Valeu a pena pelo fato de não termos precisado sair do hotel com antecedência para chegar à tempo na estação; cinco minutos de caminhada e estávamos lá. Mas da próxima vez eu voltarei a ficar no meu amado Marais ou em Saint Germain des Prés. Afinal, uma das vantagens da cidade é que, a cada dez passos, você cai dentro de uma estação de metrô que vai levá-lo para qualquer lugar. É verdade que o metrô parisiense, se comparado ao de Londres, parece uma lixeira sobre trilhos. Mas é eficiente, extenso, facílimo de navegar, barato, integrado à linha ferroviária e com um número grande de estações se levarmos em conta a área que ele cobre. Cumpre muito bem a função e por isso sou grata.
O hotel em si era OK. O quarto não era dos maiores, mas o ar condicionado foi uma benção no calor senegalês que fazia por lá e o wi-fi era gratuito e excelente - coisa rara até em hotéis muito mais caros. Fiz amizade com dois pombos que dormiam debaixo da minha janela; apelidei-os François e Clementine e os alimentei com farelos de pretzels (que eles não curtiram) e de macarons da Ladurée (que eles amaram; pombo mal acostumado é dose). O banheiro era grande e moderno. Na região havia um número grande de pessoas de origem africana. Se nativos da França ou imigrantes, não saberei - o fato notável é que, ao contrário de regiões com demografia parecida em Londres, todos falavam a língua local. Em Peckam (sul de Londres), por exemplo, igualmente povoado por africanos ou afro-caribenhos, a gente quase nunca ouve inglês. Nada a reclamar, apenas um detalhe observado.
O Eurostar fede no verão. Da última vez que usei os serviços do trem rápido era inverno e não senti os efeitos da temperatura elevada associada, talvez, à falta de banho das pessoas. Não sei se é diferente na primeira classe, mas logo o nariz se acostuma e a gente se distrai observando a paisagem correndo velozmente pela janela (com exceção dos 20 minutos em que passamos no túnel).
Foi uma visita rápida e não houve tempo para grandes turismos. Apenas alguns jantares, almoços, uma visita abortada a Versailles (as filas quilométricas e o calor nos fizeram desistir e pegar o trem de volta) e uma tentativa de compras na Galeria Lafayette - lotadíssima e caríssima, mesmo com a suposta liquidação. Considerei uma bolsinha Marc Jacobs mas, sinceramente, eu não preciso de mais uma bolsinha de grife. Minha modesta aquisição do fim de semana foi um trench coat na Benetton com 50% de desconto.
O que me surpreende sempre que visito Paris é a qualidade da comida: mediana, beirando ao medíocre. A impressão que tenho é que, se você não estiver disposto a pagar uma pequena fortuna, vai comer mal. A apresentação dos pratos, por exemplo. A comida chega à mesa de forma tão desleixada que é capaz de tirar a fome de um eritreu. A coisa é nível botequim pé sujo, mesmo - e pelo mesmo preço eu poderia comer no Ivy.

Essa "entrada" aí em cima (fatias de baguete duras feito pedras com um fiapo de presunto e queijo derretido por cima) eles chamavam de TARTE no menu. Isso, pra mim, é um sanduba que eu mesma faço na pressa em casa, no microondas, enquanto assisto a novela. Em Paris, me custou nove euros.

Essa salada chegou à mesa exatamente dessa forma. Havia molho espalhado por toda a extensão do pratinho cafona de boteco, inclusive na parte de baixo. A mesa ficou um nojo e Respectivo manchou a camisa. Oito euros.

Esse foi o prato principal. A tábua sobre a qual carne veio disposta estava suja. Mesma coisa para copos e a garrafa de água (veja a prova do crime - disgusting). As poucas fatias de carne eram tão finas que a gente podia ver através delas. Se não fosse essa batata - para crédito do cozinheiro, perfeitamente assada - eu teria saído do restaurante com fome. Mas nem mesmo em um shopping da Baixada Fluminense eu teria sido servida dessa maneira "informal". Valor: 17 euros.
Vamos comparar aqui brevemente com a qualidade e a apresentação destes pratos:


Ambos vieram do mesmo restaurante em Jersey (Bass & Lobster) onde se almoça por 12 libras com direito a entrada e prato principal. É, eu fiquei terrivelmente mal acostumada.
Eu nunca quis comer num bistrô caro em Paris (e por caro eu entendo um prato custando mais de 50 euros... Já comi pratos de 40 euros igualmente mal dispostos e pouco inspirados). Minha lógica é, porque eu pagaria o dobro ou mais do que pago em Londres? Pelo preço médio que se paga em Paris por uma refeição, seria perfeitamente possível demonstrar um mínimo de criatividade na hora de montar um menu (chega de crepe, salada de tomate, ovo com presunto e moules a la creme, peloamor) - e pelo menos arrumar a comida com decência no prato.
Tenho a humildade de reconhecer que posso estar indo aos lugares errados. Se você mora em Paris ou conhece bem a cidade e tem boas dicas a dar, por favor esteja à vontade. O fato é que já tentei diversas áreas, diversas faixas de preço, e quase sempre saio decepcionada; se não com a qualidade ou apresentação, pelo menos com a falta de inspiração da comida. A impressão que fica é de que a França se acomodou com a fama de "melhor cozinha do mundo", mas eu pelo menos sempre comi infinitamente melhor (e por muito menos) na Inglaterra e na Alemanha, países que não têm exatamente uma reputação mundial consolidada em termos de culinária.
Fomos também à Ladurée, como é de hábito (estou pensando seriamente em trocar pela Pierre Hermé). Dessa vez optei pela filial antiguinha, na Rue Royale. Achei a decoração caída, as mesas pequenas, as cadeiras *extremamente* desconfortáveis (fiquei com dor nas costas), a ganância por encher o salão significando mesas espremidas umas às outras (zero de privacidade e charme), o serviço lento e tudo isso pelo privilégio de pagar 18 euros num sanduíche. E ainda havia fila na porta! Pelo menos o meu religieuse de morango estava bom, apesar de um pouquinho ressecado.


Não consigo mais culpar quem visita a cidade luz e opta por subsistir da sagrada tríade McDonalds, Brioche Dorée e Starbucks - ou do potão de Cup Noodles comprado no supermercado e preparado no microondas do hostel. Na minha próxima visita vou comprar pão na boulangerie, frios na charcuterie, queijinhos na fromagerie, vinhos baratos e deliciosos no supermercado e fazer piquenique. Yummy.
A cuisine de terroir (que mais parece de TERROR) que me desculpe.































