If it makes you happy, it can't be that bad

Postei uma foto do "pão" de galinha no Instagram e muita gente pediu a receita.


Para começar, deixando claro que é uma receita Atkins e não é, exatamente, um pão. A receita original tem apenas três ingredientes: frango, ovos e manteiga. Eu adiciono creme de leite e farelo de trigo por minha conta e fica muito bom - pelo menos eu gosto. :) Se você não faz Atkins e pode comer farinha de trigo, certamente existem melhores receitas de pão por aí.

Enfim, vamos a ela: bata no liquidificador um peito de frango cozido e cortado em pedacinhos com dois ovos e uma colher de sopa de manteiga. Sal e pimenta do reino de acordo com a sua preferência. Eu ponho uma colher de chá de fermento, mas para ser sincera não sei se faz muita diferença. Também costumo pôr creme de leite (umas quatro colheres de sopa rasas) e o farelo de trigo (três colheres), mas é opcional. É que o creme deixa a receita mais, erm, cremosa, e o farelo deixa a textura mais interessante e com mais cara de pão. Fora que ajuda a regular a textura. Se a massa ficar grossa demais, ponha um tantinho mais creme de leite. Se ficar muito rala, use o farelo.

Aí é só assar numa forma de pão pequena até dourar por cima.
Se você está fazendo Atkins, conte 3 gramas de carboidratos para a receita toda (com o creme de leite).





Três rapazes elegantes: o Macaco da Banda, o Tigre de Cuecas e o Urso Meiguice.
Foi difícil achar o Macaco. Procurei por várias semanas e sempre estava esgotado na banquinha de micro pelúcias de 50 centavos na Ikea.

Now they’re family. :)







Esses sabonetes vieram de uma feirinha de artesanado em Bakewell (sim, a cidade das famosas tortas). Uma barraquinha estava arrecadando fundos para uma caridade que cuidava de ouriços (essas fofuras aqui) e trouxeram junto um adorável exemplar para incentivar as doações. Passei uns momentos brincando com o pequeno ouriço - meio anti social a princípio, mas que logo deixou a timidez de lado quando lhe apresentei um punhado de minhocas secas, yummy!! Infelizmente as fotos que fiz não saíram muito boas; ouriços são animais de hábitos noturnos e ele precisava ficar num cantinho pouco iluminado.

Ganhei os sabonetes em retribuição pela minha doação. São lindos e o cheiro é ótimo, mas ainda não usei - para não estragar, quem sabe? Ou para guardar a lembrança daquela tarde na companhia do meu amigo ouriço. :)









Nada de mais. Só achei interessante como o mundo lá fora refletia no meu "mundinho móvel".
Porque não é assim que as coisas funcionam ultimamente? Em que a vida virtual espelha a real? O único cuidado a se tomar é não deixar que a vida real acabe aprisionada no celular, no laptop, nos updates do facebook, nas fotos de show/balada/comida no Instagram.

Compartilhar é bom e saudável. Assim como escolher guardar algumas coisas só para você.

But there’s a bud, there’s a bulb, it will be blooming

Lamento pela minha ausência nesse sítio virtual, mas é que impera por essas bandas uma imensa falta de vontade. Falta de vontade de internet, mais especificamente, mas também falta de vontade de uma imensidão de coisas de modo geral. Um daqueles surtos esporádicos de apatia que, se por um lado significa menos vontade de realizar coisas, por outro significa mais tempo disponível para apreciar as que já estão prontas - inclusive para diminuir a pilha de livros por ler e DVDs por assistir. :)

Mas continua a vontade de gastar dinheiro e outro dia eu achei essa canequinha original Cath Kidston por duas libras na Home Sense, e meus cafés da manhã ficaram mais coloridos:





Os biscoitinhos são sugar free. :)

A primavera desse ano começou ontem e hoje já pude sentar no jardim, a grama crescida por conta das temperaturas subindo mas nem tão alta ainda por conta da estiagem. Fiquei largada lá com um livro e o celular, lagarteando ao sol e lendo as novidades do mundo via Facebook - outra rede social que estou seriamente considerando abandonar por conta do spam de bobagens. Mas foi lá que eu descobri que o Playcenter ia fechar (há controvérsias acerca dessa informação). O Tivoli Park do Rio encerrou atividades em algum ponto dos anos 90, deixando para trás a lembrança de tardes de sábado dentro do Chevette do pai de uma amiga cruzando a Avenida Brasil em direção à Zona Sul, ouvindo a Transamérica FM em estado de antecipação histérica. Quase melhor do que o parque em si.

Na viagem para o Playcenter minha mãe chorou ao descer do ônibus, tendo mentido para a mãe neurótica da coleguinha que me acompanhava que ela também iria no passeio: “Ela pegou a minha mão e me fez prometer que eu cuidaria da filha dela como se fosse a minha”, choramingava mamãe, e eu e a coleguinha rindo porque, afinal de contas, tudo o que a gente queria era se divertir numa excursão com gente da nossa idade - dificilmente muito a se pedir aos dezessete anos. O frio de sampa (nove graus), inédito para os nossos dedinhos cariocas, congelou as articulações e eles se tornaram inúteis na hora de sacar da bolsa as moedas necessárias pra pagar o fliperama. O menino bonito da turma viajou junto e eu tentei apresentá-lo à tal coleguinha, já que se eu não ia ter mesmo aquela sorte que pelo menos minha amiga tivesse. Falta de auto estima mascarada de generosidade, taí a minha adolescência resumida em uma atitude.

A coleguinha acabou contando a verdade para a mãe e paramos de nos falar quando ela conseguiu um emprego e namorado fixo. Me pergunto se ela um dia cumpriu sua parte na nossa promessa, feita ao fim do passeio, de voltarmos ao Playcenter um dia. Eu, pelo menos, nunca mais voltei.







Outro dia me perguntaram se eu costumava ouvir rádio aqui.
Atualmente bem pouco. De vez em quando a Absolute, mas quase sempre são as playlists do 8tracks, ou faixas escolhidas no Spotify ou Groveshark que me fazem companhia. Eu ouço música com bastante frequência; todos os dias, eu acho. Um dia sem música é um dia desperdiçado. Já tive várias fases, desde deixar rolando como trilha sonora, sem prestar muita atenção, até sentar no escuro absorvendo cada nota, arranjo e frase de uma música favorita. Quando eu era criança gostava de sentar numa rede que tínhamos na varanda e passar a tarde inteira ali, usando a rede como se fosse um balanço (meus pés quase batiam no teto) e cantando junto com o rádio.

Eu gostava de ouvir rádio no Brasil. Não sou da "geração Napster"; quando música começou a ser encarada como algo que você pega de graça quando quiser como se fosse folheto de supermercado eu já estava na casa dos 20 anos. A seleção de músicas de fundo para a minha primeira infância dependeu do gosto musical um tanto quanto errático dos meus pais. Eu ouvia os discos que eles tinham em casa, uma seleção eclética que incluía Secos & Molhados, trilhas de novela, Bezerra da Silva, Saturday Night Fever e os Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Rio de Janeiro de 1977. Num momento eu ouvia encantada os versos de Rosa de Hiroshima (alheia à perversidade do evento que estava sendo descrito ali de forma tão poética) e no momento seguinte cantarolava Malandragem Dá Um Tempo sem entender muito bem o que estava sendo enrolado ou acendido na letra. E imaginava o dia em que, assim como a Yvonne Elliman, eu poderia dizer para alguém que "if I can't have you, I don't want nobody, baby". Só que não diria, é claro. Essa tal de Yvonne dava muita bandeira e eu ia ser cool. Rárá.

E aí eu descobri o rádio e tudo mudou. Eu podia ouvir rock o dia inteiro na saudosa Fluminense FM, pop na já citada Transamérica e flashbacks dos anos 50, 60, 70 e 80 na Rádio Mundial AM - programa "Jovem Também Tem Saudade" (y u so brega). Jovem? Eu só tinha oito anos e já sentia saudades doloridas de bandas que deixaram de existir décadas antes de eu nascer.

A partir dali o céu era o limite. Ou melhor, o limite era a vinheta que anunciava o começo da Voz do Brasil, às sete da noite. "Em Brasília, dezenove horas" dizia a voz cavernosa do locutor, que depois foi substituído por um cara mais animadinho e eu odiei (e quando eles deram um "arranjo tropicalista" ao Guarani de Carlos Gomes? Essas coisas deviam ser proibidas, sei lá). "Hora de desligar o rádio", todo mundo dizia e eu concordava. Hora de desligar o rádio, tomar banho e ir assistir a novela esperando o jantar.







Sinto falta dessas rádios (e tantas outras) que ou encerraram atividades ou mudaram completamente com o passar dos anos. Algumas foram compradas por igrejas evangélicas. É claro que entendo perfeitamente que o mundo se transforma e as pessoas, por razões óbvias, migraram para a internet. Aqui elas podem ouvir o que realmente querem quando quiserem, ao invés de ter lixo enfiado goela abaixo pelas gravadoras que compram jabá e forçam os DJs a tocarem porcarias pré-fabricadas. Mas é pena, porque rádios nem sempre foram assim tão ruins e nem precisam ser. Minhas rádios favoritas me permitiram conhecer minhas bandas preferidas e me apaixonar por elas. Serei eternamente grata. :)

De certa maneira acho que tive sorte por ter crescido numa época diferente, por poder ter experimentado a alegria inesperada de reconhecer os primeiros acordes da música mais bonita do mundo daquela semana começando a tocar no rádio e correr para ouvir, ao invés de apenas digitar preguiçosamente o nome da faixa no YouTube e dar quantos reloads quiser. Fácil demais. Ou então passar a tarde plantada do lado do rádio, com a fita k-7 no deck e as teclas REC e PAUSE a postos, esperando para gravar uma música - torcendo para que ela tocasse inteira sem que o locutor começasse a falar besteira no fim. Ou até mesmo conseguir gravar só um pedacinho de uma canção "rara" que quase nunca tocava, e passar dias dando rewind e play naqueles 20 segundos, inalando cada nota daquele tesouro sonoro como se fosse oxigênio até que a fita arrebentasse.

Adoro as facilidades de hoje, mas me sinto privilegiada por poder ter tido as duas experiências.
Torrent é para os fracos. ;)

Spring - Tracy Chapman

and it just gets harder when you ask why.

I woke up this morning with a funny taste in my head.
Spackled some butter over my whole grain bread.
Something tastes different, maybe it’s my tongue.
Something tastes different, suddenly I’m not so young.




I usually do not allow myself to have high hopes anymore. For anything. If it’s a weekend trip, a present I know someone is buying for me, someone new coming into my life, the simple start of a new day… I try to keep things in focus, to accept my reality and be grateful for whatever I already have and may receive in the future.

I do not allow myself to dream too often. It’s very nice to wake up from a nightmare and feel relieved that it’s over. Not so nice when you wake up from a particularly pleasant dream and realize it was all in your mind, and those things, places and people do not actually exist. Or if they do, they’re out of your reach.

But sometimes it happens without me noticing. I can tell myself that I’ll be fine whatever the outcome, but deep down inside I wait. I expect things to be good. I expect people to be nice. I expect places to be beautiful. I expect a sunny day when I plan to go out and then try to act nonchalantly when I open my window in the morning and it’s pouring down with rain. “I knew it”, I say to myself and it’s true - but the flicker of hope i had inside aches before it finally dies.

Those moments are of quiet restlessness. I do not cry, or cough out loud and search for something to do to pretend the pain, however small, isn’t here. I just sit and absorb it, while quietly working from inside to deal with it. The funeral of my hopes is quick and effective, but I know where each one of them are buried and sometimes I like to dig them out. I play with them in my hands as if they were some kind of antique objects of torture. One wouldn’t want to see them at work anymore, but they’re beautiful in a strange way and worth of being admired.

It doesn’t take long as I - mercifully - get bored quickly nowadays. They say that a short attention span is a symptom of the illness that afflicts me but I chose not to see it that way. I prefer to see it as an opportunity for renewal, but in fact it’s only yet another book discarded, another project forgotten and another tv program I will not watch till the end without checking my phone a few times.

But at the core of this ever changing life, nothing really changes. I do not crave changes, in fact most of the time I don't even know how to deal with them. But something in me dreads to think that the biggest ones have already happened and there's not much to look forward to anymore. I'm pretty happy with my lot in life and aware than I'm luckier than most. Shouldn't complain about the very few times life kicks me in the chin. But yet, against my will, I expect it won't. I wait. Dream. Hope.

All the while collecting flowers for the next funerals.



♫ Die Alone - Ingrid Michaelson

Agendas/journals

Como haviam me pedido aqui e na formspring, resolvi fazer um post sobre agendas. Sem muita pretensão, na verdade, porque não acho que as minhas sejam lá essas coisas e também forçando a barra da preguiça, porque eu teria que fotografar páginas e dar uma truncada no texto - não que eu tenha grandes segredos na vida, mas. :)

Enfim, como pareceu interessar a algumas pessoas e assunto para manter esse blog funcionando é sempre bem vindo, resolvi pôr algumas páginas aqui e esclarecer algumas dúvidas. Desculpas antecipadas pelas fotos horríveis (estava escuro) e a quem tem internet lenta, mas esse post é image heavy - sorry!











Não demora pra fazer. Levo, em média, uns 20 minutos por página. Às vezes sai uma por dia, às vezes deixo acumular e faço no fim de semana. Depende do tempo e paciência disponíveis, mas não me consome tanto tempo. E, ainda que demorasse, é diversão e não tarefa. Ou seja, não se vê o tempo passar.

Não é um diário, e eu não escrevo nelas tudo o que faço. Escrevo coisas que preciso fazer, faço listas, colo coisas que achei/ganhei e achei bonitinhas, úteis ou interessantes e não quero jogar fora, páginas de revista com inspirações, desenhos e rabiscos, textos que achei legais, coisas que estou pensando ou sentindo. Conteúdo variável.

Os desenhos são meus, inspirados em doodles que a gente vê por aí.













A "agenda", em si, é qualquer caderno. Prefiro espiral porque é mais fácil de virar páginas e deixar a agenda aberta para fazer as colagens. Prefiro fundo quadriculado por questões estéticas (acho bonito e facilita alguns desenhos), mas já usei cadernos de folhas brancas ou coloridas. Só não curto muito usar pautado, pelo menos não pra esse fim.

Não sai caro porque não compro quase nada para fazê-las. Alguns extras são fitas adesivas coloridas (adoro as washi, feitas de papel de arroz japonês, mas como são caras!), adesivos (compro em lojinhas coreanas no Etsy), Às vezes imprimo o texto em folhas A4 quando não estou a fim de escrever à mão. Mas dá pra fazer praticamente tudo só com papel, tesoura, cola, canetas e revistas (que eu compro de qualquer maneira e uso imagens e textos).









Não costumo planejar muito, senão gasta-se muito tempo, a preguiça bate e não sai nada. Mas também não saio colando coisas de maneira randômica - às vezes essa "técnica" produz resultados lindos, noutros só produz desastres e agendas sendo atiradas na parede (ou no lixo). É possível um balanço - que eu, claramente, ainda não atingi. There's method in the madness. :)

Tem muita gente boa pela internet fazendo journals; não vou dar links porque são muitos e, pelos link backs, esse pessoal pode acabar vir parar aqui nesse post e eu morrerei de vergonha (haha). Mas dêem um search por "journals" no Flickr, por exemplo.









Sugiro não usar muita cola. Enruga a folha e o resultado não é bom. Prefira, se possível, usar cola em bastão. E fita adesiva também, a melhor alternativa - mas nem sempre é possível. Também se pode usar grampeadores, costurar os items nas páginas com linha de bordado - a lista é infinita.

Pra quem tem a Fujifilm Instax, journals são um excelente modo de exibir as fotos da câmera. As imagens são bem pequenas (do tamanho de um cartão de crédito) e têm bordas extras; ficam perfeitas coladas na página com fita adesiva colorida. Estou considerando uma dessas câmeras (que são extremamente bonitinhas), mas não gosto muito do preço do filme, que ainda é meio caro ainda que você compre em grande volume no Ebay (cerca de 3 reais por foto). Para quem não se importa com o gasto, fica a dica.

Cuidado com recibos compras de lojas. A técnica de impressão deles é rápida e barata, mas em compensação desbotam com o tempo. Tenho alguns em agendas antigas e eles estão praticamente brancos. Se você quer o memento, sugiro que tire uma cópia para colar, já que a impressão no original fatalmente vai desaparecer.





Enfim, that's all. Não sei se deixo esse tipo de post aqui ou se ponho tudo no desatualizadíssimo blog de colagens. O que vocês acham? Colei esse mesmo post por lá, com algumas páginas extra.

E por falar nisso, lembrando que essas são agendas/journals; as colagens são outra coisa completamente diferente. Ou nem tanto. Whatever. :)