Country pubs

image

da série “tretas épicas de internet”: o photobucket, site onde eu costumava hospedar minhas fotos alguns anos atrás, deu um belo coió nos seus usuários (inclusive quem pagava) e literalmente sequestrou as imagens de todo mundo que não aceite colocar 400 dinheiros na mão deles. ou seja, no momento vários anos de arquivos do meu blog estão com os links para imagens quebrados. estou consertando aos poucos, mas realisticamente vai levar cerca de seis meses para completar o trabalho. e para quem já estava meio desanimada com internet…

como motivação para voltar (ao invés de deletar o blog inteiro) eu resolvi fazer uma versão pessoal do 100 Happy Days Project - adaptado para 100 happy things. que também não precisam ser apenas “coisas”, but you get the picture. or the pictures. literally. :)

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

country pubs:
ambiente e decor tradicionais
estacionamento (e assim poder chegar no pub)
maior probabilidade de encontrar um lugar para sentar
maior probabilidade de encontrar uma lareira
maior probabilidade de encontrar um labrador molhado deitado na frente da lareira
ouvir conversas sobre vacas, tratores e adubo
cerveja mais barata (e maior variedade de real ales)
menos hipsters e posers (ambiente familiar)
vespas
white people

city pubs:
ambiente e decor modernos
você pode ir de ônibus (e assim pode beber mais)
maior probabilidade de encontrar o pub aberto
maior probabilidade de encontrar comida decente
maior probabilidade de encontrar comida decente em horários alternativos
ouvir conversas sobre aluguéis, tinder e fundos de investimento
cerveja mais cara (e melhor variedade de artesanais)
mais hipsters e posers (entretenimento gratuito)
ratos
white people

eu sou team country porque acredito que uma vista bonita pela janela e lugar pra sentar num beer garden cercado de árvores com cachorrinhos chamados Pup ou Spotty latindo uns para os outros (ao invés de crianças chamadas Atticus ou Jocasta jogando comida no meu cabelo) compensam o menu meio repetitivo e o vinho marromeno.

diconas: não peça o vinho (exceto rosé, porque rosé é sempre marromeno anyway), não escolha o hambúrguer nem o bife (trust me), não jogue comida pro Spotty (ele pode estar de dieta), não fique bêbado (não vai ter ônibus/uber pra voltar depois), não chegue depois das duas da tarde ou das oito da noite e não peça leite de soja pro seu café; eles vão dizer que não têm nenhuma vaca chamada “soja”. you’re welcome. :)

fotos: the inn on the lake em godalming, surrey

Caderno de perguntas.

image

image

image

image

um mês exato desde o meu último “olá” nesse espaço e eu tentando desbodear.

julho tem sido um mês interessante. julho tem sido um mês difícil. julho tem sido, e eu continuo aqui tentando “ser” no meio do furacão.

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

como eu tenho um bocado para mostrar mas ainda muito pouco a dizer (o momento atual parece uma daquelas ressacas que te deixam prostrado e demoram a passar, mesmo que você não se lembre de ter bebido tanto assim), vou aproveitar para responder algumas perguntas que eu tenho aqui na inbox. bear with me. :)

❤ Anonymous said to hellololla:
A quanto tempo você mora em londres?

desde 2005 em jersey, desde 2011 em londres.

cartas de maria said to hellololla:
Lolla, você que ja tem blog há alguns anos… Pode me dizer como consegue lidar com seus posts antigos? No sentido do auto-desprezo. -Caso isso aconteça com você, of course. Acredito que naturalmente há um amadurecimento gradativo: algumas pessoas tem isso com mais evidencia, outras com menos, mas existe uma ascendência de amadurecimento inevitável e talvez por conta disso, pra mim, posts antigos são sempre deprimentes e embaraçosos. Eu não consigo. Como é isso pra você?


sei lá, eu não ligo muito pra isso.
na maioria das vezes meus posts antigos me parecem ok - exceto a maneira de escrever, escolha de palavras… escrever mal me provoca vergonha genuína. :) sim, os posts de blogs muito antigos contém declarações e piadas que hoje seriam consideradas machistas, racistas e gordofóbicas. mas nunca deletei nada (exceto o blog que foi hackeado e posteriormente deletado por quem invadiu) porque a) há 15 anos ninguém sabia nada e todo mundo falava essas mesmas coisas e b) pra mim blogs são retratos de quem éramos na época em que eles foram escritos.

você editaria um diário pessoal, de papel, escrito anos atrás? você usaria photoshop nas fotos da sua infância para “melhorar” suas roupas e penteado? um das razões para se guardar lembranças é poder nos lembrar de quem éramos. não podemos mudar quem fomos. se quisermos mudar quem somos então o foco deve estar no presente - porque só aqui e agora é possível moldar o futuro. o passado foi o que foi. é natural rolar um facepalm ao ler certas coisas, mas ao invés de temer o contato com o seu eu do passado ou deletar e fingir que não aconteceu eu acho mais proveitoso usar essa experiência como catalisador para as mudanças que precisam ser feitas na pessoa que você é para se tornar quem você quer ser.

❤ Anonymous said to hellololla:
Oi Lolla, vc sabe programar? Se sim, que linguagens sabe, qual seu nivel de conhecimento?

nope. a única linguagem que eu domino (dominava?) é html básico, mesmo. aprendi fuçando o código fonte dos outros e o html dos layouts free que a gente usava no blogspot.

❤ Anonymous said to hellololla:
Lolla…quantas agendas, planners, journals ou cadernos voce tem?

tenho um bullet journal para compromissos (meio enfeitadinho demais, mas é o meu estilo) e um journal propriamente dito que serve de registro diário e onde também faço umas colagens para passar o tempo. não costumo compartilhar fotos desse último.

❤ Anonymous said to hellololla:
Por que nunca tem selfie/gente nas suas fotos no insta? Parece que você não tem amigos e nem gosta da sua cara.

hahaha. eis que o abismo entre as gerações se torna claro: jovens querendo postar foto de balada a fim de provar pro mundo que têm vida social enquanto a tiazona aqui passou anos e anos editando as fotos no photoshop para apagar as pessoas. pra mim humanos são bacanas quando são amigos e quando ao vivo. em fotos = poluição visual. sorry.

❤ Anonymous said to hellololla:
Que bom que vc colocou essa opção aqui, vou matar as saudades de te perguntar as coisas :) Vc acha que a Millie Bobby Brown será a nova Winona Ryder? Ela me passa essa impressão. Tem alguma cantora dessa nova leva em quem vc vê alguma qualidade/personalidade?Ando gostando da Halsey, o que você acha dela, se já escutou né. Olha essa música/clipe, que delícia: Jane Zhang - Dust My Shoulders Off (ia colocar o link, mas o tumblr não permite pelo visto) Bj

ah, tadinha da millie bobby, é tão novinha pra já levar essa responsabilidade. primeiro papel dela, numa era totalmente diferente da época em que a winona começou - sem redes sociais pra diminuir a barreira entre artista e público. os jovens tinham permissão pra se comportar mal, tinham mais espaço pra errar; mas hoje em dia você precisa ter seu discurso editado e on point e nunca fazer um xixizinho sequer fora do penico. ela parece ser uma fofa e espero que não se torne uma one trick pony como tantos, mas que construa uma carreira longa e bonita.

halsey: já escutei, achei legal mas não me intrigou muito. acho que agora com os serviços de streaming ficou muito mais fácil descobrir coisas novas, mas isso “diluiu a fidelização”, por assim dizer. não tenho muito interesse no pop/r&b atual, mas em termos de vozes femininas (solo ou em bandas) gosto muito de jezabels, london grammar, daughter, vaults, imogen heap, russian red…

❤ Anonymous said to hellololla:
Oi Lolla, sou brasileira e estou morando em Milão ha 4 meses. Queria saber se você aprendeu a lidar com a solidão que sentimos quando vamos embora do nosso pais, da nossa família e amigos. Como foi pra voe essa experiência? Sou Hadoyka (@hadoykab). Um beijo, você me traz tranqüilidade e sempre leio aqui.

não sei se sou a pessoa mais indicada pra falar disso por ser bem desapegada. tenho poucos amigos, minha família sempre foi difícil e em muitos aspectos estou aliviada por morar longe. acho que cada caso é único e os sentimentos com relação à mudança dependem muito da personalidade do expatriado e da vida que ele levava no brasil. se a sua rotina era bacana, financeiramente estável, se você gostava do seu trabalho, do clima, da cultural local, era sociável e tinha um amplo círculo de amizades, se seus domingos eram divididos entre praia com a turma e almoços divertidos em família é natural sentir o impacto.

já eu não tinha nada disso: meu trabalho era monótono e pagava mal, eu detesto calor, não sou extrovertida, meu melhor amigo tinha se mudado pro exterior e eu não tenho sequer o telefone de uns 90% dos meus familiares. ou seja, nem olhei pra trás.

o que me preocupa é você já estar sofrendo com a solidão depois de tão pouco tempo… com quatro meses de europa eu estava encantada e querendo visitar todos os lugares, comer todas as comidas, ir a todos os shows, comprar todo o conteúdo dos sites que não entregavam no brasil, me jogar numa cultura nova e cheia de coisas para descobrir, aprender, formar uma opinião e me apaixonar. pense em todas as possibilidades que se abriram e aproveite a chance que você está tendo (e que é o sonho de muita gente). talvez o tempo transforme o novo lugar em mais um dos seus lugares. talvez ele se transforme no SEU lugar. mas não vou mentir: muitas pessoas passam décadas vivendo fora e sofrendo de saudades do brasil. nesse caso lembre-se que você sempre pode voltar, e pra remediar saudades mais imediatas taí o whatsapp e as redes sociais ajudando a manter contato. :) mas saiba também que, se você está aqui em definitivo, é provável que vá perder as amizades menos sólidas. quem ficar, no entanto, taí pro long haul. é uma bela peneira. boa sorte!

❤ Anonymous said to hellololla:
Desculpa se a pergunta for invasiva, mas fico curiosa pra saber: qual a sua fonte de renda aí no reino? Você trabalha (e se sim, com o quê)?

não é invasiva, só é meio… boring?
a resposta é mais boring ainda: faço uns frilas ocasionais, mas como passo os dias em casa chocando o meu sofá eu praticamente não gasto dinheiro e posso me dar ao luxo de trabalhar pouco. já trabalhei nada também, mas aí apareceu a chance e why not? mas como eu funciono melhor sem pressão/o trabalho requer um certo anonimato/não é nada muito interessante eu prefiro não comentar sobre.

cris-rp said to hellololla:
quem tira fotos de você? o respectivo?

qualquer pessoa que esteja comigo e queira tirar minha foto. pode ser o respectivo, algum amigo/colega, até mesmo estranhos na rua. só não gosto de selfie. um dos meus amigos tem talento com as lentes e já fez fotos bem legais minhas; pena que a modelo não ajuda… :P

❤ Anonymous said to hellololla:
Olá Lolla, adoro o blog, fico adorando o senso de humor dos seus posts. Mas gostaria msm de saber qual a marca/modelo da sua camêra fotografica, já que admiro muito a qualidade das suas fotos e o seu bom gosto na escolha dos cenários fotografados. Beijosss e parabéns pelo delicioso blog.

ouch! :) a maioria dos fotógrafos fica chateada com essa pergunta; é considerado rude atribuir a qualidade das imagens à qualidade da câmera e não ao talento de que clica. afinal, quem sabe fotografar às vezes consegue tirar leite de pedra e quem não sabe passa sufoco mesmo tendo o melhor equipamento do mundo em mãos…

maaaas ainda que eu concorde com esse sentimento eu não me considero fotógrafa e por isso tudo bem. :) minha câmera é uma canon 350D super velha, com mais de 10 anos e 8MP de resolução - qualquer celular tem mais que isso hoje em dia. eu não tenho tanta pressa de trocar porque uso muito pouco, e quando preciso para trabalhar eu uso a do chefe.

❤ Anonymous said to hellololla:
Uma pessoa (real ou da ficção) que se pareça com você em termos de personalidade:

três pessoas.
meu primeiro namorado, meu professor de geografia no antigo ginásio e meu pai.

image

Go East.

image

image

rolando uns stresses obrísticos na estação de liverpool street. still gorgeous though.
eu adoro essa divisa entre o east end todo depauperado pelo tempo e pela sujeira e pelas lojas de quinquilharia que sabe lá deus quem frequenta além dos imigrantes que trabalham nelas e os prédios novinhos, modernos, angulares e reluzentes da city e seus banqueiros engravatados e educados que adentram pubs como o dirty dicks feito aliens com curso superior, sotaque de colégio particular e todos os dentes ainda na boca.

image

foi quando por acaso, depois de tropeçar na décima sacola de lixo na calçada, eu achei meu restaurante:

image

o melhor: com esse nome eles serviam PEIXE.

image

e.t. tranquilo fazendo um “enjoei” dos óculos vintage; com esse tal de “e.t. phone home” toda hora tava ficando muito caro os interurbanos (não dá pra “ir de zap” na etelândia) e ele precisou levantar uma grana rapidão. a nativo-americana ali do lado arregalou os olhos; deve ter achado tudo apropriação cultural.

image

quero muito essa vela da frida, mas se é pra nunca acender qual a graça?

image

camiseta perfeita para a PRIDE daqui a duas semanas. ♥

a famosa hora do podrão:

image

esse frango tava meio cru e temi pelos meus intestinos, mas o bom de estar acostumada a comer comida de rua é que são as bactérias que têm medo de dar pinta no seu bucho. basicamente as suas tripas viram no-go area pros germes, tipo aqueles bairros perigosos que os guias aconselham os turistas a não pisar de jeito nenhum. minha flora intestinal é baile de favela. GO AHEAD SALMONELLA, MAKE MY DAY.

image

image

bitch can’t spread cream cheese on diamonds” - MONROE, Marilyn

image

image

image

image

o bacana do east end é que não importa quantas vezes você vá, sempre vai ter alguma coisa diferente pra ver. um grafite novo, uma colagem na parede, uma barraquinha de comida estragada diferente, um indiano novo enfiando folhetos de curry house na sua cara, uma loja cuja vitrine foi depredada ou que mudou de nome e função, uma fila para alguma novidade que não estava ali semana passada e que daqui a pouco não estará mais.

camden, por outro lado, pouco ou nada muda. tô aqui há doze anos e está sempre mais ou menos igual, fossilizou naquela muvuca turística com espírito de gotiquinha maconheira de 15 anos que escuta ariana grande escondido. muvuca que eu amo muito também, claro; mas brick lane é mais roots, mais tr00 e tem mais grit.

and sometimes, baby, i like it rough.