The Summer is tragic.

Meus CÍLIOS estão ardendo. Minha NUCA está ardendo.
Estou queimada em partes do corpo que eu não sabia ter e olha que eu estava bem mais coberta do que a temperatura requeria. Meu Babybel DERRETEU na bolsa e isso porque a temperatura não passou dos 28 graus - mas tente sobreviver a isso num engarrafamento de saída escolar (damn, yummy mummies), sentada do lado do sol (eu SEMPRE escolho o lado do sol no ônibus; quem disse que não tenho talentos?) na janela que não abre (que pena? ainda bem?) cozinhando por uma hora e meia depois de ter passado meses hibernando na sombra do outono/inverno. Certeza que eu ganhei um câncer de pele (ou trinta) hoje and I’m not amused. Duas semanas tá bom, né? Já é o bastante, né? Chega, já deu, enough, basta, cansei de verão - CORDEI KERO OUTONO.

Até porque já consegui, depois de muitas tentativas falhas (e molhadas…), fotografar os veadinhos de Richmond num dia de sol, SEM CHUVA. ♥

















Yeah, that’s what we do on sunny days. :)

Hoje, apesar da insolação, tive um dia supimpa; fui a Debden e descobri que Debden não é uma localidade, é uma abstração, porque é o único lugar do universo conhecido cuja filial do Sainsbury’s (supermercado) não tem banheiro. Isso desafia ao mesmo tempo a ordem mundial, as leis da Física, as regras da FIFA e quebra a netiqueta. Ser mulher e ter uma bexiga pequena é uma coisa deveras complicada e chata, especialmente se a sua menstruação acabou de acabar e o seu sistema excretor passa uns dois dias trabalhadíssimo em se livrar da retenção de líquido - ou seja, obrigando você a mijar de 5 em 5 minutos.

Too much information? Too bad. Dane-se.
Too much wee é bem pior - especialmente quando não tem banheiro no Sainsbury’s. Consegui um xixi honesto num posto de gasolina (ÚNICO outro lugar ainda aberto naquele fim de mundo às CINCO da tarde), mas postos de gasolinas não são exatamente famosos pela qualidade dos seus banheiros. Nesse, por exemplo, eu encontrei uma revista pornô jogada no chão (classy…) e o porta papel higiênico estava trancado com cadeado. I kid you not:



(vou omitir a foto da revista em nome dos menores de idade que talvez esbarrem nesse blog; estava aberta numa imagem particularmente indecorosa e eu não desejei por a mão ali pra virar a página, sorry).

Vi um homem passando na rua em Leytonstone com uma cobra amarela GIGANTESCA pendurada no pescoço, e logo atrás uma senhora carregava nos braços um bebê usando uma burca. O BEBÊ, não a senhora. Como a senhora em si não estava usando burca eu imaginei que a vestimenta da criança pudesse ter objetivos irônicos. Fiquei parada olhando para a dupla e apostando mentalmente quantos minutos se passariam até que algum muçulmano ofendido viesse tirar satisfações (da SENHORA, não do bebê), mas ela continuou andando e virou a esquina incólume. #ThisIsLondon

Tomei um latte ruim (felizmente barato) numa patisserie (único lugar não totalmente ocupado por homens esquisitos) em Leyton a fim de ter um motivo válido para usar o banheiro. Sim, de novo.



Também passei por um lindo campo aberto em Woodford Green, cuja grama que provavelmente foi verde durante a primavera já secava sob o sol. Nele duas crianças totalmente vestidas de preto brincavam com uma bola laranja e fiquei pensando que em breve será Halloween de novo. E com o Halloween virá Outubro, virá o outono finalmente e as folhas do carvalho vão novamente entulhar o meu jardim. Yay.

Tentei comprar sapatos em Walthamstow. Sem muito sucesso.







Em Debden peguei um ônibus para Ilford junto com uma amiguinha, que admirava embevecida os poucos homens bonitos presentes. Bonitos para ELA, diga-se, porque eu não vi a menor graça nos cavalheiros em que ela babava. Descobri que eu realmente não reparo nos atributos físicos da macheza à minha volta quando recebi a visita de um amigo do Brasil e ele notava os rapazes bonitinhos que de outro modo eu nem teria percebido. Na condução eu geralmente estou concentrada na paisagem, na tela do celular ou nos meus próprios pensamentos. Viagens longas de ônibus são perfeitas para refletir; pena que nem sempre o resultado da reflexão seja agradável.

Foi apenas uns dois pontos depois que a amiguinha desceu que alguém realmente bonito entrou no ônibus. Dessa vez eu percebi. Devia ter uns 17 anos, cabelo longo (coisa rara por essas bandas) levemente ondulado, loiro escuro, preso num rabo de cavalo grosso. A beleza do cabelo, aliás, foi a primeira coisa que notei. Seguida da pele lisa dos braços, o rosto delicado e vagamente feminino, o torso esguio enfiado numa camiseta surrada cinza escura - a juventude realmente não requer enfeites. Não pude evitar observá-lo; ele parou em pé na minha frente (that’s my excuse and I’m sticking to it). Nas mãos trazia uma espécie de maletinha, coberta de adesivos já meio desbotados de super heróis e a inocência daquele detalhe me fez sorrir ao imaginar um menino loirinho colando adesivos na mala nova, anos atrás. Ele desceu logo, infelizmente, enquanto eu prossegui fritando no ônibus até a estação de Gants Hill.

Em Loughton ouvi um HELLO GORGEOUS de um velho careca, sentado ao volante de um Bentley conversível azul marinho com estofamento off-white e placa personalizada. Anotei o número da placa. Nunca se sabe.

No comments