Finding places.



É legal essa fase onde nada tem lugar fixo e você pode ficar experimentando e mudando as coisas de lugar, tentando descobrir onde elas se encaixam melhor. Como a minha avenca estava DETESTANDO morar no study, murchando e secando apesar de toda a água e carinho, eu a coloquei na sala e liberei a cômoda para outras coisas.



A parede do escritório é um lilás bem clarinho, mas sempre parece branca nas fotos.

O closet está começando a tomar forma. Mas essas paredes amarelas (sim) das fotos abaixo já não existem mais. Desde domingo eu tenho trabalhado duro pintando uma parede por dia. Quem adivinhar a cor ganha um chocolate diet. :D





Yup, eu comprei uma penca de gaveteiros Malm. Eles são baratos, práticos e têm um design bem clean. Eu poderia esperar anos para conseguir gaveteiros usados legais, fuçando brechós, lojas de segunda mão ou o Ebay. Enquanto isso as minhas roupas continuariam amassadas dentro de caixas de papelão. Quer saber? Malm it is. Se um dia eu ganhar na loteria dôo todos e compro outros.



O do banheiro foi pintado, mas nem tinta esmalte segurou direito. Recomendo lixar antes, faz toda a diferença. Esses do closet vão permanecer branquinhos, mas estou providenciando uns puxadores bonitos pra eles.







Ainda faltam prateleiras, espelhos, quadros nas paredes, armários… Por enquanto estou apenas espalhando as coisas aleatoriamente, na esperança de que alguma delas encontre o seu lugar. Mas esses são apenas detalhes, partes de um processo que não termina nunca e é gostoso sempre. No fim das contas, a coisa mais importante de todas já se encontra em seu lugar definitivo: eu. O resto é diversão. ;)

Warming up.





Sopa de cogumelos low carb. ♥
Tem chá gelado na caneca. Ainda não cheguei ao nível de britishness necessário para tomar chá com leite no almoço.

Not so pretty in pink.

Meio sumida, very busy, lidando com problemas da vida real (computador em processo de falecimento, meu pai com labirintite caindo pela casa, a pensão não-resolvida da minha mãe) e alegrias da vida real (pintando cômodos, montando móveis e - last, but not least! - minha viagem para o Japão finalmente marcada! embarco em duas semanas e aceito sugestões e dicas de quem já visitou, ok?) Quando sobra tempo eu me meto a fazer DIY (destroy it yourself…), nem sempre com resultados positivos…

Outro dia estava eu dentro da BLITZ London de Brick Lane quando dei de cara com essa peça:



Na fila do caixa pra pagar, coloquei-a em cima do balcão e a menina à minha frente acariciou o couro da maleta e exclamou “I love that!”. Foi quando abri o zíper (ui!) e revelei a belezura:



Ta-da! Uma máquina de escrever vintage. Estava querendo uma faz tempo para usar nas minhas colagens/journaling e, claro, para fins de embelezamento do meu escritório. ♥ É claro que eu queria mesmo uma Royal vintage como essa, mas são quase impossíveis de achar no Ebay. E sinceramente eu preferia não ter que comprar pela internet, por medo de chegar danificada - máquinas de escrever são coisas delicadas (e pesadíssimas; o shipping é sempre caro).

Trouxe pra casa no metrô, carregando com todo o cuidado. Felizmente não era hora do rush e eu pude vir sentada com ela no colo. Testei logo ao chegar, ainda meio confusa com os “controles”; desde o fim da infância eu não brincava com uma dessas, mas todo o modus operandi me voltou de imediato assim que comecei a ajustar o espaçamento e de repente era como se eu tivesse 12 anos de novo.



TAC! TAC! Meldels, a FORÇA necessária pra disparar as letras! Anos de moleza com o teclado macio dos computadores me deixaram fora de forma… Ginástica para os dedinhos! Me perguntei COMO eu conseguia encher folhas e mais folhas de papel ofício A4 em algumas poucas horas de “inspiração” (eu escrevia livrinhos de histórias, copiava letras de música, tentava poemas, fazia meu diário…), mas aí lembrei que o preço pago pelo meu vício de datilografar eram dedos absolutamente moídos no dia seguinte. Lembro da noite que passei acordada (da novela das oito às cinco da manhã) terminando um trabalho de escola que havia deixado para o último segundo. Dia seguinte eu mal conseguia segurar o lápis (e as pálpebras caindo de sono) na aula.



Quanto à cor meio sem graça da dita cuja, well, eu tinha planos… e também metade de uma lata de Japlac rosa sobrando do espelho e gaveteiro que pintei meses atrás. :)



Não tinha como dar erro, pensei. Japlac gruda até em bosta, verifiquei. A metade da lata seria mais do que suficiente, calculei. Ok, a tinta parecia ter engrossado um pouquinho desde o último uso, mas só dar uma mexidinha e problema resolvido, right?

Right??



Wrong. Ficou uma merda. A tinta estava de fato grossa demais e deixou a pobre máquina com cara de bolo mal confeitado de padaria. Na foto acima você pode ver as marcas das pinceladas, que não deveriam estar aí. O acabamento devia estar liso feito bunda de bebê, e no entanto ficou cheio de ondas feito o mar de Copacabana em dia de ressaca.



É claro que depois peguei um pincel fino e contornei o logotipo. Mas o que afundou meu barco foi a tinta, mesmo. Solução: lixar com lixa beeeem fininha para remover essas marcas, essa tinta empelotada e pintar novamente, dessa vez com tinta nova (e diluída).

More work ahead. Mas vai ficar bonita, ah se vai. Não gastei 45 pilas e carreguei você no colo pra casa com o cuidado de quem carrega o primeiro filho pra ISSO, baby.

*chora na cama que é lugar quente*
*volta pro Ebay e procura uma Royal vintage* :(

And it's autumn again.

E pensar que há cinco minutos atrás era verão…



O último pôr do sol do Verão 2013. :)



As folhas amarelas avisam que esse ano, que começou ontem, já entrou na reta final. A macieira do vizinho está carregada de frutos vermelhos e sinto saudades dos meus pés de maçã, pêra e figo lá de Jersey. Que eu ignorei por anos e a primeira fruta que comi deles foi colhida pela minha sogra, o que me fez arrepender de ter deixado tantas maçãs apodrecerem porque eram deliciosas. Tínhamos duas variedades diferentes: uma era meio azedinha e só servia para cozinhar e usar em receitas; mas a outra, apesar de feinha, era doce feito açúcar. E com o bônus dos apple/pear blossoms na primavera.

Hoje fui para Woodford Wells dar comida para os patinhos no lago:



Na volta o ônibus passa por diversos bairros habitados pela galera do subcontinente - Índia, Paquistão, Bangladesh… E pelo visto eles gostam de comer fora, porque a variedade de restaurantes indianos atendendo quase que exclusivamente à clientela local é enorme. E quase todos representam a cozinha de uma localidade diferente; é um tal de “punjabi cuisine”, “gujarati cuisine” e eu acho engraçado porque, apesar de tanta variedade regional, comida indiana pra mim é tudo a mesma coisa: uma papa de legumes com curry (não muito diferente de vômito) em cima de arroz pilau. E eu acho uma delícia.

Por falar em vômito (risos) andei me perguntando por que afinal tanta gente reclama de cachorro que faz cocô na calçada, mas não se manifesta a respeito de bêbados que vomitam na rua. Porque vômito espalha e FEDE muito mais do que bosta canina. Se tem uma coisa que me entedia é gente que não sabe beber e insiste, ou que bebe unicamente pra ficar bêbado e depois perde a linha “chamando o Hugo” em via pública. Ou seja, 90% dos jovens desse país… Tem uma “pizza” de vômito azedo assando na minha calçada e pelo visto vou ter que esperar uma boa chuva resolver o problema. Se eu tivesse presenciado o feito, teria obrigado o distinto a comer.

Espero que os mais sensíveis não estejam lendo esse post durante o almoço.



Estação de Waterloo com o The Shard fazendo figuração ao fundo.

No domingo eu comprei plantas, consegui plantar a metade e ainda tive tempo de montar um gaveteiro. Com o gaveteiro extra no lugar, me pus a arrumar gavetas e armários e fiquei apavorada com o TANTO de roupa que eu tenho. Nada caro ou de muito boa qualidade, mas O TANTO. Acho que se eu jogasse metade fora ainda passaria uns seis meses sem repetir roupa. Tá nesse nível. Tem coisa que eu comprei na adolescência. Ecos do passado ao pegar aquele moleton da PAKALOLO e aquela camisetinha listrada com bordado do PIU PIU que veio da finada Side Play.

I feel really old right now.

Resultado: decidi que vou ficar um ano sem Zara, ops, um ano sem comprar roupa, ou melhor, uns três meses sem comprar nada exceto o casaco de inverno 2013/14 - apesar de eu ter uma arara cheia de casacos de inverno e… ah, dane-se. :) Se eu conseguir pelo menos não comprar mais trinta pijamas de flanela na Primark em Dezembro (exceto os de tema natalino; esses são obrigatórios) já me dou por feliz. E o que eu conseguir economizar, torrarei em canecas fofas como essa:



O bolo é de proteína isolada de soja e tem gosto de depressão e de histórias tristes envolvendo gatinhos - então não me inveje. :(

Keeping warm.

Esse não é um blog de moda e eu não faço nada mais do que um “What I Wore Today”. Eu costumava dizer onde havia comprado cada peça, mas fiquei traumatizada quando li num desses blogs que reclamam de tudo (me identifico totalmente) que isso é brega. Acho válido quando se trata de um blog pop, a fim de evitar 300 perguntas iguais a essas nos comentários: “onde você comprou esse vestido/bolsa/brinco/sapato/etc?”; mas como eu não tenho um “blog pop” desde, sei lá, 2003, resolvi que não vou mais dar o caminho das pedras. Quem sabe assim alguém se anima a perguntar onde comprei e tira a poeira da minha caixa de comentários. Risos.

Preciso: achar um lugar melhor para fotografar (ou reposicionar o espelho) e passar a usar o timer da câmera ao invés de apelar para a saída preguiçosa de fazer fotos ruins com o celular. Ou pelo menos LIMPAR ESSE ESPELHO.



Esse vestido é a coisa mais macia e quentinha do planeta. É SUPER largo (comprei o maior tamanho disponível) mas tem as mangas justinhas. Não dá pra usar com casaco por cima por causa do volume, mas para a meia estação tá perfeito. Difícil é conseguir dobrar e guardar; parece que estou tentando engavetar um edredon.



Só quando cheguei em casa percebi que a cor do vestido é quase idêntica à cor desses sapatos que eu tenho há pelo menos cinco anos e nunca usava por não ter nada que combinasse. Bônus points! E o esmalte cinza combinou com a meia. :)



Enquadrar fotos is overrated.



Isso aí eu planejei vestir hoje pra ir a Richmond (é meio friozinho por lá e chove), mas o solzinho me convenceu a mudar de idéia e pôr uma roupa mais leve (que eu esqueci de fotografar).

Aí eu chego em Richmond e adivinha? Chuva.



O colete com forro de pele fake é do Respectivo. Fica grande em mim, mas é tão quentinho, acolhedor e combina com o outono. Senti IMENSAS saudades dele essa tarde, enquanto segurava meu latte embaixo de uma marquise esperando a chuva passar.

P.S.: O closet é o próximo na lista de “cômodos a serem organizados”. Guarda roupas já a caminho, cor de tinta escolhida e muito em breve, espero, terei um lugar arrumadinho e fotografável para as minhas roupas.

P.S.2: Desculpa, mas vou fazer propaganda da procedência do cachorro das fotos porque a história é legal. Ele se chama Trouble e pertence ao meu marido. Os dois se conheceram no departamento de pelúcias da F.A.O. Schwarz em Nova York e foi amor à primeira vista. O bicho vinha em três tamanhos, a escolher: Trouble, Big Trouble e VERY BIG TROUBLE. É claro que o VERY BIG TROUBLE foi o eleito e embarcou de volta pra Inglaterra no colo do Respectivo (não cabia na mala), garantindo um sem número de “awwww, how sweet! how cute!!” de todas as damas no vôo - incluindo as aeromoças gatas. Infelizmente ele estava viajando com a namorada (que não era eu, by the way) e não pode “aproveitar a popularidade”. Que dó. ;)

Com quantos caixotes se faz um aparador?

Uma das coisas que acho mais legais em blogs de decoração e DIY é a documentação do processo. Ao contrário das revistas especializadas e os sites de decor-porn, o produto final não chega à tela do seu computador prontinho, fotogênico, magazine-ready. Entre o começo e o fim existe toda uma situação de caos generalizado, sujeira, projetos semi-prontos, fungo nos azulejos, móveis datados, louças sanitárias em cores, erm, “vintage”, paredes descascando, infiltração, mofo, ou seja… Not pretty.

Mas esconder essa parte equivale a varrer a sujeira pra baixo do tapete na hora de fazer as fotos para o site. O que eu até faria, confesso, CASO tivesse tapetes. Só que se eu quiser esperar até a casa ficar “pronta” e que eu esteja 100% satisfeita com ela para começar a falar sobre, eu jamais falarei e é melhor até a tirar a tag “casa” da lista. Por sorte essa casa foi reformada antes de ter sido posta à venda; está tudo novinho, limpinho, sem problemas estruturais. Ok, toda uma “vibe magnólia” percorrendo as paredes e eu não sou fã dessa tonalidade. Mas ela reflete bem a luz, não é ofensiva e eu também não estava a fim de pintar de branco - para valorizar as sancas. Então fica isso aí mesmo, o que economiza tinta, tempo e a saúde das minhas costas. :)

Ontem eu decidi fazer fotos dos cômodos da casa como eles estão agora, a fim de ter um registro do “antes” para quando eu fizer um “antes X depois”. Acompanhar o processo desde o começo é sempre mais interessante que apenas apreciar o resultado; afinal isso é uma casa de verdade, não um showroom da Tok & Stok. :)

Vou começar pela “sala de jantar”. Acho esse termo meio pedante, até porque eu janto sentada no sofá, na frente da TV. Mas enfim. Temos esse espaço, colado à “sala de estar” (*suspiro*) que eu decidi usar como comedouro para quando tivermos visitas - ou seja, nunca. Mas né, vamos voltar ao assunto: ontem pela manhã esse era o estado do cômodo:



Cadeiras que ainda não têm endereço fixo sendo pintadas, jornal para evitar respingos no chão, chão cheio de respingos anyway, flores mortas dentro de vasos, etcétera. Considerando que essa é uma das primeiras visões que alguém teria ao entrar pela porta da frente, eu achei que devia fazer algo a respeito. Ok, ninguém entra aqui, mas é a mesma coisa de não querer usar calcinha furada na rua caso um acidente aconteça e você vá parar no pronto socorro exibindo seus fundilhos esburacados para toda a equipe de plantonistas. Eu não me importo de exibir lingerie em estado avançado de decomposição para absolutamente ninguém, mas nem mesmo as aranhas que habitam a minha casa merecem ver desordem.



Um esclarecimento quanto às cadeiras abaixo: vieram de Teresópolis, um “antiquário” - ok, vamos chamar de brechó, porque define melhor. Enfim, o conjunto era lindo, custou uma miséria e eu ainda levei uma cadeira de balanço de lambuja. Não são “antiguidades”, são reproduções, e por isso não me senti mal por pintar.



O processo tem sido infernal por conta da quantidade absurda de detalhes, de ter que evitar a parte de palha… E para ajudar a tinta que eu escolhi tem acabamento acetinado, mas textura de gloss. É HORRÍVEL PINTAR COM GLOSS.

O espelho estava há meses jogado no cantinho. E antes dele havia ali uma pilha de caixas e caixotes de madeira contendo tralhas. Preciso admitir: fico feliz por NÃO ter registrado essa parte do processo. Em Jersey ele ficava em cima da lareira, mas tenho outros planos para a atual lareira e por enquanto ele está sem propósito, perdido na vida, na rua, na chuva, na fazenda, chutando lata, dormindo na praça, etc.



Senti que precisava terminar aquelas cadeiras e tirá-las dali. Ou pelo menos TIRÁ-LAS DALI, porque não curto tapete, menos ainda feito de jornal. Mas aí o cantinho abaixo das janelas ficaria vazio. Foi quando lembrei da existência desses caixotes, que eu usava como estante de CDs/DVDs na casa alugada:



Alguns eu já havia pintado e estavam no conservatório, mas meia dúzia estava ainda homeless desde a mudança.







O espelho é até bonitinho. Veio de Camden, na época ainda estávamos em Jersey mas pusemos no carro e o espelho atravessou o canal da Mancha. E anos depois atravessou de novo, voltando pra London town. :) Pintei a tábua e, EU SENDO EU, cinco minutos depois (antes mesmo de secar a tinta direito) ela já estava cheia de porcaria em cima. Por que qual a graça de criar uma peça de mobília a partir de tralha que você tinha em casa se não for pra encher de tralha?





É claro que isso é temporário até eu conseguir um armário decente. Por ora a avenca mudou de lugar (ela não está muito feliz com o aquecimento na casa anyway) e a minha calavera idem. Perceba a ironia desperdiçada ao colocá-la sobre um livro chamado “Death and the Afterlife” ao invés da minha edição de Poliana. Mais clichê do que isso só se ela estivesse sobre uma cópia de Hamlet.



That’s all folks. :) Em breve, fotos da cozinha e do conservatório; o estado atual da sala já foi coberto aqui.