc se estende um pouquinho mais nas reflexões.

    Beijinhos!

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  31. Cara, você escreve muito bem e tem uma imaginação incrível, porque inventar personalidade e fatos com tanta riqueza como o desse post é de um inegável talento. Parabéns pelo texto.
    Cada cabeça é mesmo um universo diferente.
    E como a internet é boa pra quem é curioso e criativo.

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  32. Lindíssimo texto. Muito tocante.
    Quem dera eu tivesse essa memória para me lembrar dos amigos.
    Na verdade, acho que nunca os tive... o bullyng começou a atuar forte logo na minha tenra infância. E eu, assim como até hoje, me isolava cada vez mais...
    Lembrando que tenho uma queda por tudo que é "melancólico". A frase final do texto fechou-o com chave de ouro!

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  33. Lolla descobri o seu site hoje a tarde no trabalho. Mais uma das pérolas que acho de vez em quando na internet. Queria dizer que você é muito estilosa, a começar pelo nome. Também adorei seu texto com as memórias de quando era criança. Me inspirou a escrever também, mas nao acredito que terei o mesmo exito em lembrar de detalhes tão ricos sobre os colegas e os momentos da minha infancia. Me identifiquei muito com vc pois também fui uma criança solitária. E tenho, ou tinha lembranças tão tristes dessa época que é como se meu inconsciente tivesse esquecido de muitos momentos propositalmente. Bem, agora que te achei vou sempre ler os seus textos. Admiro sua inteligencia e sensibilidade de poucos. Se escrevesse um livro, eu também leria e provavelmente gostaria. Adoro ler, mas tenho dificuldade para "achar" tempo. Agora mesmo poderia estar lendo, mas estou na internet, pois não pude conter a curiosidade de terminar de ler o seu texto. rsrsrs Sei muito bem que quem lê bem, escreve bem. Já falei demais... continue escrevendo... abraçoo
    Marilia

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  34. demais lolla. parabens ! voce devia escrever um livro, ou ja o fez ?
    abraço querida

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  35. Tu anda escrevendo super bem.
    Mas fiquei tensa porque eu nao lembro dos meus "amigos" do primário. Já nao consigo lembrar de detalhes, exceto uma visao turva e generaliza do que foi, sem rostos ou nomes, apenas uma única grande unidade, de um passado remoto, como se aquela vida nao fosse minha.
    Eliza (nao posta meu post nao...jajajaa)

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  36. Oi Lolla, sempre acompanho teu blog e esse texto foi quase como entrar num túnel do tempo pra mim. Fico um pouco mais confortável de ver que não foi só a minha infância que foi bem solitária. Tive algumas amigas (duas, pra ser mais exata) próximas a mim na sala, mas ficavam deslumbradas com a atenção da menina popular e me esqueciam com facilidade. Quando a pop se cansava e voltava a ignorar, minhas "amigas" voltavam pra alegrar a menina sózinha aqui.
    Cheguei a me acostumar também a ficar só no recreio, mas vejo hoje que isso foi até bom. Não chego a confiar 100% nas pessoas, o que diminui as chances de eu me decepcionar, e hoje aprecio bastante os momentos de solidão.

    P.S: Não liga pra essas reclamações! Dou outro nome pra isso, é ser crítica. Se tem gente querendo post efusivo, vai pra um blog de moda. Haters gonna hate!

    Abraços!

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  37. Lolla, simplesmente sou aficcionada pelo Hello Lolla.
    Sempre me divirto muito ao ler suas experiências, no entanto, este post prendeu minha atenção de tal maneira que, imagina que eu estava no meio da leitura quando meu computador desligou sozinho... e me bateu um desespero, como se tivesse perdido algo no meio do caminho, só sosseguei quando achei outro computador para terminar de ler.
    Continue a nos alegrar.
    Congratulations... Lina

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  38. sabe que uma vez eu estava falando dos meus avós para meu namorado (atual marido) e falei que meu avô morava no 5a. andar e minha avó no 2o. e foi então que eu me dei conta que eles eram separados! Minha cabeça, na época com 20 e poucos, ainda funcionava como se eu tivesse 5 anos. Loucura! Muito bom poder voltar no tempo e ver nossas histórias com nossos olhos de hoje. Seu texto me fez voltar no tempo e pensar nos meus colegas de classe. Lindo texto!

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