90 miles down the road of a dead end dream

































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semana estranha. fez sol e nevou. sonhei com meu pai duas vezes na mesma noite. o vento derubou galhos do carvalho e no meio do inverno cerejeiras aleatórias se cobrem de flores. eu que mal sinto frio quase desmaiei de hipotermia na rua. o cartão de memória da câmera pifou e perdi todas as fotos (de trabalho) feitas naquele dia. dolores o'riordan morreu num hotel em londres; não revelaram a causa. achei uma carteira na rua com fotos de crianças, o cartão de uma vidraçaria, 3.75 em dinheiro e nenhuma forma de identificação a fim de devolvê-la. plantei bulbos e instalei uma mini despensa na lavanderia. comecei a cortar um quilt e capas de almofadas (delas eu desisti, mas o quilt ainda é uma promessa). podei rosas e pus heras em potes. passei a madrugada de sexta feira num pronto socorro, a de sábado bebendo riesling e não sei dizer o que foi pior.

numa loja de antiguidades em dalston tomei um americano "orgânico" (fraquíssimo, praticamente chá sabor café) e admirei grafites. fui a hornchurch garimpar brechós atrás de tecidos e louças vintage, notei que dois deles fecharam e os restantes viraram um amontoado de roupas fedendo a mijo, canecas cafonas e barbies peladas com o pé mordido; voltei pra casa sem gastar um centavo. deixei casaco e sapato escolhidos e à mão para o caso de ter que voltar para o hospital, porque me senti meio ridícula de calça de pijama e chinelo na sala de espera. almocei dentro de uma nuvem baixa no trigésimo oitavo andar em um restaurante caro cujo principal atrativo é a vista - well, not happening today, eusébio. como consolo eu comprei dorayakis de sobremesa no wasabi e fiz lasanha no almoço no dia seguinte - um domingo onde a neve durou o suficiente para - muito de leve - acumular na grama e na folha das plantas (inclusive minha árvore de natal, que agora se encontra plantada no jardim).

me perguntaram se eu tinha algum guilty pleasure na internet, alguma dessas celebridades car crash cujo talento é passar vergonha pública, virar meme, basicamente serem ridicularizadas e confundir isso com admiração. pensei um tempo e constatei que fora assistir alguns episódios da trisha paytas comendo junk food, usar reaction gifs da tulla luana e não entender a inês brasil eu acho que a resposta é não, e eu não quero.

tem esse site cujos arquivos eu li de cabo a rabo essa semana e é tão legal porque a autora é sempre tão grata por absolutamente todas as coisas. do cheiro da comida que o marido prepara a um pôr do sol de inverno, do sorriso da filha a uma almofada de crochê terminada. vagalumes com luz própria no meio desse carnaval de attention whores cobertos de glitter, fazem você agradecer pelo trivial, pelo conforto e pelo auto conhecimento da rotina e querer ser melhor sem despertar sentimentos de inveja ou de superioridade. é o caminho menos perceptível, a estradinha de terra batida escondida atrás do matagal e das placas luminosas indicando outras direções, so keep your eyes open.

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