What a shitty year. Merry Christmas. I love you.



















A véspera de natal trouxe o tão esperado Brexit deal e... céu azul! Oh wow. Enquanto neva em algumas partes do Reino (basicamente o norte), Londres está tendo um dia 24 de Dezembro ensolarado. 

Bem que o dia de sol podia ter vindo ontem, quando finalmente fui ver alguns seres humanos (com segurança e distanciamento, ou seja = na rua, na chuva, em Mayfair), pegar o panetone que ganhei na nossa aposta (o primeiro a ouvir essa música nas lojas em dezembro e apresentar prova ganha uma comida ou bebida gourmet natalina) e os CEM salgadinhos que encomendei pra ceia. Oito da noite e eu em Seven Sisters, de pé no frio e no escuro, aguardando mini coxinhas. A alemoa brazuca e fofíssima que maneja o customer service me oferece uma cerveja ("cortesia da casa") enquanto espero. Quando me entrega a caixa com o pedido inclui também um pacote de salgadinho TORCIDA.


O atendimento brasileiro no exterior é melhor que o atendimento brasileiro no Brasil. Eu não estou reclamando.


Hoje os planos são passar o dia inteiro vestindo o pijama de natal e abrindo latas de peroni e leite condensado; eu realmente não precisava de sol e inclusive teria ficado feliz com o BREU que esteve em vigência a semana inteira e assim poderia acender minhas velinhas/luzinhas mais cedo. Mas tudo bem. Beleza. It's fiiiiiiiiiine


Meu único presente para mim mesma custou 99 dinheiros na Argos: lentes 50mm para tentar voltar a me animar com fotografia. 2020 foi um ano perdido em tantos aspectos, mas não quero falar disso. Quero apenas me redimir por ter deixado minha câmera pegando pó na prateleira (isso não era necessário) e, nas poucas vezes que ela foi usada, ter feito fotos tão ruins. Estou me saindo melhor com o celular e esse não era o plano. Por falar nisso não quero fazer nenhum plano para 2021 (meu modus operandi sempre foi esse, e agora mais do que nunca), mas se eu conseguir encaixar aulas de fotografia nos próximos 365 dias vou ficar feliz. Não depende só de mim, but here's to hoping.


Todos os anos no mês de dezembro eu corto relações em definitivo com alguém. Pode acontecer em outros meses também, claro; mas em dezembro? Sempre. Não é uma decisão minha, simplesmente ocorre; é parte das comemorações do meu inferno astral e sempre fico meio apreensiva me perguntando quem será. Essa semana rolou o corte do ano e UFA, que alívio ter sido um embuste que já estava no corredor da morte anyway. Vá em paz, e use máscara. 


A ceia está no forno. Como ele não gosta de peru (rs) e eu não gosto de ganso (kkkkk), chegamos ao único consenso gastronômico possível: vai ter pato na ceia do lockdown. Pato é uma carne saborosa, porém gorda e pesada. Sinceramente? Eu preferia um frangão. Mas não tinha frangão nas prateleiras do mercado no dia das compras natalinas, pois desabastecimento. Thank you, Mutação do Covid-19 seguida de um surto histérico europeu seguida de um surto histérico do consumidor britânico, que achou que se não comprasse vinte galinhas imediatamente ia morrer de inanição durante as festas. Mas tinha um carregamento fresquinho de pato chegando. Que seja pato, pensei. Até porque, lembremo-nos: CEM salgadinhos. Diante disso quem liga pra frango assado?


Tem também a famosa batida de maracujá, receita da minha mãe. Doce demais para padrões europeus, mas meu padrão baixada fluminense pretende beber a garrafa inteira de qualquer modo. Por enquanto acabo de abrir uma cerveja como se estivesse nos anos 90, dentro de um ônibus lotado na Central do Brasil (onde eu malandramente tinha conseguido um lugar na janela pra sentar), mochila pesada no colo e sobre ela uma latinha de Bavária gelada e um pacote de Torcida, comprados do mesmo tio que me serviu com simpatia lacônica durante mais de uma década. Um brinde de Peroni ao tio da cerveja, à alemoa sorridente da lojinha brasileira, aos embustes despachados, aos meus amigos que me comparam os melhores panetones do Reino Unido, aos salgadinhos Torcida por ainda existirem, ao Boris Johnson, ao pato assado e a todos vocês que tiveram um ano de merda mas que hoje vão abraçar alguém querido (nem que seja um só, como eu), dizer "MAS QUE ANO DE MERDA, hein. Feliz Natal. Eu amo você." This is a privilege. Never forget.


Tricks, no treats.











Outubro foi… anticlimático. Pra não dizer um fracasso. Chuva, chuva e mais chuva, acompanhada de uma ventania que arrancou as folhas das árvores em tempo recorde, muito antes que eu tivesse tempo, ânimo e oportunidade de admirá-las.


As prateleiras das lojas, geralmente abarrotadas de caveiras e abóboras, praticamente vazias. Todo mundo antecipando um halloween mixuruca, e não estavam errados: um total de zero crianças bateu na minha porta em busca de gostosuras, e estavam certas. Arriscar um corona em troca de bala? Não parece uma proposta muito interessante. Quase indecente.


Comi todos os doces que comprei por precaução, assisti uns filmes de terror, ouvi minha playlist de halloween (inclusive maravilhosa, depois compartilho o link), não desentranhei nenhum jack o'lantern, mal decorei a casa e fui dormir em situação de sugar high, spirits low.


A boa notícia é estarmos vivos.


P.S.: Estou postando isso agora, em dezembro, quase natal, pois só agora me dei conta de que esse post besta ficou nos rascunhos e nunca tinha sido publicado. Better late than never? Or whatever? Prometo que vou desapegar de outubro, ok?