Selfie Days



SDDS Fotolog.
Era ponto com, virou ponto net, passou a ser ambos. No começo todo mundo podia postar fotos e receber comments à vontade, depois só quem tinha Gold Cam (custava uma mixaria, mas os brasileiros não aceitaram pagar e ainda reclamaram; altos protestos). Quem não tinha Gold Cam podia postar uma foto por dia e receber até 10 comments.

Mas os brasileiros, sempre geniais no jeitinho, inventaram a solução: depois de receber os dez comments, copiava-se todos, deletava-se tudo, colava-se os dez em UM comment só liberando espaço para mais dez. O processo era repetido até chegar no mesmo limite de cem comentários por foto de quem pagava Gold. Dava trabalho, mas quem era pop, porém pobre (ou pão duro) se esbaldava. Ah, a internet moleca de várzea…

Quanto eu fiz conta ainda havia um número estranho (8080) na url do site, que depois sumiu e eu jamais entendi. Havia poucos brasileiros, e os gringos adoravam bajular as meninas que postavam selfies. Os mesmos gringos que mais tarde se aborreceram conosco quando o site foi literalmente INVADIDO por usuários brasileiros postando selfies de webcam e foto de balada. Nunca vi tanta xenofobia junta por um motivo tão tolo - afinal nenhum gringo com aspirações a Cartier-Bresson era obrigado a seguir quem só postasse ego-shot.

A minha câmera também era uma webcam, resolução VGA baixíssima. Eu era obrigada a acender a luz do quarto + alguns abajures e lanternas a fim de deixar o ambiente bem claro e não encher a foto de ruído (aquelas granulações que aparecem na imagem quando você fotografa em ambientes escuros e sem flash). Depois observei que, se deixasse apenas o abajur ligado e desligasse a luz do quarto, a foto ganhava um efeito mais dramático. E melhor: a minha cama ao fundo, desarrumada e coberta de meias sujas e caixas de sapato vazias, magicamente desaparecia.

Eu estraguei muitas de fotos que fiz nessa época usando o blur do photoshop pra “desfocar” o background, mas tem uma ou outra pérola em meio às porcarias. Lembro que uma das minhas imagens foi parar numa matéria da Wired; foto da qual eu não me orgulho (especialmente por causa da pose ruim e de um prato de comida vazio abandonado ao fundo). A foto que ilustra esse post é uma das favoritas dessa fase, por causa do contraste, da estampa da blusa (feita pela minha mãe) sobressaindo e do detalhe da sombra que o brinco projetou na minha pele - brinco esse que eu tenho até hoje, só não tenho mais coragem de usar.

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