saturday night fever.
Escrito em diariamente, fotos, humor observacional, Julho 21, 2008 @ 15:08

Dercy morreu!! Viva a Dercy!!
Ent?o ela n?o ficou pra semente. E, se nem ela ficou, perdi as esperan?as.

No s?bado de manh? a Marlene picou mula da Ilha de Tr?s Pontos. Fiquei at? com invejinha. Mesmo n?o fazendo id?ia de como seja M?laga. E talvez nunca venha a fazer porque, j? que o marid?n dela foi junto, duvido que eu tenha coragem de ir visit?-la, a menos que me hospede noutro lugar. Mas ser? que ele vai DEIXAR ela sair comigo? Boa pergunta.
?, acho que aquela ali eu n?o vejo mais.

Claro que voltar pra Cubanacan ela n?o volta. Nem ? idiota. Cubanacan ? uma fofura ao avesso, com seus carrinhos e pr?dios caindo aos peda?os. Isso podia mudar, se eles topassem largar o osso. Ator de novela da Grobo adora pra ir l? e dizer que ? lindo, que a pobreza ? linda, que os EUA s?o o capeta por n?o fazer neg?cio com Cubanacan, tadinhos, porque eles s?o marrons, pobres, mas s?o limpinhos - e, assim como todos os de alma pura, tamb?m odeiam os capetas americanos. Aquelas bombinhas de festa junina que eles tinham apontadas pro Tio Sam eram mero detalhe. Tadinhos. Quando a fonte secou, gritaram pra Am?rica: “Queremos destruir o seu sistema. Mas queremos o seu dinheiro, tamb?m”. N?o sei quanto a voc?s, mas eu n?o emprestaria grana a quem vai us?-la pra comprar uma carabina e apont?-la pra minha cabe?a. Por mais limpinhos que sejam.

S?bado fui nutrir-me do english breakfast do Driftwood. T? certo que ? perto de casa, o lugar ? lindo, tranquilo e a comida ? boa, mas vou dar um tempo. Os gar?ons s? n?o me conhecem pelo nome porque eles nunca ficam mais do que uma semana trabalhando ali (as gorjetas devem ser p?ssimas… A julgar pelas minhas, ent?o, devem ser inexistentes).

Fui pra cidade comprar livros. Sr. Marido passou mais de uma hora na Waterstone’s, enquanto eu, no segundo andar, dava gritinhos hist?ricos diante de um livro de Gothic Lolitas. 16 libras. Meio carinho pros meus padr?es pata-de-porco; mas daqui a pouco eu entro num clima L’Oreal e vou l? comprar a porcaria do livro, “porque eu mere?o”. Ele achou pra mim na WHSmith o The History of Love, da Nicole Krauss, do qual o povo vive postando trechinhos nas comunidades de literatura do Livejournal.

Depois fomos pro cemit?rio de Grouville. PROGRAM?O, hein? Poiz?. This is Jersey, peoples. Wohoo.

Passei na Moon and Sixpence atr?s de porta-retratos pequeninos mas s? achei um. Tamb?m comprei pro marido uma caneca do Edward Monkton (que eu adoro) porque n?, como resistir ao Porco da Felicidade?? Afinal, ele ? T?O feliz! E existe para nos lembrar de que a vida est? cheia de coisas que nos fazem felizes . Inclusive canecas do Edward Monkton.

No verso da caneca: “May his JOYFUL SMILE remind us how much there is to be happy about”. Indeed there is. S? falta eu descobrir exatamente o qu?.

Cerveja da tarde no Victoria in the Valley, porque o dia estava bonito demais pra ficar sentada em casa assistindo reprises de Top Gear.

A cerveja do Vic in The Valley ? uma merda e a menina que serve no balc?o parece estar constantemente drogada/b?bada/em coma. Mas o lugar ? t?o, mas t?o bonito que compensa qualquer outra coisa. Fica na rota do aeroporto, ent?o ? legal pra fazer “plane spotting”, tamb?m.

A galera na casa ao lado do pub estava queimando uma carne (observe a fuma?a na foto acima ? esquerda) que, ao julgar pelo cheiro, parecia ser de cachorro. Crueldade. Deviam assar a gar?onete do Vic. Enche a barriga e d? barato ao mesmo tempo. E depois, ela tem cara de quem bebe tanto que a carne j? deve vir marinada; s? falta salgar.

? noite arrastei um British Boy nada cooperativo pro tal do “Rock Bar”. N?o sei se o “rock” do nome se referia ao estilo musical ou se ao fato de o bar estar em cima de uma pedra (a ilha). Mas a decora??o com guitarras e quotes do Pink Floyd, Beatles, Bowie e Pearl Jam (?) pelas paredes (a MESMA do Chicago Rock Caf?, que antes ocupava aquele espa?o) me tirou a d?vida. E trouxe OUTRA: me explica, NAONDE que um lugar que toca Shania Twain, Pink, Hanson, Jackson Five, Whitney Houston e similares teria a OUSADIA de se intitular “Rock” Qualquer coisa?
Adivinhou. Em JERSEY, ? claro.

Meninas vestidas de “joaninhas”, polonesas seminuas se esfregando nos poucos homens dispon?veis, uma garota que dan?ava com os p?s colados no ch?o. N?o entendo a raz?o de SEMPRE haver gente fantasiada de alguma coisa, na noite. Era a mesma coisa em Hannover, mas como as mo?as eram mais velhas, eu supus que se tratava de despedida de solteira… Mas em Jersey s? tem adolescente pagando esses micos. Al?m das joaninhas, havia meninas vestidas de pirata, de fada, de puta (ops, essas n?o estavam fantasiadas, n?o…) e um man? dentro de uma caixa met?lica, com a cabe?a e os membros (bra?os e pernas, meu povo; nada al?m disso) pra fora.

? impressionante: na pista s? tem mulher. E elas dan?am, assim, como dizer? Com abandono. Fora a menina que se sacudia toda sem tirar os p?s do ch?o (ela parecia aqueles brinquedos onde a gente aperta o fundo, o el?stico do bichinho em cima afrouxa e ele se mexe, mas sempre com os p?s no mesmo lugar). Os homens, como bons ingleses, s?o “t?midos” demais pra se juntar a elas ou puxar alguma pelo bra?o, e ficam rodeando a pista, cervejas na m?o e caras de bunda. Meu Deus, mas que homarada insossa… Ser mulher na terra da Lilibeth n?o ? f?cil. Ali?s, Lilibeth herself espertamente casou-se com um h?brido de alem?o com dinamarqu?s. ?s vezes acho que as inglesas s?o assim t?o, erm, “atiradas”, por um bom motivo: se elas resolverem bancar as t?midas tamb?m, ningu?m faz sexo nesse pa?s.

Ent?o, antes de sair pra night, elas capricham na ?gua oxigenada, se entopem de vodka barata, se enfiam na minissaia de guerra (meio cent?metro mais comprida que o cinto), entoam o hino nacional e se convencem de que est?o salvando a anglo-sax?nia da extin??o. You go, girls!

Mas olha s?, chuchus: os modelitos n?o est?o, exatamente, ajudando. Sapato de salto branco? Bota de pele de coelho em pleno ver?o? Cal?a de xadrez? Short, bon? e colete no melhor estilo “tchuchuca de favela”? S? faltou o salto de acr?lico ou as correntes de platina barata. Ajudava menos ainda o fato de o tel?o estar exibindo os desfiles do Rio Fashion Week, cheios de meninas altas, chiques, com cabelos naturais e saud?veis, nada dessas palhas oxigenadas e ralas, duras de chapinha que a gente encontra por aqui. Mais uma vez me dei conta: meu deus, que gente cafona. S?rio. Esse pessoal devia desistir. Eles n?o t?m salva??o.

A menina de salto branco, vestido-bata branco (??) tr?s metros e meio de altura e quinze quilos de peito joga a bolsa na nossa mesa e se encaminha pro banheiro. Ser? que ela se deu conta de que, com aquelas tetas e aquele vestido, ela estava parecendo gr?vida? Poucas chances de arrumar um peguete nesse estado interessante, gata.

Cinco minutos depois ela volta pra pegar a bolsa, e ao se debru?ar eu percebo que ela deve ter acabado com o estoque de silicone do hospital no dia em que p?s os implantes. ? o tipo da mulher que nem precisa de airbag no carro e tal. Penso alto em portugu?s: “Minha filha, toma cuidado a? porque se esse neg?cio explodir voc? vai estragar o meu Mojito!”. British Boy entende 50% da senten?a e cai na gargalhada. A girafa peituda me encara e diz “sorry?”, eu respondo “nevermind” e tenho que esperar at? ela virar as costas para afundar a cara no meu pratinho de anchovas e rir.

wedding bells.
Escrito em humor observacional, inglaterra, Junho 16, 2008 @ 08:14

os jornais, tev?s e revistas brit?nicas s? falam no casamento de 5 milh?es de libras (dez milh?es de d?lares…) do jogador de futebol wayne rooney e sua namorada “viciada em shopping” coleen mcloughlin. somente o vestido de coleen custou 200 mil libras, e mais 80 mil para levar coleen e sua mam?e em v?rias viagens london - new york para as sess?es de prova.

? evidente que a rea??o inicial ? achar rid?culo e desnecess?rio. mas, se levarmos em conta que uma revista de fofoca brit?nica pagou mais da metade desse valor pelos direitos exclusivos de fotografar a cerim?nia (numa vila na riviera italiana) + o sal?rio astron?mico do wayne + a fortuninha paralela que a pr?pria coleen j? conseguiu amealhar em contratos de publicidade pelo simples fato de ser a namoradinha do craque… nem ? tanto assim, meu povo.

e quem diz isso sou eu, que nem vestido de noiva quis ter. me casei no civil, vestida 90% de preto, com meias el?sticas 3/4 emprestadas do noivo e cal?ando doc martens com fivela de caveira comprados num camel? em camden lock market.

tamb?m fiz quest?o de esnobar “anel de noivado”. nunca gostei de j?ias, n?o vejo beleza o suficiente nelas para justificar o pre?o e n?o frequento ocasi?es formais/black tie onde haveria raz?o para us?-las (e, se frequentasse, talvez preferisse j?ias falsas). reza a lenda que a ex-noiva do british boy RECUSOU o primeiro anel de noivado que ganhou dele, alegando que a pedra era “pequena demais” e “o que as minhas amigas v?o pensar de voc?”. me senti muito feliz em poder poup?-lo de novas visitas ao joalheiro.

compramos as nossas alian?as na rua da alf?ndega, l? no rio, por um precinho super camarada feito por um vendedor que foi com a nossa cara. e, por falar em cara, a de felicidade que o british boy fez ao colocar nossas alian?as me ? bem mais preciosa do que qualquer diamante.

o que n?o significa de maneira alguma que eu ache que as pessoas que POSSAM pagar uma fortuna por um casamento n?o devam faz?-lo. s? acho que o valor m?dio de um casamento aqui no reino unido (20 mil libras) ? ABSURDO em se levando em conta que a maioria das pessoas n?o pode arcar com essa despesa e o faz somente para impressionar terceiros.

seguinte: a conta banc?ria est? mais azul do que o mar do caribe e voc? t? podendo pagar o equivalente ao PIB anual de um pa?s em desenvolvimento por um dia de princesa porque voc? quer? go ahead and enjoy it. mas, se vai ter que pedir grana emprestada no banco, atrasar o pagamento da hipoteca da casa e vender a m?e no ebay s? para que o seu casamento impressione os vizinhos e seja mais luxuoso do que o da sua prima… hora de pensar duas vezes.

mesma coisa vale pro pessoal que ficou abismado com o consumismo desenfreado que permeia o filme SATC e desandou a se indignar, dizendo que “preferem gastar seu rico dinheirinho em coisas mais importantes que bolsas da LV.” deixando de lado o fato de que a Vuitton que a Carrie d? de presente para a sua personal assistant ? de fato horrenda… eu me pergunto, no qu? essas cultas meninas gastam dinheiro, ent?o? livros de filosofia aplicada, pol?tica internacional e f?sica qu?ntica?? haha, a arrog?ncia desse povo me diverte; s? n?o me engana. ser? que essas mo?oilas, t?o eruditas e intelectuais, nunca na vida fizeram algo por simples PRAZER? e, se n?o fazem (o que muito duvido), mas que vidinha cinza, pesada e sem gra?a, hein?

sei que muita gente deve achar obscena a quantidade de dinheiro que gasto com as minhas dolls. j? cheguei a ouvir algu?m insinuar aqui que, com essa grana, eu “deveria estar ajudando a uma crian?a do meu pa?s miser?vel”. nem vou perder tempo explicando o quanto essa sugest?o ? asinina; prefiro justificar meu hobby pelas incont?veis horas de alegria que ele me proporciona, por produzir imagens bonitas que alegram o dia das pessoas (alegram tanto que j? achei uns 30 perfis falsos no orkut usando fotos das minhas bonecas… acho fofo) e s?. a quem n?o gostar, sugiro que comece a doar metade do pr?prio sal?rio pra caridade e shut the fuck up.

e j? que todo mundo est? fazendo… eu e o british boy:

na verdade, nenhum dos dois ficou muito parecido; meu tom de pele n?o foi encontrado, nem o tom loiro escuro do cabelo dele (esse boneco est? mais pra loiro-sujo). a parte fofa ? que eu tenho exatamente essa camiseta e esses brincos no meu arm?rio, e ele uma camisa na mesma padronagem.

agora deixa eu voltar pro livro (imenso) que estou lendo sobre o antigo imp?rio brit?nico, porque n?o ? s? de internet, bonecos virtuais e bolsas da chanel que meus 2,5 neur?nios vivem. ;)

just because it’s friday.
Escrito em humor observacional, inglaterra, Abril 25, 2008 @ 10:18

SEXta-feira, sol brilhando, os locutores do r?dio irritantemente perguntando a toda hora algo do naipe de “qual? a boa do fim de semana” (e depois ainda me perguntam por QUE eu gostaria que os locutores ingleses fossem afogados no t?misa e substitu?dos por um ipod gigante…) e as amiga tudo planejando uma girls-night-out. e, senhores, eu tenho MEDO.

girls-night-out geralmente se traduzem numa oportunidade totalmente “imperd?vel” pra se passar uma noite em p?, suando em bicas, num lugarzinho claustrof?bico, sem ventila??o, bebendo cerveja quente ou de m? qualidade, ouvindo m?sica ruim num volume alto demais e cercada de gente feia - yeah, porque eu n?o partilho dessa muy difundida no??o de que basta ser loiro e ter olho azul pra ser bonito. a ?nica gra?a seria poder me sentar numa mesa num lugar mais afastado, fazer um people watch de meia hora, tomar uns drinks (e torcer para o puto do bar ser menos m?o-de-vaca na hora de despejar a vodka na coqueteleira) e rir daquelas senhoras que parecem ter destru?do uma cortina totalmente aceit?vel para enrolar na cintura antes de sair de casa OU daquelas mocinhas que aprenderam a ser elegantes lendo revistas de celebridade.

fofinha, toma nota: se voc? acha que o segredo para “ser algu?m na night” t? no final da equa??o cabelo platinum blonde + tr?s horas de chapinha + bronzeamento artificial na cor “cenoura at?mica” + trinta quilos de maquiagem, incluindo “glitter para o corpo”, batom “perolado” e sombra combinando com a cor da blusa + argola tamanho “bambol? de elefante” + decote at? o umbigo + mini-micro-rid?cula saia jeans + sapato (forrado no mesmo tecido da blusa) com salto “empire state building” + bolsa-miniatura da guess (aut?ntica) ou dolce & gabbana (aut?ntica, mas comprada no ebay de uma vadia que torra os presentes que ganha do amante casado pra comprar p?) ou ainda versace (falsa)… YOU’RE DOING IT WRONG.

saca s? o charme, a malemol?ncia e o gingado da mulher inglesa (fotos de jornal, portanto em baixa resolu??o; mas a coisa j? ? assustadora o bastante assim, acredite):

observe que esse tipo de coisa acontece ? luz do dia e na frente de crian?as.
s?rio, fashion police ? pouco; pra essas da? ? fashion batalh?o-de-choque.

gatas, lhes dedico um gal?o de simancol e uma assinatura da vogue - a FRANCESA…
e espero que o calor das pranchas/babyliss derretam o que restou dos vossos miolos.


anna wintour, n?o olhe agora, mas…

p.s.: e, j? que estamos nisso, dedico o mesmo ? gwen stephanie e ? kylie minogue (mas na goodie bag delas incluirei tamb?m um vale-desconto para aulas de canto + um bilhete s? de ida para a sib?ria).

das pessoas. e paris.
Escrito em diário de bordo, humor observacional, Fevereiro 25, 2008 @ 18:35

paris, outono de 2007.
eu batia perna a esmo pela champs-?lys?es (andei do boulevard saint-germain at? l?) e, cansada, resolvi me sentar num banco para dar um refresco aos p?s, enquanto me divertia observando os turistas hilbillies americanos tendo ataques diante das vitrines suntuosas, decoradas com pequenas obras-primas de couro pousadas sobre stands de vidro. depois de alguns minutos fazendo a convers?o euro/d?lar, a rea??o era invariavelmente a mesma: “800 hundred dollah?? i ain’t g?t no 800 dollah to pay for th?!!! ?re they ?ut of their m??ins?“. uns amores. e co-ber-tos de raz?o.

enfim. saindo de um mcdonald’s, um grupo de turistas brasileiros. tr?s rapazes e uma mo?a, cerca de 20-25 primaveras, roupas inapropriadas (casacos demais e nem estava fazendo tanto frio assim), vozes altas, sotaque cari???aca. n?o prestei aten??o, mas descansada j? estava e me pus a andar na dire??o dos tuileries. eis que de repente ou?o vozes em portugu?s de pessoas que caminhavam atr?s de mim - sim, eram eles. e o di?logo, mais ou menos esse:

- aquela ali n?o ? francesa meeeeeixmo!
- como ? que voc? sabe?
- muito mal vestida! (ai, lolla moon, voc?, seu vestidinho jaeger, sua bota prada-comprada-no-brech? e sua bolsa saint laurent marks & spencer podiam ter dormido sem essa!)
- deve ser argelina, ent?o, haha!
- eu n?o acho! tem cara de… indiana! (pelo visto n?o s? os paquistaneses de londres me acham com cara de comedora de poppadom)
- ? indiana sim, deve ter vindo l? de bangladesh (oi, te dou uma aula de geografia moderna? tipo, AGORA??)
- n?o, na ?ndia eles passam fome, ela est? muito gorda pra ser indiana! (UI)
- erm, gente, vamos falar baixo por favor? vai que a mulher entende portugu?s ou ? brasileira?

era a minha deixa, n??
me virei, abri um sorris?o, fiz sinal de joinha e disse: “BINGO!”

a CARA que eles fizeram valeu cada “insulto”.

torre da igreja de saint-germain-des-pr?s (o bairro onde ficamos) ? noite + minha humilde sacolinha da ladur?e - no fundo uma padaria metida a besta. paguei caro pela caixinha de macaroons s? para descobrir que os que comprei em chartres, por uma fra??o do pre?o, eram bem melhores.

a famosa (e super fotografada) escadaria da catedral de sacr?-coeur em montmartre. e a torre ?bvia fotografada do jardim des tuileries.

no quartier latin n?o deixe de ir tomar uma caipirinha nesse bar (foto ? esquerda). n?o me lembro o nome (f?cil de achar, porque toca salsa e ritmos latinos e d? pra ouvir do lado de fora), mas serve a caipirinha mais barata do bairro durante o dia. quando anoitece o pre?o vai nas alturas, como sempre, mas o lugar enche de gente de todas as nacionalidades. os gar?ons s?o meio idiotas, mas em se tratando de paris, antes idiota do que mal educado. ? direita, a decora??o natalina da galeria lafayette.

fotos nada a ver: o banheiro do hotel, com uma janela enorme que me fazia perguntar, “ser? que o vizinho est? vendo a minha bunda?” e o menu do “boteco de luxo” chamado les deux magots, onde o pre?o da comida ? inversamente proporcional ? qualidade do servi?o. ou seja, espere vender um f?gado para pagar a conta de duas cervejas pequenas, e ser ignorado durante todo o tempo. c’est paris, mon amis.

a famosa place des vosges, tida e havida como o quadril?tero mais belo da cidade, mas que eu achei meio sem gra?a. FAIL. e a vista que eu tinha do banheiro do hotel.

est? vendo aquela janelinha ali? pois ?. tenho certeza de que eles viram o meu traseiro.
e devo me dar por feliz, j? que n?o me mandaram a conta do psic?logo.

reencontros e recome?os.
Escrito em diário de bordo, humor observacional, vida, Janeiro 24, 2008 @ 05:38

chegamos em casa na ter?a ? noite. dev?amos ter chegado na segunda, mas o mau tempo no canal da mancha fez com que os barcos fossem cancelados. ou seja, ganhamos um dia extra na cidadezinha de albert, que fica na regi?o do somme, famosa pelas batalhas da primeira guerra mundial.

e claro, como 99% dos ingleses adultos s?o fan?ticos por guerras, eu peregrinei, sob frio e ventos cortantes, atrav?s de campos de batalhas, monumentos para os mortos que nunca foram encontrados, para os mortos que foram encontrados, 383254810976 mini cemit?rios de guerra, museus no estilo “viu um, viu todos”, decifrei mapas em busca de crateras de bombas, enfim… voc? entendeu. ganhei um resfriado e dor nas pernas, mas o british boy estava feliz feito pinto no lixo e eu ? que n?o vou estragar o deleite alheio… atchim!!

e agora, da s?rie coisas com que voc? pode contar na fran?a:

1. os motoristas V?O dirigir mal. n?o interessa se voc? est? na cidade ou no countryside, no centro de paris ou nos cafund?s de algum pays desabitado; eles v?o ultrapassar onde n?o devem, v?o dirigir a 30cm da sua traseira e v?o fazer gestos obscenos pelo vidro do carro quando passarem por voc?. e, claro, seu respectivo ingl?s VAI resmungar um “BLOODY FUCKING FROG”.

2. as mulheres francesas V?O vestir preto da cabe?a aos p?s, ter?o aquele arzinho de fragilidade estudada, no estilo “me proteja, eu sou apenas uma mulher” (but i do fuck like a rabbit) e jogar?o charme em cima dos homens dispon?veis (e, sejamos justos, dos indispon?veis tamb?m) num raio de 45 quil?metros - ou mais, se houver internet por perto.

3. a carne servida nos restaurantes ser? SEMPRE crua. siga a tabela: se voc? quer o seu bife m?dio, pe?a bem passado. se quiser bem passado, pe?a torrado. se quiser mal passado e pedir por isso, tenha confian?a de que seu bife mal ser? apresentado ? frigideira e ser? despejado no seu prato praticamente mugindo, mais sangrento do que um passeio de ?nibus na palestina.

4. o caf? da manh? franc?s ? o equivalente culin?rio da express?o “glicose na veia”. p?o doce, gel?ia doce, bolos, biscoitos, sucos… ou seja, o inferno de atkins. isso tudo vai chutar a sua curva glic?mica acima da torre eiffel e, quando ela cair, sua fome ser? bastante para devorar vinte quilos de foie gras, pouco se fodendo para os pobres gansos. ta? a raz?o pela qual os franceses sempre tiveram uma performance t?o p?fia nas grandes guerras: ? imposs?vel encarar uma trincheira com um croissant no est?mago, mon ch?r. breakfast decente, com “sustan?a”, tem ovos, bacon e sausage.

5. os franceses jamais ir?o retirar a decora??o de natal das casas, lojas e restaurantes antes que janeiro termine. os mais tradicionalistas v?o deixar a ?rvore de natal armada (com as luzes piscando), a guirlanda na porta, o papai noel escalando as janelas e similares at? meados de fevereiro. eles fazem quest?o de deixar as renas e bonecos de neve nas vitrines das lojas e a decora??o de rua dependurada nos postes. acho que eles confundem “decora??o de natal” com “decora??o de inverno”. quando chegar o ver?o e a neve falsa em cima da ?rvore de natal n?o fizer mais tanto sentido, eles guardam tudo. ou ent?o deixam tudo j? montado, prontinho para o pr?ximo natal.

enfim, tamo em casa.
tenho passado meus dias desencaixotando coisas, mas ainda tenho que desencaixotar muitas mais e reencontrar os lugares de onde elas sa?ram h? muitos meses quando, assim como eu, foram arrancadas de suas rotinazinhas e levadas para um longo passeio no continente.

mas tamb?m tenho passado os dias dando gritinhos viados ao redescobrir coisas simples, como a vista do meu banheiro azulzinho, com vaquinhas pastando na chuva. como o meu chuveiro COM!?GUA!QUENTE! e a pia enorme da cozinha, onde posso lavar pratos sem ter que lavar o ch?o ao mesmo tempo. como o slogan da minha r?dio favorita. como achar uma pilha de dvds entregue pelo carteiro. como os livros que n?o havia tido tempo de ler, me esperando na estante. como o meu sof?, velho, rasgado e cafona, mas extremamente macio e confort?vel (t?o mais aconchegante do que aquela porcaria modernosa, dura e fria do apartamento na alemanha). como as minhas revistas favoritas escritas num idioma que eu entendo. como esbarrar nas pessoas e ouvir um imediato “sorry!” (estou quase esbarrando de prop?sito, s? para ouvir os ingleses sendo mecanicamente educados).

estamos todos bem, a maluca est? gorda e j? comi meu primeiro sandu?che de bacon de verdade, em comemora??o ao retorno ao lar.
? poss?vel que em um m?s ou dois eu visite novamente a fam?lia (marido e gata) que ficar? na alemanha, mas por ora, eu s? quero desempacotar minhas tralhas, me atirar nesse sof? e terminar de ler a country living magazine desse m?s.

at? j?.

a scattering of things
Escrito em alemanha, humor observacional, vida, Janeiro 19, 2008 @ 15:17

sim, eu sumi. mas ? por estar ocupad?ssima - estou de mudan?a. hoje ? a minha ?ltima noite na terra da salsicha, pelo menos pelos pr?ximos 30 dias. cansei, enjoei, irritei. quero minha casa, minha BBC, minha assinatura da revista country living, minha caminha e minhas janelas com vista para o verde - e n?o para a vizinha obesa andando de suti? pela sala enquanto fala no celular ou para o camarada com cara de ped?filo que passa o dia inteiro olhando para a tela do computador com um sorriso estranho no rosto. *medo*

acabo de voltar da ikea. parece que TODAS as fam?lias de hannover olharam pela janela hoje cedo, deram de cara com a chuva e decidiram: “vamo lev? as crian?a tudo pra passear na ikea??”. porque, sinceramente. era uma mistura de p?tio de jardim de inf?ncia na hora do recreio + enfermaria infantil de hospital + creche para bipolares. gritos, choros, berros, correria, crian?a passando por cima do p?, crian?a derrubando displays no ch?o… fa?a a imagem do inferno de dante na sua cabe?a e creia em mim quando eu disser que era MIL vezes pior.

gostaria que essas fam?lias acordassem para o fato de que loja de departamentos n?o ? parquinho. as pessoas est?o l? para fazer decis?es e compras, n?o para aturar berreiro de pivete mal educado nem ser atropeladas por aqueles carrinhos de madeira infantis ri-d?-cu-los. levar a ninhada inteira pra “passear na ikea e almo?ar alm?ndega” ? passar atestado de pobre ainda mais evidente do que p?r bombril na antena da televis?o. simancol na veia, ok?

mas nem tudo ? pobrema, meu povo. fui ? saturn comprar um adaptador para poder ouvir meu ipod no r?dio do carro e dei de cara com um clone 30 vezes melhorado do jake gyllenhaal. para exemplificar, digo que o clone era lindo enquanto eu acho o jake feio. eu sou chat?ssima pra achar homem bonito; meu padr?o ? alto e incomum. mas HELLO BABY, voc? hoje fez at? parar de chover - literalmente.

quase vi uma patricinha virar pizza na rua, hoje. ch?o molhado, salto dez, sinal aberto, a energ?mena foi tentar atravessar correndo. ali?s, “correndo” ? modo de dizer - imagine aquele t?pico andar salta-pocinhas acelerado que essas mulheres desenvolveram para se locomover rapidamente em cima de dois palitos. resultado: levou um escorreg?o e se esborrachou na frente do carro, que parou a uns dez cent?metros da cabecinha loira sax?. mais meio mil?simo e ia voar c?rebro e chucrute pra todo lado. te dou uma dica, gatan? acenda uma vela em agradecimento ao seu anjo da guarda - e ao inventor dos freios ABS.

venho declarar meu nojinho por essas “cantoras” que gravam m?sicas chamando a aten??o para o seus “status de celebridade” (leia-se fergie em fergalicious, jennifer lopez em jenny from the block e, mais recente e desgra?adamente, britney spears em piece of me). essas furaram a fila do “eu me acho” e encheram tr?s sacolas cada. no caso da britney, ent?o, soa como o t?pico caso “levar problemas pessoais para o trabalho”. des?am do altarzinho, please. at? porque as “santas” s?o de barro, e se cairem l? de cima j? viu, n?.

encerro as transmiss?es alem?s por ora, crian?as. e hoje me peguei pensando que sinto uma nostalgia gostosa de todas as casas onde morei na vida, n?o importa onde, nem por quanto tempo. saudade da casa onde nasci e vivi meus primeiros anos, apesar de me lembrar t?o pouco. saudade absurda e v?vida da casa onde passei a inf?ncia e a adolesc?ncia. saudade da quitinete min?scula onde minha m?e foi morar com seu companheiro quando se separou do meu pai, e onde eu frequentemente a visitava. saudade do apartamento de dois quartos no mesmo pr?dio onde, depois de brigar com meu pai, fui morar com eles. saudades da linda casinha amarela que os dois compraram juntos e que quase perdemos quando ele foi morto… ?. barra. pesada.

saudades da cottage alugada, pequena por?m ador?vel, onde passei minhas duas primeiras temporadas em jersey e me apaixonei pelo anfitri?o. saudades da cottage gelada, com aquecimento deficiente, onde come?amos nossa vida juntos (enquanto a casa principal estava sendo restaurada) e onde dan?amos ao som do led zeppelin na cozinha no dia do nosso casamento. saudades da nossa casa, que reformamos juntos e onde h? um pouco de n?s dois em cada c?modo, em cada cor de tinta escolhida e em cada m?vel que trouxemos com sacrif?cio do brasil; da casa que se transformou junto conosco e que, com sorte, abrigar? nossos sonhos e planos pelas pr?ximas d?cadas. mas posso afirmar, com quase certeza, que n?o levarei saudades desse apartamento, nem dos meses que passei aqui. nunca, nem mesmo temporariamente, me senti realmente em casa.

?. amanh? bem cedo estarei voltando para a minha.
vou ali terminar de empacotar a vida; volto (e voltarei a ler todos voc?s) assim que humanamente poss?vel.

middle week random shit
Escrito em humor observacional, Janeiro 9, 2008 @ 07:15

I. o blog ficou offline ontem porque, segundo o suporte do servidor, algu?m estava promovendo um “ataque DOS” a um dos sites e eles estavam lutando contra o invasor. no final das contas, a frase “o que ? que eu tenho a ver com isso” me ocorre, mas bem, estamos de volta. desculpem o transtorno e paguem no caixa, por favor.

II. ? janeiro e pelos blog/fotologs todo mundo est? postando as fotos do ver?o.
sinto falta das cores. das luzes. dos cheiros. de sair ? noite com tempo quente.
mas dos 43 graus ? sombra durante o dia, n?o sinto falta, n?o.

III.three li’e birds
sa’ on my window

querida corinne bailey rae. PERCA ESSE SOTAQUE LONDRINO-PROLET?RIO-EASTENDERS DOS INFERNOS antes de se aventurar na frente de um microfone. porque ok, n?o ajuda que a sua voz e a sua m?sica sejam boring. e que a sua cara seja boring, tamb?m. desista, voc? ? uma pessoa teletubbie e eu n?o gosto de voc?.

mas a kate nash tamb?m come consoantes com ch? no caf? da manh?, e eu acho ela fofa assim mesmo. idem para a lily allen, embora eu nem goste tanto assim das m?sicas da lily allen. no fim, ? tudo uma quest?o de fofura. fofura resolve todos os problemas do mundo.

IV. ah, sim. algu?m me mostrou isso e eu n?o quis acreditar

o que me incomoda ? a enxurrada de comments afirmando que a mulher est? gorda (quando ela OBVIAMENTE n?o est?) ou que ela deveria “vestir-se de acordo com a idade”. espera. deixa eu ver se eu entendi. voc? faz 35 anos e, mesmo tendo um corpo legal e belas pernas, deve jogar seus tops de alcinha e minissaias no lixo e comprar vestidos floridos cobrindo os tornozelos, jogar um avental por cima, sentar-se numa cadeira de balan?o e esperar a morte? 40 graus l? fora, but HEY, vou ali vestir um macac?o porque eu dobrei o cabo da meia idade???

n?o tenho palavras. tenho ? PENA de quem realmente acredita que vai ter 19 anos e pesar 45 quilos pra sempre. quando a ficha cair, vai doer em dobro, viu filhos?

ali?s, esse site inteiro ? deprimente. o que s?o aqueles coment?rios?? “nossa, ela tem o corpo perfeito! vou fazer mais umas abdominais agora”, “wow, eu mataria cachorrinhos para ter aquelas pernas!”, “ela ? minha inspira??o - hoje eu s? comi 400 calorias”. as americanas, quando n?o arrastam 300 quilos de banha pelas ruas, s?o t?o f?teis e obcecadas com magreza-revista-vogue que chegam a dar nojinho.

V. e por falar em magreza, E A?, MINHA AMIGA, como foi de natal, ano novo e etc?tera? o p? ainda est? na jaca ou voc? j? tirou ele de l? - e aproveitou pra comer a jaca tamb?m? quantos quilos acumulados depois de ter que passar uma semana comendo os restos da ceia de natal e outra semana comendo os restos da ceia de ano novo E da de natal? a roupinha comprada pro new year j? n?o serve mais e agora voc? s? veste cal?as com cintura de el?stico e chora pelos cantos pensando no quanto ser? dif?cil passar um m?s comendo r?cula e ricota? FA?A COMO EU, minha amiga! adquira uma infec??o intestinal de ano novo, passe a primeira semana do ano sentada na privada e segurando um balde na frente da boca, e diga adeus ?quele pneu de bicicleta que se alojou na sua cintura depois da bandeja de rabanadas murchas qua sua sogra fez voc? comer.

certa vez eu fiquei sabendo de uma mulher que, num churrasco, ficou lambendo peito de frango cru que estava por ser assado, na esperan?a de pegar alguma bact?ria e poder dizer OI novamente para aquela cal?a jeans que ela n?o conseguia vestir desde 1996. olha, N?O PRECISA chegar a esse ponto, t?? estamos combinadas.

VI. bicho-grilagens ? parte, isso aqui me assustou: absorvente higi?nico recicl?vel.
de cora??o, eu prefiro fazer outras coisas para preservar o meio ambiente. ou simplesmente ligar o dane-se porque, se eu for obrigada a lavar aquela imund?cie fedorenta ? m?o todos os dias do meu ciclo, prefiro dar tchau e ben??o pro planeta terra. vai com deus, meu filho.

ali?s, quem estiver realmente preocupada com a polui??o que zilh?es de absorventes causam ao serem descartados, n?o seria melhor fazer um tratamentozinho b?sico e parar de menstruar? estou seriamente considerando a hip?tese. menstrua??o n?o ? “sinal de sa?de feminina”, ? apenas um efeito colateral natural, por?m indesej?vel, que s? existe nos dias de hoje porque acomete mulheres - essa gente que adora um sofrimento in?til. se homens fossem obrigados a menstruar, essa nojeira inc?moda j? teria sido erradicada h? s?culos.

bizarren kindergarten
Escrito em alemanha, humor observacional, Novembro 17, 2007 @ 01:03

I.
supermercado, hoje ? tarde.
em meio ?s muitas variedades de p?es e 914 produtos diferentes ? base de batata, minha aten??o foi despertada por um an?ncio recorrente bombando as caixas de som. tratava-se se uma voz feminina entoando o que parecia ser uma can??o de ninar. uma voz masculina fazia uma esp?cie de introdu??o animadinha, seguida por um coro de crian?as e por fim a mulher cantava. tudo, ? claro, no idioma de goethe. a cada 15 minutos a coisa toda se repetia.

ouvir can??o de ninar em alem?o ? bizarro. quase assustador. me soa como algo que hitler faria tocar em caminh?ezinhos coloridos, decorados com figuras da disney, a fim de atrair crian?as para c?maras de g?s.

ali?s, na alemanha ? crime fazer a sauda??o nazista ou portar uma su?stica.

II.
uma coisa que me intriga aqui na chucrutel?ndia (e tamb?m na baguettel?ndia) ? a quantidade de mulheres usando peles. assim, ostensiva e desavergonhadamente. na esquina de onde moro h? uma loja enorme, forrada de pele at? o teto. casacos enormes feitos de p?lo dos mais variados bichos, se espalham pelas paredes e escorrem, luxuosos, do corpo dos manequins na vitrine. e n?o ? a ?nica; no centro da cidade sei de pelo menos duas lojas iguais, fora as grandes lojas de departamento, todas estocando pele de bicho morto; todas avidamente consumidas pela legi?o de “madames” com suas bolsinhas dolce & gabbana (brega), sapatos versace (brega, brega) e ?culos roberto cavalli (nem vou me manifestar, de t?o brega).

todas desfilam suas mortalhas sem peso algum na consci?ncia.
sem peso algum mesmo - porque quem acha aceit?vel assassinar animais com requintes de crueldade pelo suposto privil?gio de se enfiar num casaco macio n?o pode ter c?rebro.
na inglaterra isso seria impens?vel. n?o porque os ingleses sejam assim t?o devotados ?s causas ecol?gicas, e sim por serem um povo notadamente hip?crita.

kate: “ah, eu adoraria um casaco de beb? foca bem fofo e branquinho, sabe sharon - mas hoje em dia ? t?o cafona usar pele n??”
sharon: “totalmente! pior at? do que usar bon? da burberry!”

ok, eu sei que ? eficiente contra o frio por causa da camada de insula??o natural dos animais e etc?tera. ainda ? injustific?vel. usem mais casacos, sobreponham, oras. ou ent?o, se o clima do lugar ? realmente t?o frio, n?o seria hora de procurar um ambiente menos in?spito para se viver? fica a dica.

enfim. hoje no supermercado (s? podia) vi uma coisa bizarra.
a mulher com um casaco de peles. sim, num supermercado. s? que n?o era um casaco de peles comum. s? havia pele na barra das mangas, na bainha (quase arrastando no ch?o) e num peda?o da gola. e sim, era pele de verdade.

tive que rir alto, para n?o chorar ou para frear meus instintos de voar no pesco?o da idiota. ali?s, n?o. eu n?o pensei em voar no pesco?o da idiota. primeiro porque sou uma pessoa pac?fica. e depois, por mais que eu seja a rainha das contradi??es, n?o d? pra se dizer contra matar animais de forma violenta e depois… bem, matar um animal de forma violenta (e, ao contr?rio de matar focas, matar humanos d? cadeia).

tragic?mico.
primeiro, a criatura se mostra pobre de esp?rito ao usar pele, n?o interessa em que quantidade.
depois, se mostra pobre de grana. sabe como ?, o sal?rio n?o paga um vison inteiro, vamos colocar s? na “beiradinha”.

pobre ? uma merda, etc.

Mural de notas
Escrito em humor observacional, Novembro 18, 2004 @ 05:58

Ok. Eu n?o consigo ter paci?ncia com quem escreve “mais” no lugar de “mas”.

Eu: Por que ? que voc? nunca fica de mau humor?
Ele: E o que ? que eu ganharia, ficando?

Algu?m j? tomou Fanta Laranja fora do Brasil? Como ?? Porque me disseram que na Espanha ela ? aguada, enquanto aqui na Inglaterra ela tem gosto de Cebion efervescente. Podre. Ser? que as nossas laranjas s?o melhores que as laranjas dos outros? Ser? que laranja pelo mundo ? muito cara e ent?o eles diluem na Espanha e substituem por sabores artificiais na Inglaterra? Mas ser? que tem mesmo laranja natural na Fanta brasileira? Algu?m j? bebeu Fanta nos EUA? Como ??

Nossa. Nunca vi tanto ponto de interroga??o in?til num s? post. Outros contras:

A) N?o existe abridor de latas, aqui. Eles produzem uns artefatos estranhos que acreditam ser abridores de lata. N?o s?o. N?o consigo abrir nada com nenhum deles. E me sentir impotente diante de uma lata de atum n?o faz bem pro meu ego.

B) As ruas n?o t?m ilumina??o. S? na cidade. Sair ? noite ? lindo quando voc? olha pro c?u numa noite clara e v? um esp?taculo de estrelas. Mas se o seu rel?gio cair no ch?o e sair rolando, esque?a. Volte no dia seguinte pra procurar. O rel?gio n?o ser? roubado, at? porque um pouco prov?vel ladr?o tamb?m n?o ia enxerg?-lo.

C) Andar nas ruas pode ser perigoso porque n?o existem cal?adas. Mesmo em algumas ruas movimentadas de m?o dupla. Ok, os carros andam a 50km por hora, e n?o v?o passar por cima de voc? porque respeitam os pedestres. Mas ? desconfort?vel ver carros passando a 5 cent?metros sua pessoa.

D) Voc? precisa tomar banho de hidratante todos os dias pela manh? ou a pele vira uma lixa. Pouca umidade no ar. At? folhear jornal fica dif?cil sem molhar a ponta dos dedos toda hora. O cabelo ou vira uma palha OU fica lambido. A pele desbota (a minha j? est? passando do caramelo para o creme de leite), e pelo menos as minhas articula??es aqui funcionam t?o bem quanto as de uma Barbie com 5 anos ou mais de uso (quem tem ou teve uma sabe do que eu estou falando).

E) Certos alimentos que n?o existem no supermercado. E ado?ante s? em formato de comprimido, que ado?am mal, deixam gosto residual ruim e s? servem para bebidas quentes; porque nas geladas e no pote de iogurte eles n?o derretem. At? hoje n?o achei chocolate diet, gelatina ou gel?ia diet, e me pergunto se aqui n?o existe diab?tico, ou se todos eles morreram comendo a??car por falta de substitutos decentes. As comidas que deveriam ser salgadas, t?m um qu? de doce, como a tal english sausage. No fish and chips, que se trata de bacalhau fresco (esque?a aquele sal todo do seu prato natalino) ? milanesa, acompanhado de batatas fritas, n?o se coloca UMA pitada de tempero. E quando eu despejo o saleiro em cima, ele me olha espantado. Ora, se ? pra comer algo que tem gosto de papel, ent?o eu prefiro comer papel, que ? celulose pura, n?o vai ser digerido e absorvido e por isso n?o tem calorias.

F) E os puddings feitos de f?gado, de rim de porco, de pulm?o de ovelha, eca. Os doces s?o variados e bonitos, mas meio enjoativos. O Starbucks caf? n?o me agrada, n?o entendo a fama. Toda cal?ada tem pelo menos umas cinco franquias, e na ?nica vez em que entrei em uma fiquei revoltada. A mulher me trouxe um ch? gelado horroroso (eu pedi um ice tea tendo o Lipton em mente, afinal, eu tava na Inglaterra), obviamente sem a??car. NADA do que supostamente deve ser doce, leva a??car.

E o a?ucareiro ? uma piada. Ele simplesmente n?o existe. H? mini sach?s com uma pitada rid?cula de ac?car dentro. Preciso de pelo menos 30 pra ado?ar um copo, enquanto geral ? minha volta se contenta com dois ou tr?s, e me olhariam espantada se eu ado?asse a meu gosto, como se eu fosse uma tarada por a??car a um passo da diabetes. Fora que, se voc? pede a sua bebida SEM GELO, eles entendem que voc? a quer quente, mesmo que seja um “refrigerante”. Op??es: beber quente mesmo, ou pedir a vers?o com gelo e ver a garota (sempre polonesa, portuguesa, chinesa, iraniana… ONDE os jovens ingleses trabalham??) trazer um copo onde a metade (ou mais) do conte?do ? gelo puro, e a? ela pinga refrigerante em cima. Voc? decide. E as ?nicas franquias do Burger King da Ilha fecharam h? alguns meses. Shit.

G) Em geral, os ingleses s?o feios, t?m dentes ruins e o pa?s parece estar dividido em duas castas: a das Pessoas com Queixo Duplo e a das Pessoas Sem Queixo Nenhum. Mas ? claro, eles s?o caucasianos, por isso se acham mais lindos que brasileiros, por exemplo, porque n?s temos cabelo ruim, sabe.

H) O interruptor de luz fica do lado de FORA do banheiro. Se voc? estiver no banho algu?m pode apagar a luz e te deixar no escuro f?cil. Tomada tamb?m n?o pode ficar dentro do WC, por “quest?es de seguran?a”. Quantas pessoas voc? conhece que morreram eletrocutadas pelo secador de cabelos? N?o poderia usar o meu na frente do espelho, sorte que n?o tenho e n?o seco cabelo. Pra qu? vender barbeador el?trico aqui, eu sinceramente n?o sei.

Pronto. Estou feliz, agora.

whatever.
Escrito em diário de bordo, fotos, humor observacional, this is jersey, Outubro 18, 2004 @ 02:18

Estou meio mal humorada e n?o devia vir escrever nesse estado. At? porque a casa est? uma bagun?a, passamos o fim de semana todo na rua ou cozinhando (chilli con carne, woohooo!), e tem uma pilha de lou?a do tamanho do World Trade Center pr?-atentado me esperando na pia. Sem falar nas resmas de jornal espalhadas pelos cantos, mas enfim.

Se tem algo que me irrita deveras aqui ? o monop?lio do rabo-de-cavalo sobre todos os demais penteados existentes na face da terra. Que coisa mais mon?tona! Pra n?o falar cafona. Nove entre dez mocinhas prendem o cabelo l??? no alto, deixando aquele rabicho escorrer pela nuca. Sem uma gota de sex-appeal. Isso quando elas t?m cabelo grande, coisa rara por aqui. Os cabelos ingleses s?o, na maioria, m?dios e ralos. Talvez isso explique a compuls?o pelo penteado brega. S? que elas tamb?m parecem ter combinado entre si que as cores branco, rosa/azul beb? s?o o que h? no quesito fashion; o que, aliado ao rabinho de cavalo, ?s peles p?lidas e aos cabelinhos ralos e loiros, deixa todas as garotas com cara de lactente.

No s?bado fomos tomar caf? da manh? no Driftwood Caf? em Archirondel, e depois passear em St Catherine’s Woods. Jersey tem ambientes para todos os gostos; praias de areia, praias de pedrinhas, montanha, florestas, lagos, countryside, cidade, colinas, dunas, s?tios arqueol?gicos, bunkers da ?poca da ocupa??o nazista… Um giro b?sico por aqui e voc? duvidaria que se trata de uma ilha.

Nossa caminhada em Saint Catherine’s (que fica pertinho da casa onde vamos morar) durou uma hora e meia, e contou com a companhia do Richard - e tamb?m de Ruby e Moly, suas respectivas cadelas.



Na volta fomos para o Les Fontaines, o pub aqui da rua, porque eu queria comer galinha com molho curry. Podia ter sido feita em casa, mas no pub ? mais divertido… Peguei leve na cerveja porque ainda lembro do meu animado di?logo com a privada na semana passada, por ter misturado ?lcool + diet pills.

Hoje tem visita ? Maison de La Palloterie. Futuro lar. J? conhe?o a casa por fotos, j? passei algumas vezes em frente, mas hoje devo p?r meus pezinhos l? pela primeira vez.


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


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