Eu juro: at? vinte minutos atr?s, eu acreditava piamente que o nome da filha da Nicole Kidman era Sunday ROAST. Ah, ? Sunday Rose. Ok. Ah, mas que nome babaca… Rosa de Domingo? E em se levando em conta que ela nasceu numa segunda feira?? Sunday Roast seria bem mais interessante. A quest?o seria saber, roast de qu?? Galinha, porco, vaca ou ovelha?
Sem coment?rios para o nome que Madame Boc?o escolheu pra batizar seu primeiro filho homem. Ali?s, sem coment?rios para todo esse circo orquestrado pela parturiente em torno do nascimento dos beb?s. Nunca simpatizei muito com esse casal e, ao contr?rio de quase todo mundo, que acha muito lindo esse sistema de ado??o de minorias em s?rie, eu sempre tive sincera pena dessas crian?as.
Que tipo de inf?ncia ? essa, nunca sabendo em que casa ou pa?s v?o morar daqui a seis meses (dependendo dos caprichos da mam?e, pode ser am?rica, vietn?, nam?bia, fran?a… etc), impossibilitados de fazer amigos que n?o sejam filhos de celebridades, de estudar em uma escola normal, de desenvolver uma identidade, criados por bab?s e seguran?as (Angelina fez uma m?dia de 2,5 filmes por ano desde que adotou Maddox… “M?e presente”? Me engana que eu gosto) e seguidos por TODA a parte por um batalh?o de fot?grafos, tendo suas vidinhas esmiu?adas e seguidas feito novela pela metade da popula??o mundial.
Por muito menos nego fica louco no showbusiness e faz a festa e fortuna dos terapeutas de celebrities. A troco de escapar da mis?ria de seus pa?ses de origem, vendem a inf?ncia aos tabl?ides, com a coniv?ncia de papai e mam?e?? Tem coisas que o dinheiro n?o compra, ainda mais para uma crian?a, cujas necessidades s?o t?o b?sicas e incluem carinho e rotina. Minha inf?ncia foi muito mais feliz, obrigada.

Lendo o blog da Loll?, no post onde ela narra o dia em que saiu com uma bota de cada cor, me lembrei do dia em que s? no ?NIBUS fui me dar conta de que havia vestido o suti? por cima da blusa.
Em minha defesa, eu estava saindo de casa ?s cinco da manh? de uma segunda feira, depois de ter ido dormir ?s duas (lembra daquele tempo em que internet com pulso ?nico s? depois de meia noite? E que voc? - VOC? SIM, n?o negue! - ficava acordado com a finalidade de passar a madrugada clicando alopradamente enquando a conex?o n?o ca?sse? Pois ?).
A minha sorte ? que o ?nibus estava praticamente vazio. Opa. Pera?. N?O ERA pra estar vazio! Naquele hor?rio, eu estaria me sentindo uma sardinha enlatada, em meio ?s empregadas dom?sticas, pedreiros, bab?s e office boys indo trabalhar na zona sul, sem contar as velhinhas hipocondr?acas que sempre acordam super cedo para se enfiar em filas do SUS. Mas n?o. S? havia um rapaz sentado num dos bancos da frente, dormindo a sono solto. E uma velhinha logo atr?s de mim (provavelmente hipocondr?aca), tentando abafar o riso.
S? duas pessoas?? N?o pode ser. Tem algo estranho. Foi a? que percebi que, al?m de ter me vestido errado, tamb?m havia pego o ?NIBUS errado. Great. Me levantei resmungando e fui me sentar no banco de tr?s, onde tirei o suti? e, fazendo malabarismo pra n?o ficar pelada, vesti o dito cujo devidamente por baixo da roupa (mais tarde verifiquei que havia vestido o suti? do lado avesso, mas enfim).
Na volta, passei pela velha hipocondr?ada-e-engra?adinha e percebi que ela ainda estava se divertindo ?s minhas custas. “Pensei que fosse pegadinha do Faust?o!”, riu ela. “Ah, ? claro que ?, mo?a”, respondi, com o bom humor pr?prio quem est? devendo cinco horas de sono a si mesmo. “T? vendo aquela c?mera ali na frente? Cruza as pernas que eles devem estar filmando a sua calcinha!”. A velha olhou pra baixo t?o r?pido (a fim de verificar se suas partes pudendas estavam expostas) que bateu com a cabe?a no apoio do banco da frente. Seria a minha vez de rir, amarga n?o estivesse. “At? parece que algu?m quer ver a sua calcinha, dona”, pensei, enquanto tocava o sinal do ?nibus pedindo pra descer nalgum ponto remoto da Avenida Brasil.
Com botas trocadas eu nunca sa?, mas com a roupa pelo avesso ou com a etiqueta de pre?o dependurada do lado de fora… ?, toda hora.

Eu amo comprar roupa. S? n?o amo mais porque t? gorda - o que, de certa forma, ? at? bom, porque economizo uma grana. E prefiro lojas de departamento ao inv?s de “butiques”, porque esse “E a?, amor? Vestiu bem?” me exaspera. Se vestiu mal, eu digo exatamente o qu??? “N?o, gata, vestiu P?SSIMO. Ali?s, nem passou do joelho. C? tem alguma coisa a? maior do que GGG ou eu preciso deixar a bunda em casa antes de vir comprar aqui?”.
Ent?o, depois de aproveitar o sald?o das liquida??es de julho, achei que estava com sorte e entrei na Marks & Spencer. Que vem a ser o equivalente brit?nico da falida Mesbla (n?o uso a C&A como exemplo porque a C&A ? holandesa e n?o vende comida). Basicamente, s? achei coisa cara e roupa de av?. A idade m?dia dos clientes da Marks & Spencer ? 101. As mais jovens s?o as executivas de 30-40 anos, que n?o compram roupas mas enchem carrinhos de comida congelada superfaturada no supermercado da loja. O que ? a pregui?a de cortar um piment?o, n?o ? mesmo, minha gente?
Acabei comprando tralha, claro. Animada com os descont?es de at? 70% que eu havia conseguido nas outras lojas, levei pra casa uma saia na cor salm?o e uma sa?da de praia branca. A saia at? prometia, mas a entidade que eu incorporei para ter coragem de comprar uma SA?DA DE PRAIA e, para piorar, BRANCA, eu ignoro.
Eu simplesmente odeio roupa branca. Eu era a louca que usava preto da cabe?a aos p?s nas festas de reveillon, em batizado de crian?a (de prefer?ncia com um anel de caveira maior do que a minha cabe?a enfiado no dedo), em missa de a??o de gra?as… A ?nica ocasi?o em que eu tinha vontade de usar branco era em casamentos, s? pra ser esp?rito de porco.
Ent?o. A sa?da de praia (que na verdade comprei pra usar como vestido, mas ? feia demais at? pra isso) t? aqui. Me olha, me aponta dedos e ri. “VINTE LIBRAS”, diz ela. “Se voc? tivesse deixado ? mim e ? saia salm?o (salm?o? a saia me deixa parecendo um baiacu) de vinte e cinco na loja, poderia ter comprado um casaquinho de cashmere”. E Deus sabe que, em qualquer hemisf?rio, eu teria mais uso para um casaco de cashmere do que uma… sa?da de praia.

Parab?ns se voc? leu at? aqui. Tava disposto, hein?
Mas se voc? ? daqueles que s? “l? as figuras”, toma (fotos podres porque feitas com uma c?mera vagabunda):

Isso a? ? o banco que fica no fund?o do jardim, meu ref?gio predileto pra ler um livro e ignorar telefone tocando, gatos miando e convenientemente longe da “Dupla Fode Vida“: geladeira e computador.
O cantinho ? mesmo uma del?cia; tanto que n?o sei se leio, se namoro os figos na figueira, se paparico as minhas fuschias que voltaram ? vida ou se me co?o depois de encostar os p?s na urtiga. Mas o banco estava caqu?tico. Resolvi ent?o usar o resto da tinta do arm?rio da cozinha para dar uma cor. Porque, ao contr?rio daquela mob?lia novinha que comprei na promo??o e pintei, esse banco eu “herdei” junto com a casa e ? de qualidade muito superior - apesar de estar em p?ssimo estado.
Ok, eu devia ter lixado e aplicado um wood filler antes de pintar, devia ter pregado a t?bua solta do assento, devia ter tirado do lugar, “devia ter” uma p? de coisas. Mas, se eu decidisse esperar, ser paciente e seguir o esquema, o banco nunca ia ficar azul.






A t?bua solta eu vou pregar no lugar hoje, e pintar as t?buas do assento de branco.
E mais tarde, come?o a pintar o lavabo. Paredes VERMELHAS. Ui. Wait and see. :)