Dead tired.



Chegamos. Eu e todo o meu cansaço.

Três noites sem dormir decentemente. Um vôo sem muita turbulência (jantar sem a menor graça, mas: BOLO DE LIMÃO ♥), uma aeromoça que não me deu jornal (mas deu um exemplar para o passageiro do meu lado… será que ela pensou que eu não tinha cara de quem sabia ler inglês? risos), doze horas de sufoco porque eu obviamente não consigo dormir (e de novo não consegui me entender com o foot rest da poltrona) mas quando desembarquei e vi aquele céu BEM CINZA meu coração se aqueceu em resposta ao frio que certamente devia estar fazendo lá fora. Hello, Home. :)



A saia da foto, ainda sem bainha e com a lateral descosturando, foi feita pela minha mãe. Que ficou toda triste no aeroporto e eu fico triste por ela. Só posso imaginar o quanto é difícil. Meu pai também não me pareceu muito feliz quando me despedi dele, minhas malas já feitas em casa, para ir me vestir e esperar o seu Luís chegar com o táxi. Eu disse que em breve ele estaria aqui conosco novamente, pintando paredes como da última vez. Ele respondeu “Deus te ouça” e nessa hora eu quis que de fato Deus existisse e ouvisse.

Deixei o velho em bom estado. Tenho no celular, que é pra não esquecer, as fotos de quando ele ainda estava no hospital: sem a dentadura, magrinho e debilitado depois de uma semana de dieta zero, falando com dificuldade, dormindo o tempo inteiro e os braços (com os hematomas da queda que foi a causa a sua internação) presos com tiras de gaze nas grades da cama para evitar que arrancasse as sondas. Triste, muito triste. Depois de receber alta os primeiros dias em casa foram difíceis, de medo, frustração e irritação de todas as partes. Deve ter sido uma experiência complicada pra ele ser lavado e ter as fraldas trocadas pela filha e pela ex-esposa. Sem falar na dor que ficou nas nossas costas, braços e pernas, porque carregá-lo do colchão (que pusemos no chão, a fim de evitar que ele caísse da cama) para a cadeira de banho e vice-versa foi mais complicado do que eu esperava: ele estava magro, mas ainda assim pesava muito. Não firmava as pernas e nem conseguia segurar nada com as mãos. Fora o gênio forte do velho, que se manifestava mesmo quando ele mal conseguia falar, e que fez com que ele ouvisse de mim uns bons berros para que cooperasse e criasse noção. Desses, só me arrependo de um, quando eu já estava no meu limite físico e mental; o resto foi salutar.

Aos poucos ele foi ganhando equilíbrio, mas por alguns dias falou algumas coisas sem o menor sentido - como se estivesse confundindo sonhos ou delírios com a realidade. Cheguei a pensar que ele não se restabeleceria, mas até isso passou. Hoje ele está 100% lúcido, andando bem, aprumado, descendo as escadas (com a nossa ajuda) para ir até a rua cortar o cabelo, comendo bastante (como sempre…) e querendo muito melhorar logo e retomar a sua rotina. No máximo eu sinto um certo medo da parte dele de que não vá se recuperar totalmente e tenho medo que se torne deprimido caso isso demore. Mas é importante lembrar que em menos de um mês ele saiu de uma cirurgia no cérebro e voltou a ser um senhor de 80 anos que dá 500 pedaladas matinais na sua bicicleta ergométrica. Eu estou confiante que ele vai sair dessa. O bichinho leva jeito pra longevo. ;)



Lembrei que há um mês achei estranho minha mãe ter ido me buscar no aeroporto sem meu pai, e de novo achei estranho ter ido me levar sem ele. Cheguei cedo demais e tive que aguardar 50 minutos até a hora do check-in (que eu havia feito online, mas ainda precisava despachar duas malas e imprimir a passagem), por isso liberei minha mãe para voltar pra casa com o taxista. Fiquei conversando com uma senhora brasileira (a primeira da fila, que chegou mais cedo ainda) que morava em Bath e ficou surpresa ao me ouvir dizer que em condições normais eu prefiro vir ao Brasil no inverno. Jamais entenderei a atração que as pessoas sentem por 40 graus de umidade e suor, mas whatever. Eu estava voltando para pegar o finzinho do outono e para um inverno que promete ser rigoroso. :)



Jantamos home made chili con carne e eu comi até entortar.
E agora tenho tanta coisa pra fazer que nem sei por onde começar.

- Desfazer as malas e lavar roupa.
- Arrumar a casa (depois de um mês sem uma boa faxina).
- Achar as árvores de Natal no meio das caixas da mudança.
- Comprar enfeites novos.
- Comprar e montar os armários do closet.
- Fazer colagens e posts atrasados.
- Assistir meus filmes.

Bem, essa lista já é um começo.
Mas antes de qualquer coisa o que eu realmente preciso é de uma boa noite de sono.

Câmbio, desligo.

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