Então, é
broguispót até eu conseguir pensar em outra publishing tool melhor, mas sem os ataques de frescura do
Wordpress. Que é uma excelente ferramenta, porém absurdamente
unfriendly para leigos. Eu não quero ter que virar developer para aprender a resolver pepinos de servidor - eu só quero postar umas fotos na internet, sabe. E, para isso, o blogger sempre foi bonzinho comigo. Se alguém estiver tendo problema com os feeds, me avise; mas o blog pode ser acessado pelo endereço do domínio e pelo hellololla.blogspot.com - thanks. Ainda estou arrumando o layout, então qualquer bug por favor,
me avisem.
Cansada de dormir mal, acordar ainda com sono, ficar de modorra na cama, me levantar de puro tédio e ficar nerdando ou lendo até a hora do almoço, resolvi calçar os sapatos e ir pra rua. Me estrepei, é claro. A combinação de palavras "liquidação" + "70%" não pode ser ignorada. Acabei-me. Agora, tá lá: armário lotado de roupas e LUGAR NENHUM pra ir. Yay.
Jersey é um cantinho peculiar do planeta. Um dos mais lindos do mundo durante o dia, e sem dúvida o mais chato, à noite. Porque
nightlife aqui se resume a ir encher o bucho de comida e depois sentar-se num clube tocando música péssima e alta demais, lotado de adolescentes ou idosos e rir das vestimentas alheias. O detalhe é que os tais clubes só começam a encher mesmo por volta das onze e meia da noite, sendo que às duas da manhã todos fecham e expulsam a clientela. E saem todos ao mesmo tempo, caindo de bêbados e despejando poças de vômito pelas calçadas.
Lovely.
E, por falar em nightclubs, me pergunto se o
Havana vai lotar ou falir depois dessa:
Pelas leis da night, qualquer gerente tem o direito de proibir a entrada de quem quer que seja em sua casa noturna, sem dar explicações. O problema foi justamente esse: ele negou a entrada a um punhado de gordinhas, e disse
exatamente o porquê. Curioso é que HOMENS gordos estavam entrando à vontade. Mas é claro; afinal, são eles quem pagam a conta do bar. O que me deixou boquiaberta foi o nível dos comentários no artigo online. A vasta maioria dos leitores se pôr a favor do gerente do estabelecimento, entregando-se a um linchamento moral coletivo dos gordos. Palavras como "Parem de comer porcaria e percam peso", "Vocês todos vão morrer com as artérias entupidas" e "Vocês são nojentos e deviam se trancar em casa" me assustaram um bocado. Não, sério -
dêem uma lida nisso aqui. Que as pessoas não achavam gordos atraentes eu já sabia. Que as pessoas ODIAVAM gordos com tamanha violência eu ignorava.
Interessante também é reparar a quantidade de comentários anti-fat vindos de gente com sobrenome polonês. Acho bonitinho que essas pessoas não se dêem conta de que muitos de seus próprios antepassados foram parar num forno crematório por não se enquadrar em padrões (volto a falar de poloneses aí embaixo). Ah, the world we live in. Delightful.
Resolvi ir tomar um cappuccino no
Cock and Bottle, em Saint Helier. O pub é pequeno, mas bem localizado, numa das pracinhas mais pitorescas da cidade; por isso vive cheio. Principalmente no verão, quando lota de turistas. Sentei numa das mesinhas do lado de fora e esperei ser atendida. E esperei. E esperei. Mais clientes chegaram e ocuparam as mesas ao lado. A garçonete polonesa só passava para recolher copos vazios. Receber pedidos, que é bom, nada. Até que um dos clientes encheu o saco e foi lá dentro. Voltou com uma cerveja e uma coca cola nas mãos. Pelo jeito eu ia ter que largar as bolsas pra trás (isso num bar que enche de turistas, prato cheio para algum eventual mão-leve) e ir pedir meu cappuccino no balcão. Sim, deixar as bolsas - se eu as levasse comigo, perderia o lugar.
Voltei equilibrando a xícara (enorme) a duras penas, porque eu faltei no dia em que ensinaram coordenação motora e não tenho talento pra garçonete. Notei que não havia açúcar na mesa e voltei para pedir. A polonesa do balcão fez carinha de bunda eslava ao me entregar o pote cheio de cubos duros de açúcar (MASCAVO, que eu aliás detesto) e quase deixa o negócio cair no chão antes que eu conseguisse encostar os dedos nele. Você pediu desculpas? Nem ela. Liguei pro BB e convidei-o pra almoçar; ele pagando, naturally. Daí enfim me aparece uma garçonete que, aparentemente, se deu conta da minha presença. Mas apenas porque já era meio dia e ela queria saber se eu ia almoçar ou não; porque "aquelas mesas estavam reservadas a quem ia comer". Mensagem subliminar: "ou gasta mais dinheiro ou RALA PEITO".
Simpatiquinha, ela. Eu, apreensiva, informei que estava esperando alguém - que chegaria em MEIA hora. Ela também fez cara de cu e perguntou rispidamente se eu ia beber algo (leia-se: "então comece a gastar dinheiro JÁ"). "Seu
sangue", pensei em responder. Mas acabei pedindo uma taça de Chardonnay, por questões higiênicas.
O Cock and Bottle tem um menu de almoço bastante decente (comi um Boeuf Bourguignon absurdo de bom com batatinhas Jersey Royals; mas a bosta do Chardonnay veio QUENTE). Já o staff extrapola de tão ruim. Eu não tenho nada contra poloneses - eles trabalham duro, não têm frescura e não estão "tirando emprego" de ninguém; simplesmente topam o que os ingleses não estão a fim de fazer. Mas a verdade é que, em termos de simpatia e boa educação, as meninas ficam devendo. Ninguém é obrigado a viver com os dentes à mostra, mas elas trabalham sem dar UM sorriso o dia inteiro, e algumas ultrapassam o limite da grosseria ao lidar com a clientela (já na noite, ao lidar com a homarada, elas são puro amor). Os meninos são bem mais legais. E podiam deixar essas mulheres mal educadas (e que parecem trabalhar com ódio) lá na Polônia.
Saí de lá e fui rodar as charity shops. Achei duas molduras lindas por 2.50 cada. A idéia era jogar as figuras fora e usar só as molduras, mas acabei me apaixonando pelas ilustrações vintage de plantas. Vão direto pro meu quarto. Também achei um livro lindo de capa dura, super lindo e ENORME sobre jardinagem e decoração por 1.50, e mais uns brinquedinhos por 2.00 - result!
À noite fomos para o pub e a idade média da clientela era 208. Clubinho geriátrico, anyone? Eu acho o máximo que os idosos tenham lugares para ir beber e se divertir ao invés de ficarem plantados na frente da TV esperando a Morte. Mas eu também gostaria de ter uns lugares com música bacana (raramente há música nos pubs de village, frequentados pelos mais velhos) e gente da minha faixa etária, onde eu me sentisse integrada, sabe. Do contrário, quem vai ter que criar raízes no sofá, calçando pantufas e assistindo a reprises de novela sou eu. Fiquei tão deprimida com esse prospecto que pedi ÁGUA COM GÁS. E a garçonete ainda pôs gelo e limão.
Se eu ficar mais 12 meses direto nessa ilha, juro que vou conseguir perder todos os meus dentes e desenvolver osteoporose e incontinência urinária.
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