hypocrisy is the new black.
Escrito em diário de bordo, para refletir, resmungos, Junho 4, 2008 @ 05:56

ent?o a alexandra shulman, editora da vogue brit?nica, d? uma entrevista para o daily mail dizendo que “deplora cirurgia pl?stica”.

t? bom, darling. comece a usar modelos acima de 25 anos nas p?ginas da revista que voc? edita (ao inv?s de enfileirar adolescentes russas esquel?ticas, esfaimadas e inexpressivas nos editoriais), recuse an?ncios de cremes de beleza estrelados por atrizes quarentonas ultra esticadas por photoshop e, daqui a uns 5 ou 10 anos, quando os p?s-de-galinha come?arem a dizer OI na sua cara, volta aqui e a gente conversa.

max hastings, que escreve para o mesmo jornal, publica um artigo sobre a controversa decis?o do governo brit?nico de manter em 24 semanas o limite m?ximo para que uma gravidez possa ser interrompida. pol?micas ? parte (eu, por exemplo, acho absurdo esperar 24 semanas - SEIS meses - para decidir que, bem, na verdade estar gr?vida n?o ? t?o legal assim), o articulista conclui sua linha de racioc?nio argumentando que o aborto deveria ser ilegal em qualquer est?gio, e que as m?es-assassinas deveriam levar a gravidez a termo e doar a crian?a para ado??o, porque “candidatos n?o faltar?o para adotar o beb?”.

mas ? claro que n?o. agora mesmo estou vendo as filas se formando para adotar crian?as negras, ou deficientes, ou soropositivas, ou portadoras de doen?as degenerativas incur?veis, ou maiores de quatro anos, com v?rios irm?os (que n?o podem ser separados), com problemas psicol?gicos graves depois de terem passado por v?rios orfanatos e lares tempor?rios onde foram abusadas f?sica e psicologicamente. ? claro. TODO MUNDO est? de bra?os abertos esperando por essas criancinhas. o pr?prio colunista, inclusive, deveria se encaminhar ao orfanato mais pr?ximo e, depois de passar por cima de todo o nonsense burocr?tico brit?nico, adotar uma meia d?zia delas.

ava3.jpg ava4.jpg

acima, a escadaria de santa maria del monte, em caltagirone, sic?lia (no topo fica a igreja de san giuliano, com uma vista inacredit?vel). ? direita um dos dem?nios que decoram toda a murada dos jardins p?blicos da cidade. por eles e pelos azulejos que decoram toda a escadaria, nota-se que a sic?lia (e caltagirone, em especial) ? famosa por suas cer?micas. como n?o ia caber nada muito grande na bagagem, n?o deu pra aloprar; comprei apenas um casal de anjos em taormina.

aqui, outra foto da escadaria, encontrada no flickr (ainda tenho que fazer download das minhas; s?o quase 500 fotos, tenham piedade), que tamb?m deixa clara a paix?o dos italianos por varandas/sacadas nos apartamentos. em breve, cenas dos cap?tulos de viagem.

e… nada a ver com o pre?o do feij?o, mas apenas um adendo ao post passado. quando eu me referi ?s yummy mummies atravancando lojas, restaurantes e supermercados, n?o quis dizer que, depois de parir, as mulheres devam passar o resto de suas vidas em casa lambendo as crias, sem impor a presen?a ruidosa dos seus rebentos ao resto do mundo cool e child-free (apesar de, ?s vezes, essa id?ia n?o me parecer t?o m?).

eu tinha apenas uma coisa em mente: a falta de considera??o que elas demonstram ao a) comprar carrinhos IMENSOS porque eles est?o na moda e onde elas possam pendurar v?rias sacolas de compras e b) manter seus pr?prios filhos acorrentados a esses carrinhos, entediados e irritados, mesmo muito depois que aprenderam a andar - s? para n?o ter que control?-los.

eu posso estar errada, mas n?o creio que mere?o me ver impossibilitada de transitar em certos estabelecimentos comerciais pela manh?, nem levar pancadas de carrinhos de beb? nas pernas (m?es s?o sagradas demais para parar e dizer “com licen?a”) em respeito ao lifestyle dessas senhoras. lembro de ter ouvido uma brasileira dizendo que, ao chegar em londres como turista, pensou estar havendo algum evento direcionado a crian?as com paralisia, tantas eram as m?es empurrando carrinhos com crian?as de 4, 5 anos de idade. perdi a conta das vezes onde fui atropelada por eles; numa delas, o choque foi t?o violento que minha bolsa escorregou do ombro e caiu em cima do beb?. e como eu sempre carrego livros e c?mera, ela estava bem pesadinha… ouch. a m?e, evidentemente, nem pensou em se desculpar, e ainda me culpou pelo acidente.

moral da hist?ria: ter filhos implica sim em alguns sacrif?cios, como pagar baby sitter, ficar mais tempo em casa por conta deles e, principalmente, tentar ser respons?vel pelas a??es dos pequenos. amarr?-los em carrinhos gigantescos que ocupam espa?o descabido s? para que eles n?o perturbem o seu cappuccino com as amigas N?O ? LEGAL.
toler?ncia tem limite, e ? via de m?o dupla.

follow the leader.
Escrito em para refletir, this is jersey, Abril 18, 2008 @ 11:34

t? exausta. n?o bastasse a falta de energia, essa semana exigiu de mim HORRORES.
stress, things to do, aquecimento central pifado (diesel encomendado ?s pressas, mas eu n?o sei reiniciar o boiler e, por isso, continuo no frio), familiares me estressando ? dist?ncia, amigos sendo absurdamente compreensivos (insira ironia), amigos exigindo o bra?o quando eu ofere?o a m?o (e alguns ainda aproveitam pra cortar meu pesco?o enquanto isso)… ou seja, t? foda.

mas eu sou ainda mais foda do que qualquer circunst?ncia adversa, e consigo me divertir com as situa??es bizarras que crio para mim mesma. ?s vezes sinto que meus dedos t?m o poder de mover o mundo, como o daquelas pessoas que animam teatros de marionetes.

o mundo e as rela??es humanas s?o, no fim das contas, absurdamente previs?veis e manipul?veis. acho que a gente sofre ? por costume.

? uma raz?o extremamente f?til, mas eu j? perdi a conta de quantas amizades foram pelo ralo por eu n?o gostar de telefone e de MSN. tenho uns tr?s amigos de verdade no brasil e, enquanto estou aqui, a gente tem ZERO de contato - eu n?o ligo, eles idem e, pra piorar, eles n?o gostam muito de internet. mas quando eu chego no Rio, eles me ligam, a gente senta num boteco e pede uma cerveja e uma por??o de calabresa. eu n?o pergunto sobre o que eles andam fazendo, eles n?o querem novidades… e ? como se nunca tiv?ssemos nos separado. perfeito.

o problema da maioria das pessoas ? uma sensa??o de “posse” com rela??o a amizades. por exemplo, aqueles recados no orkut “s? passando pra desejar boa semana”, ou aqueles scraps piscantes cafonas… ? a forma que eles encontraram pra “cultivar” a amizade, pra cercear o territ?rio, para demonstrar que t?m os amigos em mente sempre e para declarar “ei, voc? ? meu amigo, N?O OUSE SE ESQUECER DE MIM!”.

eu acho isso extremamente chato e cansativo.
amigos de verdade n?o precisam dessa auto valida??o constante; por isso eu n?o lamento as “amizades” que perdi.

encaro dessa forma: menos um scrap brega de gif animada no orkut.

depois de outono e metade do inverno na g?lida chucrutel?ndia, e a outra metade do inverno na ?mida terra do reino de lilibeth, eu n?o t? acreditando. estamos na primavera e eu estava T?O desacostumada com qualquer temperatura que n?o exigisse o uso de casacos e botas dentro de casa (isto ?, ANTES do meu aquecimento pifar e do tempo virar, hoje…), que me surpreendo encarando por horas os reflexos do sol atrav?s da cortina da renda do quarto, e saboreando o prazer barato de tomar um banho e lavar o cabelo no meio da tarde e deix?-lo secar naturalmente, enquanto me entupo de sorbet de p?ra.

deja vu total. para eu me sentir no brasil, em plena adolesc?ncia, s? falta um banho de mangueira no quintal.

sou repetitiva. mas ? verdade. nascendo num pa?s onde s? conhecemos duas esta??es distintas: “quente” e “quente pra cacete”, e presenciar a mudan?a das esta??es, num ponto qualquer do planeta que tenha esta??es de verdade, ? uma experi?ncia ?nica. todo mundo devia obrigatoriamente passar por isso. se voc? ainda n?o o fez, d? a louca, venda a m?e, largue tudo e passe um ano em qualquer pa?s cujo clima lhe proporcione essas quatro simples maravilhas: um ver?o, uma primavera, um outono e um inverno.

se a sua sensibilidade n?o aflorar, se voc? n?o passar a valorizar coisas aparentemente ordin?rias, se voc? n?o se surpreender saltitando diante da sua primeira cal?ada coberta de neve, fotografando maniacamente a flora??o das wisterias ou cerejeiras, achando que morreu e foi para o c?u diante da explos?o de cores outonais das folhas e redescobrindo o prazer de receber na pele o carinho de um raio de sol inesperado numa manh? fria… ent?o, filho, desiste. voc? n?o ? um cerumano. voc? ? um saco de batatas.

sorry pelo spam de fotos - caso interessar possa, tem mais no link a? embaixo.

(mais…)

the colour of success.
Escrito em para refletir, Março 4, 2008 @ 07:50

outro dia uma amiga ficou sabendo que eu tinha um tubinho de fair and lovely em casa e quase surtou.
aos desavisados, o creme n?o passa de um protetor solar metido a besta (e caro, se for equacionado o pre?o com a quantidade de produto oferecida). o problema ? que ele se promove como se fosse um bleach, e eu comprei para tentar remover manchas de espinhas no queixo.

assim que a caixinha chegou, eu li os ingredientes e, por precau??o, pesquisei na internet (porque alguns bleachs s?o considerados cancer?genos). foi quando me dei conta de que na f?rmula do produto n?o havia bleach algum, apenas um complexo vitam?nico e v?rios componentes que agem como filtro solar. ou seja, se voc? assim como eu comprou achando que iria clarear manchas, pode desistir.

o que geralmente deixa as pessoas chocadas s?o os comerciais do produto (como esse, esse e esse aqui, meu preferido de longe, com jeit?o de novela mexicana e trilha incidental assustadora). se voc? clicou nos links e assistiu, ? prov?vel que esteja agora indignado, assim como a minha amiga. “n?o ACREDITO que voc? comprou um creme pra ficar branca!! voc? viu aqueles comerciais racistas horrorosos??”. n?o, eu ainda n?o tinha visto os comerciais, mas sabendo o que sei agora, posso afirmar que, al?m de racistas, eles s?o enganosos. ningu?m fica branco usando fair & lovely. “como podem ter preconceito contra a cor da pele do pr?prio povo? como podem achar que a vida vai ser melhor ou que s? v?o arrumar um bom emprego se forem mais claros? s? indiano, mesmo!”

n?o sei se minha amiga ? ing?nua mesmo ou se apenas sendo politicamente correta (ela ? uma fofa e vai at? me desculpar por cit?-la nesse post, eu espero). mas c? entre n?s, que n?o somos nem uma coisa nem outra, esse racioc?nio procede e est? longe de ser restrito ? ?ndia…

interessante tamb?m esse an?ncio de “maquiagem corretiva”:

brush.jpg

ser? que estou sozinha quando acho que a menina da esquerda ? mais bonita e real do que o “resultado” da direita? sim, vou chamar aquilo de resultado, j? que mal se parece com um ser humano. perceba que n?o s? as “manchas” foram aliviadas pela “maquiagem” (leia-se photoshop exagerado), mas tamb?m o formato do nariz e a cor das sobrancelhas. no fim das contas, o resultado n?o se parece em nada com a mo?a original (que talvez at? tenha sido retocada antes, tamb?m).

hoje em dia n?o nos ? permitido parecer humanos. todo mundo quer ser supermodel, e exatamente como elas s?o nas capas da revistas (porque eu acredito que at? elas tenham bad hair day, sardas, olheiras por noites mal dormidas e manchas de espinha). e quem diz isso sou eu, que tenho um tubo de fair & lovely (est? sendo usado como filtro solar, j? que a textura ? ?tima) e um corretivo de olheiras. ?.

parafraseando o iaaphoto (que postou esse an?ncio originalmente), “eu sei que isso j? foi dito antes, mas calem a boca e fiquem longe das meninas bonitas que n?o sabem que s?o bonitas - e provavelmente nunca saber?o, se voc?s continuarem com isso. acontece que me sinto atra?do por ros?cea, manchas, olheiras e talvez sardas ou cicatrizes de acne ou de acidentes de bicicleta… me sinto atra?do por VIDA e por gente VIVA, por isso parem de transformar seres humanos em cad?veres ambulantes!”

wow. ditto.

brief opening of windows
Escrito em diariamente, para refletir, Fevereiro 18, 2008 @ 11:29

ent?o, retornando momentaneamente do mundo dos falecidos virtuais.
o dia est? lindo, o sol est? azul (haha, obrigada pelo link, querida), os daffodils/narcisos j? est?o abrindo e os primeiros desse ano j? est?o na jarra; como diz o meu amigo escoc?s, s?o as vantagens de eu ter “escolhido” morar mais ao sul.

a vida est? boa, por isso mesmo n?o tenho tido sobre o que escrever - j? que, como dizem por a?, eu s? escrevo para reclamar. ou melhor, at? teria sobre o que escrever/reclamar. eu j? escrevi blogs antes que n?o versavam sobre o meu dia-a-dia, mas atualmente o umbigo fala mais alto que quaisquer pretens?es de porta-voz do que quer que seja.

apesar disso, n?o vejo muito sentido em vir aqui dizer que perdi quatro quilos, que fiz amigos novos, que estou estudando franc?s sozinha, que ca? da escada e machuquei o joelho, que estou planejando uma visita a madrid, que bati a marca das 6000 ribbons no poupee, que comprei o the sims mas estou sem tempo de aprender a jogar, que terminei de assistir sex & the city (?, eu comprei todas as seasons) e pateticamente quase chorei no ?ltimo cap?tulo, que um amigo importante resolveu me virar as costas mas estou retomando, com carinho e cautela, um relacionamento delicado que foi cortado abruptamente h? mais de dez anos.

sentido, n?o faz. mas sim, tudo isso est? acontecendo agora, e pronto, vim, vivi e escrevi.

tamb?m fiquei com vontade de falar algo sobre um post interessante encontrado por acaso, gra?as a um comment num blog. era alguma coisa sobre a “imagem da mulher brasileira no exterior“. um termo que chegou a me interessar no passado, mas que atualmente s? me interessa pelo fator c?mico. qual seria imagem da mulher brasileira no exterior? qual seria a imagem da mulher senegalesa do exterior? ser? que a mulher senegalesa tem uma imagem no exterior? ser? que a mulher senegalesa se importa com isso?

de certa forma, concordo que seres humanos, independente de sexo (e ra?a, e classe social,e etc?tera), devam se dar ao respeito. aquele velho clichez?o pr?-hist?rico do “o seu direito acaba quando come?a o do outro”, vice versa, bl?. o fato de que a pessoa X queira mostrar os peitos n?o significa que a pessoa Y esteja a fim de/preparada para v?-los (a menos que seja na TV, ? claro - porque, nesse caso, a pessoa Y tem todo o direito de desligar o aparelho e ir dormir, depois de tomar o seu copinho de leite).

but i digress. o fato ? que, se acho essa preocupa??o de “imagem no exterior” at? certo ponto compreens?vel em certas esferas, tamb?m a considero tantinho desnecess?ria. vejamos do ponto de vista da t?o debatida imagem feminina, por exemplo. na minha humilde concep??o, a mulher brasileira ? mil vezes mais pudica do que boa parte das inglesas. mas essa ? somente a minha opini?o. talvez eu pense assim porque, em mais de 20 anos de brasil, nunca vi uma jovem bem nascida gritar a plenos pulm?es para um completo desconhecido do outro lado de um balc?o de bar lotado: “hey gatinho, mostra o p** a?! se for grande eu vou f**** com voc? mais tarde!”.

nunca vi nem mesmo as minhas amigas mais avan?adinhas sa?rem de casa com um pacote de oito camisinhas na bolsa e voltarem sem nenhuma (ou cheio, por terem simplesmente se esquecido de usar, na esperan?a de engravidar de algu?m e ganhar um apartamento para”m?es solteiras” do governo). nunca vi no brasil adolescentes de classe m?dia (em tese educadas, informadas, viajadas, etc) abrindo as pernas sem calcinha, levantando a blusa ou abaixando as cal?as para exibir o traseiro aos passantes na porta de um clube, estando b?badas ou s?brias, como j? cansei de ver aqui, ao vivo e estampado nos jornais.

a maioria das brasileiras acha de mau gosto uma mulher fumar, falar palavr?o e beber at? cair por cima do pr?prio v?mito. as inglesas acham isso cool e at? necess?rio para mostrar que voc? ? “fierce” e n?o uma babaca prudish. as meninas de 12 anos aqui em jersey se vestem como a maioria das meninas de 18 anos no brasil teria vergonha de se vestir (e SEM a desculpa do clima absurdamente quente… microssaia e microtop na night, com temperatura negativa do lado de fora, ? quase default). fora o excesso de cores, o excesso de maquiagem, o excesso de bijuterias coloridas e baratas, o excesso de bebida alc?olica vagabunda e cheia de a??car, o excesso de palavr?es e gritaria, os saltos alt?ssimos combinados a saias que fazem voc? se beliscar para crer, de t?o incrivelmente min?sculas. isso tudo fica ainda mais evidente depois de temporadas na fran?a e na alemanha, onde as mo?as se vestem de forma bem mais comedida (e monocrom?tica). e ainda assim, eu acho que, desde que n?o prejudiquem a ningu?m al?m das pr?prias, o direito de ser assim e/ou assado ? todo delas.

maaas. depois de quatro anos desse tratamento de choque, confesso que qualquer preocupa??o que eu poderia ter ao ver uma brasileira sorridente de shortinho e camiseta em qualquer pa?s do mundo dissipou-se no ar. n?o somos s? n?s e sim, h? piores.

outra quest?o costuma ser “ah, mas os homens daqui acham que somos putas por causa das brasileiras de shortinho”. ser? que s? eu acho que isso diz mais sobre esse tipo de homem (machista, retr?grado, mal informado e hip?crita) do que sobre as brasileiras (ou senegalesas) de shortinho? se algum ingl?s vier me dizer que acha as brasileiras putas por desfilarem seminuas no carnaval, responderei candidamente que elas, pelo menos, t?m um motivo para estarem seminuas. qual o motiva??o das inglesas para se desnudarem pelas ruas no inverno? o fato de estarem felizes? ah, mas as brasileiras tamb?m est?o felizes no carnaval. ponto.

“ah, mas as pessoas n?o nos levam a s?rio, nem nos d?o emprego porque acham que somos putas. e tudo por causa das brasileiras de shortinho!”. olhem meninas, eu sinceramente me recusaria a trabalhar para qualquer pessoa que pense que a) mo?as de shortinho s?o putas ou b) s? porque conheceu uma ou v?rias brasileiras que se prostituem, acham que TODAS s?o prostitutas, ou ainda que prostitutas n?o mere?am um emprego. uma pessoa assim s? pode ser imbecil, e n?s n?o queremos trabalhar para um(a) imbecil, queremos? acreditem-me, isso traz problemas ainda maiores do que ser surpreendida por a? de shortinho.

tailandesas t?m fama de mail order brides. eu n?o acho que toda tailandesa que vejo pela rua (e vejo v?rias, aqui) tenha sido resgatada de um puteiro em bangkok por um ingl?s careca de meia idade. pode ter sido, claro. mas eu n?o lhe negaria um emprego, nem lhe viraria a cara ou lhe apontaria um dedo dizendo “voc? ? puta” sem saber da sua hist?ria (apesar de o passado alheio me ser irrelevante). mas isso sou eu. pura ingenuidade.

em geral, n?o ligo para o fato de algumas pessoas pensarem que o brasil seja povoado por ?ndios, que s? tenhamos futebol, que as pessoas andem peladas ou morem em ?rvores. talvez porque eu n?o veja problema em nenhuma dessas coisas. e porque EU saiba que n?o ? bem assim. ademais, todos t?m o direito de canalizar sua aten??o para o que lhe interessa. quantos brasileiros podem me detalhar as condi??es de vida no senegal? sem apelar para o google, voc? sabe se no senegal tem mcdonalds? sabe a porcentagem de domic?lios com ?gua encanada? esgoto? televis?o? “ah, mas o brasil ? o brasil”. certo. e o senegal ? o senegal. estamos conversados.

portugueses, italianos, espanh?is e demais, vindos de sociedades fortemente patriarcais, tendem a ver com olhinhos suspeitos mulheres com um comportamento mais, digamos, “aberto”. nem todos partilham dessa vis?o, ? claro. mas talvez, antes de nos preocuparmos com o tamanho do shortinho das nossas conterr?neas, seria mais simples e produtivo ignorar pessoas com mentalidades subdesenvolvidas (j? que tentar educ?-las pode se revelar tarefa t?o infrut?fera quanto perigosa).

n?o ? mesmo, lolla? :)
hora de eu seguir meu pr?prio conselho.
agora que sex & the city acabou, vou ali come?ar my-so-called-life.
int

perdas e ganhos.
Escrito em alemanha, nice things, para refletir, Dezembro 16, 2007 @ 06:25

por duas noites seguidas tenho frequentado a zona do “baixo meretr?cio” de hannover, atr?s de cerveja barata, divers?o de “catiguria” (ver a baba escorrer do canto da boca da gringada assistindo meninas do leste europeu rodopiar em mesas girat?rias, o equivalente humano de cachorros babando diante dos fornos de galeto nas padarias) e encontrar a anna e seus amigos submundo. gente incrivelmente boa, engra?ada, zero de afeta??o. como eu disse antes, ? reconfortante conversar com pessoas que n?o falam um ingl?s perfeito. porque eu sou totalmente self conscious, acho que o meu ingl?s ? paup?rrimo (apesar dos elogios que recebo) e prefiro n?o me arriscar com native speakers.

eu sei, ? uma t?tica furada. for?ar o meu ingl?s mixuruca (nunca pisei num curso) para fora da zona de conforto “marido-sogra-mo?as-da-cornershop” faria um bem enorme ? minha flu?ncia. maaas deixo o projeto para quando eu estiver de volta aos dom?nios da lilibeth. por ora, vou ali beber gilde ratskeller e resolver outros problemas maiores. a seguir:

os big bosses do departamento de agricultura de jersey n?o engoliram a minha ret?rica.
como o veterin?rio imbecil perdeu a amostra de sangue coletada da chantilly h? 5 meses, a pobre gata vai ter que ficar por essas bandas at? abril/maio. mesmo tendo sido testada DUAS vezes contra a raiva e por DUAS vezes ter obtido resultado satisfat?rio.
a gata fica, e n?s idem. n?o poder?amos, na verdade. mas ficaremos.

vamos tamb?m escrever uma carta como ?ltima tentativa, mas estou pra l? de pessimista.
a previs?o ? de mais 4-5 meses de inverno escuro, uma gata entediada e eu me transformando numa obesa m?rbida por falta de exerc?cio, yay.

mas desculpa? destino - i’m a fighter. :)
em retalia??o, me matricularei de novo na academia, comprarei todos os kits de modelling poss?veis e terei minha village em miniatura escala 1:87 (porque na alemanha os kits s?o mais diversificados; na inglaterra s? se encontra kits de avi?es e tanques militares, j? que os ingleses s?o obcecados por guerras). at? o presente momento tenho cinco casas j? montadas, quatro carros, uma igreja e a esta??o de trem. falta todo o resto, mas eu chego l? - fotos em breve (passei boas horas felizes colando partes e getting high com o cheiro da cola). e vou ampliar a dollhouse com uma extens?o, garagem e jardim. tamb?m pretendo sacudir a pregui?a desse corpo e visitar as amiguinhas que se espalham pela europa (beth na espanha, fl?via na it?lia e cris na inglaterra, wait for me!)

tudo isso para deixar meu c?rebro ocupado nesse inverno g?lido e escuro, e minhas m?os longe da geladeira. hei de conseguir.

e, como n?o vai dar pra decorar meu cafofo em jersey em 2007 como pretendido, resta-me assinar a house beautiful e destilar saliva no lar alheio:



mais um scrap escrotinho no orkut. provavelmente da mesma pessoa (apesar do perfil fake ser outro). tenho quase certeza que a alma penada saiu de uma dessas comunidades “brasileiros na inglaterra” (das quais por um ato falho da natureza eu ainda fa?o parte, mesmo que n?o frequente h? mil?nios), povoadas por patricinhas e playboys, revoltados por n?o serem tratados no exterior como as princesas e pr?ncipes que acreditavam ser no brasil. porque no brasil, todos sabem, basta ter fen?tipo n?rdico, morar bem e dinheiro no bolso (mesmo que seja o do papai) para que tapetes se estendam.

mas eu sou uma pessoa emp?tica. compreendo que, aos 20 anos de idade, descobrir que pratos de bife e batata frita n?o brotam da geladeira e que comida precisa ser comprada no supermercado, paga, descascada, cozida e preparada antes de comer, e que - o horror! - pratos devem ser lavados depois… deve ser um trauma e tanto. n?o sei quanto a voc?s, mas tenho pena (sincera, sem ironia) de pessoas que, por talvez estarem infelizes, querem puxar todo mundo pro lodo, tamb?m. a desgra?a gosta de companhia, ? fato.

o meu conselho (sem ironia alguma) ? apenas um: se a barra est? assim t?o pesada, talvez seja o caso de vender a tv de plasma comprada com o dinheiro dos “porcos colonialistas” e comprar uma passagem. a british airways oferece tr?s v?os semanais de volta para o eldorado.
fuck off and be merry. :)

vou ali me deletar de umas comunidades e beber mais cerveja.

we’re in this together, dude.
Escrito em para refletir, Dezembro 12, 2007 @ 04:49

um scrap de mau gosto recebido no orkut (onde mais poderia ser?) me fez concluir: o pessoal podia ir parando com essa teoria triste de que todo mundo ? obrigado a amar profundamente o lugar onde nasceu.

eu n?o “amo” lugar nenhum. no m?ximo, gosto muito de jersey - mas jersey tamb?m est? cheia de problemas (para mim, pelo menos), tanto quanto o rio de janeiro, a inglaterra e a alemanha. cada um desses lugares sempre ter? atrativos e dificuldades que n?o encontrarei nos outros, o que soterra qualquer expectativa de “lugar perfeito”. o que ? ?timo: existisse mesmo essa terra prometida, todos iriam querer viver l?, o que acabaria amea?ando a suposta perfei??o.

acho poss?vel que algu?m que tenha nascido e vivido no brasil n?o se identifique com as particularidades do pa?s, n?o goste de ver?o, de samba, de “calor humano”. acho perfeitamente aceit?vel que essa pessoa emigre, decida que o pa?s de destino ?, para ELA, melhor do que o pa?s de origem e sinta-se livre para declarar isso, sem ser taxada de “deslumbrada”, “traidora”, “esnobe”, “maria passaporte”, entre outros. ali?s, esses r?tulos s?o de uma pobreza imensa.

o fato ? que, em termos absolutos e at? o presente momento, n?o acho pa?s algum melhor do que o brasil, tampouco acho o brasil melhor do que pa?s algum.

pessoas s?o pessoas, n?o ?rvores. n?o temos “ra?zes” funcionais; elas s?o psicol?gicas e podem at? vir a secar e morrer, com o tempo. o nosso “lar” ? onde nos sentimos em casa num dado momento, e esse lar pode mudar, pode ser um, pode ser v?rios. pode at? ser nenhum. e n?o “temos um pa?s”; nascemos onde nascemos por uma escolha aleat?ria do destino. ? claro que ter nascido onde nasci moldou a minha personalidade, mas isso n?o me obriga a pregar um letreiro com a palavra BRASILEIRA em neon piscante na testa. eu sou EU, antes de qualquer nacionalidade. e humildemente acredito que ser receptiva a outras culturas, aprender a amar certos aspectos e a detestar outros (ainda que venha a detestar a maioria) assim como amava e detestava no brasil, s? me enriquece.

respeitadas as leis, eu prefiro esquecer fronteiras e ver meus semelhantes como seres humanos, completos em si mesmos sem a necessidade de ser isso ou aquilo.

vamos parar com essa palha?ada de ficar dividindo o mundo em “times”, em “fac??es” opostas.
o muro da foto abaixo j? caiu faz tempo. n?o precisamos erguer outros.
n?o deixe a guerra come?ar.


british boy @ berlin wall, 2007

sugar baby
Escrito em celulóide, para refletir, Novembro 29, 2007 @ 05:23

sugar baby (zuckerbaby no original em alem?o) traz marianne s?gebrecht (a mesma de bagdad caf?) como uma gordinha mal vestida e deprimida, trabalhando como atendente de uma funer?ria. todos os dias depois do trabalho ela pega o trem de volta para o seu apartamento min?sculo e escuro, e passa as noites encarando a televis?o e se entupindo de doces e carboidratos variados. tudo muda entretanto quando uma noite ela vislumbra de sua janela do trem um oper?rio da via gat?ssimo. no dia seguinte ela resolve tirar todos os seus meses de f?rias acumuladas e inicia um projeto: transformar a si pr?pria numa verdadeira diva glamourosa e seu apartamentinho depr? em um verdadeiro ninho do amor em tons de pink. a pr?xima etapa do plano ? procurar aquele super gato, e ela o encontra e o conquista - tudo isso sem perder um quilo de peso ou uma grama de classe e respeito por si pr?pria. o filme ? uma del?cia, e a protagonista idem.

(artigo traduzido e adaptado do ten car train)

n?o estou fazendo uma ode ? obesidade. afinal, sa?de e sentir-se bem na pr?pria pele ainda ? essencial, e a cabe?a de muita gente muda para melhor depois de uma boa dieta. mas desde que o colesterol esteja ok e os quilos a mais n?o signifiquem um entrave psicol?gico, n?o vejo raz?o para passar a vida comendo r?cula e descartando o p?o dos sandu?ches.

sinceramente, basta olhar para a nigella lawson na capa da red magazine de dezembro para ter certeza de que mulher alguma precisa pesar 45 quilos para irradiar beleza, auto confian?a e sensualidade.

(pena que parte da m?dia est?pida parece divergir, j? que n?o achei uma ?nica foto em alta resolu??o da marianne no google images)

i can’t stop now
Escrito em para refletir, Novembro 23, 2007 @ 01:15

sei l? meu. sob o risco de soar invejosa, esse povo que parece viver numa festa/balada/rave eterna, cheia de gente/lugares/subst?ncias alucin?genas diferentes me cansa. ? tudo muito 24-hour-party-people, muitos acontecimentos e pessoas passando r?pido demais, r?pido demais para serem registrados, vividos e assimilados. tenho a impress?o de que, daqui a 20 anos, esse pessoal vai olhar pra tr?s e se perguntar qual era mesmo a placa do caminh?o que os atropelou. e, ?bvio, n?o v?o conseguir lembrar.

sabe, ?s vezes passar a semana em casa lendo um livro pode ser bem legal.
ou n?o.

(anima??es by fugged)

outono.
Escrito em alemanha, para refletir, Novembro 5, 2007 @ 10:11

h? pessoas que nos fazem mal e n?s n?o sabemos por qu?. nem elas sabem.
e, por n?o existir motivos, n?o existem culpados.
um n?, esse tipo de situa??o.

paris no fim de semana. n?o estou animada porque n?o estou bem, o que ? um desperd?cio.
vou ali terminar o meu livro.

n?o negoci?vel.
Escrito em para refletir, Novembro 2, 2007 @ 09:22


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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