I only wanted something else to do but hang around
Escrito em home, inglaterra, self, vida, Julho 15, 2008 @ 06:39

“Nesse momento, na Urca, 19 graus”, diz a locutora da r?dio online.
E ?s vezes eu queria estar l?.

Acho fofo quando pessoas comentam aqui dizendo que minha vida parece fabulosa. Mas aham. T?o fabulosa que eu nem tenho mais sobre o que escrever, aqui.
Atualmente n?o tenho achado prop?sito em abrir pol?micas, falar do passado, discorrer sobre as minhas pr?prias opini?es, discutir celebridades ou postar 30 fotos em sequ?ncia. Tenho dormido bem, sem precisar contar carneirinhos. Continuo acima do peso, mas n?o o bastante para me fazer evitar o bolinho com caf? da tarde. A sa?de continua bem, resolvi n?o cortar o cabelo, terminei de pintar o arm?rio da cozinha e tricotar meu primeiro par de meias; que ficou torto, ? claro. Ainda tenho dois p?s, dois bra?os, duas orelhas e um nariz (embora esse, ?s vezes, eu n?o tenha certeza se quero).

Ent?o, pelo visto, papai “vendeu” o apartamento. Est? cheio de id?ias, mas a melhor at? agora ? juntar a grana com a da mam?e (quando ela enfim vender a casa) e, juntos, comprarem um s? apartamento para os dois. Aprovo totalmente. Minha m?e ? que n?o est? NADA animada com o progn?stico de voltar a viver com meu pai (ainda que por quest?es de log?stica e economia). Mas o fato ? que - apesar de saud?veis, thanks - ambos j? est?o velhinhos, e a essa altura o que eles precisam ? de conforto e companhia. Acho dif?cil que mam?e encontre um novo companheiro que preencha a enorme lista de requisitos que ela tem.

Se ela aprovar a “compra conjunta”, eu pretendo ajudar, nem que tenha que pegar um empr?stimo ou assaltar o HSBC. Vale a pena ter algo relativamente decente no Brasil, cuja economia t? bombando e im?veis tendem a valorizar horrores nos pr?ximos anos. Estou estudando possibilidades e bairros. Assim que minha m?e vender a casa, pego o avi?o e juntos vamos procurar algo que seja n?o muito pequeno, mas n?o enorme; nem caro, nem barato. E, de prefer?ncia, numa localiza??o agrad?vel. Let’s see. E, enquanto espero, como JellyBeans. Apenas 4 calorias por feij?ozinho. E olha, eles t?m o nome impresso em cada um deles. How cute is that? Yeah.

Porque o lugar aqui ? definitivamente lindo, mas a cada dia que se passa n?o sei se ? o meu futuro. Num dia estou feliz como pinto no lixo, counting my blessings e fazendo planinhos. Noutros, eu mal tenho ?nimo de levantar da cama e s? penso em me enfiar dentro de um buraco na parede e desaparecer. Se eu fosse riquinha, soubesse dirigir e tivesse companhia, a hist?ria seria outra. Mas meu perfil atual t? longe de ser o de “esposa dondoca de executivo”. N?o sinto saudades do calor horroroso do Rio de Janeiro, nem de sair de casa com medo de ter a cabe?a estourada por um proj?til, nem do “jeit?o expansivo” do carioca. Adoro todas as esta??es daqui, cada uma tem um charme pr?prio; gosto de poder enfiar uma c?mera cara na bolsa e me enfiar no mato para fazer fotos sem medo de perd?-la nas m?os de algum pirralho drogado; gosto (at? certo ponto) do modo n?o intrusivo com que os ingleses lidam com as pessoas.

Mas n?o gosto de mal poder sair de casa porque o lugar n?o est? adaptado para transporte coletivo, nem para pedestres (?nibus e cal?adas s?o raridades); n?o gosto de perder todos os shows de bandas que gosto porque nada - exceto bandas cover… - vem tocar em Jersey (h? relativamente pouca gente morando aqui, e dessa pouca gente, a maioria consiste de velhos, crian?as, ou gente de meia idade que s? quer se entupir de cerveja, assistir TV, fazer caminhadas ou torrar o sal?rio inteiro em lojas de grife); n?o gosto de n?o poder pegar um ?nibus, meter um MP3 player na orelha e rodar por horas; n?o gosto da s?ndrome de p?nico que comecei a desenvolver, aqui; n?o gosto de quase nunca ver ningu?m, quase nunca encontrar ningu?m para tomar uma cerveja sentada nesse solzinho de veranico porque as pessoas s?o individualistas, frias, preconceituosas e desinteressadas.

Das amigas brasileiras/latinas que fiz aqui, A e B est?o de sa?da (uma de volta pro Brasil, outra para a Espanha), C ? uma total cabe?a de vento e desisti dela e D, bem… Acho que D n?o vai muito com a minha cara. Estranhamente, uma das coisas que eu mais gostava de fazer no Brasil - sentar num quiosque de praia sozinha e tomar uma cerveja, fazendo people watching - eu n?o gosto de fazer aqui. As pessoas n?o s?o variadas, nem interessantes. Sento e s? vejo velhos, crian?as loiras vestidas de pink e adultos com cara de bunda. Sem varia??o no tema. T?DEO.

E os pr?ximos projetos s?o arrumar o s?t?o rosa E pintar o lavabo. Cismei com VERMELHO INTENSO. Algo mais ou menos assim (foto cortesia compuls?ria do blog “A Little Busy“):

De resto, estou pensando em comprar os oilcloths para forrar a mesa do “atelier” (haha, soa t?o pretensioso chamar o s?t?o assim, j? que nunca produzo nada ?til aqui). Id?ias, at? o momento:

E ? isso. Tentando me ocupar com coisas que gosto, mas ao mesmo tempo achando que ainda sou muito jovem para uma vida de artesanato + televis?o + feirinhas agropecu?rias + almo?o de domingo, e desesperadamente querendo uma noite num nightclub da Lapa cheio de drag queens e prostitutas, cheirando a cigarro, gente suada e cerveja choca.

Definitivamente, eu sou uma pessoa estranha.

EDIT: editando porque, n?? Injusti?a. Mesmo quando o British Boy* est? viajando, eu nunca estou totalmente s?. Quem tem o amor dessas duas coisinhas a? embaixo, nunca est?.

* que incrus?viu pediu pra ser chamado de “English Boy” ou ainda “Finglish Boy” (finish + english) em nome da corre??o gramatical; maaaaas n?o vai rolar, n?o. Porque eu amo alitera??es e British Boy ? uma. Ent?o siacostuma?. Luv ya.

retro girl.
Escrito em diariamente, self, Dezembro 6, 2007 @ 06:22

lendos os meus feeds l? no twitter, me dou conta de que sou o ser menos geek da face da terra.
at? hoje n?o sei usar torrents. compro meus dvds na play.com ou amazon e m?sica online daqui porque n?o sei onde baixar de gra?a sem ter que esperar 300 anos pelo arquivo - para no final vir com erro. e, na verdade, prefiro comprar e pensar que estou ajudando o artista pelo menos em parte - mesmo que cada CD no site citado custe cerca de um d?lar.

n?o jogo nada online. na verdade, n?o jogo nada al?m de joguinhos de tabuleiro. j? tive uma fase proto-gamer no come?o da adolesc?ncia, mas depois de street fighter e mortal kombat, n?o achei mais nada legal o bastante para justificar calos de joystick no polegar.

n?o sei lidar com wordpress (obrigada marya por ter me ajudado aqui), meus layouts t?m html ultrapassado, n?o sei reinstalar o windows, n?o gosto da apple (n?o compro esse conceito “design acima da usabilidade” e venderia meu ipod ontem se achasse outra marca com 80gb de espa?o), n?o entendo nada de programa??o.

a ?nica coisa remotamente geek a que me permito ? gostar de fotografia e de c?meras de ?ltima gera??o (mas tamb?m sou apaixonada por fotos de polaroid e toy cameras como lomo e holga). por?m, tivesse eu controle suficiente sobre t?cnicas fotogr?ficas, queria mesmo uma boa c?mera de filme (como a Canon AE-1 do British Boy, alive and kicking desde os anos 70) + um quarto escuro para revelar eu mesma minhas imagens (e ficar doidona com o cheirinho do fixador).

simplesmente adoro a “cara” das “modelos” da embalagem dessa marca de noodles (achei num mercadinho asi?tico aqui perto). a cara de desespero das mo?as ? porque o tempero que vem dentro dos saquinhos ? ALTAMENTE apimentado. infelizmente, como n?o sei ler “chin?s” e n?o entendi o que estava escrito na etiqueta explicativa em alem?o, s? fui descobrir que o neg?cio era HOT quando comi…. ouch.

uma das coisas mais divertidas desse meu arremedo de blog ? aquele widgetzinho de feedjit ali na sidebar que indica de que pa?ses chegam os visitantes. nos primeiros dias, ao ver IPs da finl?ndia, fran?a, jap?o, israel e ?frica do sul, pensei que se tratassem de paraquedistas via google. mas nos dias que se seguiram percebi que essas pessoas estavam voltando ao site, ou seja, eram visitantes volunt?rios. j? identifiquei alguns, mas outros continuam (e continuar?o) inc?gnitos. e n?o vejo problema algum nisso.

me lembrei de posts lidos por a? onde o dono do blog reclamava do fato. algo do tipo, “500 visitas por dia e s? umas 20 pessoas comentam”. sinceramente, eu nunca entendi essa preocupa??o; e, no fundo, acho at? meio arrogante. dos blogs que leio, muitos autores jamais saber?o quem sou. n?o tenho vontade de comentar e n?o irei faz?-lo, n?o porque os posts sejam ruins ou eu tenha algo contra a pessoa (n?o perco meu tempo lendo blogs que n?o me interessam ou escritos por quem n?o gosto), e sim por n?o achar que tenha algo de relevante a acrescentar. atualmente tenho deixado de me manifestar em certos blogs tamb?m por n?o querer for?ar minha presen?a a pessoas que talvez n?o a queiram. that simple.

se ? para ficarmos paran?icos querendo saber a todo custo quem l? o que escrevemos e ter controle sobre isso, seria mais prudente fazer um blog com senha ou escrever num di?rio de papel. e se a necessidade de aplauso ? assim t?o grande, eu recomendo alternativas mais gratificantes: dez anos de terapia ou um curso de teatro.

Tears in Heaven
Escrito em self, Dezembro 23, 2004 @ 13:45

Eric Clapton no r?dio. Vejo nada demais nele, sempre achei essa m?sica piegas, mas entendi a dor. N?o achei que fosse tentativa de faturar em cima da trag?dia. Outro dia leio depoimento da m?e do guri morto, dizendo que ele reagiu violentamente quando soube que ela estava gr?vida, sugeriu um aborto e, diante da recusa, virou-lhe as costas, permanecendo ausente durante quase toda a gravidez. Bas fond

Essa semana falei com ele pela primeira vez direto da casa nova. Finalmente o background da webcam mudou, haha. Tudo bagun?ado, 5 graus do lado de fora e o sistema de aquecimento da casa ? antigo e n?o ? l? essas coisas. Poor baby… Mesmo assim nada o abala, ele n?o reclama de coisa alguma e o humor sempre nas alturas. Quando eu era um adolescente riot-rebel-depressiva, achava que pessoas assim n?o existiam. E que, se existissem, s? podiam ser idiotas, no sentido patol?gico da palavra.

Best things in life:
Dormir sabendo que no outro dia n?o tem trabalho.
Fazer xixi quando se est? apertado.
Batata frita.
Aquele jeans que n?o cabia mais ficando largo.
Chuva quando est? quente demais.
Manh? de sol depois de muita chuva.
Achar uma nota de dez reais no bolso da cal?a.
Completar ?lbum de figurinhas.
Caf? fresco com p?o quentinho e manteiga.
Cobertores + frio.
Cobertores + namorado(a) + frio.
Faltar ao trabalho por causa de resfriado.
Sair da dieta por um dia.
Parque de divers?es.
Banho de chuva.
Quermesse de bairro com ma?? do amor.
“Eu te amo”
“Eu tamb?m”.
Coca cola com cubos de gelo.
Sair bem na fotografia.
Reprise de novela boa.
Filme bom in?dito na tv.
Mudar de esta??o de r?dio e pegar uma m?sica legal come?ando.
Pipoca + cinema.
Bom dia + beijo de bom dia na cama.
CD novo.
Cheiro de livro novo.
Terminar de ler um bom livro.
Dor de cabe?a que passou.
Ler gibi do Calvin.
Esmalte novo nas unhas.
Receber carta.
Receber cantada de n?vel.
Dan?ar, dan?ar, dan?ar.
Fazer malas para as f?rias.
Banho de banheira.
Dormir abra?ado.
Fazer listas.

Agora algu?m me fa?a sair desse site aqui. Ou n?o. Voltar ? inf?ncia tamb?m ? uma best thing in life. E s? quem nunca curtiu o ?cio pensa que ele ? supervalorizado. N?o troco sal?rios de fome ou de sonho pelo prazer que acabei de ter e estou tendo: tomar um banho quentinho nesse ver?o-invernal do Rio (a chuva sempre foi a neve do natal carioca), fazer caf? fresquinho e vir ler sites bacanas comendo as primeiras rabanadas do Natal.

Por falar nisso, um bem feliz pra todos voc?s.

Escrito em reminiscências, self, Novembro 28, 2004 @ 06:06

A morte ? uma pessoa que n?o volta.? uma ma?aneta que n?o vira, uma campainha que n?o toca. ? aquela x?cara que nunca mais precisou sair do arm?rio. O espa?o vazio em cima da poltrona. O p? em cima dos discos. A morte ? uma gaveta cheia de roupas in?teis, que se v?o indo aos poucos, at? que a gaveta, vazia, se torne tamb?m in?til. ? o monte de chaves in?teis no chaveiro da parede. A morte ? quando uma escova de dentes ganha o poder de fazer algu?m chorar.A morte ? esconder fotografias. ? nunca mais bife de f?gado ? mesa do jantar. ? buscar atalhos para fugir de caminhos para fugir de lembran?as. A morte ? um travesseiro molhado. ? desfazer o par de toalhas de banho com monogramas. ? o ?culos de aro quebrado que n?o precisa mais de conserto. ? o cheiro do perfume. ? um “boa noite” a menos para se dar e se ouvir. ? um convite a menos a se mandar para a festa. A morte ? a carta que volta ao remetente. ? n?o montar a ?rvore de Natal. ? uma data de anivers?rio a menos para se anotar na agenda. ? desligar o r?dio quando a m?sica toca. ? um carro que n?o chega. ? o cachorro que, sentado na porta da frente, espera, espera…

A morte ? um punhado de n?os e de nuncas. ? eternidade e finitude. A morte s?o pequenas coisas que se v?o morrendo (e matando) a cada volta do rel?gio.
A morte ? muita coisa, e ? nada ao mesmo tempo.

A morte leva e, cruelmente, fica.

Era o sexto dia de janeiro, uma segunda feira chuvosa. Eu e minha m?e hav?amos chegado de uma breve temporada na casa de praia de um casal amigo. Est?vamos felizes e cansadas da viagem. Eu assistia ? reprise vespertina de Por Amor, enquanto ela jogava conversa fora com uma amiga, no terra?o. Meu padrasto havia chegado em casa, entrado no quarto, pego algum dinheiro e documentos, e sa?do novamente. Minha m?e n?o desceu para falar com ele, e eu, trancada no quarto, n?o percebi sequer que ele havia estado l?. Ela acenou para ele, do terra?o, e ele brincou com ela, e avisou que voltava pro almo?o. Meia hora depois, o telefone tocou e eu atendi. Ele nunca mais voltou, nunca mais se viram.

H? in?meras teorias para o que possa ter acontecido. Disputa por clientela (ele tinha uma micro empresa de seguran?a), rivalidade com ex-funcion?rios, assalto… Sinceramente, ? o que menos importa. Importa ? que ele se foi, importa a brutalidade e todas as nuances tristes e injustas dessa hist?ria infeliz que at? hoje me faz mal relembrar. O olhar da minha m?e quando o caix?o entrou na capela, a fam?lia dele impedindo-a de entrar para v?-lo, criando ceninhas desnecess?rias, transformando um momento de dor em circo.

No s?bado fui jantar com Alaric e John num restaurante indiano, bebemos um bocado, fomos depois para um pub (onze e meia da noite ele tocaram um sino avisando que o hor?rio de vender bebida alc?olica havia acabado… H?? COMO ASSIM?), e voltamos de t?xi. Em casa, n?s dois bebemos mais um pouco, eu lembrei dessa hist?ria do meu padrasto e chorei feito um beb? sentada no ch?o da sala. N?o gosto de lembrar, n?o compactuo com as injusti?as do mundo, embora saiba estar atolada nelas at? o pesco?o.

Minha ?ltima semana, aqui. Eu ainda estou meio confusa, e me pergunto se isso vai passar, e quando. Ser? que eu vou deixar de ter raiva das diferen?as? Ser? que eu vou me acostumar com o frio? Ser? que eu vou sentir sempre saudade das coisas que eu antes nem gostava tanto, ou ser? que isso ? um sinal de que gostos mudam, sim, e eu vou aprender a gostar daqui tamb?m?

Ganhei essas flores do nada, sexta passada. Note que n?o t?nhamos vaso, e elas foram colocadas dentro da jarra do liquidificador que compramos semana passada.

Ningu?m, nunca, havia me dado flores, antes.

shell life.
Escrito em self, vida, Novembro 2, 2004 @ 02:31

I tried living in the real world instead of a shell
but I was bored before I even began

Um aperto no peito dif?cil de passar quando penso na minha m?e.
N?o ? saudade, ?s vezes acho que ? culpa.
A solid?o cr?nica dela se agravou com a morte do meu padrasto e ela quase n?o tem amigas. Imagin?-la noite ap?s noite, melancolicamente em frente ? TV, mergulhada em lembran?as do passado, me faz questionar escolhas. A m?e dele vai vir morar conosco (n?o na mesma casa, apesar de a casa dela ficar no nosso quintal), enquanto a minha vai envelhecer longe de mim.

N?o sei se quero receber a not?cia da morte dos meus pais via telefone.
A dist?ncia ?s vezes traz umas implica??es esquisitas.

A casa ontem amanheceu um caos. ? sempre assim na segunda feira. Passamos o final de semana todo batendo perna, e a lou?a suja na pia prolifera em progress?o geom?trica. Homens s?o excelentes cozinheiros, mas sujam cinco panelas para fritar um ovo. Ah, os padr?es de comportamento humano… Um dia os b?pedes racionais ainda v?o me surpreender.

Realmente, ?s vezes me canso de pessoas. Mas confesso que atualmente ando cansada ? de me preocupar com elas. Passei anos vivendo numa concha, seguindo o conselho do Morrissey. O mundo real, as pessoas de carne e osso, tudo isso era muito opressor e cansativo. Eu ficava com raiva quando me ligavam, com raiva quando deixavam de ligar. Ficava triste com os stalkers na web, ficava triste quando ningu?m, nem mesmo os stalkers, se lembrava da minha exist?ncia. Bloqueava gente chata no MSN, e ficava pra morrer quando percebia que as pessoas queridas n?o ficavam mais online e pareciam n?o querer falar comigo.

Um dia resolvi mudar o foco. Dar ?s pessoas o seu real valor, parar de critic?-las ou endeus?-las. Afinal, n?o preciso delas para viver e vice versa.

? mais f?cil fazer amizade com animais, sim. Eles n?o falam, nunca v?o discordar de nada, e n?o t?m crises de mau humor ou comportamento. Muito c?modo. Conviver com o ser humano ? desafiador, no entanto. ? preciso fazer concess?es todos os dias, ? preciso engolir frases infelizes, passar por cima de defeitos, n?o esperar muito em troca por saber que dificilmente vir? e receber com gratid?o o que nos ? oferecido. Parece um p?ssimo neg?cio, huh? Mas ? o ?nico poss?vel no Mercad?o dos Relacionamentos Humanos. N?o aceitar isso ? uma op??o, e para os que desistirem, sempre existem os c?es e os gatos. Mas estes gostam de voc? apenas porque voc? os abriga e alimenta. Gostariam de qualquer um que fizesse o mesmo.

Eu ainda prefiro saber que as poucas pessoas que me amam tamb?m se sacrificam para me entender, tolerar meus defeitos e que podemos discordar umas das outras s? para trocar opini?es, na paz, sem ataques ou narizes torcidos; como por exemplo no post das listas de filmes.

Estou feliz. No momento, sim. Basta.
N?o tenho mais pretens?es de felicidade eterna. S? damos valor ao que ? transit?rio; se a felicidade fosse padr?o passaria despercebida. Ganhei tr?s quilos depois que parei de tomar as p?lulas, e tamb?m andei abusando de carboidratos nos fins de semana. Sem stress: caf? com leite e queijo agora, jantar mais tarde. Aposto que em menos de 15 dias os tr?s quilos ser?o passado. E, se n?o forem… Bem, n?o foram! :o)

no answers
Escrito em self, Outubro 28, 2004 @ 02:41

< ironia > Gosto “tanto” das Powerpuff girls. < / ironia >
Mas, se eu fosse uma delas, eu seria assim:

http://www.nephco.com/powerpuffgirls

?s vezes parece que, quando come?o a me sentir feliz de verdade aqui, aparece uma coisa qualquer pra estragar tudo. Sim, as pessoas s?o diferentes umas das outras. Mas em certos aspectos, at? que elas podiam ser um pouco mais padronizadas… Estou me referindo aos aspectos bons, pois os ruins j? s?o padr?o faz tempo. Sei l?. Passei oito anos da minha vida com um cara que era totalmente diferente do cara com o qual eu talvez passe os pr?ximos oito ou mais anos, melhor das hip?teses. Toda hora eu “dou com a cara na parede”, no sentido de me deparar com uma rea??o inesperada com a qual n?o sei lidar.

Ok, assumo a incompet?ncia. Lidar com gente est? longe de ser a minha especialidade. E os “manuais de instru??es da ra?a humana” (aka livros de psicologia) nunca responderam ?s minhas perguntas.

O meu ex ? um cara legal. Um fdp, mas com um bom background. Car?ter meio duvidoso, mas nunca roubou dinheiro da minha bolsa, por exemplo - n?o que eu tenha notado. N?o gostava de trabalhar, mas and so, eu tamb?m n?o gosto. O problema ? que acreditava piamente que o fato de ele sofrer as consequ?ncias por n?o ter emprego e sal?rio era uma coisa muito injusta. O mundo era cruel, malvado, e ele devia ser indenizado pela humilha??o de ter que sobreviver de parcelas do FGTS e aturar eventuais subempregos. Tinha f? inabal?vel de que seria um escritor famoso, e ficava bravo, muito bravo, quando eu diplomaticamente jogava um balde de ?gua fria em cima do seu sonho, transformando em lama o seu p? de pirlimpimpim (Monteiro Lobato, eu n?o gosto de voc?, mas vou usar a refer?ncia sim).

N?o deu certo porque cansei de ser usada, e ele cansou de mim (talvez n?o de me usar, mas a? ? outro papo). Ele queria que eu agisse o tempo todo como a semideusa intelectual que ele pensava que eu fosse, ou queria que eu fosse. S? que eu sou, sempre fui e serei uma eterna p?s-adolescente, com mentalidade de jardim-de-inf?ncia ?s vezes, e o fato de eu ter os quatro personagens do South Park, vers?o polipropileno, sentadinhos em cima da minha CPU, ele nunca conseguiu engolir. E eu nunca consegui engolir o fato de ter que emprestar dinheiro, sem garantia de devolu??o, para um camarada que me tratava bem mas n?o dizia “eu te amo” porque estava sempre decepcionado comigo e ainda ria da cara de quem acordava cedo pra pegar no batente. Em oito anos de namoro, se me deu tr?s presentinhos, foi muito.

O tiro de miseric?rdia foi eu ter emprestado dinheiro para ele voltar para casa, e ele me ligar de l? todo feliz, dizendo que havia dado parte do dinheiro restante para a sobrinha e admitir que emprestara o resto para o irm?o, que dificilmente pagaria. A favor dele estavam a intelig?ncia, o senso de humor, a misantropia irm? g?mea da minha, e um certo z?lo fofo. E s?. De resto, borracha em cima.

O atual ? um anjo. ? noite, na cama, eu ?s vezes esbarro nas asas dele (anjos urbanos n?o t?m asas durante o dia). Sinto que faz diferen?a eu existir, diferen?a positiva e desinteressada. Eu n?o sei cozinhar (ok, frito ovos, fa?o bolo seguindo a receita e meu miojo com catchup merecia pr?mio culin?rio). Ele tem faxineira e, na pr?tica, n?o precisa de mim para limpar a casa. Tem dinheiro o suficiente para n?o se preocupar se EU tenho. E ? um po?o artesiano de virtudes. Gosta de discutir a rela??o (eu n?o, mas vamos combinar que ? uma evolu??o na ra?a masculina). ? inteligente a ponto de me fazer sentir com o QI do Forrest Gump. Nunca faz cara feia para coisa alguma, nunca critica as minhas atitudes, demonstra interesse verdadeiro por tudo o que me interessa. E eu amo quando ele chega em casa, estende os bracinhos na minha dire??o e diz “oi!”. Mas de vez em quando, lidando com ele, eu esbarro num erro 404, page not found. Information not available on database. Tenho v?rios, muitos dedos. Queria poder perguntar algumas coisas, entender tantas, mas tenho medo de meter a m?o na superf?cie desse lago t?o calmo e acabar enchendo-o de ondas. Desnecess?rias, quem sabe. Quem sabe?

Sabe quando voc? ia postar uma coisa e acaba postando outra totalmente diferente?

celul?ide
Escrito em diariamente, self, Outubro 25, 2004 @ 02:36

Excesso de otimismo = ingenuidade.
Algumas pessoas at? podem se sentir bem ignorando que o mundo ? como uma ma??; por mais bonito que seja, ? preciso remover as eventuais partes podres, porque a) uma vez podres, elas n?o voltam a ficar boas e b) se as deixarmos ficar, elas precipitam o apodrecimento de todo o resto.

Tem quem prefira colocar a ma?? na geladeira, eu prefiro pegar a faca na gaveta. Pr?ticas diferentes, e eu prefiro o meu resultado. Mas respeito que n?o se incomode em provar o amargo das partes escurecidas da fruta.

O final de semana foi meio inst?vel. A previs?o do tempo indicava chuva, e tivemos dois dias de sol. Bom, o sol estava l? no c?u, mas calor que ? bom, nada. No s?bado fomos ? cidade, compramos um monte de DVDs e CDs. Fiquei radiante quando encontrei Donnie Darko e Laranja Mec?nica, mas ele estranhou quando os peguei, dizendo que eram “muito violentos”.

Pode at? ser, mas s?o bons filmes. Se eu deixar a cargo dele, s? compra com?dia e desenho animado. Nada contra, mas n?o s?o meus g?neros favoritos. N?o gosto da densidade obtusa de alguns filmes europeus, mas aprecio filmes s?rios de vez em quando, que permane?am na lembran?a depois de desligar a TV ou sair do cinema, que se possa discutir com amigos (mas sem tiradas intelectual?ides, por favor). E, convenhamos, Shrek ? legal, mas voc? sai do cinema e deleta da mem?ria. Ok, Taxi Driver, Blade Runner e O Iluminado ficam pra pr?xima. Mas nem sob tortura ele me far? assistir Johnny English. Ah, tamb?m comprei coisinhas para brincar de fazer colagem.


Ontem me deu um piripaque emocional. Comecei a achar tudo ? minha volta um t?dio absoluto. O fato de ser domingo ? noite n?o ajudou, ali?s, domingos ? noite n?o deveriam existir. A ra?a humana deveria entrar em coma induzido todos os domingos depois do fat?dico almo?o em fam?lia, e acordar na segunda de manh?. Era cedo demais para dormir, tarde demais para sair para dar um passeio, e ele no andar de baixo feliz da vida vendo programa de automobilismo ou lendo revista de… automobilismo. Sabem a paix?o do brasileiro por futebol? Coloque uma engrenagem qualquer em cima de quatro rodas, e voc? ter? o equivalente a um Flamengo x Vasco para o meu namorado.

Como sempre tenho o ant?doto para os meus pr?prios males, diagnostiquei meu problema. Essa ? uma casa provis?ria, estou vivendo uma situa??o provis?ria em todos os sentidos da palavra e, como sou ansiosa, isso me estressa. Preciso das minhas coisas, preciso refazer meu environment aqui. Preciso do meu computador com meus arquivos para seguir com as minhas coisas. Preciso do meu material pra desenhar. Preciso de toda a parafern?lia que n?o me deixa sentir t?dio por um s? momento, em casa. Sem isso vou ficar andando pelos c?modos e batendo com a cabe?a na parede.

Na sa?da de carro para a cidade, reparamos na enorme quantidade de cogumelos que crescia no jardim. Na volta, resolvemos fotograf?-los, uma vez que esses toadstools apodrecem e murcham com a mesma velocidade com que aparecem.


***
Escrito em diário de bordo, reminiscências, self, Outubro 15, 2004 @ 12:14

it’s a pretty big world god
and i am awful small
everyday they rain down on me
flower in a hailstorm

Desculpem os meus desaparecimentos moment?neos, mas se voc?s tivessem que usar essa mesa aqui, baixa demais para a minha altura, entenderiam por que eu n?o apare?o nesse blog, no livejournal, no MSN, ou nas suas respectivas pastas de emails recebidos. Minhas costas ardem se eu passar mais que dez minutos sentada aqui, o que me irrita deveras, j? que ?s vezes uma boa sess?o de conversa fiada no Messenger remediaria o t?dio que come?o a sentir. Na verdade, se eu tivesse o meu computador aqui seria ?timo, j? que todos os meus arquivos (e o meu photoshop) est?o nele, e eu poderia ficar brincando de webdesigner frustrada.

Mas ele n?o est? aqui. E, como do lado de fora s? venta e chove, a minha vontade ? de me enfiar dentro daquela banheira cheia de ?gua t?pida ali, depois debaixo daquele cobertor quentinho l? e hibernar feito uma ursa.

Em tese, teremos Paris na semana que vem. Minha vontade de ir ? diminuta, porque isso significar? ter que interagir com pessoas, o que quase nunca se mostrou uma boa id?ia, no meu caso. Nen?m, obviamente, estar? ocupado, e eu terei que ficar andando feito barata tonta atr?s de pessoas que n?o necessariamente estar?o a fim de que eu as siga.

Acabo de me lembrar de quando eu estava na quarta s?rie. Minha ?nica amiga em toda a escola mal aparecia para as aulas, at? que n?o voltou mais - depois eu soube que os pais dela n?o tinham como pagar as mensalidades. Todo dia era a mesma coisa; eu chegava cedo, me sentava e ficava encarando longamente a porta, esperando que a minha amiguinha entrasse por ela e me pusesse um sorisso no rosto. S? que isso raramente acontecia e, conforme os minutos se passavam, a certeza fria de que eu teria que enfrentar mais um dia de aula sozinha se instalava no meu peito e eu chorava ent?o lagrimazinhas de cubo de gelo. Eu tinha nove anos e era chato passar o recreio inteiro andando de um lado para o outro, vendo as meninas pulando corda e os meninos jogando bola. Nunca fiz um esfor?o efetivo para me integrar, mas como as minhas p?lidas insinua??es de que eu queria brincar nunca tiveram a calorosa recep??o que eu esperava, eu achei mais simples me isolar e ir comer o lanche no banheiro.

E foram anos comendo lanche no banheiro… No cursinho pr?-vestibular que eu n?o tive saco de terminar, na primeira faculdade, na segunda faculdade, no emprego… Na maioria das vezes eu n?o me via na situa??o de coitadinha. Acreditava que, se eu n?o podia estar com quem eu queria estar, n?o me interessava estar com ningu?m. Se essa era uma percep??o leg?tima ou apenas analg?sico contra uma verdade dolorida (a de que na verdade ningu?m queria estar comigo tamb?m), eu nunca procurei descobrir.

Geralmente desgosto das pessoas at? que elas se provem n?o-desgost?veis. Me escondo delas, e saber que daqui a uma hora chega a faxineira, me faz querer me esconder dentro do arm?rio - na verdade, eu s? descarto essa op??o por medo de que a Maria resolva abrir o arm?rio, duplicando o constrangimento da situa??o. N?o tem nada a ver com s?ndrome do p?nico porque n?o ? p?nico que sinto. Apenas uma avers?o gratuita, um estranhamento nascido do nada, que me faz ver meus semelhantes como qualquer coisa - menos semelhantes.

Acho que s? aqui na internet esse ciclo vicioso foi quebrado, pelo menos por algumas pessoas. E talvez porque elas n?o estejam aqui fisicamente. Em todo caso, acho de verdade que os meus melhores amigos (? exce??o de dois ou tr?s da vida real) est?o do lado de l? dessa tela onde pulam caracteres. Eles comem o lanche junto comigo e sempre nos divertimos na hora do recreio. Se eles seriam uma amea?a in real life? N?o fa?o id?ia, e enquanto estivermos felizes, isso ? o que menos importa.

another day.
Escrito em self, Outubro 12, 2004 @ 12:12

Do outro lado do mundo, que n?o ? o outro lado do mundo, faz sol.
? feriado e, segundo a cren?a consolidada por essas bandas, as pessoas de l? estar?o dan?ando nas ruas. Seminuas, porque sim, faz sol.

Deste lado do mundo a geladeira est? de mal comigo, e cospe no meio da cozinha fria pedras de gelo que afundariam o Titanic. Uma met?fora eletrodom?stica, porque aqui faz frio mesmo quando n?o faz frio, e n?o faz sol mesmo quando o sol parece quase tangivel, n?o fosse o vidro da janela. O castelo de gelo ? muito bonito; mas ? t?o frio.

N?o sinto fome, mas estou com fome. Existe algo vazio no meio da minha barriga que precisa ser preenchido; ou seria no peito?
Nunca fui muito boa em anatomia.

Um porta-retratos sem retrato em forma de gato me encara sorrindo, e sua felicidade de alum?nio pintado me irrita. Sou contra sorrisos eternos, a ?poca do choro est? em todos os calend?rios, mas os idiotas arrancam as p?ginas. Pintam sorrisos de hidrocor em caras ensolaradas, e eu sinto inveja e desprezo, enquanto o sorriso que esculpi na minha cara-de-pedra-de-gelo comeca a derreter lentamente.

Ser contradit?rio devia ser crime, eu devia estar presa e escrevendo mem?rias baratas do c?rcere, para depois vender em mesas de bares da zona sul, usando sand?lias franciscanas de couro. Ningu?m compraria, e isso n?o faria a menor diferenca.

E a ?gua que est? no ch?o se enche de bolhas por causa da ?gua que cai do c?u, e eu queria que isso parasse agora e que eu fosse brincar de pique-alto no quintal. Sozinha, porque n?o importa o qu?o baixo fosse o meu “alto”, ningu?m, jamais, me pegaria.

E essa pessoa aqui incluiu um texto meu no seu blog e, aparentemente, assinou como se fosse dela. Eu geralmente n?o me importo com copyright na web; se copiaram significa que valeu a pena ter escrito. S? estou observando porque, quando foi a minha vez de pegar foto de outra pessoa na internet e usar, todo mundo atirou a primeira pedra (e a segunda, terceira, quarta…) – inclusive quem rouba textos. Por essas e outras eu tento n?o criticar quem faz “merda”. At? porque o conceito de merda ? relativo; de absoluta, mesmo, s? a certeza de que todo mundo faria as merdas que costuma condenar, desde que tivessem oportunidade ou coragem para tanto.

<>
Escrito em reminiscências, self, Setembro 27, 2004 @ 07:05

Eu sou uma in?til perfeita. Na inf?ncia n?o sa?a de casa sozinha, e isso me transformou numa pateta. N?o tinha muito contato com pessoas. Meu pai passava o dia no trabalho, minha m?e sempre tinha o que fazer na rua e eu ficava sentada no quintal, brincando sozinha com as minhas bonecas. Hoje, n?o tenho talento pra conversar, n?o gosto de falar muito e sinto medo de pessoas. Tudo o que est? do lado de fora do port?o da minha casa (ou da casa do Nen?m) me parece hostil e amea?ador.

Preciso esticar as m?os e perceber PAREDES, para ent?o me sentir segura.
Ou ent?o segurar outra m?o, que me guiar? os passos.

Fico sempre adiando compromissos, se eles envolvem esfor?o. Tenho uma tend?ncia perigosa de deixar minha vida a cargo dos outros. Pra qu? sair para comprar algo, se posso pedir a algu?m pra trazer, n?o ? verdade? E assim a vida passa, do outro lado da janela por onde eu a vejo. Estou presa nesse quarto ouvindo m?sica triste e sinto uma dor de cabe?a estranha, que me prostra os membros e me d? sono, muito sono…

Vou dormir de novo. Quem mandou minha m?e me acordar no meio de um sonho?


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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