And she smells like lemongrass and sleep.





















Depois da heatwave vem a chuva. 

Umidade alta, o suor que não seca na pele, as nuvens cinza asfalto no céu e em breve começa a música dos pingos grossos batendo no teto da varanda. Plic, plec, ploc - e quem sabe um trovão, pra animar a sinfonia. Minha alma canta junto. O que posso dizer? Desculpa. Eu tentei, mas eu não gosto do sol. Minha aesthetics é dark academia, mesmo: tweed, xadrez, blusas de lã, brogues e cachecóis, café quentinho, lareira acesa, cheiro de chuva e de livro velho. Essas coisas provocam em mim a mesma sensação de euforia e prazer de estar vivo que um dia de sol e céu azul causa na maioria das pessoas. O sol provoca em mim a mesma sensação de estar em um jantar íntimo à luz de velas e alguém de repente acender um HOLOFOTE de estádio de futebol no meio da minha cara. Too much.


Então podemos dizer que há mais ou menos uma semana eu estou feito pinto no lixo porque meio que não pára de chover. Ainda não esfriou/escureceu o bastante pra acender velas pela casa (embora eu tenha feito isso sim, porque the girl can't help it) mas hoje eu pude colocar um pulôver por cima da camiseta. Semana que vem já é outono, segundo o calendário meteorológico. E eu obviamente já tenho uma vela de abóbora. Ou cinco.


As coisas à minha volta já começam a se tingir de tons acobreados. As folhas dos castanheiros estão mudando de cor. Gato e raposa, ruivos e belos, uma selvagem e outro nem tanto, ambos muito à vontade, ela no jardim, ele em qualquer superfície felpuda o bastante. Parece que finalmente o ano está entrando nos eixos. Nem de longe normal. Mas o retorno de algumas visões familiares, de um clima que me faz bem, da possibilidade de fazer planos, de poder andar descalça pela grama seca do meu quintal catando os frutos verdes que os esquilos atiram dos galhos do carvalho... Parece normal. E na atual conjuntura? Está de bom tamanho. I'll take it.


Come on over, Autumn. Not a day too late.

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