[6x6] Food (caaaakes!)

O post devia ter entrado ontem, mas uma das fotos só pôde se materializar hoje de manhã e então phew! eis o 6x6 desse mês, tema COMIDA ♥ Até pensei em incluir os fish and chips e full breakfasts; maaaas, como já temos uma irlandesa e uma australiana honorárias no grupo eu resolvi honrar meu recém-adquirido sweet tooth (coisas que uma dieta lowcarb faz por você!) e fazer um top 6 SOBREMESAS.\o/

Bem, em parte. Pra mim bolo não conta exatamente como “sobremesa”; acho pesado demais para comer depois de uma refeição e, sendo essa iguaria tão maravilhosa, merece lugar de destaque e cerimônia apropriada. Ingleses não costumam comer bolo andando pela rua e nem com refrigerante em praças de alimentação superlotadas; bolo é companhia de chá e de um momento contemplativo só dele, no aconchego do seu lar ou curtindo os rituais de um tearoom. Sobremesa, pra mim, é um bom café ou uma tábua de queijos; o bolo fica pro chá das cinco. Ou das duas e meia, porque regrinha tem limite né. :D

Como toda Cake Lover, tenho minhas preferências. Entre elas não consta bolo contendo legumes e nem chocolate. Frutas são apreciadíssimas, nozes nem tanto. Massas do estilo “mil folhas” me interessam menos, e as crostinhas finas cobertas de quilos de creme típicas da patisserie francesa idem. Cupcakes são visualmente adoráveis, mas costumam desapontar no resto: doces demais, massa ressecada/anguzenta, logisticamente difíceis de transportar e uma lambança na hora de comer. Ou seja, eu sou bem tradicional e prefiro passas às gotas de chocolate (tão favorecidas nos panetones brasileiros), mas também sou daquelas que dependendo da seca vai comer até pedra.

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Eu tenho que admitir que Carrot Cake não está na minha lista de favoritos por motivos de *cenoura no bolo*, mas quis incluí-lo no post por conta da grande popularidade no Reino Unido e pela sua história. De origem medieval, o bolo se tornou bastante popular na Inglaterra no período do pós-guerra, onde o racionamento de farinha fez com que as donas de casa se tornassem mais criativas e usassem legumes (que não eram racionados e podiam inclusive ser cultivados no quintal) para substituir. Aqui a cobertura costuma ser de cream cheese ou buttercream (prefiro a segunda) com opção de nozes salpicadas (elas também podem entrar na massa, mas não é obrigatório) e raramente vejo sendo servido com a cobertura de chocolate tradicional no Brasil (ainda bem). O bolo de cenoura europeu também tem diferenças do bolo brasileiro: a massa é mais escura, tem menos gosto de cenoura e geralmente é um bolinho denso, com farelos grossos e textura macia.

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Não existe “Afternoon tea” que se preze e mereça esse nome sem a presença de Scones quentinhos, cortados ao meio e cobertos com geléia de morango e “clotted cream” - um tipo de creme de leite consistente e cremoso, que espalha feito manteiga… Os da foto levam passas, mas também existe a versão pura. Geralmente fazem parte do “afternoon tea” tradicional, que inclui também sanduichinhos e bolos, ou então vêm fazendo carreira solo no não menos tradicional “cream tea”, que consiste de um ou dois scones + creme e geléia + chá. Existe toda uma controvérsia sobre o que deve vir primeiro em cima do scone: o creme ou a geléia? Qualquer semelhança com a discussão “feijão por cima do arroz OU arroz por cima do feijão?” não é intencional. Eu, pessoalmente, tenho uma técnica: se o scone estiver quentinho a geléia vai primeiro - do contrário o clotted derrete antes que eu possa apreciar a sua cremosidade. Do contrário sou do time “creme primeiro, geléia por cima”, porque acho que a geléia espalha melhor em cima do creme do que vice-versa. Ufa.

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Essa coisinha colorida aí em cima se chama Battenberg cake, e apesar da vibe chucrute do nome ele é 100% britânico. Reza a lenda que foi criado em comemoração pelo casamento de uma das netas da Rainha Victoria com o príncipe germânico Louis of Battenberg. O nome da família foi alterado para “Mountbatten” durante a guerra porque ninguém queria estar associado a nada de origem alemã; até o Rei teve que mudar de sobrenome, mas o nome do bolo foi preservado. Respect the cake heritage! :) Enfim, o Battenberg não é tão complicado quanto parece. Basta assar dois bolinhos, um de massa branca e outro rosa, cortar e juntar alternando as cores dando esse efeito quadriculado (usando geléia de damasco para colar as partes), envolver com uma camada de marzipan e pá. Ou então comprar no supermercado, já que é praticamente impossível não encontrar. :)

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Um dos meus preferidos, Victoria Sponge é um dos bolos mais tradicionais do reino e presença obrigatória nas vitrines de salões de chá, seja na cidade ou no interior. Batizado em homenagem à Rainha Victoria (que aparentemente curtia um bolinho com o seu cup of tea - quem nunca, Vicky?), consiste em um bolo branco básico de massa fofinha, recheado de geléia de frutas (geralmente framboesa ou morango) e creme fresco batido ou buttercream. Muitas vezes o creme é omitido, e quando isso acontece eu sinto vontade de chorar e abrir um processo contra o estabelecimento por crime contra o patrimônio cultural + propaganda enganosa: não tem creme? Então o nome é Victoria Sandwich. Não deve ter cobertura (ou seja, é um “naked cake” muito antes da invenção desse termo idiota) a não ser por um leve polvilhado de açúcar de confeiteiro. Ta-da! Vicki pede outra fatia e diz, “we are amused indeed”.

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French fancies são pequenos petit fours de inspiração francesa criados pela empresa britânica Mr. Kipling e notoriamente difíceis de fazer - vide o fracasso que foi a tentativa de reproduzi-los no Great British Bake Off… São quadradinhos de bolo branco menores que um cupcake; normalmente não há recheio, mas no topo é colocada uma bolinha de buttercream e então tudo é então coberto com fondant - rosa (morango), amarelo (limão) e marrom (chocolate) - e por fim decorados com fios de fondant em cores contrastantes. São bastante populares nas prateleiras dos supermercados e consumidos com gosto por senhorinhas britânicas buscando um acompanhamento doce para a hora do chá + programas da tarde. 30% de açúcar e muito amor na sua corrente sanguínea. ♥

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E para concluir a hiperglicemia, Sticky Toffee Pudding. ♥ Apesar da cor não tem chocolate algum aí; trata-se de um bolo bem úmido e fofinho, assado em banho-maria, com tâmaras raladas, molho de caramelo e geralmente servido (como o da foto) com creme de leite batido e uma bola de sorvete de baunilha. Apesar do nome a textura não é grudenta, mas sim molhadinha; o bolo é servido quente em contraste com o sorvete gelado que derrete incorporando o sabor à massa. O creme batido serve para balancear o gosto bem doce das tâmaras. É uma mistureba deliciosa de sabores, temperaturas e texturas, um dos meus “puddings” preferidos e bastante comum em menus de sobremesa de pubs. Esse aí foi consumido ontem mesmo no Castle Inn, um pub de 600 anos de idade na vila de Chiddingstone, junto com uma trifle gigantesca (bolo ensopado com licor, coberto de creme inglês, frutas e creme de leite batido e que ia entrar no post também por ser super british mas né, APENAS SEIS, LOLLA!)

Hmm, algo me diz que vou ter que fazer um follow-up. :D

Outras delícias: Taís (Irlanda) - Paula (Holanda) - Alê (Ucrânia) - Loma (Coreia do Sul) - Paula (Austrália)

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