“Nesse momento, na Urca, 19 graus”, diz a locutora da r?dio online.
E ?s vezes eu queria estar l?.
Acho fofo quando pessoas comentam aqui dizendo que minha vida parece fabulosa. Mas aham. T?o fabulosa que eu nem tenho mais sobre o que escrever, aqui.
Atualmente n?o tenho achado prop?sito em abrir pol?micas, falar do passado, discorrer sobre as minhas pr?prias opini?es, discutir celebridades ou postar 30 fotos em sequ?ncia. Tenho dormido bem, sem precisar contar carneirinhos. Continuo acima do peso, mas n?o o bastante para me fazer evitar o bolinho com caf? da tarde. A sa?de continua bem, resolvi n?o cortar o cabelo, terminei de pintar o arm?rio da cozinha e tricotar meu primeiro par de meias; que ficou torto, ? claro. Ainda tenho dois p?s, dois bra?os, duas orelhas e um nariz (embora esse, ?s vezes, eu n?o tenha certeza se quero).

Ent?o, pelo visto, papai “vendeu” o apartamento. Est? cheio de id?ias, mas a melhor at? agora ? juntar a grana com a da mam?e (quando ela enfim vender a casa) e, juntos, comprarem um s? apartamento para os dois. Aprovo totalmente. Minha m?e ? que n?o est? NADA animada com o progn?stico de voltar a viver com meu pai (ainda que por quest?es de log?stica e economia). Mas o fato ? que - apesar de saud?veis, thanks - ambos j? est?o velhinhos, e a essa altura o que eles precisam ? de conforto e companhia. Acho dif?cil que mam?e encontre um novo companheiro que preencha a enorme lista de requisitos que ela tem.
Se ela aprovar a “compra conjunta”, eu pretendo ajudar, nem que tenha que pegar um empr?stimo ou assaltar o HSBC. Vale a pena ter algo relativamente decente no Brasil, cuja economia t? bombando e im?veis tendem a valorizar horrores nos pr?ximos anos. Estou estudando possibilidades e bairros. Assim que minha m?e vender a casa, pego o avi?o e juntos vamos procurar algo que seja n?o muito pequeno, mas n?o enorme; nem caro, nem barato. E, de prefer?ncia, numa localiza??o agrad?vel. Let’s see. E, enquanto espero, como JellyBeans. Apenas 4 calorias por feij?ozinho. E olha, eles t?m o nome impresso em cada um deles. How cute is that? Yeah.

Porque o lugar aqui ? definitivamente lindo, mas a cada dia que se passa n?o sei se ? o meu futuro. Num dia estou feliz como pinto no lixo, counting my blessings e fazendo planinhos. Noutros, eu mal tenho ?nimo de levantar da cama e s? penso em me enfiar dentro de um buraco na parede e desaparecer. Se eu fosse riquinha, soubesse dirigir e tivesse companhia, a hist?ria seria outra. Mas meu perfil atual t? longe de ser o de “esposa dondoca de executivo”. N?o sinto saudades do calor horroroso do Rio de Janeiro, nem de sair de casa com medo de ter a cabe?a estourada por um proj?til, nem do “jeit?o expansivo” do carioca. Adoro todas as esta??es daqui, cada uma tem um charme pr?prio; gosto de poder enfiar uma c?mera cara na bolsa e me enfiar no mato para fazer fotos sem medo de perd?-la nas m?os de algum pirralho drogado; gosto (at? certo ponto) do modo n?o intrusivo com que os ingleses lidam com as pessoas.
Mas n?o gosto de mal poder sair de casa porque o lugar n?o est? adaptado para transporte coletivo, nem para pedestres (?nibus e cal?adas s?o raridades); n?o gosto de perder todos os shows de bandas que gosto porque nada - exceto bandas cover… - vem tocar em Jersey (h? relativamente pouca gente morando aqui, e dessa pouca gente, a maioria consiste de velhos, crian?as, ou gente de meia idade que s? quer se entupir de cerveja, assistir TV, fazer caminhadas ou torrar o sal?rio inteiro em lojas de grife); n?o gosto de n?o poder pegar um ?nibus, meter um MP3 player na orelha e rodar por horas; n?o gosto da s?ndrome de p?nico que comecei a desenvolver, aqui; n?o gosto de quase nunca ver ningu?m, quase nunca encontrar ningu?m para tomar uma cerveja sentada nesse solzinho de veranico porque as pessoas s?o individualistas, frias, preconceituosas e desinteressadas.
Das amigas brasileiras/latinas que fiz aqui, A e B est?o de sa?da (uma de volta pro Brasil, outra para a Espanha), C ? uma total cabe?a de vento e desisti dela e D, bem… Acho que D n?o vai muito com a minha cara. Estranhamente, uma das coisas que eu mais gostava de fazer no Brasil - sentar num quiosque de praia sozinha e tomar uma cerveja, fazendo people watching - eu n?o gosto de fazer aqui. As pessoas n?o s?o variadas, nem interessantes. Sento e s? vejo velhos, crian?as loiras vestidas de pink e adultos com cara de bunda. Sem varia??o no tema. T?DEO.
E os pr?ximos projetos s?o arrumar o s?t?o rosa E pintar o lavabo. Cismei com VERMELHO INTENSO. Algo mais ou menos assim (foto cortesia compuls?ria do blog “A Little Busy“):

De resto, estou pensando em comprar os oilcloths para forrar a mesa do “atelier” (haha, soa t?o pretensioso chamar o s?t?o assim, j? que nunca produzo nada ?til aqui). Id?ias, at? o momento:




E ? isso. Tentando me ocupar com coisas que gosto, mas ao mesmo tempo achando que ainda sou muito jovem para uma vida de artesanato + televis?o + feirinhas agropecu?rias + almo?o de domingo, e desesperadamente querendo uma noite num nightclub da Lapa cheio de drag queens e prostitutas, cheirando a cigarro, gente suada e cerveja choca.
Definitivamente, eu sou uma pessoa estranha.
EDIT: editando porque, n?? Injusti?a. Mesmo quando o British Boy* est? viajando, eu nunca estou totalmente s?. Quem tem o amor dessas duas coisinhas a? embaixo, nunca est?.


* que incrus?viu pediu pra ser chamado de “English Boy” ou ainda “Finglish Boy” (finish + english) em nome da corre??o gramatical; maaaaas n?o vai rolar, n?o. Porque eu amo alitera??es e British Boy ? uma. Ent?o siacostuma?. Luv ya.

























2008