We can beat genetics, adopting new aesthetics













Eu uso, sim. Mas não gosto muito de maquiagem. Não curto me sentir obrigada a melhorar o meu aspecto para o mundo, porque quase sempre acho que o mundo não vale o esforço e me ressinto por me esforçar assim mesmo. Não tenho prazer em perder aqueles 10 minutinhos antes de sair de casa tentando photoshopar a minha cara com BB cream e corretivo. Não tenho prazer em gastar dinheiro com maquiagem, nem mesmo quando a embalagem é bonita - tenho algumas sim, mas felizmente maquiagem de farmácia aqui é top quality e baratinha. Não me acho special snowflake ou melhor do que ninguém por conta disso, mas também não compro totalmente o discurso de que “não tem nada a ver com opressão e mito da beleza, uso maquiagem porque gosto” quando na verdade o truque do sistema é justamente nos fazer acreditar que gostamos para não questionar as suas estruturas. Não há nada de errado em querer apresentar a sua melhor versão para o mundo, mas saber que por ser mulher eu sou mais julgada pela minha aparência que um homem (que só precisa estar limpo para estar na sua melhor versão) eu não consigo evitar um certo ressentimento.

Esse é o cantinho bonitinho onde eu tento me consertar antes de sair de casa. Esse é o espelho que recebe a minha versão em rascunho e assiste à transformação (não muito radical, diga-se) na versão arte-finalizada, com menos olheiras, manchas de sol, com cílios mais longos e bochechas coradas. Me sento diante dele eu mesma e me levanto vagamente impostora. E gostaria de não me importar em agradar a uma platéia que na maioria das vezes nem estará prestando atenção, mas me importo. Então, que pelo menos, o teatro seja agradável. E o batom bonitinho. :)

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