Burden & apathy.

não cabe mais um sapo sequer na sua garganta, mas você engole assim mesmo o batráquio do dia e tenta manter o status de relacionamento, porque às vezes DEIXAR de ser amigo de alguém dá mais trabalho do que fingir que ainda é. todo um ritual de desvencilhamento quando há pessoas em comum, lugares em comum, quando a criatura já esticou tantos tentáculos pra dentro da sua vida que pensar em ter que sair tesourando um por um nos faz recuar com uma daquelas preguiças paralisantes que se manifestam diante de alguma tarefa hercúlea e ingrata, que não vai proporcionar prazer algum além de um pequeno alívio no fim. os fins parecem não compensar os meios e aí eu apenas enfio metaforicamente a cabeça no vaso, espero a raiva passar (sabendo que não vai passar, vai apenas ressecar e acumular por cima das raivas antigas, aumentando a crosta de ressentimento) e me torno cada vez mais fria, cada vez mais incapaz de relativizar e perdoar e entender.

e no fim aquela amizade fica ali, na última gaveta do armário do quartinho dos fundos como aquela blusa que não combina com você, que já saiu de moda, que nunca coube direito, que está ocupando um espaço onde suas meias novas e quentinhas poderiam estar se espalhando e que você até desconfia que já usou pra limpar café derramado na mesa. a diferença é que essa pessoa vai ficando, pesando na bagagem por causa de uma conveniência incômoda e para poupar fadiga e stress. quanto à blusa, você até já se esqueceu, mas foi embora com o lixo da semana passada.

come kinder and lighter, april.

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