The shrieking of nothing is killing me


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Café da manhã na Violet. As mesas pequenas com bancos desconfortáveis ocupadas por hipsters brancas e magras que pedem leite de soja no café e provavelmente não comem muito bolo. A maioria dos doces na vitrine era bege/marrom e com aquele aspecto “integral” desprovido de alegria e sabor como você só encontra nas áreas gentrificadas da cidade onde a estética de “açúcar granulado, geléia de morango e sprinkles coloridos” soa vulgar. Demorei a achar qualquer coisa vagamente apetitosa e acabei me resignando a uma fatia de lemon drizzle, a única que parecia não estar enojada diante da idéia de ser consumida por mim. E estava ok, mas nada além disso e nada que justificasse o preço. Um scone frio a quase 5 libras na vitrine me deixou apavorada.

O iced coffee estava amargo e parecia o café instantâneo que faço em casa e deixo esfriar na mesa quando esqueço de beber - mas pelo menos o meu é bom. O menu listava opções de café “doce” e “salgado”, e a menos que se trate de algum patois da zona leste com o qual não estou familiarizada eu não quero sal no meu café, thanks. O atendimento: ok. Monossilábico e vagamente emburrado, mas eu não esperava diferente. Se eu quisesse uma senhorinha de meia idade simpática me chamando de “my love” eu teria ido para Suffolk. This is London, babe. East London. We’re too cool to smile.

Resumindo, é um lugarzinho pretensioso com comida medíocre se dando bem em cima da obsessão dos hipsters por ingredientes com pedigree. O privilégio de saber de onde vieram os ovos do seu cupcake custa dinheiro que teria rendido mais em outro lugar - possivelmente também usando orgânicos, mas cobrando muito menos.

Numa Mare Street vazia descobrimos que a Picture House tem Festival Ghibli rolando com ingressos a 1.50 (não ficou claro se adultos pagavam o mesmo) e fiquei observando as casas que há poucos anos possivelmente estavam divididas em quartinhos de aluguel mas recuperaram o status de “terraced family homes” quintuplicando de preço no processo. Pouquíssimas pessoas negras na rua. Apartamentos outrora subsidiados pelo governo vendidos para jovens de classe média que não querem morar com os pais, mas cujas profissões na área de artes e mídia não pagam o bastante para que sejam vizinhos deles. Moços de skinny jeans e sapatos oxford sem meia sentados na calçada de um restaurante com decor industrial fotografavam suas bruschettas no celular. Minhas sapatilhas estão descascando e uma tristeza incógnita tira a graça dos ladrilhos vitorianos e me torna indiferente ao som da flauta que sai de uma janela. Galhos se esticavam por cima dos muros dos jardins derramando flores na rua, pétalas na calçada e o cheiro de frango frito de décadas atrás deu lugar ao aroma enjoado dos jasmins. Por trás de uma dessas esquinas de tijolos vermelhos está o verão. This time I’m not looking forward to it. Things change.

The Week.


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E depois de anos desprezando a iguaria você se pega viciada no que os ingleses chamam de porridge. Nome feio, aspecto não menos, e os estrangeiros fazendo a piada de sempre de que “se alguma coisa for agradável demais os britânicos desconfiam”. Duas colheres de sopa de aveia + leite + uma pitada de sal, fogo até engrossar e, para adoçar, açúcar, mel ou geléia de frutas - eu usei mel e curd de limão. Yum. Good enough for this brazilian.

Sabor novo (e delicioso) da sua gelatina low cal favorita. Hartley’s Apple, I hope you are here to stay.

Os primeiros gerânios do ano para repôr os que o inverno levou.

His name was Prince. And he was funky. ♥

Minha creche de suculentas; raízes já formadas. Elas não são uma graça?

Macarrão konjak. A fama: cheiro de peixe e gosto de nada. A realidade: o cheiro estranho é da água em que o macarrão vem imerso; basta jogar fora e lavar antes de cozinhar. Macarrão também não tem gosto de nada; em ambos os casos é o molho que faz a diferença. E o meu estava on point. :)

Novos batons preferidos da linha Rouge Edition Velvet da Bourjois. Quero todos eles, mas já estão ficando difíceis de encontrar.

Eu quase desisti dessa plantinha depois de dois anos sem florescer. Ainda bem que fui paciente (ou tive preguiça de arrancar do chão, risos).

Hidratante de loja de 99 centavos é oficialmente o hidratante mais cheiroso que já tive. Não hidrata coisa nenhuma, mas me deixando com esse cheirinho delish já está bom.

Gatilda sonolenta. Oh, little one, I love you so.

Uma visita à Ikea nunca é completa sem comer um pratão de almôndegas e passar no departamento de velas perfumadas.

Quando abre uma deli asiática perto da sua casa e você descobre que ela estoca o seu suquinho preferido = ♥

Bolo de morango e ruibarbo na Bakehaus que me encheu de nostalgia pelas maravilhosas padarias da Alemanha.

Pastéis de nata numa lojinha minúscula dentro da estação de Hammersmith, a garçonete portuguesa pura simpatia que puxava papo me deixando constrangida porque eu não entendia quase nada do que ela dizia. Separadas por um idioma em comum. :)


- Why are you lonely?
- Não levo o menor jeito pra makeup artist, mas esses pincéis.
- Campanha da Ikea: é barato assim. :)
- Os 30 vídeos com mais dislikes no YouTube.
- Um labirinto feito de… bolo.
- My cat has died, what a relief.
- Idade mental: rindo dessa matéria de sexo anal do UOL.
- Você gostaria de morar num ônibus? Think again. :)
- Sabe esse trend de vídeos de receita no facebook? Risos.
- Ok, ninguém mais aguenta versões das princesas Disney, mas e como vilãs de filmes de terror?

She’s the still point of this turning world


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Continuando com o dia em Rye: a village também é famosa pelos antiquários - ok, a maioria não passa de mercadinhos de pulgas, mas são exatamente esses que eu prefiro visitar. Antiquários de verdade são caríssimos, o estoque não me agrada (acho tudo muito rebuscado, deprimente e feio), geralmente mantidos e frequentados por gente esnobe com pelo menos cinco sobrenomes e que te olha de cima a baixo com aquela cara de BITCH GOT NO MONEY, BITCH BETTER LEAVE quando sua figura proletária ousa fazer sombra dentro da loja.

Sem contar o medão de esbarrar num daqueles vasos horrorosos da dinastia ming-ling-sing-sei-lá-ding, partir a monstruosidade em pedacinhos e se ver obrigada a vender sua casa e pelo menos metade dos seus órgãos para saldar o prejuízo. Thanks but no, thanks. Me dê umas latinhas de tabaco comemorativas, umas bolsinhas de cetim de 1960, uns copos de cerveja surrupiados de pubs, pôsters vintage da Coca Cola, livros infantis dos anos 50 e estátuas de gatinhos de cerâmica (deliciosamente cafonas como só estátuas de gatinhos de cerâmica conseguem ser) and I’m happy. ♥

Outra coisa que me deixa very, very happy? A hora do almoço:

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Mexilhões em vinho branco + creme.

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Lulas à milanesa (nunca comi tão feias na vida, mas em termos de sabor foram as melhores)

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Penne com chorizo. Ou algo assim.

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Pizza com frango, presunto, salame e essas pimentas jalapeno; catei todas do prato feito aquelas crianças pentelhas depois que a primeira fatia quase pôs fogo na minha alma.

Pra refrescar:

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Sobremesa (dele) panna cota com coulis de frutas. Eu fiquei no cappuccino.

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Apesar da cara boa dos salões de chá (e dos bolos nas vitrines) achei Rye meio fraca no quesito restaurantes; há alguns pubs, mas o menu varia pouco. Os raros restaurantes são meio caros (precinhos de Londres) e o único que me animou estava lotado. Por sorte quando estávamos indo pra Camber Sands avistamos um pequeno italiano na saída da área dos antiquários chamado Simply Italian. Como resolvemos não ficar na praia (e os restaurantes lá não eram muito melhores) voltamos para Rye e ao ver mesas disponíveis no jardim do italiano sentamos em uma antes que o garçom pudesse dizer “mamma mia!”. Comida simples, boa e barata. E eu jamais dispensarei prosecco al fresco.

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Camber sands, a praia mais próxima com dunas de areia citada no outro post, tem um estacionamento nem um pouco barato e nesse dia específico (domingo ensolarado depois de uma semana nublada/chuvosa) tinha fila de carros pra entrar. E eu estava usando botas e cardigan… Bem, resolvemos deixar pra uma outra visita, de preferência em dia de semana a fim de evitar as hordas e onde o meu “look” tivesse menos cara de inverno e fosse mais propício a caminhar na areia. :)

The past is filled with silent joys + broken toys

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No domingo resolvemos ir conhecer Rye, uma village à beira mar no condado de Sussex. A praia mais próxima se chama Camber Sands, tem dunas de areia (para quem sempre reclama que “na Inglaterra só tem praia de pedrinha”) e fica a dez minutos de carro do centro de Rye. É uma viagem curta, porém deliciosa; a estrada ondulando em curvas suaves e cortando planícies verdes intermináveis, pontilhadas de ovelhinhas. A carne de cordeiro local, aliás, é uma especialidade encontrável em todos os pubs da área. Eu não provei pra poder atestar a qualidade, mas well, fica aí a dica. :)

A rua mais famosa se chama “Mermaid Street” (awwww) e o chão de pedrinhas redondas, apesar de charmoso, provavelmente vai machucar o seu pé caso a sola do seu sapato seja fina. Ou fazer você escorregar, caso chova… Vale correr o risco porque a ruazinha é mesmo linda com suas casas em estilo Tudor, fachadas cobertas de roseiras e glicínias e salões de chá convidativos. Pena que num fim de semana ensolarado 3619362 pessoas tiveram a mesma idéia que eu e foi difícil fotografar a rua sem elas. Preferi então registrar detalhes - o que eu prefiro fazer anyway pois afinal a riqueza está neles, right? - e deixar alguns aqui para vocês.

Trivia: as casinhas em estilo Tudor (como essa aqui, com vigas de madeira aparentes na fachada) geralmente têm o andar térreo mais estreito que os superiores, que se projetam em direção à rua. A razão para isso é simples (e nojenta): numa época onde não havia ainda sistema de esgoto e as pessoas usavam penicos no quarto, ficava mais fácil arremessar pela janela os “depósitos” sem deixá-los cair na soleira da sua porta. Não é genial? Don’t answer.