sic?lia 2008 - first stop: catania/acireale.
Escrito em diário de bordo, www, Junho 7, 2008 @ 05:39

ent?o, aparentemente, plurk is the new twitter. n?o gostei.

n?o gostei de ter que ficar com a p?gina do bagulho aberta, n?o gostei de como a timeline ? exposta (odeio scroll horizontal) nem o visual polu?do. parece uma parede mal pintada e cheia de post-its colados. n?o gostei daquela op??o de escolher “love/share/hate/says/was/is” para iniciar o que voc? est? dizendo. acho meio bobinho e desnecess?rio, coisa de chat de 2001. sem mencionar que, se voc? esquecer de trocar, pode acabar cometendo gafes gramaticais. eu ainda n?o achei a gra?a da corrida pelo tal de “karma”.

sem contar que o conte?do do twitter continua, para mim, sendo mais interessante do que o do plurk. que parece ter feito mais sucesso com meninas que curtem coisas bonitinhas. well, eu tamb?m sou menina e tamb?m curto coisas bonitinhas - mas para isso eu ainda prefiro o poupee girl. ;)

falando em web, descobri isso aqui e me pergunto at? quando a criatividade para inventar tiradas engra?adinhas em “dialeto mona” vai durar. bastante, eu espero. se bem que, o ?ltimo que seguiu por essa linha, morreu na praia. com o anzol puxado por uma invejosa ?vida por 15 segundos de fama requentada. too bad.

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sente-se num bar qualquer na sic?lia, pe?a um drink e presencie em tempo real o milagre da multiplica??o dos antipastos. jesus. EU S? HAVIA PEDIDO UMA CERVEJA. juro que n?o tenho nada a ver com essas quatro tigelas de comida + esse copo cheio de ?gua suja e legumes ressequidos plantados nela (crudit?…? t? de zoa??o). o bar em quest?o se chamava “caf? de paris” (aham), ficava na orla da cidade de catania e servia uns sorvetes, digamos assim, arquitet?nicos de t?o complicados e cheios de coisas desconhecidas equilibrando-se em cima. pensei em pedir um, com fins de pesquisa cultural - mas infelizmente eu n?o podia me empanturrar. est?vamos ali fazendo hora para o jantar. que iria ser comido num restaurante que descobrimos ali pertinho; mas que s? abriria ?s oito da noite.

um dos pequenos probleminhas da it?lia, ali?s. eles realmente esperam que voc? fa?a uma refei??o completa, composta de antipasto (entradas frias ou quentes), primo piatto (macarr?o), secondo (carnes, aves ou peixes), contorno (legumes e verduras) e dolci (sobremesa), come?ando ?s OITO da noite, esticando-se at? quase ?s dez e t?m a petul?ncia de esperar que voc? consiga dormir. eu, obviamente, n?o consegui. arrotei durante toda a viagem de volta ao hotel, na tentativa de desinflar o bal?o de g?s que se havia formado no meu est?mago. n?vel de sucesso = ZERO.

e olha que eu nem comi o tal do dolci, hein.

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a pousada onde ficamos em acireale era uma gracinha. chama-se il limoneto e ?, na verdade, um desses “agriturismos” que proliferam por toda a sic?lia - ou seja, uma fazenda que resolve alugar quartos. a nossa cultivava lim?es. eu nem vou tentar descrever a sensa??o de acordar pela manh? (hav?amos chegado ? noite), abrir a janela e me deparar com um tapete verd?ssimo de limoeiros estendido ? minha frente. realmente lindo.

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o que eu vou tentar descrever foi o sufoco at? chegarmos l?. desembarcamos no aeroporto de catania quase dez da noite, j? que a TUI resolver nos presentear com um atraso de OITO HORAS em hannover, onde n?o pod?amos sequer sair do aeroporto “no caso de o v?o conseguir sair antes do previsto”. ok. desnecess?rio dizer que o v?o atrasou TODAS as oito horas previstas, que eu tive que passar oito horas num aeroporto de merda onde n?o h? NADA para se fazer e que o sol brilhava l? fora: vinte e oito graus de primavera germ?nica. e eu podia j? estar na sic?lia.

mentalizei uma morte lenta e dolorosa para todos os funcion?rios da TUI, do faxineiro ao presidente da empresa, e s? acalmei quando a pr?pria convidou os passageiros do v?o atrasado para um almo?o cortesia, num dos sal?es do hotel do aeroporto, com vinhos e cervejas e bebidinhas e tudo o mais de gr?tis. e ainda dois vouchers para gastar com comida no aeroporto (n?o foi necess?rio) ou com tralhas da free shop (troquei por um pingente de cora??o swarovski, a ?nica coisa que custava o exato valor dos dois vouchers combinados; eles n?o d?o troco).

e toca brincar com o zoom da c?mera pra fazer a hora passar… zzzzzzz…

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a chegada na it?lia foi assim, meio que um anticl?max. ESTAVA FRIO. tipos, eu saio de jersey num s?bad?o de sol maravilhoso, pessoas bebericando em frente ? praia, vinte e seis graus. chego em hannover e passo uma semana ensolarada, temperatura m?dia de 25 graus. e a? resolvo ir pro SUL DA IT?LIA e, depois de quase um m?s de expectativa, est? CHOVENDO? eu joguei pedra na cruz??

enfim. quarenta minutos depois, conseguimos pegar o carro na locadora de ve?culos (ah, a efici?ncia italiana…) e tocamos pra acireale. o dil?vio vers?o remix caindo. na metade do caminho, no meio de uma auto estrada, o blackberry do respectivo toca. era o pessoal da locadora de ve?culos, pedindo para que volt?ssemos na mesma hora, porque eles haviam nos dado o carro ERRADO (uma porcaria de um lancia enorme e ruim de manobrar).

? claro que, mais da metade do caminho percorrido, e estando numa auto estrada, e chovendo gatos, cachorros, canivetes e macarr?o parafuso, n?o voltar?amos porcaria nenhuma.

e ? claro que os pentelhos da locadora continuaram ligando de cinco em cinco minutos, berrando “where are you” com sotaque siciliano, perturbando o motorista e quase causando um acidente.

? claro que, por causa disso, o british boy tomou o caminho errado e nos fez ir parar dentro de uma favela.

? claro que eu, cari???aaca escaldada, paniquei histericamente, imaginando que a qualquer momento um mafioso ia pular na frente do carro, AK-47 em punho, nos mandando descer e berrando o equivalente a “perdeu, pr?ib?i” em italiano.

? claro que nada disso aconteceu. s? demorou um pouco mais para acharmos a maldita entrada para a fazenda, passando por um monte de ruas escuras sem cal?amento e com mato por todos os lados. ? impressionante como nessas horas a gente relembra rapidinho as ora??es que aprendeu nas aulas de catecismo, uns 20 anos atr?s. mas olha, mesmo sendo obrigados a estacionar o carro longe do quarto e caminhar pela lama carregando malas pesadas na chuva (ai, a minha escova!), chegar l? valeu a pena.

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se o tempo estivesse bom, daria at? pra ver o mar direito… e o vulc?o etna fumegando ali atr?s.

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mas ?, ta? um peda?o dele. t?.

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hypocrisy is the new black.
Escrito em diário de bordo, para refletir, resmungos, Junho 4, 2008 @ 05:56

ent?o a alexandra shulman, editora da vogue brit?nica, d? uma entrevista para o daily mail dizendo que “deplora cirurgia pl?stica”.

t? bom, darling. comece a usar modelos acima de 25 anos nas p?ginas da revista que voc? edita (ao inv?s de enfileirar adolescentes russas esquel?ticas, esfaimadas e inexpressivas nos editoriais), recuse an?ncios de cremes de beleza estrelados por atrizes quarentonas ultra esticadas por photoshop e, daqui a uns 5 ou 10 anos, quando os p?s-de-galinha come?arem a dizer OI na sua cara, volta aqui e a gente conversa.

max hastings, que escreve para o mesmo jornal, publica um artigo sobre a controversa decis?o do governo brit?nico de manter em 24 semanas o limite m?ximo para que uma gravidez possa ser interrompida. pol?micas ? parte (eu, por exemplo, acho absurdo esperar 24 semanas - SEIS meses - para decidir que, bem, na verdade estar gr?vida n?o ? t?o legal assim), o articulista conclui sua linha de racioc?nio argumentando que o aborto deveria ser ilegal em qualquer est?gio, e que as m?es-assassinas deveriam levar a gravidez a termo e doar a crian?a para ado??o, porque “candidatos n?o faltar?o para adotar o beb?”.

mas ? claro que n?o. agora mesmo estou vendo as filas se formando para adotar crian?as negras, ou deficientes, ou soropositivas, ou portadoras de doen?as degenerativas incur?veis, ou maiores de quatro anos, com v?rios irm?os (que n?o podem ser separados), com problemas psicol?gicos graves depois de terem passado por v?rios orfanatos e lares tempor?rios onde foram abusadas f?sica e psicologicamente. ? claro. TODO MUNDO est? de bra?os abertos esperando por essas criancinhas. o pr?prio colunista, inclusive, deveria se encaminhar ao orfanato mais pr?ximo e, depois de passar por cima de todo o nonsense burocr?tico brit?nico, adotar uma meia d?zia delas.

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acima, a escadaria de santa maria del monte, em caltagirone, sic?lia (no topo fica a igreja de san giuliano, com uma vista inacredit?vel). ? direita um dos dem?nios que decoram toda a murada dos jardins p?blicos da cidade. por eles e pelos azulejos que decoram toda a escadaria, nota-se que a sic?lia (e caltagirone, em especial) ? famosa por suas cer?micas. como n?o ia caber nada muito grande na bagagem, n?o deu pra aloprar; comprei apenas um casal de anjos em taormina.

aqui, outra foto da escadaria, encontrada no flickr (ainda tenho que fazer download das minhas; s?o quase 500 fotos, tenham piedade), que tamb?m deixa clara a paix?o dos italianos por varandas/sacadas nos apartamentos. em breve, cenas dos cap?tulos de viagem.

e… nada a ver com o pre?o do feij?o, mas apenas um adendo ao post passado. quando eu me referi ?s yummy mummies atravancando lojas, restaurantes e supermercados, n?o quis dizer que, depois de parir, as mulheres devam passar o resto de suas vidas em casa lambendo as crias, sem impor a presen?a ruidosa dos seus rebentos ao resto do mundo cool e child-free (apesar de, ?s vezes, essa id?ia n?o me parecer t?o m?).

eu tinha apenas uma coisa em mente: a falta de considera??o que elas demonstram ao a) comprar carrinhos IMENSOS porque eles est?o na moda e onde elas possam pendurar v?rias sacolas de compras e b) manter seus pr?prios filhos acorrentados a esses carrinhos, entediados e irritados, mesmo muito depois que aprenderam a andar - s? para n?o ter que control?-los.

eu posso estar errada, mas n?o creio que mere?o me ver impossibilitada de transitar em certos estabelecimentos comerciais pela manh?, nem levar pancadas de carrinhos de beb? nas pernas (m?es s?o sagradas demais para parar e dizer “com licen?a”) em respeito ao lifestyle dessas senhoras. lembro de ter ouvido uma brasileira dizendo que, ao chegar em londres como turista, pensou estar havendo algum evento direcionado a crian?as com paralisia, tantas eram as m?es empurrando carrinhos com crian?as de 4, 5 anos de idade. perdi a conta das vezes onde fui atropelada por eles; numa delas, o choque foi t?o violento que minha bolsa escorregou do ombro e caiu em cima do beb?. e como eu sempre carrego livros e c?mera, ela estava bem pesadinha… ouch. a m?e, evidentemente, nem pensou em se desculpar, e ainda me culpou pelo acidente.

moral da hist?ria: ter filhos implica sim em alguns sacrif?cios, como pagar baby sitter, ficar mais tempo em casa por conta deles e, principalmente, tentar ser respons?vel pelas a??es dos pequenos. amarr?-los em carrinhos gigantescos que ocupam espa?o descabido s? para que eles n?o perturbem o seu cappuccino com as amigas N?O ? LEGAL.
toler?ncia tem limite, e ? via de m?o dupla.

em hannover.
Escrito em alemanha, diário de bordo, Maio 5, 2008 @ 02:26

faz sol l? fora, mas frio aqui dentro.
acho que cheguei ? conclus?o mais ?bvia de todas. meu problema nunca foi, propriamente, com a alemanha - e sim com esse flat. no minuto em que o port?o do pr?dio se abriu e come?amos a subir as escadas, meu peito fechou-se. eu n?o senti falta daqui. eu n?o estou em ?xtase por estar aqui novamente.
n?o voltaremos, entretanto; o dono pediu o apartamento de volta. yay. pode ficar com ele todinho, baby.

sobrevivi bravamente ?s duas horas e meia do v?o charter jersey-hannover, embora a aeronave estivesse lotada de alem?es se comportando de maneira bizarra. ainda estou tentando entender a necessidade de baterem palmas quando o avi?o tocou o solo e de desafivelarem o cinto de seguran?a uns 10 minutos ANTES da aterrisagem… sem mencionar o fato de que todos pediam para ler a minha revista, apenas para coloc?-la em sil?ncio de volta no banco vazio ao meu lado (sem agradecer) uns 15 segundos depois de terem pego emprestada.

acho que alem?es n?o gostam da marie claire.
bom, nem eu. s? comprei porque o creme hidratante da the body shop que estava sendo oferecido de gra?a na revista de ?3.20, custava 5 libras na loja.

agora estou aqui tentando decidir se devo sair para comprar filtro solar + demaquilante.
e um par de sand?lias de gladiador.
mas eu s? tenho 12 libras na carteira. e nenhum euro. e nenhum cart?o de cr?dito que seria aceito - sim, al?m da marie claire, alem?es tamb?m n?o gostam de dinheiro de pl?stico.

mas eles se amarram num porco girando no espeto, e devo ter engordado usn dez quilos s? de olhar pra um deles ontem, em mais uma dessas “feirinhas medievais” que s? servem para vender tralhas overpriced. acho que chega delas por essa vida.

enfim, tem bolo de lim?o na cozinha. as coisas podiam ser muito piores.

no pr?ximo s?bado, v?o hannover - catania.
at? l?, muito o que ser feito (como ele vai sair desse apartamento de vez, precisamos empacotar coisas e limp?-lo) e alguns apertos para distribuir.

e muitos cappuccinos na piazza cappucinno.

das pessoas. e paris.
Escrito em diário de bordo, humor observacional, Fevereiro 25, 2008 @ 18:35

paris, outono de 2007.
eu batia perna a esmo pela champs-?lys?es (andei do boulevard saint-germain at? l?) e, cansada, resolvi me sentar num banco para dar um refresco aos p?s, enquanto me divertia observando os turistas hilbillies americanos tendo ataques diante das vitrines suntuosas, decoradas com pequenas obras-primas de couro pousadas sobre stands de vidro. depois de alguns minutos fazendo a convers?o euro/d?lar, a rea??o era invariavelmente a mesma: “800 hundred dollah?? i ain’t g?t no 800 dollah to pay for th?!!! ?re they ?ut of their m??ins?“. uns amores. e co-ber-tos de raz?o.

enfim. saindo de um mcdonald’s, um grupo de turistas brasileiros. tr?s rapazes e uma mo?a, cerca de 20-25 primaveras, roupas inapropriadas (casacos demais e nem estava fazendo tanto frio assim), vozes altas, sotaque cari???aca. n?o prestei aten??o, mas descansada j? estava e me pus a andar na dire??o dos tuileries. eis que de repente ou?o vozes em portugu?s de pessoas que caminhavam atr?s de mim - sim, eram eles. e o di?logo, mais ou menos esse:

- aquela ali n?o ? francesa meeeeeixmo!
- como ? que voc? sabe?
- muito mal vestida! (ai, lolla moon, voc?, seu vestidinho jaeger, sua bota prada-comprada-no-brech? e sua bolsa saint laurent marks & spencer podiam ter dormido sem essa!)
- deve ser argelina, ent?o, haha!
- eu n?o acho! tem cara de… indiana! (pelo visto n?o s? os paquistaneses de londres me acham com cara de comedora de poppadom)
- ? indiana sim, deve ter vindo l? de bangladesh (oi, te dou uma aula de geografia moderna? tipo, AGORA??)
- n?o, na ?ndia eles passam fome, ela est? muito gorda pra ser indiana! (UI)
- erm, gente, vamos falar baixo por favor? vai que a mulher entende portugu?s ou ? brasileira?

era a minha deixa, n??
me virei, abri um sorris?o, fiz sinal de joinha e disse: “BINGO!”

a CARA que eles fizeram valeu cada “insulto”.

torre da igreja de saint-germain-des-pr?s (o bairro onde ficamos) ? noite + minha humilde sacolinha da ladur?e - no fundo uma padaria metida a besta. paguei caro pela caixinha de macaroons s? para descobrir que os que comprei em chartres, por uma fra??o do pre?o, eram bem melhores.

a famosa (e super fotografada) escadaria da catedral de sacr?-coeur em montmartre. e a torre ?bvia fotografada do jardim des tuileries.

no quartier latin n?o deixe de ir tomar uma caipirinha nesse bar (foto ? esquerda). n?o me lembro o nome (f?cil de achar, porque toca salsa e ritmos latinos e d? pra ouvir do lado de fora), mas serve a caipirinha mais barata do bairro durante o dia. quando anoitece o pre?o vai nas alturas, como sempre, mas o lugar enche de gente de todas as nacionalidades. os gar?ons s?o meio idiotas, mas em se tratando de paris, antes idiota do que mal educado. ? direita, a decora??o natalina da galeria lafayette.

fotos nada a ver: o banheiro do hotel, com uma janela enorme que me fazia perguntar, “ser? que o vizinho est? vendo a minha bunda?” e o menu do “boteco de luxo” chamado les deux magots, onde o pre?o da comida ? inversamente proporcional ? qualidade do servi?o. ou seja, espere vender um f?gado para pagar a conta de duas cervejas pequenas, e ser ignorado durante todo o tempo. c’est paris, mon amis.

a famosa place des vosges, tida e havida como o quadril?tero mais belo da cidade, mas que eu achei meio sem gra?a. FAIL. e a vista que eu tinha do banheiro do hotel.

est? vendo aquela janelinha ali? pois ?. tenho certeza de que eles viram o meu traseiro.
e devo me dar por feliz, j? que n?o me mandaram a conta do psic?logo.

reencontros e recome?os.
Escrito em diário de bordo, humor observacional, vida, Janeiro 24, 2008 @ 05:38

chegamos em casa na ter?a ? noite. dev?amos ter chegado na segunda, mas o mau tempo no canal da mancha fez com que os barcos fossem cancelados. ou seja, ganhamos um dia extra na cidadezinha de albert, que fica na regi?o do somme, famosa pelas batalhas da primeira guerra mundial.

e claro, como 99% dos ingleses adultos s?o fan?ticos por guerras, eu peregrinei, sob frio e ventos cortantes, atrav?s de campos de batalhas, monumentos para os mortos que nunca foram encontrados, para os mortos que foram encontrados, 383254810976 mini cemit?rios de guerra, museus no estilo “viu um, viu todos”, decifrei mapas em busca de crateras de bombas, enfim… voc? entendeu. ganhei um resfriado e dor nas pernas, mas o british boy estava feliz feito pinto no lixo e eu ? que n?o vou estragar o deleite alheio… atchim!!

e agora, da s?rie coisas com que voc? pode contar na fran?a:

1. os motoristas V?O dirigir mal. n?o interessa se voc? est? na cidade ou no countryside, no centro de paris ou nos cafund?s de algum pays desabitado; eles v?o ultrapassar onde n?o devem, v?o dirigir a 30cm da sua traseira e v?o fazer gestos obscenos pelo vidro do carro quando passarem por voc?. e, claro, seu respectivo ingl?s VAI resmungar um “BLOODY FUCKING FROG”.

2. as mulheres francesas V?O vestir preto da cabe?a aos p?s, ter?o aquele arzinho de fragilidade estudada, no estilo “me proteja, eu sou apenas uma mulher” (but i do fuck like a rabbit) e jogar?o charme em cima dos homens dispon?veis (e, sejamos justos, dos indispon?veis tamb?m) num raio de 45 quil?metros - ou mais, se houver internet por perto.

3. a carne servida nos restaurantes ser? SEMPRE crua. siga a tabela: se voc? quer o seu bife m?dio, pe?a bem passado. se quiser bem passado, pe?a torrado. se quiser mal passado e pedir por isso, tenha confian?a de que seu bife mal ser? apresentado ? frigideira e ser? despejado no seu prato praticamente mugindo, mais sangrento do que um passeio de ?nibus na palestina.

4. o caf? da manh? franc?s ? o equivalente culin?rio da express?o “glicose na veia”. p?o doce, gel?ia doce, bolos, biscoitos, sucos… ou seja, o inferno de atkins. isso tudo vai chutar a sua curva glic?mica acima da torre eiffel e, quando ela cair, sua fome ser? bastante para devorar vinte quilos de foie gras, pouco se fodendo para os pobres gansos. ta? a raz?o pela qual os franceses sempre tiveram uma performance t?o p?fia nas grandes guerras: ? imposs?vel encarar uma trincheira com um croissant no est?mago, mon ch?r. breakfast decente, com “sustan?a”, tem ovos, bacon e sausage.

5. os franceses jamais ir?o retirar a decora??o de natal das casas, lojas e restaurantes antes que janeiro termine. os mais tradicionalistas v?o deixar a ?rvore de natal armada (com as luzes piscando), a guirlanda na porta, o papai noel escalando as janelas e similares at? meados de fevereiro. eles fazem quest?o de deixar as renas e bonecos de neve nas vitrines das lojas e a decora??o de rua dependurada nos postes. acho que eles confundem “decora??o de natal” com “decora??o de inverno”. quando chegar o ver?o e a neve falsa em cima da ?rvore de natal n?o fizer mais tanto sentido, eles guardam tudo. ou ent?o deixam tudo j? montado, prontinho para o pr?ximo natal.

enfim, tamo em casa.
tenho passado meus dias desencaixotando coisas, mas ainda tenho que desencaixotar muitas mais e reencontrar os lugares de onde elas sa?ram h? muitos meses quando, assim como eu, foram arrancadas de suas rotinazinhas e levadas para um longo passeio no continente.

mas tamb?m tenho passado os dias dando gritinhos viados ao redescobrir coisas simples, como a vista do meu banheiro azulzinho, com vaquinhas pastando na chuva. como o meu chuveiro COM!?GUA!QUENTE! e a pia enorme da cozinha, onde posso lavar pratos sem ter que lavar o ch?o ao mesmo tempo. como o slogan da minha r?dio favorita. como achar uma pilha de dvds entregue pelo carteiro. como os livros que n?o havia tido tempo de ler, me esperando na estante. como o meu sof?, velho, rasgado e cafona, mas extremamente macio e confort?vel (t?o mais aconchegante do que aquela porcaria modernosa, dura e fria do apartamento na alemanha). como as minhas revistas favoritas escritas num idioma que eu entendo. como esbarrar nas pessoas e ouvir um imediato “sorry!” (estou quase esbarrando de prop?sito, s? para ouvir os ingleses sendo mecanicamente educados).

estamos todos bem, a maluca est? gorda e j? comi meu primeiro sandu?che de bacon de verdade, em comemora??o ao retorno ao lar.
? poss?vel que em um m?s ou dois eu visite novamente a fam?lia (marido e gata) que ficar? na alemanha, mas por ora, eu s? quero desempacotar minhas tralhas, me atirar nesse sof? e terminar de ler a country living magazine desse m?s.

at? j?.

back from amsterdam + meme de ano novo
Escrito em caderno de perguntas, diário de bordo, Dezembro 26, 2007 @ 18:08

depress?o sazonal p?s natal.
porque ? cruel ficar acumulando expectativa por um m?s e meio e, no dia 26, olhar para os lados, ver as luzes sendo retiradas das janelas, os caminh?es levando embora as barraquinhas dos mercados de natal, as sobras da ceia nas latas de lixo e se perguntar “mas ? s? isso? acabou??”.

well, acabamos voltando para casa ontem ? noite, ao inv?s de hoje pela manh?, como pretendido. estava frio demais, eu levei roupa de menos (pela primeira vez na vida) e o respectivo esqueceu de levar roupa de baixo - HAHA.

mas principalmente, creio ter escolhido a pior ?poca do ano para visitar a holanda. no inverno, escurecendo ?s quatro, sensa??o t?rmica congelante devido ? proximidade dos muitos canais, perdi pelo menos duas das maiores atra??es da cidade: andar de bicicleta e admirar as tulipas. me sobrou admirar as “flores” do red light district (nunca vi tanta prostituta FEIA e mal encarada na vida… as “meninas” daqui de hannover s?o miss universe em compara??o) e tecer o seguinte di?logo ao entrar numa “coffee shop”:

LOLLA: oi, tem capuccino?
MO?O: n?o. tem caf? preto e maconha.
LOLLA: ah, ok. ent?o me v? um chiclete?
MO?O (rindo): de maconha?
LOLLA: n?o… tutti frutti.
(d’oh)

tipo ALOW, eu sou turista e n?o sei que “coffee shop” ? apelido para mercadinho de entorpecentes.
well, nem tanto. s? a maconha ? legal, e deve ser vendida e consumida dentro das coffee shops. os “charlie boys”, negros altos e enrolados em casacos que ficam de p? nas ruas estreitas, oferecem drogas mais pesadas, mas elas s?o ilegais.

como eu havia dito, a luz estava horr?vel. o c?u nublado e claro demais soterrou qualquer possibilidade de uma foto decente (assim como o respectivo, que confiscava a minha c?mera de tempos em tempos, por medo de assalto). claro, h? as “fotos padr?o de turista” feitas nas lojas de tamancos, no red light district, nos canais, no esconderijo da anne frank (em tese ? proibido usar c?mera l? dentro, mas ningu?m confiscou a minha), etc. mas as menos piores, coincidentemente, foram feitas ? noite.

mas ? oficial: eu quero morar numa casa-barco em algum canal de amsterdam.
mas s? no ver?o.

e agora, seguindo a minha ?nica tradi??o de fim de ano, a new year’s survey:

+ o que voc? fez em 2007 que nunca fez antes?
mudei um animal de pa?s.

+ Voc? manteve as resolu??es de ano novo de 2007, e far? novas para 2008?
em geral eu evito fazer resolu??es uma vez por ano (tomo resolu??es sempre que preciso). mas sim, eu sempre quero perder aqueles XX quilos, ficar menos tempo na internet, dar mais aten??o ? minha meia d?zia de amigos, aprender a fotografar, voltar a ter prazer em escrever um di?rio online, etc.

+ Alguma pessoa pr?xima teve um beb??
n?o. o que ? legal, porque significa menos uma pessoa deixando de falar comigo porque eu costumava dizer que n?o sou muito f? de crian?a.

+ Alguma pessoa pr?xima morreu?
tamb?m n?o. foi um ano relativamente escasso de nascimentos e mortes.

+ Que lugares voc? visitou?
dinamarca, su?cia, finl?ndia, b?lgica, fran?a, holanda, alemanha… fui bem de viagens, obrigada.

+ O que voc? gostaria de ter em 2008 que faltou em 2007?
um chuveiro que funcione.

+ Que data de 2007 vai ficar marcada em sua lembran?a?
a chegada da chantilly.

+ Qual sua maior realiza??o no ano?
ter conseguido trazer a miau para a alemanha e ter recebido o visto definitivo no meu passaporte.

+ Qual foi o seu maior fracasso?
ter sido obrigada a passar tanto tempo num lugar que n?o me faz feliz.

+ Voc? teve alguma doen?a?
al?m da obesidade m?rbida e da falta de vergonha na cara, nenhuma.

+ Qual foi a melhor coisa que voc? comprou?
- leitor de cart?es de mem?ria (os cinco euros mais bem empregados da minha vida)
- minha lente f1/8 50mm

+ Que comportamento mereceu comemora??o?
o meu. acho que, aos poucos, estou evoluindo.

+ Que comportamento foi deprimente?
repetindo a de 2003: o resto do mundo cabe numa s? resposta?

+ Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
gastos mal planejados e desnecess?rios. mas n?o reclamo; pelo menos tive o dinheiro para gastar mal.

+ O que te deixou realmente excitado:
a viagem para a escandin?via, talvez.

+ que can??es sempre v?o te lembrar de 2007?
boa: qualquer coisa do bat for lashes, kate nash, neko case, midlake, etc.
ruins: a umbrella da rihanna. ?H, ?H, ?H.

+ Comparando-se com essa ?poca, no ano passado, voc? est?:
I. mais feliz ou mais triste? mais triste.
II. mais magro ou mais gordo? na mesma.
III. mais rico ou mais pobre? idem.

+ O que voc? queria ter feito mais?
explorado hannover a p?, fotografado, viajado sozinha, melhorado o meu ingl?s, lido mais, escrito melhor…

+ O que voc? queria ter feito menos?
ficar online. realmente.

+ Como vai passar o reveillon?
provavelmente nesse apartamento chato, mas farei de tudo para evitar esse destino.

+ voc? se apaixonou em 2007?
everyday. :)

+ Quantos ficantes?
s? o fixo, thanks.

+ Qual foi seu programa de TV favorito?
aquele da mtv americana onde o pessoal filma os esportistas de fim-de-semana se fraturando todinhos. well, por essa resposta, voc? perceber? que eu ando MUITO sem op??o por aqui. ou ? mtv americana (eww), ou ? bbc world (eca) ou ? programa em alem?o. wohoo.

+ Voc? odeia algu?m hoje que n?o odiava h? um ano?
repito a do ano passado: eu n?o odeio ningu?m.
e adiciono: deixo os mesquinhos me odiarem, j? que ? s? o que eles sabem fazer.

+ Voc? gosta de algu?m hoje que odiava h? um ano?
eu n?o odiava ningu?m h? um ano. mas h? poucas pessoas novas na lista das que gosto.

+ Qual foi o melhor livro que voc? leu?
os travelling books do bill bryson. agrade?o pelas risadas que foram a verdadeira trilha sonora do meu ver?o.

+ Qual foi a sua maior descoberta musical?
aprendi a gostar da kate nash apesar do sotaque (londrino, e N?O irland?s, pessoas), bat for lashes (a voz da natasha ? linda e as melodias, assustadoramente lindas), midlake (t?o flower power), e ? s?. acho. meu gosto musical ? t?o ecl?tico quanto engessado. continuo preferindo o de sempre.

+ O que voc? quis e conseguiu?
chantilly.

+ O que voc? quis e n?o conseguiu?
pesar 55 quilos de novo.

+ O que voc? fez no seu anivers?rio?
fui comer roast lamb com o british boy e a sogra no country pub mais lindo de jersey.

+ O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
jersey.

+ Como descreveria seu modo de se vestir em 2003?
sobretudos de l? (frio!), meias coloridas e botas. um estilo chique-mendiga de ser.

+ O que manteve a sua sanidade?
minha gata e meus hobbies.

+ Qual celebridade voc? mais admirou?
sei l?. a rainha da inglaterra.
sinceramente, espero que essa obsess?o do planeta com celebridades med?ocres d? uma boa arrefecida em 2008. fodam-se amys, britneys, nicoles, lindsays e paris, fodam-se suas vidinhas vazias, seus faux pas ensaiados e seus esc?ndalos roteirizados, fodam-se os perez hiltons e superficials. vamos prestar mais aten??o em quem nos rodeia e ?, de fato, importante em nossas vidas. se ? pra se espelhar em algu?m, que seja em algu?m com talento e compaix?o genu?na pelos seus semelhantes.

+ Qual epis?dio da pol?tica que te deixou mais puto?
a pol?tica n?o me deixa mais puta faz teeeempo.

+ De quem sentiu falta?
as pessoas que querem estar na minha vida, se esfor?am para manter-se nela, mesmo com a dist?ncia. eu fa?o o mesmo. quem n?o se esfor?a n?o merece o meu esfor?o, tampouco a minha saudade.

+ Quem foi a pessoa mais legal que voc? conheceu?
reencontrei pessoas na internet, conheci as meninas do f?rum de dolls, a alem?zinha anna aqui em hannover… n?o posso escolher uma s?. :)

+ Diga uma li??o valorosa que aprendeu em 2007:
s?o duas:
1. seja mais ego?sta e pare de oferecer a outra face: voc? n?o ? jesus cristo.
2. existe quem mere?a a outra face. e uma m?o estendida, nem que seja para levar um tapa tamb?m e acordar para a vida.

merry christmas
Escrito em diário de bordo, Dezembro 24, 2007 @ 10:22

estamos em amsterdam!!
o tempo hoje estava nubladissimo, luz pessima, entao nenhuma das minhas fotos prestou.
mas andamos pela cidade, fizemos uma tour de barco pelos canais, visitamos o casa-museu-esconderijo da anne frank, comemos um english breakfast horrivel e comprei tamanquinhos de madeira minusculos.

passando por aqui para, mesmo sem acentos, desejar a todo mundo um FELIZ NATAL!
porque pode ate ser uma data cafona, consumista, hipocrita… mas qualquer data que nos traga a oportunidade de comer, beber, festejar (com ou sem presentes) e estar com as pessoas que realmente importam, merece ser celebrada - seja voce cristao or not. entao, pelo menos por hoje, aguente as musiquinhas bregas, nao reclame das rabanadas, ignore a tia chata perguntando “mas quando eh que voce vai casar, menina?” e agradeca por estar junto dos seus, por estar com saude, por estar vivo.

(e agradeca pela skol gelada. por favor)

e agora eu vou ali que tem um snowball delicioso me esperando.
ate breve!

paris no celular.
Escrito em diário de bordo, fotos, Novembro 21, 2007 @ 12:29

nosso primeiro dia em paris nesse outono, chegamos cedo demais e n?o pudemos fazer check in. ele entrou num t?xi e foi encontrar um cliente; eu fiquei jogada na rua, com fome e sem dinheiro, sem poder sequer entrar no quarto do hotel (”check in somente a partir das dez da manh?, senhora”). mas porra, SORRIA LOLLA MOON, tu t? em paris, joselita. quem precisa de comida e dinheiro pra metr?? pratique o desapego dessas coisas mundanas, etc.

e, convenhamos, ? um sinal dos deuses quando a mocinha da recep??o, ao perceber que n?o est? sendo compreendida, sorri e diz “desculpe o meu sotaque franc?s”. captou? uma parisiense se desculpando pelo pr?prio sotaque. paris est? mudando. h? 20 anos atr?s, se voc? chegasse ali sem falar franc?s, era capaz de os m?dicos te recusarem num pronto socorro, mesmo que sua cabe?a estivesse a 20 metros do corpo.

joguei as malas no arm?rio da concierge e sa? para caminhar, me esquecendo de que a c?mera estava dentro de uma delas. well, nessas horas, sempre posso contar com o meu sony ericsson w800. ;)





pen?ltima foto - zoom digital. completamente in?til, mas era a minha ?nica op??o.
?ltima foto - sim, ? o meu dedo na frente da lente. n?o deu pra compor, tive que correr; o tr?fico tinha acabado de abrir.

basicamente andei de saint germain de pr?s at? o arco do triunfo, passando pelo louvre e pelos jardins des tuileries (j? bastante “pelado” nessa ?poca do ano). minhas pernas derreteram e eu quase tive que ir rodar bolsinha no pigalle para pagar o metr? da volta.

p?re lachaise
Escrito em diário de bordo, Novembro 19, 2007 @ 08:06

o cemit?rio de p?re lachaise ? o maior de paris e uma esp?cie de “beverly hills do al?m”. na entrada voc? fatalmente vai atropelar uma mocinha ou b?bado vendendo mapas do cemit?rio e uma lida r?pida vai te deixar com dor de cabe?a ao seguir com os olhos tantos n?meros microsc?picos e boquiaberto com a quantidade de ilustres “plantados” no local.

bonito, n?o ?. brompton, em londres, ? muito mais interessante do ponto de vista arquitet?nico (e tem mais anjinhos, yay!), por?m bem mais modesto quanto ao n?mero de celebrities. fui ao p?re lachaise porque gosto de cemit?rios, n?o exatamente para fazer “dead spotting” - mas ? dif?cil segurar o impulso de sair catando tumbas famosas como as de jim morrison, balzac, maria callas, edith piaf, isadora duncan, bizet, delacroix, proust, chopin, allan kardec, sarah bernhardt e oscar wilde, sem mencionar v?rios monumentos erigidos ?s v?timas dos campos de concentra??o nazistas.

as est?tuas acima n?o s?o “famosas”, mas s?o lindas.
queria muito ter achado a tumba do victor noir, um jornalista parisiense que comprou briga com cachorro grande e acabou morto, ?s v?speras de seu casamento, por pierre bonaparte (sobrinho do napole?o). a sepultura traz uma est?tua do morto em tamanho natural, como se ca?do no ch?o depois do tiro, com uma interessante protuber?ncia sob as cal?as. reza a lenda que beijar os l?bios da est?tua, deixar flores em seu chap?u e, principalmente dar uma, “esfregadinha” no instrumento do victor garante fertilidade, sorte no amor, uma vida sexual satisfat?ria e at? um marido. n?o foi ? toa que a mulherada passou a fazer romaria e esfregaram tanto o bilau da est?tua a ponto de deix?-lo gasto. pobre victor - aposto que o pingolim dele n?o viu tanto movimento assim enquanto ele estava vivo; ironias do destino.

depois de levar o british boy para fotografar a sepultura de ettore bugatti (esse espa?o na frente parece uma “vaga” - tenho certeza que d? pra estacionar um bugatti ali!), fomos procurar a de wilde. at? bonita, mas como foi constru?da em 1922 ? meio “moderninha” e sem muito a ver com o velho oscar, na minha opini?o.

mas sabe o que ? vergonha alheia? vou te contar:

porque erro de grafia/gramatical ? uma coisa completamente aceit?vel.
mas erro de grafia na tumba do OSCAR WILDE, escrito com BATOM, em letras GARRAFAIS e ainda se declarar brasileiro, N?O, sabe.

depois de mais de duas horas de caminhada e subida de ladeiras e escadarias, precis?vamos repor as energias. encontramos um pequeno restaurante chamado renaissance (bastante apropriado) na primeira esquina ? direita da entrada do cemit?rio. o lugar ? todo decorado com memorabillia do jim morrison* (at? o faxineiro se parece com ele e tem cara de roadie de banda de rock dos anos 70) e conta com um dos menus entrada + prato/prato + sobremesa mais barato que vimos em paris: oito euros. a cerveja tamb?m ? em conta (depois de ter pago seis euros numa cerva pequena no metid?ssimo a besta le deux magots, foi um al?vio pagar 3 euros por meio litro de gelada. :)

* em certa ocasi?o, jim morrison passou v?rias horas visitando o cemit?rio de p?re lachaise acompanhado de um amigo, e disse que gostaria de ser enterrado ali. seu desejo se tornou realidade no dia 7 de julho de 1971, cerca de uma semana depois dessa visita.

Ho Ho Ho.
Escrito em diário de bordo, reminiscências, vida, Dezembro 2, 2004 @ 06:09

Ontem ? noite fomos medir os c?modos da casa, para que possamos comprar os m?veis no Brasil. Vi as primeiras casas iluminadas. A maioria de gosto question?vel. Sou contra entupir resid?ncias de luzes multicoloridas piscantes, tren?s, renas. Casa ? casa. Shopping center ? OUTRA coisa.

Enfim. Natal. Dentro de alguns dias, olha Santa Claus a?, gente.
Eu amava Natal, quando pequena. Os cheiros vindos da cozinha me acordavam primeiro o nariz, depois as gl?ndulas salivares, e s? depois, bem depois, o c?rebro (?, ele sempre foi meio pregui?oso). Minha m?e j? estressada ?s oito e meia da manh? porque o p?o de rabanada havia esgotado na padaria. E d?-lhe abrir latinhas de leite condensado e eu a lamber todas. E os desenhos natalinos na sess?o da tarde, os especiais que todos os programas faziam, tudo era t?o “natal” que n?o tinha como n?o se deixar envolver pelo clima. At? hoje me lembro do desenho de um burrinho que passou na noite de um certo natal, t?o lindo que inundou a retina. E a anima??o de “Rudolph, a rena de nariz vermelho”, um cl?ssico da minha inf?ncia?

Ent?o comecei a notar que o Natal das fam?lias dos comerciais do peru Sadia e do pernil Perdig?o eram grandes, a ?rvore de Natal era enorme, a mesa farta, as crian?as impecavelmente vestidas tinham sorrisos pregados no rosto. Meu natal era, invariavelmente, representado pelos mesmos personagens: eu, meu pai e minha m?e. Nada de tios, priminhos, vov?s… Fam?lia desunida ? assim mesmo. E honestamente, melhor que assim fosse. A fam?lia do meu pai ? extremamente hip?crita, deus me livre de t?-los ? mesa. A da minha m?e ? pobre, nunca tive muito contato com eles, e nos raros encontros que tivemos sempre fui tratada como um “bicho raro”, o que muito me agoniava.

Depois minha m?e separou-se do meu pai e foi embora de casa num dia 23 de Dezembro. Eu estava assistindo a um programa vespertino, ela arrumava chorosa as poucas coisas que levou. Ao se despedir de mim, imersa em l?grimas e culpa, deixando claro que “a mam?e n?o est? te abandonando, filha, vou vir te ver quase todos os dias“, eu respondi com um tchau meio distra?do e sequer fui lev?-la no port?o. Na ?poca me pareceu normal, a atitude. Mas hoje vejo que foi estranh?ssimo esse meu desapego. Estrat?gia de prote??o? De qualquer forma, lamento muito por isso. Lamento por tanta coisa, m?e…

Um Natal feliz foi quando meus pais fizeram um buraco na cerca do jardim para dizer que havia sido o papai noel que havia aberto com um alicate, para poder passar com o tren?… Haha. E o mais bacana foi o circo que eles armaram uns dois dias antes, com meu pai reclamando que “algu?m havia roubado a caixa de ferramentas dele”; o que me causou enorme desgosto, porque eu sempre adorei brincar no meio dos martelos, pregos, parafusos e porcas… v? entender crian?a, v?. E na manh? de natal, junto com o meu presente (um boneco que tinha pipi, fazia pipi e vinha com um penico… Mas claro que eu amei, afinal, foi o que eu havia pedido), apareceu a caixa de volta, porque “papai noel ? honesto, pegou as ferramentas que precisava mas devolveu!”. Ai…

No ano seguinte eu briguei com uma coleguinha mais velha perto do Natal e ela, crente que ia me matar de tristeza, berrou a plenos pulm?es: “bobona, Papai Noel n?o existe!”. E eu, que sempre havia desconfiado mesmo quando acreditava piamente, apenas sorri e disse “eu j? sabia”.

Crian?a blas?…


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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