Com quantos caixotes se faz um aparador?

Uma das coisas que acho mais legais em blogs de decoração e DIY é a documentação do processo. Ao contrário das revistas especializadas e os sites de decor-porn, o produto final não chega à tela do seu computador prontinho, fotogênico, magazine-ready. Entre o começo e o fim existe toda uma situação de caos generalizado, sujeira, projetos semi-prontos, fungo nos azulejos, móveis datados, louças sanitárias em cores, erm, “vintage”, paredes descascando, infiltração, mofo, ou seja… Not pretty.

Mas esconder essa parte equivale a varrer a sujeira pra baixo do tapete na hora de fazer as fotos para o site. O que eu até faria, confesso, CASO tivesse tapetes. Só que se eu quiser esperar até a casa ficar “pronta” e que eu esteja 100% satisfeita com ela para começar a falar sobre, eu jamais falarei e é melhor até a tirar a tag “casa” da lista. Por sorte essa casa foi reformada antes de ter sido posta à venda; está tudo novinho, limpinho, sem problemas estruturais. Ok, toda uma “vibe magnólia” percorrendo as paredes e eu não sou fã dessa tonalidade. Mas ela reflete bem a luz, não é ofensiva e eu também não estava a fim de pintar de branco - para valorizar as sancas. Então fica isso aí mesmo, o que economiza tinta, tempo e a saúde das minhas costas. :)

Ontem eu decidi fazer fotos dos cômodos da casa como eles estão agora, a fim de ter um registro do “antes” para quando eu fizer um “antes X depois”. Acompanhar o processo desde o começo é sempre mais interessante que apenas apreciar o resultado; afinal isso é uma casa de verdade, não um showroom da Tok & Stok. :)

Vou começar pela “sala de jantar”. Acho esse termo meio pedante, até porque eu janto sentada no sofá, na frente da TV. Mas enfim. Temos esse espaço, colado à “sala de estar” (*suspiro*) que eu decidi usar como comedouro para quando tivermos visitas - ou seja, nunca. Mas né, vamos voltar ao assunto: ontem pela manhã esse era o estado do cômodo:



Cadeiras que ainda não têm endereço fixo sendo pintadas, jornal para evitar respingos no chão, chão cheio de respingos anyway, flores mortas dentro de vasos, etcétera. Considerando que essa é uma das primeiras visões que alguém teria ao entrar pela porta da frente, eu achei que devia fazer algo a respeito. Ok, ninguém entra aqui, mas é a mesma coisa de não querer usar calcinha furada na rua caso um acidente aconteça e você vá parar no pronto socorro exibindo seus fundilhos esburacados para toda a equipe de plantonistas. Eu não me importo de exibir lingerie em estado avançado de decomposição para absolutamente ninguém, mas nem mesmo as aranhas que habitam a minha casa merecem ver desordem.



Um esclarecimento quanto às cadeiras abaixo: vieram de Teresópolis, um “antiquário” - ok, vamos chamar de brechó, porque define melhor. Enfim, o conjunto era lindo, custou uma miséria e eu ainda levei uma cadeira de balanço de lambuja. Não são “antiguidades”, são reproduções, e por isso não me senti mal por pintar.



O processo tem sido infernal por conta da quantidade absurda de detalhes, de ter que evitar a parte de palha… E para ajudar a tinta que eu escolhi tem acabamento acetinado, mas textura de gloss. É HORRÍVEL PINTAR COM GLOSS.

O espelho estava há meses jogado no cantinho. E antes dele havia ali uma pilha de caixas e caixotes de madeira contendo tralhas. Preciso admitir: fico feliz por NÃO ter registrado essa parte do processo. Em Jersey ele ficava em cima da lareira, mas tenho outros planos para a atual lareira e por enquanto ele está sem propósito, perdido na vida, na rua, na chuva, na fazenda, chutando lata, dormindo na praça, etc.



Senti que precisava terminar aquelas cadeiras e tirá-las dali. Ou pelo menos TIRÁ-LAS DALI, porque não curto tapete, menos ainda feito de jornal. Mas aí o cantinho abaixo das janelas ficaria vazio. Foi quando lembrei da existência desses caixotes, que eu usava como estante de CDs/DVDs na casa alugada:



Alguns eu já havia pintado e estavam no conservatório, mas meia dúzia estava ainda homeless desde a mudança.







O espelho é até bonitinho. Veio de Camden, na época ainda estávamos em Jersey mas pusemos no carro e o espelho atravessou o canal da Mancha. E anos depois atravessou de novo, voltando pra London town. :) Pintei a tábua e, EU SENDO EU, cinco minutos depois (antes mesmo de secar a tinta direito) ela já estava cheia de porcaria em cima. Por que qual a graça de criar uma peça de mobília a partir de tralha que você tinha em casa se não for pra encher de tralha?





É claro que isso é temporário até eu conseguir um armário decente. Por ora a avenca mudou de lugar (ela não está muito feliz com o aquecimento na casa anyway) e a minha calavera idem. Perceba a ironia desperdiçada ao colocá-la sobre um livro chamado “Death and the Afterlife” ao invés da minha edição de Poliana. Mais clichê do que isso só se ela estivesse sobre uma cópia de Hamlet.



That’s all folks. :) Em breve, fotos da cozinha e do conservatório; o estado atual da sala já foi coberto aqui.

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