January 03, 2009 Ano novo, papéis novos.

Primeiro dia de internet em casa. Casa da mãe, diga-se.
A mesma internet que vai ser cancelada assim que eu não aguentar esperar até Março para sair desse FORNO chamado de Rio de Janeiro. Porque pessouas do meu Brasil, eu não sei como vocês aguentam. Eu não sei como EU aguentava. Ou melhor, sei sim. Eu não aguentava. Eu passava as horas externas necessárias num estado de torpor e desespero, gritando em silêncio. Agora que simplesmente não rola mais deixar um ar condicionado ligado o dia inteiro, eu sofro. Não durmo. Não vivo; vegeto. E derreto. E viro uma massa pegajosa, grudando em coisas e pessoas, porque a maldita umidade do ar (altíssima por essas bandas) atrapalha a evaporação do suor e prejudica aquele processo natural esperto e sagaz que o nosso corpo tem de estabilizar a temperatura.

Resumo da ópera? Eu agora sou uma lesma de 70 quilos, arrastando uma poça de suor onde quer que vá, tendo que parar para me secar com uma toalha maior que a bolsa a cada 20 metros de caminhada. O filtro solar FPS 50 impede o estágio camarão, mas não me salva de empretecer. E, ao invés de ficar com uma cor dourada e bonita, eu fico MANCHADA. É mole ou quer mais inferno astral para alimentar o seu sadismo, caríssimo leitor?

Passei o fim de ano em Búzios, mas não consegui ver quase nada. Mal saí do quarto, me refestelando no ar condicionado. E quando saía do quarto, me enfiava no carro e me refestelava no ar condicionado do mesmo. E me desesperava vendo aquela gente arrastando havaianas cafonas por areias escaldantes, as "saídas de praia" encharcadas de suor, visivelmente esgotados pelo calor, servindo de alvo para melanomas e destruindo a pele a troco de nada. Não adianta: sou um ser do frio e nasci no hemisfério errado - o destino se encarregou de corrigir a falha. Não me interessa se é resort de patricinhas ou piscinão de Ramos: eu acho praia um ambiente cafona. Fora que é cheio de gente que coloca tererê no cabelo, faz tatuagem de henna e cola adesivo de Micareta no vidro do carro. Sorry, but no. Me dá menos dez graus centígrados enrolada num casaco de lã de brechó anytime. Porque né, contra o frio a gente se enrola. E no calor, a gente faz o quê? A única coisa que EU tenho vontade de fazer é o meu testamento.

Mas há fotos de Búzios. Que, micareteiros e "cenoura e bronze" à parte, continua um paraíso. Espera só um bocadinho.


Eu sou daquelas pessoas estraga prazeres que não passa o reveillon de branco. Que não come uvas, não pula ondinhas, não repara na cor da calcinha que está usando e nem evita comer aves porque elas "ciscam para trás". Não ajuda muito o fato de eu não ser nem um pouco supersticiosa (tenho aliás uma certa peninha de pessoas viciadas em ler horóscopo) e não muito afeita a modismos, ou seja, fazer qualquer coisa só porque todos estão fazendo e esperando que eu acompanhe. Isso me rendeu, a vida toda, a fama de antipática, esquisitona, "do contra" e ranzinza. Que cultivo com certo carinho. Nunca fui de ganhar coisa alguma de ninguém, e não vou recusar quando me oferecem; ainda que seja uma reputação de pentelha.

Somente uma coisa me faz ter entusiasmo pelo suposto último dia do ano (sem mencionar a desculpa óbvia para comer e beber): a oportunidade de começar uma agenda nova. Que muito provavelmente estará abandonada lá por meados de Março, muito raramente usada para anotar algum telefone, nome de livro/DVD a ser comprado, rabiscar enquanto falo ao telefone ou enquanto espero a conta num restaurante. Mas nos últimos dias do "ano velho" e nos primeiros do "novo", a agenda é estrela absoluta, seu cheiro de papel novo e folhas branquinhas inspirando surtos criativos e caligrafia caprichada. A minha agenda 2009 é uma "agenda de jardinagem", com dicas valiosas para uma plantadeira de primeira viagem como eu. Mas o que me fez engolir em seco e tirá-la da prateleira sendo que eu já havia comprado um Moleskine para usar em 2009) foi a graciosidade das ilustrações. Olha que fofura:















É bem provável que eu não use muito essa pequena para escrever. Tenho outros livros de jardinagem, mais completos e confiáveis. Mas nenhum tem desenhos tão lindos e nem vai me lembrar, dia após dia, do que devo fazer no jardim e nem quando exatamente plantar o quê. Decidido, então? Moleskine para carregar na bolsa, agenda de jardinagem para deixar sobre a mesa, perto da porta de saída para o pátio dos fundos (que transformei temporariamente em potting shed). Só espero que minha inclinação para a jardinagem não se revele fogo de palha. A realidade é que, apesar de amar a minha casinha e a ilha mais bonita do mundo, não estou amando muito o tipo de vida que elas me permitem levar. Assunto pedregoso, que fica para outro post. Ou não. :)

Na verdade, o "ano novo", analisado friamente, não passa de uma ilusão. Começa e termina em horários diferentes dependendo do país. Muda de acordo com os calendários utilizados (chineses, muçulmanos, e os poucos povos que ainda usam o calendário Juliano). Muda até com o horário do verão! Mas mexe horrores com o coletivo, a ponto de motivar frases como "quero que esse ano acabe logo!" - como se o amanhecer de um novo dia aleatório fosse magicamente zerar os problemas do dia anterior.

Ok, aqui estou eu sendo chata e sarcástica novamente. Can't help it. No fundo, o tal Ano Novo não passa de uma boa desculpa para ensaiar recomeços. E eu não gosto de recomeços. Eu gosto de sequências, de continuidade. Mesmo que com altos e baixos. Mas principalmente das coisas boas. Das muito ruins, a gente não precisa, e nem deve, esperar uma virada de calendário para mudar. Todo e cada amanhecer é uma oportunidade; mas, como não sabemos ao certo quantos ainda temos pela frente, o jeito é se apressar.
As mudanças não sabem esperar por Ano Novo algum. Elas só esperam por você.


P.S.1: Este humilde blog é contra a Reforma Ortográfica, entre outros (vários) motivos por acreditar que ninguém a solicitou, nem precisa dela. Assim sendo, os hífens que eu sempre errei, continuarei errando, as tremas que eu nunca usei, continuarei engolindo, e os acentos diferenciais eu continuarei diferenciando (se achar bonitinho).

P.S.2: Saindo do Rio amanhã, voltando lá pelo final da semana. Por ora, sem tempo pra nada, servindo de guia e intérprete para o Respectivo; mas aproveitando muito essa companhia maravilhosa que em breve voltará para o frio. Não me esperem para o jantar, mas guardem um pedaço da sobremesa; eu tô chegando.

December 12, 2008 Potting and posing.

Só mais um antes de ir? Porque eu totalmente havia esquecido de plantar os meus bulbos! Fiz isso ontem correndo, armei uma zona na sala (porque apesar do sol, faziam seis graus centígrados... Sem condições de ficar fazendo buracos no jardim) e no quintal de trás, mas pelo menos (depois de plantar cento e sessenta bulbos!) agora tenho a esperança de encontrar lindas tulipas, jacintos e crocus me esperando quando eu voltar.






















E, como eu já tenho "sapatos sérios" o suficiente para esta encarnação...










Nem sei exatamente onde ou quando usá-los, but by God, a diversão que eles já me proporcionaram já valeu o preço.

Ok, agora eu fui mesmo! ;)

December 09, 2008 Reincidências e despedidas temporárias.

Bom, paguei essa joça de site por mais um ano. Então é preciso usá-lo para alguma coisa. Ainda que seja mostrar meus adoráveis sapatinhos novos (e baratos):








Pouco salto e detalhe T-Bar como eu queria, custaram somente 13 libras cada na ASOS e foram entregues dois dias após a compra na minha porta via courier. Quanto paguei pelo shipping? NADA. Considerável diferença da Amazon, que levou DUAS semanas para entregar o laptop que me dei de presente este natal, sendo que eu havia pago extra pela"entrega expressa" - que nunca aconteceu. Pelo menos me devolveram o dinheiro do envio.


Há uns bons anos atrás eu tinha 14 e estava dentro de uma papelaria no Rio Sul com o meu então quase-namorado. Papelaria essa já conhecida entre as minhas amigas (maníacas por papel de carta e canetas da Hello Kitty) por ter os vendedores mais carrancudos e antipáticos, daqueles que acreditam que sorrir provoca câncer. Então lá estava eu, com uns três ou quatro pacotes de coisinhas nas mãos, percorrendo prateleiras com os olhos quando percebi que uma das vendedoras me seguia implacavelmente pela loja. Como eles não trabalham por comissão (o esquema é pegar na prateleira e pagar no caixa), toda aquela "atenção" só podia vir de um lugar: a suspeita de que eu pretendia sair sem pagar.

Ok, santa nunca fui. Confesso uns dois ou três micro furtos (balas e cartelas de adesivos) numa filial das Lojas Americanas da minha cidade, basicamente para poder sair rindo, me achando esperta e contar para as amigas da escola - que haviam feito o mesmo. Uma espécie de rito de passagem adolescente, do qual nunca me senti particularmente orgulhosa; daí não ter perseverado na prática. Apesar de essas infrações do passado não estarem escritas na minha testa, eu estava então passando perto da porta (e o que eu trazia nas mãos não tinha tag eletrônica e não iria "apitar" se eu tentasse sair), "justificando" a atitude daquela senhora, que não se dava sequer ao trabalho de disfarçar com um sorriso quando nossos olhos se cruzavam. Entristeci ao perceber que, entre as várias pessoas que não estavam sendo seguidas, não havia nenhuma outra "moreninha mal vestida".

Verão no Rio de Janeiro. Short, camiseta e chinelo. Eu havia entrado no Rio Sul porque estava louca por um daqueles "sundaes" horríveis do McDonald's (minhas preferências alimentares evoluíram, ainda bem). Quase-namorado, que detestava shoppings e McDonald's e havia protestado em vão, agora estava ali na mesma loja, pesquisando miniaturas sem ser perturbado ou seguido. Short, camiseta e chinelo também, mas alvíssimo, bonito, cheirando a Fahrenheit e com um metro e noventa de altura, ele podia vestir e fazer o que quisesse. Como de fato fez: assim que percebeu o mesmo que eu havia percebido (prova de que eu não estava delirando), foi até à vendedora e quis saber por que ela estava me seguindo. E completou com a frase absurdamente arrogante (porque assim ele era) e que me fez, apesar de tudo e até hoje, corar de vergonha: "o limite do cartão de crédito dela é maior do que o seu salário num ano".

Blefe, é claro. Eu ia pagar pelos papéis e canetas com o dinheiro que trazia no bolso, porque o meu primeiro cartão de crédito, com um limite bastante modesto, só veio dois anos depois quando entrei para a faculdade e pude abrir uma conta universitária. O cartão com limite estratosférico era o dele. Que me pegou pelo braço e me fez sair da loja, do shopping e fomos parar num boteco. Pela irritação no seu rosto eu compreendi que preconceito era até então uma coisa que só acontecia com os outros, e não com alguém próximo e de quem ele gostasse. Acredito mesmo que tenha sido a primeira vez que ele presenciou tal coisa de perto, e que o incidente tenha deixado lembranças e lições em ambos, ainda que diferentes.


Por que estou contando tudo isso? Porque ontem senti vontade de usar aquela inesquecível frase arrogante de novo, quando dentro de uma filial da Accessorize, uma vendedora que antes apenas me observava à distância passou a me seguir pela loja. Eu tinha apenas um beret de tricô e uma pulseirinha vagabunda nas mãos, por isso considerei desnecessário pegar uma cesta enorme e ter que transitar com ela por uma loja lotada. Achei engenhosa a forma como ela sempre dava um jeito de ficar entre mim e a porta de saída. Achei corajosa a atitude de não retribuir o sorriso que dei (para tentar desarmá-la) e continuar a me seguir. Achei triste que eu tenha sido a única escolhida, entre as muitas adolescentes com carinhas de rica que populavam a loja, para ser vigiada de perto. Tênis, jeans e um tricot da Zara. Mas ainda diferente. Ah, isso não muda.

Ontem eu não estaria blefando se dissesse que o limite do meu cartão de crédito (ok, vá lá - adicional do Respectivo...) era maior que o salário anual dela. Vendedoras de loja, mesmo aqui, ganham pouco - principalmente as mais jovens. Mas acredito que certas lições têm hora certa para ser aprendidas e decidi que a grosseria e o preconceito que eu considerava lamentáveis naquela pessoa não iriam encontrar ressonância nas minhas atitudes. Se ela tiver que aprender um dia a ser mais tolerante, não seria a minha intolerância a ensiná-la. Paguei minhas comprinhas no caixa, vesti meu beret novo e fui tomar um cappuccino.


E, já que eu menciono vacas na apresentação desse site, achei que devia apresentá-las aos leitores. Não são minhas, mas são vizinhas e batemos altos papos quando a temperatura permite (imagens feitas ontem no ponto de ônibus):





Vi a internet inteira fazendo essa survey/meme aí embaixo (que rodou o livejournal há uns anos atrás) e me pergunto; será que ninguém percebeu o título? Originalmente, você só pode responder a cada pergunta com UMA palavra. Resolvi refazer a minha:

One Word Meme
Onde está seu celular? Bolsa.
Onde está a sua cara-metade? Banheiro.
A cor do seu cabelo? Pintado.
Sua mãe? Falante.
Seu pai? Esperto.
Seu objeto favorito? Câmera.
Seu sonho na noite passada? Bizarro.
Seu objetivo? Risadas.
Onde você está? Sótão.
Seu hobby? Daydream.
Seu medo? Voltando.
Onde você quer estar em 6 anos? Estabilizada.
Onde você estava na noite passada? Cama.
O que você não é? Resolvida.
Item na sua wishlist? Bonecas.
Onde você nasceu? Longe.
A última coisa que fez? Banho.
O que está vestindo? Lã.
Sua TV? Desligada.
Seus animais de estimação? Lindas.
Seu computador? Vaio.
Seu estado de espírito? Apreensiva.
Sentindo falta de alguém? Sempre.
Seu carro? Pânico
Algo que você não está vestindo? Chapéu.
Loja favorita? Drogarias.
Seu verão? Frustrante.
Ama alguém? Ainda.
Cor favorita? Todas.
Última vez que sorriu? Hoje.
Última vez que chorou? Esqueci. :)


Viajo em alguns dias e é bem provável que este seja o meu último update do ano. Vou sentir falta desse quarto e, de certa forma, dessa mini ilha estranha que anda me aborrecendo tanto. Suas casas com cara de maison francesas, nomes das ruas em francês, bean crock e fudge, uma espécie toda própria de vacas e um idioma moribundo, porém único. Sem Ikea, Tescos ou Asdas, mas com lojas de cerâmica, pérolas, um parque de diversões no meio de uma plantação de milho e um zoológico que não é zoológico, mas um centro de preservação para espécies em risco de extinção. Sem taxas ou VAT, sem Burger King, um único McDonalds, súdita da Rainha mas com governo próprio. Nada e tanto ao mesmo tempo para se fazer e se ver. Tão perto da França que nem devia ser Grã-Bretanha. Tão inglesa que não poderia ser outra coisa.


Deixo uma foto do último "destroy it yourself" do ano; a alteração de uma antiga prateleira de CDs, que manteve o propósito mas mudou de cor:


E as leituras de férias. Não por coincidência, todas trazendo relatos de pessoas que trocaram seus países por outros; seja por trabalho, por amor ou por pura e simples obra do acaso. E que muitas vezes se questionam, muitas vezes detestam tudo e noutras sentem culpa, se divertem e se irritam com as diferenças, sofrem e aprendem, sentem saudades "de casa" ao mesmo tempo que não reconhecem mais os lugares de onde vieram. Impossível não se identificar com toda essa gente e suas histórias tão semelhantes, mesmo que o destino os tenha levado a lugares tão díspares. Nunca mais seremos os mesmos, nunca mais nos sentiremos em casa em lugar nenhum. Mas nos sentiremos em casa em todos os lugares. Uma maldição e uma bênção.


Time to go, kiddos. Como eu provavelmente não terei internet, não esperem posts regulares aqui; até lá, divirtam-se com os arquivos desse blog (eu devia ter reservado um tempo pra deletar MUITA coisa deles, mas acabei não tendo), com os posts divertidos do Mão Feita e com os arquivos do Lolla Loves, cuja proposta é fazer pelo menos um post diário com algo que eu realmente goste; será que consigo mantê-lo nas férias? Só o tempo (e o serviço de telefonia/internete do Rio de Janeiro) dirão.

Para recados, Orkut e Guestbook. Para manter contato e ler notícias imediatas, Twitter. Para emails, gmail. Todos ali na sidebar.

Se não cair, eu volto.
Feliz Natal.

December 01, 2008 Moda, esmaltes e futilidades.

Dezembro começa amanhã, e quem tem um calendário do advento já pode começar a contar os dias até o Natal. Minha mãe está tão animada com a nossa presença por lá que até comprou uma árvore - pena que os enfeites são azuis. Acho gélido. Não tenho idéia de onde passar o Reveillon. Meus amigos, como era de se esperar, se revelaram inúteis e não foram capazes de dar UMA sugestão do que esteja disponível na cidade. O mais legal vai ver esse mesmo pessoal se enfiando em festas ÓTIMAS de última hora enquanto eu provavelmente pastarei em Búzios (ok, eu sei que Búzios é lindo, mas pacotes de Reveillon são longos e EU NÃO GOSTO DE PRAIA) ou Itaipava (eu adoro serra, mas Reveillon em Itaipava deve ser tão animado quanto missa de sétimo de dia).


Moça aqui no rádio acaba de ganhar uma viagem para passar o Natal em Paris. Reação da peça quando o locutor anuncia? "Thanks". Assim mesmo, sem nem um ponto de exclamação. O locutor ficou até sem graça. Não é regra geral, mas DEUS, como existe gente apática nesse país. Se NADA é uma boa razão para celebrar, então por que será que eles bebem tanto? Quando tudo vem fácil demais, as pessoas acabam perdendo a capacidade de serem gratas. Manda a passagem pra Paris pra MIM que eu canto God Save the Queen em yorubá, de trás para frente e pulando os pês. Pfe.


Por falar em beber, estou aqui curando a ressaquinha de sábado com... uma garrafa de Merlot. E uma bacia de tempura prawns. Desde que essa maldita deep fat fryer adentrou a porta da frente, a minha qualidade de vida caiu. E subiu. Bom, sobe quando eu estou feliz, on a tempura high, fritando bacias de batata frita para toda a família (ou seja, eu e as bonecas... e, como bonecas não comem...). Mas cai vertiginosamente quando eu subo na balança e me deparo com o horror; ainda bem que deixei de ser idiota e parei de fazer isso há meses. Porque né, enquanto a gente estiver conseguindo passar pela porta, estamos no lucro. Passa o catchup aí.

A ressaca de ontem veio de uma festa inesperada para celebrar a minha viagem de volta à terra mãe. Uma louca chegou trazendo uma caixa de Sagres (cerveja portuguesa, simplesmente horrível; mas eu tinha Heinekens e Kronenbourgs na geladeira) e vinte minutos depois ligamos para a outra, cujo marido também estava viajando. Ela veio trazendo o cachorro que, incrivelmente, se deu bastante bem com a minha gata. Cerveja + batata frita + Irene Cara cantando FAME! na TV + meus CDs do Kool & the Gang. Paetês e Lantejoulas e shortinhos de nylon dourado - acho tendênssia.


Acho curioso esse fenômeno pelo qual a web vem passando nos últimos tempos. Multiplicam-se blogs sobre moda, maquiagem, celebridades, as fashion bloggers estrangeiras criam sites visitadíssimos para expor seus looks diários - pelo menos uma delas é nacional (sei de outras, até bem anteriores, mas a Chris merece a citação por ser pop, haha), mas a minha favorita é a Cherry Blossom Girl. Apesar de ser uma parisiense poser e com cara de metida, as fotos que ela faz para o blog são lindas:


















As fotos do quarto da garota são deslumbrantes - o que é aquela pintura da parede?? Já havia visto fotos do quarto em vários sites de decoração, e agora sei quem é a sortuda que dorme nele e, ao acordar, vai bater perna em Paris calçando sapatinhos Chloé e Miu Miu.

Outras fashion bloggers interessantes: jessica do what i wore, melissa do daydream lily, carrie do wishwishwish, sandra do niotillfem, camille do childhood flames, etcétera. Me recuso entretanto a linkar uma delas, pirralha de 12 anos que veste jaquetas Chanel e posa entortando os bracinhos feito as modelos da Vogue. Patética. Se eu fosse a mãe dela, trancaria a porta do closet e levaria a pseudo-fashionista pra ir escolher umas Barbies no Walmart. E, de quebra, engrossaria a mamadeira da fedelha com farinha, porque DOZE anos é muito cedo pra passar fome em nome da moda. Doze anos é idade pra usar tênis, camiseta, jeans larguinho e pendurar posters emo na parede do quarto. Adendo final: acho IMORAL qualquer pessoa com menos de 35 anos ter uma Hermès Kelly. Pronto.

Enfim, acho fofo a web estar bem feminina, futilzinha sim, porque os olhos e a alma às vezes pedem férias dessa avalanche de assuntos pesados e dicussões intermináveis. Confesso que atualmente uso a internet principalmente para ver e ler coisas bonitas que me inspiram; poesia, fotografia, ilustrações, diários bem escritos... Sem mencionar que é tanta agressão gratuita deixados nos comentários alheios que às vezes prefiro nem abri-los. Sem contar aqueles blogs que já vem com claque pré-instalada.

De resto, a ressalva aos blogs de maquiagem é que, oi? Ninguém precisa ter 40 blushes, 57 batons, 31 corretivos, 108 sombras para os olhos e 20 tubos de rímel. Tem gata que perde a linha e parece ter se perdido num universo paralelo onde só existem compras no StrawberryNet e F5 no Perez Hilton para criticar a cor do batom da Rihanna. A pergunta é; quantas vezes por semana essas divas saem de casa para justificar todo esse arsenal? Ou será que o barato é justamente fazer fotos e mostrar na internet? Acho cômico. Futilidade é uma delícia mas, assim como doce de leite, tem limite antes de enjoar e causar efeitos colaterais indesejáveis.

De volta ao assunto, fui convidada pela Letícia a fazer parte do time de meninas que escreve o Mão Feita, um blog sobre... esmaltes. Isso mesmo. Pouca gente sabe que eu gosto mais de esmaltes do que de maquiagem. O motivo? As minhas mãos merecem! Elas são MUITO mais bonitas do que a minha cara!

Então vou transcrever aqui o meu post de apresentação no bloguinho de esmaltes; como já foi publicado lá faz tempo, acredito que as meninas não vão se importar...

Reminiscências.
"Quando eu tinha uns doze anos entreouvi uma daquelas conversas de mães na sala, onde a minha confidenciava às outras algo mais ou menos assim: “minha filha pode até não ser uma miss brasil, mas tem unhas maravilhosas!”. Ao invés de ficar traumatizada para o resto da vida, saí saltitando pela rua e, com o dinheiro da mesada, comprei o meu primeiro vidro de esmalte. Vermelho da Risqué.

Lembro também o dia em que eu, nos velhos tempos de pseudo gótica juvenil, cheguei em casa com cara de quem havia descoberto a pólvora e as unhas pintadas de preto. Descobri o esmalte na casa de uma prima, que o havia comprado numa viagem ao exterior. Eu nunca tinha visto aquela cor antes e estava ali a resposta para o meu dilema: como ser levada a sério como gótica com as unhas pintadas de pink?? Meses depois me apaixonei por um playboyzinho e arquivei minhas pretensões de gótica wannabe - mas os CDs do The Cure e, claro, o esmalte preto, ficaram para sempre.

De resto, quis participar do Mão Feita pelo mesmo motivo da Renata - me forçar a fazer as unhas pelo menos semanalmente. Não há desculpa, já que tenho tempo e uma necessáire cheia de esmaltes. Aliás, existe melhor pick me up do que comprar esmalte novo? É baratinho, satisfaz um impulso consumista-girlie sem quebrar a conta bancária e não falha em nos deixar felizes e loucas pra correr pra casa e ver como fica. Eu sou a louca que se esbalda nas lojas “testando amostras” e sai com cada unha pintada numa cor diferente.

Dito isso, também sou a louca que nunca vai à manicure. Sério, devo ter ido umas duas vezes na vida e odiei cada segundo. Detesto gente futucando minhas mãos com artefatos pontiagudos - acho desconfortável e desconcertante. Faço eu mesma porque EU sei quando está doendo e a hora de parar; e também porque moro nos cafundós do Reino de Elizabeth e manicure aqui cobra o olho da cara e faz um serviço pior do que o meu. E, horror dos horrores: eu NUNCA tirei a cutícula. A vantagem é que, como nunca tirei, ela nunca teve que crescer de novo e é praticamente inexistente.

Ok, apresentação feita, vamos ao Esmalte da Semana:


Estou usando o 1 Seconde da Bourjois, na cor Rose Pearl, que é um rosa bem básico e bonitinho (a foto é péssima porque não refletiu o brilho). Estou tão apaixonada por esse esmalte que amanhã vou à cidade comprar todas as cores disponíveis (não muitas, felizmente). Além de a textura ser ótima (cremosa sem ser grossa, nem rala demais), o formato do “pinceau panoramique” é fabuloso. Você cobre praticamente a unha inteira com uma única passada. Eu consegui pintar a minha mão direita sem borrar; feito até então impossível. E dura bastante - pintei na segunda, hoje já é sexta e ele ainda está quase intacto. E oi, eu sou dona-de-casa.

Sem contar que seca em menos de um minuto; um dos motivos pelos quais eu demoro a fazer unha é a PREGUIÇA de esperar o esmalte secar.
É, eu sei. Imperdoável. Mas prometo mudar. Yes, we can!"

O resto dos meus posts está aqui, e visitem o blog, que é gostoso de ler até para quem não é "nail varnish maniac" como as autoras. ;)

November 26, 2008 Cobiça da semana.

Eu devia estar plantando meus bulbos (tenho 160 para plantar; OI, alguém topa vir me ajudar a fazer furos pelo jardim na CHUVA e temperatura de CINCO graus centígrados? Obrigada!) ou fazendo as malas (viajo em duas semanas). Ao invés de fazer algo útil e sensato, pego minha caneca de café da Hello Kitty, três biscoitos de aveia (ok, quatro...) e me sento na frente do computador para arrumar mais problemas para a minha vida; e o mais novo (que descobri através da Yvestown) se chama Decorative Country Living. O nome é bem explicativo; não posso me queixar de não ter sido avisada antes de clicar. Olha só o interior da loja:




Fica em Lincolnshire (alô quem mora perto, uma loja assim deve valer uma visita, nem que seja para alagar o chão de baba... Se eu morasse perto, pediria para morar lá dentro; pagava aluguel e tudo), numa capela reformada do século XIX (ai, ai) e o pior: envia aqui pra Jersey. Oi, me danei e já estou devendo até o pescoço? Ok, comprar eu ainda não comprei nada (as said before, tô de saída e vou passar o inverno inteiro fora), mas há coisas que eu muito quero e coisas que eu muito quero copiar...

Os coraçõezinhos são adoráveis, mas acho que consigo fazer em casa com arame, contas, alicate, barbante e fita gingham vermelhinha. Também achei fofo o cabideiro onde estão penduradas - um pedaço de madeira velha + pregos. Bem rústico.


Esse é ainda mais simples: botões de madrepérola (falsos ou não...) e arame. Devem ficar uma graça como enfeites de árvores de natal (também em botões vermelhos).


Tão simples que não há nem desculpa para não sair fazendo vários. Pensei também em usar botões coloridos e no meio bordar o nome de uma criança. Ficaria legal para um quarto infantil. Taí uma idéia de presente de natal. Borde em linho ou pano colorido liso. Dependendo da cor dos botões, o tecido pode ser até estampado. A moldura pode ser um porta retratos barato qualquer, que você pode pintar de uma cor que combine com o bordado/botões/tecido. Eu tenho aqui várias molduras como essas, que comprei por centavos na Rua da Alfândega no Rio.


Eu também adoro essas letras, mas a) teria que comprar, porque né, não há como cortar madeira ou metal tão bem assim e b) já vi em TANTOS lugares que já estou começando a achar clichê. Mas são lindas.


Ok, isso aí não tenho como fazer também, então entrou na lista do "quero comprar". Ainda mais sendo baratinhos: £4.50 cada um. Oi, eu sou a louca dos sabonetes. Tenho uma cesta cheia deles no banheiro. Não posso ver um sabonete diferente, com formato bonito, cheiro interessante, cores vibrantes ou embalagem fofa que compro. Não tenho coragem de usar nenhum, entretanto, e tomo banho com sabonete vagabundo de supermercado. Eu me amo.


Mais sabonetes! Esses são de azeite de oliva e devem fazer maravilhas pela pele. Ok, acho que desses eu usaria pelo menos um. Os baldes reciclados também são lindos, mas tenho vontade de fuçar caçambas de lixo perto de lugares onde estejam rolando obras... Geralmente eles jogam vários desses no lixo.


Continuando no tema jardim, também adorei essas cestas. São forradas com plástico para permitir que se plante flores de verdade. Não sei se eu teria coragem de deixá-las no jardim, entretanto. Dessas eu consigo achar por aqui. :)


Também sou a louca das luminárias. Tenho algumas espalhadas pela casa e sempre quero mais, porque não há nada que se compare com a luz que vêm delas. Não fosse o medo de incêndio devido ao meu estabanamento, eu só usaria velas para iluminar a minha casa.


That's all, mas no site tem muito mais. Clica lá. Ou não. :)


Apesar desse pequeno lapso na frente do computador, a falta de tempo impera, aqui. No topo da minha lista de desejos imaginária para 2009 (imaginária porque nunca faço essas listas) estaria "aprender a organizar melhor o meu tempo". Porque tá complicado. Eis o problema de quem não trabalha: como ficamos com essa impressão de que temos todo o tempo do mundo para fazer o que quisermos, acabamos desperdiçando-o. A situação piora quando se tem múltiplos interesses e hobbies, como eu. O site de dolls não é atualizado há anos e as bichinhas estão empoeirando na estante. Abandonei o Blip por causa do tempo que gastava procurando as músicas que queria postar e/ou fazendo upload delas. O twitter está em vias de ser abandonado para sempre, também, porque o nível caiu bastante e até eu sinto que não tenho mais o que dizer ali.

No próximo ano quero decidir o que fazer com meus sites. Muitos serão deletados e talvez nem esse aqui escape - embora eu esteja fazendo o possível para mantê-lo. Muita gente reclama que atualizo pouco, que não tenho feed (eu não consigo colocar, os sites dizem que não "encontram" o feed daqui... Uso o Blogger e publico no domínio; alguém sabe ajudar?) e eu concordo e sei que é chato. Então, vou dar uma limpa geral, definir uma única direção para esse site e fechar várias contas que uso pouco mas que, de certa forma, consomem tempo. E quem sabe conseguir ser mais presente em alguns poucos, porém queridos, sítios internéticos.


E, antes de ir embora (porque eu não aprendo), olha só isso e vê se não dá vontade de ir pra cozinha fazer bolinhos e biscoitos em forma de coração?






Por sorte a loja é finlandesa e eu não entendi nada, nem se mandam pra cá ou não... ufa!
Peraí... A minha sogra é finlandesa. Será que se eu mostrar o site pra ela eu... GAHHHHH!

*fecha browser*

P.S.: Sim, tem versão em inglês, mas apenas da página de apresentação. Ou seja, não adianta muito.
P.S.2: Pus um link pro feedburner ali na sidebar; quem usa feed, favor testar e avisar no guestbook se funciona? 'kthanks!

November 23, 2008 Toastie toesies.

Finalmente, pés quentinhos!! A lareira chegou há várias semanas atrás, mas só recentemente, depois de muita espera, ela foi instalada. O senhor que limpa a chaminé veio no sábado passado e deu o sinal verde para a primeira "Noite em frente à lareira" de 2008. Na verdade, a primeira nesta casa. :)


Não parece, mas ela é bem grande e esquenta bastante. Lareiras com "fogo aberto" têm a vantagem de espalhar o calor mais depressa, porém as fechadas mantém a madeira/carvão queimando por mais tempo, gastando menos combustível e aquecendo de forma mais eficiente. Fora que não há risco de alguma eventual fumaça vir parar dentro da sala e acionar o detetor de incêndio (o barulho não é NA-DA agradável). Tô planejando tostar uns marshmallows ali logo, logo. :)


E agora eu também tenho flores na janela. Abandonei as artificiais, passei no garden centre, rodopiei por mais de meia hora tentando achar algum pote com plantas que não estivessem parecendo uma salada que ficou três semanas na geladeira (inverno, gente...) e saí de lá com essas "flaming katy" (kalanchoe):




São bonitinhas e requerem poucos cuidados. No inverno, quando tudo está morto, seco ou hibernando, achei que seria terapêutico trazer um pouco de cor e vida para dentro da casa. Essas vão florescer por umas 8-10 semanas, e depois posso jogar os potes no lixo. Ah, o encanto das flores anuais...


De blog em blog, caí no Flickr Cotton Blue e fiquei boquiaberta com a casa da Wan, a dona do stream. Ela mora numa casa pequena (70 metros quadrados) numa cidadezinha litorânea a 20km de Tóquio. Hm, casinha linda e pequena? Perto do mar? E a 20km de TÓQUIO??

Alguém me segura que eu quero roubar a vida dessa mulher. Ou, pelo menos, copiar a casa dela. INTEIRA.



Segundo ela, quase tudo o que se vê nessa estante abaixo foi comprado em brechós e sebos.
E eu adoro esse tipo de estante de parede, até me animaria a fazer uma e depois lixar (para deixar as bordas com esse arzinho de "usado", mas como não vou conseguir cortar os detalhes arredondados, desisto do projeto (até comprar as ferramentas necessárias, haha).



Fundos brancos + tons pastéis = LOVE.



Quero morar nessa salinha pro resto da vida. Se aquele sofá ali fosse sofá-cama, eu só precisaria de um banheiro, um microondas e mais nada.



Não basta ter As estantes fofas. É preciso entupi-las com coisas decentes e de forma coordenada. Senão ficam parecendo estante de loja de segunda mão (como as minhas... nhé).






Inclusive, Wan tem uma loja deliciosa no Etsy, daquelas que nem é bom clicar se você gosta de tecidos e artigos de armarinho, sob o risco de gastar todo o seu dinheiro em coisas lindas que terá pena de usar. O que é essa fita de linho decorada? E esse tecido com estampa de matrioshkas (idem para essa aqui)? E os carimbos, fitas adesivas, artigos de papelaria? Morro de vontade de sair comprando os retalhos em quadradinhos que ela vende para montar um quilt, mas como eu sei que a preguiça mata todos os meus projetos antes que eles abram os olhinhos, eu mordo o dedo, fecho o browser e vou ali comer mais Haagen Dazs praliné & cream. Hmmmmm.


Povo boquiaberto com a tal Mallu Magalhães (uma cantora/compositora que fez sucesso na internet e agora vai lançar disco) namorando o cara do Los Hermanos. A balbúrdia se dá em torno da diferença de idade: a menina tem 16 anos, e ele, 30. Well, eu acho a menina bastante insossa, as músicas soporíferas e, por alguma razão, ela sempre faz papel de retardada nas entrevistas. Talvez seja para capitalizar com a imagem de "criança prodígio", mas olha só: in MY books, 16 anos já não é criança, não. E aí eu leio os comentários dessa charge babaca, coisas do nível de "se fosse minha filha eu não deixava!", "onde está a mãe dessa menina?" e "ué, pedofilia não era crime?" e bato com a cabeça no teclado. Se fosse um MENINO de 16 anos, geral estaria fazendo sinal de joinha e chamando o cara de "pegador". TSC.

Não interessa se a guria é bobinha ou não. O que interessa é que são dezesseis anos, people. Não são dez. Não são seis. Dezesseis. As meninas hoje já estão transando com 14, 15 anos numa boa e ninguém mais fica chocado. Ninguém estaria chocado se ela estivesse namorando um rapaz de 17 anos. Me iluminem: qual a diferença entre transar com um cara de 30 ou com um de 17? No máximo, aposto que iniciar a vida sexual com alguém mais experiente seria bem menos problemático do que com um fedelho que mal sabe onde enfiar o quê. De resto, eu só acho o tal hermano muito feio e chato. Mas, como gosto é uma coisa pessoal e a menina também é feinha e chatinha... Haha, sinceramente - nasceram um pro outro. Felicidades ao novo casal da MPB.

P.S.: e as insinuações de pedofilia são igualmente ridículas. Não faço idéia de qual seja a "age of consent" no Brasil (nem mesmo se existe), mas aqui no Reino Unido é... 16 anos. Ou seja, nem aqui dava cadeia. Vamos parar de falar bobagem, pessoal.

November 21, 2008 shorts, shorts, shorts.

Jane Birkin, Paris, 1970... Londres, 1976.



Nadia Cassini, 1970... Mary Quant, 1971.



Paris, 1971... San Francisco, 1971.



Jodie Foster, 1976... Alemanha, 1968.


Não, eles não ficam mesmo bem em todo mundo (independente do Índice de Massa Corporal) mas, para as mulheres de épocas passadas, o que realmente importava era o ato de rebeldia implícito em usá-los. And that's why Lolla loves them. :)

November 15, 2008 pula a fogueira, iaiá.

Então, acabei de voltar da "fogueira" (Bonfire Night) aqui do bairro. Que aliás devia ter acontecido semana passada, mas foi adiada por causa do mau tempo. É praticamente uma "festa junina versão UK", com direito a barraquinhas de comidas típicas, quentão, caixas de som tocando música ruim em altíssimo volume, adolescentes saracoteando para cima e para baixo tentando arrumar namorado(a), um sem número de crianças chatas se melecando com doces, fogos de artifício e, claro, uma fogueira imensa. Só faltou mesmo a quadrilha, mas isso os ingleses resolvem colocando alguns bêbados para subir num palquinho e pagar mico no karaokê.

O meu saldão da noite: três mini donuts, quentão, sanduba de porco com papa de maçã, um café e "merda, aquele jeans não vai entrar em mim nunca mais". Sem mencionar o "correio do amor" que recebi de um moleque de, no máximo, 14 anos. De touca. E luvinhas sem dedo. E que havia acabado de cantar My Chemical Romance no karaokê. É impressionante o meu karma. Alguém deve ter me rogado uma praga do tipo "lollamum haverá de receber correio do amor de pirralhos imberbes em quermesses pelo resto da vida".

Outro Tumblr "de qualidade": Save Winehouse. Não muito interessado em salvar a decrépita cantora, na verdade, mas sim em documentar a sua meteórica e fascinante queda.

Antes do crack:



Depois do crack:



Aquilo ali é o cordãozinho do O.B.? Afraid so.



Madrugada, fazendo a phopha e oferecendo torradas com queijo para os paparazzi.
(Os mesmos em quem ela costuma bater, dependendo do estado de espírito)


E não, eu não consigo ter pena. Não acredito em rebeldes sem causa, quase tudo ali é auto-infligido e há pessoas muito mais merecedoras da minha solidariedade. E sim, eu tenho um porção sádica relativamente desenvolvida e, apesar de raramente ser voyeur de celebridades, essa mulher me diverte. Horrores. Agora pode jogar pedra.

E agora Au-Au, porque né, depois da Amy eu necessito de colírio.


Esqueci de publicar as fotos do DEPOIS do Jeri Moon! Imperdoável. Esse ano não tem making of porque eu não fui avisada do início do processo e, quando adentrei a cozinha, o Jeri já estava em sua forma mais ou menos definitiva. Ei-lo sendo aceso:



Cumprindo sua função e sendo orgulhosamente exibido pelo Criador:


Yup, eu gosto de Lanterns básicos. Adoro os Jacks vomitando ou artisticamente esculpidos, mas na minha porta eu sou tradicionalista. Sorry.

Reclamei tanto do terracota das paredes da sala e acabei esquecendo de postar justamente ela. Então, sala 2 (ainda estava meio pelada nessa época, e todos os móveis que você vê nessa foto, exceto o gaveteiro no fundo à direita, vieram do Brasil):




Sala 1 (na verdade é a mesma, já que derrubamos uma parede e transformamos duas salas pequenas + corredor em uma sala grande... Melhor coisa ever - eu DETESTO paredes desnecessárias). E essa é a minha árvore de Natal, ano passado.


Totalmente de alho para bugalhos. Carioca é um bicho TÃO insuportável às vezes (me perdoem as exceções) que eu não sei com que SACO vou passar três meses no Rio. Agora que o The Sartorialist esteve por lá no Claro Rio Summer fotografando pessoas, celebrities e inutilities para o site dele, a cariocada a) deslumbrou e b) invadiu em massa os comentários do site para anunciar orgulhosamente a Naturalidade e deixar os seus super hiper ultra mega importantes pitaquinhos. A saber:

1) Dar sugestão de turismo para o cara (que é ocupadíssimo e, bem, está cagando para Rio Guide improvisado e praquele "restaurantezinho ótimo da minha cunhada no Jardim Botânico");

2) Apresentar palestras relâmpago a respeito de carioquês. "I hope that you understood what means SAIDEIRA". Porque wow, né, a vida da Natalia Vodianova nunca mais será a mesma depois que ela aprender a pedir mais uma cachaça no Bracarense. Então.

3) Corrigir a pronúncia em português dos gringos. Tipo, hellow-que-tal-olhar-seu-rabo e notar que você também erra no inglês? E se você, que se propõe a acompanhar blogs em inglês, não se preocupa em dominar o idioma, porque alguém teria que se propor a aprender o seu dialeto? Sinxergol, anyone?

4) Re-re-reafirmar pela enésima vez que o Rio é a cidade mais linda do mundo. Insira bocejos, muuuuitos bocejos, aqui. O conceito de beleza é relativo e, ainda que não fosse, quem é que está interessado nessa opinião pra lá de parcial, mesmo?

5) Sendo expatriado, devidamente exclamar em maiúsculas um "AI QUE SAUDADE DO RIO!!" (mas pergunta se eles querem voltar? Pergunta se não é mais gostoso ter saudades do Rio tomando cappuccino e passeando de echarpe pelas ruas limpinhas e sem trombadinha da Europa?)

6) E, como de praxe, mandar todo mundo ir visitar a bendita Favela da Rocinha. Eu já me manifestei aqui sobre o quanto eu ODEIO essas Favela Tours? Não vejo graça em turismo que glorifica pobreza e na galera que se aproveita da carência dos pobres e da curiosidade dos gringos para pagar o condomínio de 3 mil reais das suas coberturazinhas em Ipanema (sem vista para favela nenhuma, of course).

E toca galera querendo provar que conhece o Rio mais a fundo que o outro, e os gringos lendo os comentários e se perguntando "what in the holy flying the fuck?" e as miguxas gringocas me interrogando "Por que as pessoas se excitam tanto assim quando se fala da cidade delas? Eu não vejo isso acontecer quando o Sartorialista visita qualquer outra cidade." Eu até responderia "problema de auto estima, sweeties", mas prefiro fazer a surda-muda-louca e ignorar a pergunta.

EDITADO: acabei de achar um post hilário na Katylene (que aliás super voltou) mencionando o fato e ainda tirando uma com a cara dos carióacas. Porque o Sartorialista tirou foto de quiosque de praia, de cachorro, pombo brigando, crianças jogando futebol na areia, Valentino (italiano), Natalia (russa), modeletes no evento; mas carioca estiloso passeando pelas ruas, ó: pocacoisa. Lol.

November 12, 2008 Technicolor House II, A Missão.

Prosseguindo com os requests, pediram fotos das paredes daqui de casa para ver as cores das quais eu falava. Eu já havia feito um post parecido, mas rodei os arquivos e não consegui encontrar. Vai ver as fotos estavam hospedadas em algum site mequetrefe e saíram do ar. Enfim, fotos novas, não muito boas por conta da bagunça, da luz ruim, - insira desculpa esfarrapada aqui -, MAS agora eu sou phyna e comprei um tripé. Doravante, se eu fizer fotos ruins, saibam de antemão que a "falta de luz" é, na verdade, preguiça.


A imagem acima dá uma boa idéia do "arco íris doméstico". A parede azul é a do meu quarto, a bege rosada é a do corredor, a verde é a do banheiro do Respectivo e a amarela é a do quarto de hóspedes (praticamente vazio).


A tinta usada no meu quarto é da Dulux, e tinha um nome lindo que eu obviamente esqueci de anotar. Enfim, o tom é na verdade mais "aberto" do que aparece nessas fotos, bem relaxante e que eu carinhosamente apelidei de "azul soninho", porque associo a cor à hora de dormir. É a minha cor preferida na casa. Só preciso arrumar alguma coisa para ocupar esse espaço na parede acima da cama - a idéia das janelas (vide post anterior) será posta em prática.


Parênteses para os quadrinhos fofos que achei por 50 centavos no brechó - e dos quais você não está conseguindo ver NADA por causa do reflexo da luz das janelas... Adoro gravuras antigas com motivos florais. A "penteadeira" é brasileiríssima e veio de Petrópolis, a mesma loja mencionada no post anterior onde achei a escrivaninha/secretária. Não consigo decidir se pinto de branco para seguir o esquema de cores do quarto ou se deixo como está. Idéias?


Banheiro do respectivo. Sim, aquele que eu já desisti de decorar e tentar manter decorado. Fui radicalmente contra a escolha das cores, mas no fim acabei concordando, porque acredito que a melhor forma de se ensinar algo a alguém é deixar a pessôua quebrar a cara tentando. :) No fim das contas quem quebrou a cara fui eu, porque o resultado ficou interessante e nem tão escuro quando imaginei. O porco rosa gostou tanto que saiu do banheiro do térreo de mala e cuia para morar no "ervilhão". Mas sabe qual é a melhor coisa desse banheiro??


Fora a vista para o jardim, é esse porta papel higiênico em formato de carro vintage (bastante apropriado...), que foi encontrado dentro de uma caixa de papelão cheia de entulhos, indo pro lixo durante as obras da casa. Certamente pertencia aos antigos moradores, e eles certamente não queriam mais... E se queriam, azar o deles, porque nem perguntei e fui logo pendurando na parede.


O "amarelão" é o quarto de hóspedes. Uma desperdício ver um cômodo tão grande vazio e mal utilizado. E pintado numa cor tão feia. Ok, eu confesso - fui eu que escolhi essa coisa tenebrosa. Em minha defesa, juro que na LATA a cor era linda. Igual às mousses de limão que mamãe fazia para a sobremesa. Tomada pela nostalgia obesa, meti a lata no carrinho e pintei sozinha o quarto inteiro de uma tacada só. Hoje em dia só consigo entrar nele usando óculos escuros.


Meu banheiro girlie, o templo pessoal que toda minina deve ter. É o maior da casa e fui logo me apropriando dele com a desculpa (bastante válida) de que, sendo minina, eu precisava de um banheiro grande para estocar bagulhos - já que homens só precisam de uma prataleira para creme de barbear e pasta de dente. É verdade que o espaço do chuveiro dele é quase duas vezes maior do que o meu, but I don't care - porque yes, nós temos banheira! A minha pia também pertencia à casa e estava quase sendo jogada fora na reforma. Instalada, eu transformei um pano de prato em cortininha para esconder a bagunça, e pus cestinhas de vime no fundo. Esse espelho com moldura de mosaico de vidro foi comprado por 30 reais no Rio, numa lojinha multi-uso chamada "Casa do Queijo". Classy.

Mas ignorem por favor aquela balança ali no chão. Ela só está à mostra porque eu havia acabado de limpar o banheiro. Em geral, ela fica embaixo da pia e nunca, JAMAIS é utilizada - porque de masoquista eu não tenho nada. Thanks. :)

Ouvindo a Carla Bruni-Sarkozy cantando no Blip. Que musiquinha chata e que vozinha irritante. As francesas e seu eterno penchant por forçar a barra. Será que projetar essa imagem de "eu sou tão frágil e delicada e sexy" 24 horas por dia nunca enche? É claro que não estou generalizando, mas observe essas cantoras modernas francesas e sua necessidade de cantar sussurando e fingindo estar sem fôlego. Isso me lembra um vídeo até bonitinho com a Vanessa Paradis, aka Mrs. Depp, mas que não passa de pretexto para mostrar a barriguinha, o cabelinho molhado, os olhinhos e o beicinho da menina (aos cat-lovers de plantão, o gatinho do vídeo é uma fofura à parte). Melhor que esse, só o clássico de Joe Le Taxi onde ela passa o vídeo inteiro dançando exatamente o mesmo passinho. A-do-ro.

Now, on to the cute; como toda boa pessoa apaixonada por café, eu sou também apaixonada por canecas. Todas essas da Urban Outfitters (que vende umas roupinhas pééééssimas, mas uns artigos para o lar bem inusitados) estão na minha wishlist. A versão "quadro negro" é ótima para lembretes ou fazer listinhas que não podem esperar nem um segundo até que você encontre papel e caneta (dica: deixe o giz sempre à mão). Também muito boa para anunciar à família ou aos seus colegas de escritório qual é o seu estado de espírito do dia (e, dependendo do caso, instrui-los a manter distância). A segunda caneca já faz isso por você automaticamente. Do I look like a fucking people person to you?? Thought not. A terceira é bem nojentinha e, por isso mesmo, deliciosa; enquanto a quarta ia me fazer perder umas boas horas do dia "grafitando" naquele muro:



A de bolinhas eu tenho, porém em outra cor (quem já havia percebido minha obsessão por motivos polka dots levante a mão), a estampada é linda tanto na ilustração quanto no formato, a da "mensagem" é bem criativa (há mesmo uma mensagem no fundo da caneca, mas você precisa terminar de beber para descobrir... pena que o fator surpresa só funcione uma vez) e a mensagem da última eu devia usar para estampar uma camiseta.

E dois Tumblrs maravilhosos que descobri recentemente: Dear Old Love, onde os leitores enviam anonimamente pequenas notinhas que gostariam de ter enviado aos seus ex-amores. Inclui pérolas como "sinto falta de encontrar seus pelinhos no meu sabonete", "senti o seu perfume no elevador e ele me fez voltar a 10 anos atrás; uma senhora vestida de adolescente é quem estava usando", "eu ainda assisto todo dia aos seus programas preferidos de TV - aqueles de que eu nunca gostei", "eu sempre preferi o SEU travesseiro... Agora que ele é só meu, não gosto mais tanto assim", "mais do que qualquer outra coisa, eu sinto falta do seu cachorro". Impossível não se identificar com pelo menos algumas. O outro no que me viciei horrivelmente é o Copycats, trazendo covers e remixes; é música feita por gente boa tranformada/reinterpretada por gente ótima, e dá pra direto ouvir no site. Enjoy!

November 10, 2008 Móveis, chás e moda.

Atendendo a pedidos no guestbook, uma foto melhor da minha bureau desk (alguém sabe o nome desse tipo de mesa em português, que não seja "escrivaninha"?), versão fechada e aberta:


Desculpem a luz ruim e a presença da gata onipresente e preguiçosa (observe que ela pouco se mexe entre uma foto e outra...). Comprei a mesa em bom estado por uns 80 reais no Brasil, numa loja de móveis usados em Petrópolis, região serrana do Rio. Já era branca, mas estava toda manchada - dei uma mão de tinta rápida quando chegou, e nunca terminei o serviço (vergonha). Em resumo, adoro os recortes das partes inferior, interna e superior (esta um pouco escondida pelos vasinhos de flores), as gavetas são bem grandes e a mesa é estável. Coube direitinho no vão da janela, e eu devia escrever mais cartas só para poder sentar nesse cantinho com mais frequência.

Por falar em cartas, recebê-las de amigos distantes é uma das pequenas coisas que iluminam manhãs cinzas como essa.


Outro dia eu estava no ônibus e ouvi o menininho perguntar à mãe "por que as árvores ficam peladas logo no inverno, quando faz tanto frio?". Awww. Encontrar maneiras criativas de se responder a essas perguntas idiotas/geniais das crianças deve ser o grande barato de se ter filhos. As "peladas" vistas através da renda das janelas são até bonitas, quase tanto como a boneca que acabei de receber (devidamente restaurada) da minha amiga no Japão. Não parece (porque ela é séria), mas ela está muito feliz por ter voltado a ser linda.



Brunch (meu usual café da manhã + almoço quando acordo tarde): suco preferido que voltei a achar no supermercado depois de longa ausência, sanduba de queijo e salame, e o que sobrou da minha sopinha chinesa do jantar.




E essa parede tinha que ser minha, alguém discorda? ;) Infelizmente, não é. Achei no livejournal, mas sem a fonte.



Não jogue fora suas janelas velhas: pendure-as na parede! Eu estou considerando reutilizar as antigas (que vão ser trocadas agora) da casa da sogra como porta retratos na parede.



E isso me lembra de que a minha geladeira branca está muito séria e chata:



E porque nem sempre a gente pode escolher um dia bonito para o chá...











Parte dessas fotos não passa de desculpa barata para exibir minhas meias coloridas da NEXT, que eu adoro e vou levar para o Brasil; o problema é usá-las no CALOR. Porque eu já aceitei o fato de que não fico bem usando jeans e que vestidinhos doravante serão a base do meu guarda roupas - porém, acostumada a usar meias diariamente por aqui, não sei se me acostumo novamente a desnudar as pernas.

Prevejo uma saraivada de comentários estúpidos no nível de "nossa, onde você comprou essa aí tem para adulto?", já que brasileiro em matéria de moda se divide em três ramos distintos: conservador ("Ai, essa blusa creme da C&A vai ficar linda com a minha calça de linho preta!"), cafona ("Tem essa calça em modelo cintura baixa? Não passei o verão inteiro usando esparadrapo na praia pra fazer marquinha de biquíni à toa!") e londrino-wannabe ("Eu SEI que dá pra fritar ovo no asfalto, mãe! Mas cadê a minha blusa de flanela e o meu coturno?!"). Qualquer coisa que fuja desses três padrões vira logo motivo de estranheza - OK, os londrinos wannabe também são considerados estranhos, mas já foram relativamente assimilados e incorporados à paisagem das metrópoles, especialmente São Paulo.

O MEU modo de vestir será rapidamente rotulado como um híbrido entre "mendiga louca", "avó psicodélica" e "gorda suja". Ah, como é bom voltar ao lar...

November 06, 2008 Random before lunch.

EDITADO: resolvi deletar a parte escrita do post. No fundo, estava longo demais, desnecessário demais (eu e a minha arte de ser prolixa). A verdade é que, em se tratando de "explicações", os amigos não precisam e os chatos não merecem.

E, para a mãe da Lola que pediu mais fotos da Maluca, ofereço um pout-pourri dos Melhores Momentos:









Recuerdos do último verão: almoço no hotel Prince of Wales aqui em Jersey, onde minha amiga trabalhava.













E, mesmo não querendo ser mais uma voz repetindo o discurso poético a respeito das eleições 2008 nos EUA, eu só tenho a dizer que acho tudo isso muito, muito fantástico.

Alguns acharam essa charge racista (*sigh*), mas eu não consigo deixar de sorrir ao olhar para ela.
Parabéns, Estados Unidos da América. :)
Boa sorte para Obama e para todos nós.