It’s a cruel, cruel summer

Você tenta apoiar o café local independente ao invés de dar seu dinheiro pro Costa, mas bolo de BETERRABA, amiga? Sério? E ao perceber a minha cara de desespero ainda diz “mas é gostoso!” Miga, cogite a hipótese de vender um bolo que não te faça ter que se justificar com um “mas”.

Acabo adentrando novamente o Costa (Bosta) depois de avistar um vanilla cherry cake inteiro na vitrine - inclusive um dos melhores bolinhos que a gente encontra atualmente nos cafés de rede desse país.

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Massa úmida e fofinha (não aprecio bolo com textura de polenta - get your shit together, cakemakers), recheio de cereja no ponto certo de doçura, cobertura de baunilha bem doce, porém cremosa e salpicada por legítimos pontinhos de baunilha. O único senão: podia ser maior essa fatia, hein Bosta? Vamos reavaliar esse miserê aí.

Comprei vestidinhos de malha na Primark, meias fofinhas para o outono e mais um daqueles maravilhosos sutiãs de ginástica que custam 2.50 dinheiros, duram anos e são ridiculamente confortáveis. Chato foi ter que esperar quase uma hora para que o provador abrisse. Aparentemente as leis de comércio vigentes proíbem que os funcionários comecem a trabalhar antes das 11 aos domingos. E por mim apoiadíssimo; empregado não é burro de carga. Mas então por que fazer com que eles cheguem na loja no mesmo horário de sempre? Para ficar parados em pé, sem fazer nada ou “arrumando estoque” porque “não podem trabalhar” (ué, arrumar estoque não é trabalho?) enquanto a fila no provador e nos caixas cresce? Ou você deixa o pessoal dormir até mais tarde em casa e efetivamente DESCANSAR ou, já que pra todos os efeitos eles estão na loja trabalhando, por que não abrir logo o provador? Eu perdi alguma coisa? Alguém explica? < /end of rant >

E cresce a selva doméstica:

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E uma coletânea (direto do Snapchat) do primeiro domingo do fim do verão no Soho:

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A foto ruim não faz jus à delicinha que é esse bolo. Já comi red velvets melhores? Sim, mas também já provei piores e esse aqui é consistentemente bom. Thank you, Hummingbird Bakery.

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Bonitices na Topshop. :)

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Gatas extraordinárias e canequinhas de elefante na Urban Outfitters.

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FILA pro brunch do Breakfast Club; sorry, não é tão bom assim (mas o site deles é uma graça) e o Soho tá cheio de opções; desnecessário.

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Teve croquete brasileiro; esse café (cujo nome eu não me lembro) fica em frente à Primark de Tottenham Court. Tem uma boa seleção de salgados, uma garçonete brasileira que mistura o português e o inglês (deve ser estressante ter que atender cliente nos dois idiomas o dia todo; se bem que vejo poucos gringos frequentando restaurantes brazucas por aqui), pratos quentes (que eu não comi, mas vi em mesas alheias e cuja apresentação não me impressionou muito) e guaraná. Se você está aqui faz um tempo e ainda não conhece (Deus e o mundo conhecem, mas né, vai que) fica a dica pra um lanchinho bom e barato pós-compras. Já se você estiver aqui turistando… tome vergonha na cara e vá provar coisas novas. ;)

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As inutilidades úteis da MUJI. Eu amo as canetas e cadernos, mas eles também têm aqueles separadores/gavetinhas de acrílico com mil e uma utilidades. Esses mini ventiladores de mesa em tons pastel talvez sejam perfeitos dentro do contexto de escritórios ingleses sem ar-condicionado no meio de uma onda de calor. Mas essas rosquinhas de porcelana? São porta escovas de dentes. O que aconteceu com o bom e velho copinho? :)

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Fiz um mini-piquenique no gramado perto de Victoria Station, fucei a HEMA na estação e peguei meu trem para casa.

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Já de volta no subúrbio, jantar no italianinho:

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Cujo nome eu também não lembro (blogueira incompetende detected) mas esse macarrãozinho aí tava divo. ♥

E isso foi há algumas semanas. O verão está indo embora (nem tão rapidamente, Agosto vem se estendendo há milênios) e dessa vez eu estou lamentando. A essa hora eu já estaria radiante de antecipação pelo outono, minha estação favorita; mas ao invés disso estou me sentindo meio “roubada” já que por conta de alguns compromissos e contratempos esse ano eu não pude aproveitar o verão como devia. Estou tentando tirar o máximo dessas últimas semanas porque Setembro está logo ali. As primeiras folhas amarelas de 2015 já foram avistadas na copa de um árvore na estrada, e quando eu começar a colocar pijamas de flanela na lista de compras e “uma lareira de verdade” voltar para a minha wishlist nós saberemos… the winter is coming. :)

But please, Mr. Summer, do stay a little longer.
Make yourself at home and have one last cuppa with me.

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♬♫♪ Cruel Summer - Bananarama

Let me go on, like I blister in the sun

Sábados de sol não podem ser desperdiçados, menos ainda quando a previsão para o domingo é tempestade com direitos a relâmpagos e trovões. So off I went into the sun (ou melhor, into the trem pra Kings Road).

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Muito tijolinho vermelho rico, pouco bolo. Quer dizer, há inúmeros cafés ao longo da rua, mas eles são quase sempre da modalidade “posh” ou “hipster”, significando bolo vegano (sorry, but no), bolo com legumes na massa (nah), bolo cheio de nozes ou sementes (nope, nope), “patisseries” (o único bolo decente inventado na França atende pelo nome de Madeleine e raramente se encontra à venda em cafés), e prateleiras e mais prateleiras de brownies orgânicos (nope!). Ou seja, passei uma hora andando no sol, adentrando café após café e saindo invariavelmente desapontada - ora com o hipsterismo ou com o preços.

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Esses aqui apesar de meio posers eram fofos, uma espécie de mini-bolinhos. Mas eu me recusei a pagar quatro dinheiros num bolo do tamanho de um cupcake que ia acabar em duas mordidas. E note as etiquetas de preço viradas para dentro da loja - ou seja, pra saber o tamanho do estrago na conta bancária você tinha que entrar, ser recepcionada pelo semblante azedo da mocinha bonita paga pra ficar na porta fazendo terror psicológico (CAN. I. HELP. YOU?), olhar o preço, desistir, sorrir amarelo pra moça bonita (a essa hora já pressentindo a sua intenção de vazar e te fuzilando com olhares que são puro bullying silencioso: “BITCH IS POOR, BITCH GOT NO MONEY”) e sair pra rua se sentindo um personagem de Os Miseráveis. Damn…

Para completar, percebi que a loja que eu tinha vindo procurar fechou há mais de um ano. Damn 2.

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Qual não foi meu alívio quando, já voltando derrotada pra estação e dando minha empreitada por perdida, eu avistei um café do outro lado da rua em cuja vitrine reluzia em tecnicolor vermelho um red velvet que eu não ia precisar vender meu relógio pra comprar. E mais: o recheio estava com uma cara boa e a massa, apesar do aspecto anguzento, não parecia das piores em termos de textura. Sentei né. :)

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Ok. Vamos por partes. Não é que o bolo estivesse ruim, mas só depois da primeira garfada eu percebi que o creme não era buttercream, como eu havia imaginado, e sim cream cheese. Eu sei que cream cheese é relativamente tradicional em red velvets, mas o fato é que eu não gosto muito de cream cheese e aquele estava particularmente doce e enjoativo. E o dia estava quente, o cream cheese estava gosmento e eu cismei que estava estragado. Como um dos meus maiores medos secretos (ok, agora nem tão secreto) é ter crise de piriri no meio da rua eu discretamente enrolei o bolo num guardanapo, enfiei na bolsa e saí. Não sem antes jogar o copo com metade do flat white no lixo, porque se é pra engolir coisa amarga eu prefiro jiló frito, thanks.

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Logo em seguida eu raciocinei que se o bolo não estava OK pra comer naquele momento estaria ainda pior pra comer mais tarde, depois de um dia de calor dentro da minha bolsa. E se piriri na rua é pior do que piriri doméstico isso não quer dizer que eu me arriscaria a um piriri só porque poderia usar minha privada no conforto do meu lar. Suspirei, dei uma chorada interna e três quarteirões depois “enlixei” o bolo também.

Eu tô seriamente considerando parar de comer bolo na rua, o que infelizmente não vai ser possível por motivos de trabalho mas olha, as decepções só vão se acumulando. Tá foda, Brigitte.

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Dei mais uma rodadas pela área e resolvi pegar o metrô pra Bayswater a fim de comprar junk food asiática em Queensway. Descendo na estação eu pus o pé na rua e me senti em casa (eu realmente gosto daquela muvuca multicultural), cercada de restaurantes e bares e pensei que teria dado mais certo ter vindo almoçar ali.

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Opa Gangnam Style! :)

Comprei steamed pork buns, takoyaki, onigiri com recheio de salmão, bebidas e fui fazer piquenique no parque.

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Essa garrafa de Ramune à direita… Bem, digamos que eu fiquei feliz por ter alguém para abrir pra mim, assim poupando transeuntes de presenciar meu ataque de pelanca. Porque a que eu comprei pra levar pra casa e tentei abrir no dia seguinte… Não fosse a faca de ponta que peguei na cozinha eu estaria ainda xingando três gerações de japoneses pela idéia genial de vedar uma garrafa com uma bolinha de gude na pressão.

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Passei na charity shop onde apreciei uns Kurt Cobains na parede mas nada comprei e, bucho cheio de carboidratos, peguei meu trem pra casa e chutei o pau da barraca pedindo um curry por telefone. E assim terminou outro sábado de sol no Reino. Burp. ♥

♪ ♩ ♫ ♬ Blister in the Sun - Violent Femmes

A trip down memory lane







Eu tenho uma memória estranha. Ela é muito, muito ruim para o passado recente, tanto que sinto ser preciso manter registros. Ontem estava tentando preencher uma folha sobre o que fiz na véspera e simplesmente não consegui me lembrar de um único evento acontecido há pouco mais de 24 horas. Tive que ir fazendo conexões, tentando recordar por exemplo o que comi (e não foi fácil), para num efeito cascata retroativo me lembrar do que veio antes.

No meio do esforço me surge na mente a memória de uma festa (de 15 anos?) onde eu estive com minha mãe, às vésperas de me mudar para cá. Não lembro mais de quem foi a festa, mas lembro exatamente em qual casa ela aconteceu e de que algumas pessoas (a maioria mulheres) nas mesas à volta não tiravam os olhos de mim. Algumas vinham conversar com a minha mãe e aproveitavam a oportunidade para me checar, os olhos examinando cada detalhe da minha roupa, do meu cabelo, da minha cara, e sorriam mil dentes como resposta ao meu olhar assustado/inquisitivo. Situação bastante desconfortável pra qualquer pessoa. Algumas se dignaram a me dirigir a palavra mas eu muito preferiria que não porque a conversa variou quase nada além do “NOSSA, QUE SORTUDA VOCÊ HEIN? SE DEU BEM”.

Lembro que comecei a me sentir enojada e concluí que a perspectiva de uma fatia de bolo não compensava o incômodo de permanecer ali; até porque o nó de náusea que se formava na minha garganta me impediria de engolir qualquer coisa. Fui embora mais cedo e sozinha, caminhando pelas ruas vazias do bairro, as lâmpadas de mercúrio iluminando o caminho e as memórias que eu tinha feito em cada esquina. Mas elas também não compensavam o incômodo de permanecer ali. Nunca senti tanto alívio por estar indo embora, nunca tive tanta certeza de estar fazendo a coisa certa.





Frequentemente algum trigger me faz “puxar” algo assim lá do fundo do baú mental. Hoje, por exemplo, durante a minha caminhada matinal alguma coisa que vi na rua me fez lembrar de ter ido com meus pais a uma festinha no Lespam/Casa do Marinheiro na Avenida Brasil, onde os Trapalhões estavam se apresentando. Eu era bem pequena, devia ter uns 2 ou 3 anos, mas lembro do Dedé me entregando um saco de pipoca e depois me repreender docemente com um “você deixou cair a pipoquinha, neném?” (a pipoca deve ter caído) enquanto um bando de adultos bobões ria de mim.





A primeira lembrança que tenho de verdade eu ainda era bebê. Parece que as cores são supersaturadas (em tons de verde, amarelo e vermelho), porém tudo está desfocado e nada tem sequência certa. Eu num vestido, uma caminhonete amarela, um lugar cheio de verde. Há coisas (brancas?) estendidas no gramado e diversas pessoas ao redor. Muito barulho, mas a atmosfera me passa a impressão de tranquilidade. Eu estou no colo de alguém, e os braços dessa pessoa me erguem até algo grande e bem verde que interpreto como sendo a copa de uma árvore. Lembro de sentir a presença de uma pessoa morena (parecia ser um homem), que pode ser o meu pai ou simplesmente alguém com uma roupa da mesma cor da pele dele. Eu parecia estar feliz.

Descrevi as partes soltas que me vinham à memória para minha mãe, pensando ser um sonho antigo, e ela se lembrou desse dia com alguma exatidão. E ficou chocada por eu me lembrar - a caminhonete, o piquenique, o que eu vestia, ela me erguendo para que eu tocasse a folha das árvores. Eu tinha menos de um ano. É engraçado ter lembrança dessas coisas quando elas acontecem numa idade tão tenra, é como lembrar de um sonho no dia seguinte, ou dias depois; a memória vem meio disforme, cercada por uma espécie de névoa que embaça as imagens. Talvez o nome dessa névoa seja tempo.



Para ajudar na memória recente eu costumo manter journals - nome menos teenager e mais metido a besta para “diários”. Mas ao contrário dos diários clássicos, geralmente 90% escrevinhação e desabafos catárticos, os journals também podem conter fotos, coleções de efêmera (ingressos de cinema, papel de bala, flyer de festas, etc), listas de coisas queridas (e outras nem tanto), arte, mementos e desenhos. Esses cadernos também vão me ajudar no futuro; outro dia eu tive que fuçar agendas pra lembrar em que ano a Chantilly veio morar conosco a fim de preencher um documento no veterinário.



Silly, how could you forget?

O plano para 2015 era fazer um Project Life, mas preguiça avassaladora porque o projeto é bem “photo oriented” e eu não tenho muito saco pra imprimir fotografias. Quem sabe no futuro, quando eu aprender a usar melhor o meu tempo? Mantive os journals, apesar de às vezes atrasar vários dias; esses cadernos, por razões óbvias, não são compartilhados na internet, mas o planner com colagens sim. Sem contar que são desculpa excelente para se jogar em tralhas de papelaria. ♥















Para começar, no entanto, você só precisa de caderno e caneta.
Pode fazer quantos journals quiser, com os mais variados objetivos, mas eu prefiro reunir cada ano em um lugar só. Você pode usar pastas, arquivos, qualquer meio que possibilite guardar o que quiser no formato em que desejar. As “memory boxes” (caixinhas com lembranças acumuladas vida afora) são populares por aqui, mas podem acabar ocupando muito espaço caso a pessoa não seja muito seletiva ou capaz de editar o conteúdo. Eu acho uma boa idéia ir guardando o que for especial e todos os anos, por volta do Natal, abrir a caixa e reavaliar cada item, aproveitando para fazer um balanço do ano que passou e manter apenas o que for mais relevante. A cada cinco anos vale repetir o processo e ir eliminando os supérfluos, deixando ficar apenas aquilo que você terá prazer em rever daqui a cinco décadas.









Eu tenho uma tag sobre journalling aqui no blog que anda meio morta, mas vou tentar reativar. :)