Freaky Sunday

image

Lembrei que não havia postado essa maldade no blog. :)

Os “freakshakes”, que viraram modinha na Austrália e rapidamente se alastraram pelo instagram, foram importados para Londres por esse pequeno café chamado Molly Bakes em Dalston - sim, bem no meio do epicentro hipster, como tinha que ser… Filas quilométricas no dia da inauguração devidamente registradas pelos instagrammers mais hype da cidade; mas eu já estou escolada e aguardei um domingo de manhã bem cedo, muitas semanas depois, para enfim visitar. Hipsters curtindo ressaca na cama, Lolla nadando em carboidratos sem ficar em pé na fila. Result!

image

Os minos foram de bolo: essa victoria sponge (perdoem a foto ruim) certamente foi uma das melhores que já comi na vida; and I don’t say this lightly. Voltaria lá só por causa dela, e inclusive pretendo fazê-lo porque nesse dia eu apenas provei. Eu teria pedido uma fatia pra mim porque ela já parecia incrivelmente apetitosa na vitrine, mas idéia era reservar espaço para essa bela monstruosidade que vos apresento:

image

Quase pornográfico. Tirem as crianças da sala (assim você não precisa dividir com elas).

Conclusão? Gostoso, sem ser muito doce (eu consegui terminar de beber todo o milkshake, o que é um feito raro pra mim), o chantilly não virou água instantaneamente, o marshmallow no topo foi flambado pela simpática atendente e estava uma delícia, os pedacinhos crocantes de sei-lá-o-quê + os pontinhos marrons na foto que literalmente explodem na sua boca (popping candy!) foram um toque divertido e que adicionaram uma dimensão extra à minha experiência gustativa. :)

Único senão: eu queria um cookie como topping, mas por causa de um mal entendido fiquei sem. Perguntei quais sabores vinham com cookie e a resposta foi “todos”. Eu pensei então que fosse receber o brownie E o cookie, mas ela quis dizer “todos, DESDE QUE você peça especificamente por cookies”. E aparentemente o default é brownie, pois foi isso que eu recebi. E eu *detesto* brownies… :( Esse, especialmente, estava uma desgraça. Ok, eu entendo que brownies são mesmo meio molinhos por dentro, mas o bloco de massa crua e amarga que me serviram voltou pra cozinha quase inteiro. Incomível.

Ou seja: falta clareza. Se há escolha de toppings isso deveria ficar claro e poderia estar escrito no menu da parede, que lista os quatro sabores de milkshake (chocolate, manteiga de amendoim, framboesa e caramelo) mas não menciona os extras. Depois da minha experiência fiquei sabendo que é um erro comum e mais gente já saiu chateada ou pediu pra refazer - o que eu poderia ter feito, mas detesto a idéia de desperdiçar comida (e acabei desperdiçando o brownie). Enfim, acabou chorare sobre o milkshake derramado; se algum dia rolar outro farei questão de pedir claramente COOKIES, NÃO BROWNIES. Fica aí a dica. :)

E vocês, encarariam o monstro? Alguma dica de bons lugares pra curtir sorvete e bolo em suas respectivas quebradas? Compartilhem aí com a galera - especialmente quem for do Rio; preciso atualizar meu mapa de delícias cariocas. ♥

That was the week that was

image

(quase não rola coluninha essa semana; nada do que fiz foi muito fotografável, e o que era fotografável eu não fotografei. Fuén. But let’s!)

1. Temperatura lentamente subindo e as suculentas enfim podem ficar ao ar livre; o sedum sempre fica mais bonito no quintal do que na varanda.

image

2. Alfineteiro que eu não tinha, precisava, resolvi fazer eu mesma e que foi muito útil essa semana em que costurei bastante. #BelaPrendadaDoLar

image

3. Sorvete no domingo: o de cima é de nozes e café (marromeno) e o de baixo é strawberries and cream (gostoso). Não fazem nem sombra aos gelatos italianos (os verdadeiros, já que hoje em dia qualquer sorvetinho pé de chinelo se intitula “gelato italiano” - NÃO aceite imitações), mas foram uma distração bastante bem vinda enquanto eu esperava, em vão, a fila do restaurante diminuir. O sorvete acabou sendo almoço…

image

4. Tenho esse esmalte Diamond Strenght da Sally Hansen há anos e como é um transparente meio cintilante eu uso como cobertura por cima de outras cores a fim de proteger o esmalte, fortalecer a unha e garantir pelo menos uma semana sem descascar. Uma camada fina basta. Ele confere um leve brilhinho extra, nada que chame muito a atenção, e eu totalmente recomendo. #CompreiComMeuDinheiro #NãoÉJabá #MasSeSallyQuiserDoarUmVidro #EhNóis

image

5. O que eu ainda não sei se recomendo: esse supostamente milagroso hidratante da Embryolisse, o Lait-Crème Concentré. Já li excelentes reviews e também já li que é inútil. A lista de ingredientes é bem basicona (extratos naturais), o que não é muito promisor. Mas achei na promoção da Amazon e resolvi testar. Espero rejuvenescer até o estágio de embrião em breve. O livro é o novo do Bill Bryson que saiu em paperback (mais baratos e mais leves, apesar dessas detestáveis propagandas na capa) que eu só não recomendo porque jamais recomendo livro/filme/comida pra ninguém.

image

6. Meses de céu quase invariavelmente cinza e quando você de repente tem uma semana inteira onde dá pra tomar sol na cama = bliss.

image

7. E quando a vista da janela começa a ficar verde de novo. ♥

image

8. Pilão e socador, melhor compra da semana. Chega de fazer gato engolir comprimido (não que seja difícil, mas ela estava ficando de saco cheio e nós também), agora trituramos tudo e misturamos na comida. Phew!

image

9. Sábado à tarde em casa, coisa rara. Mas meu sofá ainda é o meu lugar preferido no mundo; ainda mais com bolo e chá na caneca de paquidermes preferida.

image

10. Queijos + chutney + torradas + banofee + uma linda garrafa de Malbec. Jantar de domingo resolvido, e sem sujar panelas. #Result



- Instagram da semana: mulher *real* recria fotos de celebridades no instagram.
- Os casais mais românticos da ficção brasileira.
- 10 filmes europeus bacanas no Netflix BR (pra quem não aguenta mais filme de super herói).
- Um passeio pela Londres da época dos Tudors, antes do grande incêndio de 1666.
- Achei essas dolls lindas (e body positive)
- Ah, tuliiiiiiipas… e como o oregon é lindo.
- Esse apartamento num prédio moderno mas decorado de maneira clássica.
- Contouring para o seu… pescoço?
- Sobre o excesso de coisas que temos em casa.
- “I never wanted to look young, I wanted to look great”.
- Esse textão. Que tiro hein.

Stray cats in a mad dog city

image

image

image

A previsão do tempo estava menos horrível e fui para a cidade. Desci do metrô em Swiss Cottage na saída errada e o tempo já tinha nublado de novo. Andei temendo estar perdida por alguns minutos até encontrar meu caminho. Acabei em frente a um Lanka vazio, as vitrines cheias de patisserie francesa com um toque nipônico - mas me sentei com G no café italiano sem graça ao lado, longe das tentações. Resolve is a beautiful thing (repita o mantra e acredite na foto, bicha).

Caminhamos pelas ruas lotadas de camélias, forsítias, tulipas, cerejeiras e magnólias de NW6 e eu já estava elogiando a beleza da área quando G avisou que tudo podia mudar dependendo dos três números seguintes no código de endereçamento postal. Londres tem dessas graças: áreas chiques e buracos dividem espaço no mesmo bairro; às vezes você só precisa virar uma esquina.

image

image

image

image

image

image

image

image

image

Parei em frente a uma casinha com um tapete de bluebells na frente e uma bike amarela repousando de encontro à fachada, a hera crescendo parede acima. Imaginamos uma vida diferente onde ele era músico de orquestra e eu professora de yoga e seríamos housemates e tomaríamos chá de menta com biscoitos de aveia no jardim, gatos no colo e cachorros sonolentos soltando pulgas aos nossos pés. Eu teria dreadlocks e ele desenharia as minhas tatuagens. Eu remendaria suas meias e reclamaria do seu whisky. Não teríamos televisão, mas muitos discos de ópera e livros cheios de imagens de lugares distantes que faríamos planos de visitar, não fosse a falta de tempo. “Quando a gente se aposentar”, diríamos um pro outro enquanto a chaleira apitava na cozinha e eu colocava teabags em xícaras antigas compradas em brechós, manchadas por gerações de Darjeeling e camomila.

image

image

image

image

image

image

De lá fomos fazer a minha pesquisa em Kilburn. Passamos por um escola de música, jovens dolorosamente cool com seus penteados e looks elaborados. Ah, ter vinte e pouco anos e orgulho do seu cabelinho ensebado, cara lavada e botas surradas, porque eles fazem você parecer único e livre. Depois a gente envelhece e o que era estilo fica parecendo desleixo. As roupas vão ficando mais limpas e monocromáticas, a gaveta de maquiagem cada vez mais cheia de paliativos, o cabelo se torna algo que requer “manutenção”. Bom, pelo menos se você é mulher, porque certas ansiedades não costumam tirar o sono dos homens. As mocinhas quase quebrando o pescoço pra olhar o G, mas será que elas sabem que ele tem a minha idade? Eu sempre acho graça, mas dessa vez experimento meus cinco segundos de inveja. Deve ser legal ser assim, por pelo menos por 24 horas; talvez não mais do que isso. Certamente não mais do que isso.

image

image

image

image

image

Na hora do almoço encontramos R e uma prima de fora da cidade; a moça queria ir no Pizza Express. Os meninos se entreolharam e riram nervoso. Se você quiser saber onde os londrinos nunca comem, pergunte a um forasteiro onde ele come quando está aqui. No fim das contas o Pizza Express perdeu e acabamos num grill japa em Mayfair, para evidente decepção da moça. De onde caminhamos até a Selfridges porque eu queria comprar um livro (e uma revista que só encontro lá). Eles mudaram um pouco o layout da loja e rodei meio perdida na seção de cosméticos, o que não deixa de ser meio ridículo. Saí sacudindo meu livro na famosa sacolinha amarela, so self important. A tarde começou a correr cada vez mais rápido, a despeito dos turistas passeando calmamente pelas calçadas de Oxford Street, apreciando o aroma dos waffles perto da estação e irritando os locais que sempre têm tanta pressa.

E ao fundo, prestando atenção é possível ouvir o silêncio de fundo da cidade. Um milhão de línguas e buzinas e cheiros e cores e conversas e vidas acontecendo à volta, mas você não ouve nada.

image

The spring has returned.

That was the week that was

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

1. Cherry blossoms: it’s time for the spam to begin.
2. Mini companhias. :)
3. Uma das novas cervejas favoritas. Assim, de graça, porque nem é lá essas maravilhas. Mas olha essa garrafa…
4. Falafel. Esse pãozinho é fantástico, mas eles podiam ser menos miseráveis com o hummus. Hummus nunca é demais.
5. Pelo menos agora o shish de cordeiro vem com mais arroz.
6. Brown Derby, sobremesa preferida do Respectivo (que assim como eu nem é muito fã de sobremesa): sorvete de creme com cobertura de chocolate em cima de um doughnut fresquinho.
7. Cidades ao longe.
8. Brixton, logo antes da chuva que me fez sentar no Starbucks e pedir um café. Preto. Morte horrorosa. Por que eu faço essas coisas ruins comigo mesma?
9. A torta que eu fiz com o spread de banofee. Depois teve creme batido e fatias de banana por cima (não fotografei, sorry), mas deu ruim porque eu deveria ter embebido a base da torta em algum tipo de líquido antes. Ficou muito seca. Mas foi comida assim mesmo.
10. É incrível como vestidos podem se tornar icônicos. Numa lojinha de antiques em Bibury eu apontei essa figura e todos souberam de quem se tratava. Mas 95 pilas?

Estou comendo uma truta defumada comprada ontem num pesque-e-pague em Bibury (não pescamos, só pagamos) e pensando que se todo peixe fosse assim eu certamente poderia começar a gostar mais de peixe. Achei traças na casa, ou melhor, achei 300 buracos em dois pulôveres de cashmere - uma morte anunciada, já que eu estava esbarrando nas mini mariposas cor de palha há meses. Tudo o que for de seda ou lã ou feito de fibras naturais terá que ser colocado em sacolas e congelado, ou então eu terei que entrar em negociação com as traças e armar uma barricada na frente do meu guarda roupas. Já decretei estado de emergência.

Certa vez briguei com um namorado porque ele leu meu diário - crime inafiançável na constituição de meninas de 16 anos. Em desagravo, ele pôs música numa das letras que eu tinha escrito lá. Pegou o violão e começou a tocar, e ficou tão foda que eu quase não reconheci a minha própria obra. Hoje estava relendo o diário (micos dos 15 anos são tão melhores de ler 15 anos depois, não é mesmo?), achei a letra e mano, era tão boa que por um momento duvidei que fui eu mesma quem escreveu. Cheguei a googlar uns trechos. Liguei perguntando se ele ainda lembrava da música e ele cantou um pedaço. Acho que vou registrar no youtube qualquer dia desses. Moral da (triste) história: eu já tive algum talento, e talvez por isso mesmo a derrocada em forma de neurônios fritos e viciados em atividades repetitivas e anestesiantes seja ainda mais doída.

Passatempo/exercício de força de vontade do momento: me convencer de que o problema entre eu e a maioria das pessoas não sou eu. Nem elas. É como naquele filme “o último americano virgem” (ou algo do tipo; meu amor por comédias adolescentes dos anos 80 não é proporcional à minha memória para traduções de títulos), onde o menino menos popular da turma se apaixona pela recém chegada gatinha - que engravida do gostosão clichê e logo em seguida é chutada por ele. O outro consola a menina, vende seus pertences e pega um empréstimo para pagar o aborto dela e no fim ela faz as pazes com o gostosão. E o loser volta pra casa chorando, um final infeliz brusco e inesperado que talvez hoje em dia teria sido rejeitado nas prévias e não teria se transformado numa cena icônica de decepção amorosa juvenil. E eu tenho vontade de sentar com ele, pegar na mãozinha e dizer “migo, o problema não é você. Você fez tudo certo. O ‘problema’ sequer existe: ela apenas gosta de outro.”


- ilustradora demonstra a relação que ela gostaria de ter tido com o pai: “eu desenho o que eu não tive”.
- pequenos momentos para apreciar a calma da solidão.
- calcule sua idade, gênero e renda com base nas apps que você tem no celular.
- nem parece que fica em Londres (ou “por que é tão difícil sair daqui”).
- ilustrações que mostram o dia-a-dia de mulheres.
- essa pose. ♥ e todo o instagram dessa moça linda que abriu sua própria sex shop.
- sempre quis ter uma casinha na árvore? essas miniaturas foram feitas em suculentas.
- coisas em que as pessoas reparam quando vão na sua casa (por isso evito visitas, risos)
- Os tweets sobre um milkshake que viralizaram na rede.
- Sinceramente? Prefiro essa sequência de tweets. Bem mais legal.

Is a dream a lie if it doesn’t come true?

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

Supermercado de manhã, onde passei uns minutos babando nos bolos na vitrine do café. Me inscrevi no MUBI para testar: 30 filmes por mês, todo dia entra um novo na lista e o mais antigo sai. Conceito interessante. Eu gosto do Netflix, mas o fato é que não ligo pra seriados; prefiro filmes e o acervo cinematográfico do fliques não é lá essas coisas. Vale pelos documentários e eventuais arthouses/lixinhos deliciosamente nostálgicos que aparecem na grade.

Comprei um Chromecast hoje, e depois de meia hora de insatisfação por conta de alguns problemas técnicos assisti Sabrina (1954, Audrey lindíssima) pela enésima vez e depois Husbands, do Cassavetes. Também comprei um mouse minúsculo turquesa, cute as a button. Eu ouvi dizer que ninguém usa mais mouse, só o trackpad do laptop. Que TIPO de gente é essa? Bárbaros.

A chuva prometida para o meio dia só veio, brevemente, no fim da tarde e eu fiz a melhor salada pro jantar: feijões flageolet, atum, tomates cereja, cebolas shallot e rúcula. Tive preguiça de cozinhar os ovos, mas os comi em pensamento.

In other news: há dois dias a gata não comia nada. Hoje voltamos à seringa; ela comeu bem, mas sinto como se fosse um retrocesso. Fico triste (e ansiosa) porque poucos dias atrás ela estava ótima. Espero que sejam apenas dias ruins.

Property porn é um dos meus vícios passatempos preferidos. Essa cottage em Devon é o meu número (o rio passando no fundo do jardim ♥), mas nada é simples. Se eu gostasse de mato OU de cidade eu não estaria consumida pela dúvida. No entanto preciso de ambos. Not easy, Polly.

Além de viver em cima do muro geográfico e cuidar de uma gata doente, eu tenho pais idosos (e doentes também) morando longe e c e r t a s p e s s o a s que apesar de morarem perto só fazem adicionar contas novas ao meu colarzinho de desgraças, me levando a crer que estou de saco cheio de Londres. Me pergunto quantos mercados de rua alternativos, barzinhos hipsters, lojas pop-up e restaurantes que não aceitam reserva são suficientes para compensar os tropeços na lama existencial - ou o metrô lotado na Central Line às cinco e meia tarde.

Chin up, Polly. Things can only get better (?)