You don’t know a thing about their lives





























































hamigos e hamigas, chegamos naquele ponto em que é difícil atualizar o blog porque eu nem lembro mais se já postei essas fotos ou não. mas enfim: eis um passeio à village de dulwich (fica no sul de londres e se pronuncia "duh-lit") em dezembro do ano passado - porque a pasta FEVEREIRO 2017 está praticamente vazia. sorry.

o "brunch" (estou pegando uma certa birra desse apelidinho hipster que inventaram para *almoçar cedo*) foi na gails bakery, populada quase que exclusivamente por yummy mummies se esforçando para não parecer too yummy e moços de óculos que lêem o guardian e têm cara de não saber montar um gaveteiro da ikea. todo o staff composto por imigrantes, graciosamente fornecidos pela vizinha lewisham (a prima pobre que fica logo ali do lado, muito prático). e eu tomei o meu chá com quiche de bacon, uma dose de sarcasmo para acompanhar o kugelhopf e saracoteei para fora do estabelecimento em tempo de pegar esse pôr do sol:



QUESTION TIME! no post anterior eu avisei que o meu ask estava novamente liberado, e conforme prometido aqui estou respondendo às perguntas:



obrigada! eu faço freelas de pesquisa, texto e fotografia; nada muito artístico. eu prefiro não divulgar muitas informações porque né, estamos na internet: você nunca sabe quem está lendo e nem com que propósito, e o segredo é a alma (e muitas vezes a garantia) do negócio. ♥



hahaha eu não tenho 28 anos e passei a maior parte da minha adolescência nos anos 90. nos anos 80 eu era criancinha e minha mãe, costureira, falsificava pra mim aquelas roupas de couro sintético com mil franjinhas/tachinhas que a xuxa usava no programa; eu era o "xuxexo" das festinhas de aniversário! pronto, agora ficou mais fácil deduzir a minha idade. :)



eu nasci no rio e cresci numa cidade da baixada fluminense - pobre, porém divertida, com um forte senso de comunidade, vizinhos que se conheciam pelo nome e ajudavam a criar os filhos uns dos outros. eu sempre gostei do clima de subúrbio, das cadeiras na calçada, do carrinho de sacolé e do pipoqueiro do bairro, de ir tomar sorvete na padaria com as amigas em tardes quentes de verão (porque não tinha “sorveteria”), de conversar com a vizinha por cima do muro, de ir desejar feliz ano novo de casa em casa imbuído pelo dever comunitário (e pelo menos nobre objetivo de filar salgadinhos da mesa da ceia), de acordar cedo no sábado de aleluia para ler os bilhetinhos com fofocas da vizinhança coladas no boneco de judas - antes que os atingidos arrancassem tudo. havia, claro, as partes menos pitorescas, quase sempre envolvendo falta de infra ou criminalidade: tiroteios, toque de recolher, transporte precário, abastecimento de água incerto, ver gente morta no chão no caminho para a escola, o programa de “ir olhar o defunto” e afins.

sou grata por ter sido exposta a essa realidade; considero um bônus na vida. a realidade da classe média e dos ricos é o "default cultural", é o que a gente costuma ver retratado nas novelas, filmes e livros e internalizar como sendo o normal/ideal. a realidade dos pobres que eu via na tv sempre me pareceu estilizada e diferente daquela que eu via acontecendo à minha volta. ter esse insight é valioso, especialmente na hora de detectar discurso paternalista da classe média quando se refere à classe trabalhadora. you don't know how the other half live and think, so stop talking like you all sleep side by side.

mas se eu voltaria a morar lá? hell no. minha saudade é platônica. ;)

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