There’s beauty in chaos.

Para quem estava com saudades da ilhazinha.

Estive em Jersey por duas vezes nos últimos dois meses. Achei o jardim diferente. Após tanto tempo de “abandono” sem ninguém cuidando dele, passou a crescer selvagemente, se infiltrando nas rachaduras da calçada. Flores que não estavam ali antes brotando da noite para o dia, sementes vindas de longe graças aos pássaros e abelhas - os únicos frequentadores do meu antigo endereço.

O mato quase engoliu a summer house:

Era como se a natureza estivesse clamando de volta o espaço não utilizado pelos humanos. E olha, ela não perde tempo. Lembrei-me das casas abandonadas de Detroit, onde a natureza tomou conta do que foi deixado para trás. Existem sites inteiros dedicados a documentá-las antes que desapareçam em meio a hera, arbustos e árvores. Onde humanos medem, calculam, planejam, programam e organizam, a natureza expande, envolve, espalha, atravessa e prolifera. Nem sempre há simetria na aleatoriedade. Mas existe beleza no caos.

Let the madness begin.

Turistando em Camden.

E a “festinha do esporte” começa oficialmente amanhã. Eu gostaria de aproveitar esse espaço para declarar que moro a quatro estações de metrô de distância do parque olímpico de Stratford, que dependo da Central line e da North Circular pra SOBREVIVER e que a partir desta sexta feira a minha vida vai virar um inferno de proporsões inimagináveis. 

Acho extremamente bonitinhas as mensagens que o governo e o comitê olímpico andam estampando pelos outdoors, anúncios de revista e jornais, propagando em anúncios de TV e rádio. Eles basicamente sugerem (com um subtexto de JUST DO IT, MOTHAFUCKAS!!) que todos os londrinos evitem se dirigir ao centro, evitem sair de casa, deixem a metade das estradas livres para os engravatados olímpicos e seus carrinhos pintados de branco e rosa (sim, marcaram uma FAIXA ESPECIAL para os paxás dos jogos, e se seres humanos comuns como eu e você ousarem trafegar por ela mesmo em emergências tomarão multa na fuça), evitem respirar, evitem EXISTIR para “não atrapalhar atletas e turistas”. Que tal vocês DESAPARECEREM e deixar a cidade livre para a nossa brincadeirinha megalômana? Depois vocês podem voltar e continuar a pagar os impostos que patrocinaram essa porra toda, VALEU OTÁRIOS? LOL

Seria muito engraçado mesmo se turista nenhum aparecesse. O que não está sendo engraçado: estou vendo o preço de absolutamente tudo à minha volta aumentar, na antecipação da chegada desses turistas.

Eu nunca suportei esportes. Todo e qualquer tipo. Tentei gostar de futebol durante parte da infância e adolescência, mas a verdade é que eu gostava era das CAMISAS de time (coleciono até hoje, me julguem). Costumo “gostar” de esporte também na Copa do Mundo, mas só quando morava no Rio e o Brasil estava jogando, para fins de “voltar pra casa mais cedo” do trabalho ou da faculdade. De resto, por mim podem enfiar a tocha olímpica na bunda. Os únicos jogos que eu gostaria de ter acompanhado (mas não pude, por razões de fecundação tardia) foram os de Montreal. Gostaria de ter visto a Nadia Comaneci aloprar os jurados. Ou os de Moscou, para ter dado uma choradinha marota junto com o carismático ursinho Misha - Russos podem até não entender de comida, simpatia ou política, mas entendem de top models, vodka e mascotes de jogos olímpicos, HEIN.

As it is, estou aqui tropeçando nesses mascotes LEESHO pelos corredores de todas as lojas, sendo ofertados em forma de chaveiros pela módica quantia de oito lilibetes.

(No meu tempo, cobra com um olho só tinha outro nome. Just saying.)

E por mais três semanas no mínimo (sem contar as paraolimpíadas, mas não vamos fingir que alguém se importa) TOME adesivo rosa no metrô e retardados de crachá querendo mandar na minha vida. Essa cidade, superlotada e governada por imbecis, JAMAIS deveria ter sido escolhida pra sediar campeonato de bocha - imagine um evento dessa magnitude.

A minha única torcida será para que não role nenhum atentado terrorista. Porque não quero gente morta, é claro. E também porque, em algum momento dos próximos dias, eu estarei voando pra longe daqui a fim de escapar dessa histeria/engarrafamentos/meia hora pra sair de uma estação de metrô e não quero aeroporto nenhum fechado por ameaças de bomba.

And let the madness begin.

These conversations kill.

Estive dando um tempinho aqui (dessa vez contra a vontade) por dois motivos:

O primeiro é que estava aguardando layout novo (thanks, Dani!). Ainda falta ajeitar uma coisinha aqui e ali, mas basicamente é isso. :) E o segundo é que semana passada meu laptop bichou e eu estava sem poder acessar meus arquivos/photoshop/fotos. Ele voltou do “conserto” hoje, mas ainda está cheio de malware. Nesse intervalo estive usando o laptop do marido. E usar computador alheio é a mesma coisa que estar hospedado na casa dos outros: tudo muito bacana e diferente, internet rápida, cama fofinha com lençóis limpos, flores na mesinha de cabeceira, mas… não é a nossa casa, a nossa bagunça, não sabemos onde as coisas ficam guardadas e passamos o tempo todo com medo de cometer indiscrição ou quebrar alguma coisa. Espero conseguir resolver esse probleminha com o meu laptop sem ter que começar do zero reinstalando tudo - ou atirando-o na parede.

E não, nem isso me faz sequer considerar comprar um Mac. Deal with it, Applewhores. ♥

Mas no fim das contas tudo foi cerveja e nada doeu.

Hoje eu compartilhei esse artigo do New York Times no Twitter, sobre o desafio de se fazer novas amizades depois dos 30. Texto válido, mesmo em se levando em conta o fato de que eu *nunca* fui muito boa em fazer amigos. Talvez na infância e olhe lá, porque mesmo dessa suposta “época da inocência” eu tenho histórias escabrosas de decepções com humanos para contar. Sempre culpei a minha preguiça de interagir, mas ultimamente passei a considerar outros fatores, também.

Eu percebo que a minha conversa flui um pouco melhor quando estou interagindo com apenas uma pessoa. Não que seja a conversa mais interessante do mundo. Passei longos períodos dos meus anos formativos sozinha e nunca peguei o jeito da típica “conversa feminina”: um turbilhão de expressão que parece nunca ter pausas ou momentos de silêncio apreciativo. Eu preciso parar e respirar, de vez em quando, o que as pessoas interpretam como falta de algo interessante com que preencher o espaço. Já eu vejo esses esguichos verbais muito mais como um hábito, um operacional consolidado do que como verdadeira abundância de assunto. Pelo contrário, muitas vezes um tópico que eu considero limitado e desinteressante será esticado e desmembrado e analisado por horas e horas.

Um problema adicional é que, devido à falta de prática, eu nunca sei exatamente o que dizer. Não sei o que pode interessar a outra pessoa. Percebo que é comum usar histórias de outras pessoas como assunto e eu até tento - só que a minha falta de interação social me deixa sem ter “causos” novos além dos que existem no passado (e muitas vezes já foram contados) e uma meia dúzia de acontecimentos recentes que, por nem eu mesma achar interessantes o bastante, acabo esgotando rapidamente sem me lançar naquele ritual de esticar e analisar. E dessa forma meu papo se torna seco, monótono, sem floreios, a outra pessoa se sente na obrigação de preencher os meus espaços vazios (e alguns extra, só pra garantir) e tomar o rumo da conversa nas mãos, eu acabo me sentindo roubada da chance de falar, me aborreço e me calo ainda mais. Óbvio esse ciclo vicioso, não? Eu não tenho assunto porque não falo com gente porque não tenho assunto porque evito falar com gente porque não tenho assunto e… AHHHHHHHHHHHH! *pifa*

O “problema” de se estar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo é que, num grupo de amigos/conhecidos, sempre rolam diferentes graus de amizade. Num grupo de três ou mais sempre vai existir aquela dupla mais afinada (ou que esteja mais afinada naquele dia), e então uma ou mais pessoas vão acabar em segundo plano, sendo ignoradas ou tendo que forçar um assunto para conversar entre si. E mesmo em grupos aparentemente coesos, existem conversas que não interessam a todos ou que acabam excluindo algumas pessoas. Quando EU sou o elemento em torno do qual o grupo gravita (por exemplo, uma reunião de amigos/conhecidos meus que não SE conhecem ainda) passo todo o tempo tentando incluir todo mundo e não deixar ninguém de fora. Não vou negar, é tarefa complicada.

Outro dia eu estava com alguns conhecidos e eles estavam, por sua vez, acompanhados de outro amigo mala (deles). Eu percebi, num deja vu indesejado, um fenômeno da minha adolescência se repetindo: tentar entrar numa conversa e ver meus esforços sendo sistematicamente ignorados, a ponto de eu cogitar estar sendo excluída de propósito ou de nem mesmo estar sendo ouvida em meio ao frenesi verbal alheio. Nessas horas eu acabo me calando e deixando as pessoas conversarem em paz.

Sempre que alguém timidamente tentava me incluir no assunto (ponto pra eles nesse quesito, já que muita gente nem se dá ao trabalho), era imediatamente cortado pelo tal amigo mala. A atitude grosseira e babaca da criatura me broxou, eu rapidamente ofereci minhas desculpas e me ausentei. Esse seria um comportamento que eu esperaria de um adolescente carente (ou meio arrogante), não de uma pessoa na casa dos trinta - mas taí um exemplo de que, em se tratando de táticas excludentes de playground, muita gente nunca sai do ensino médio. Não querer dividir a atenção dos outros é terceira série demais. E não, não é um caso isolado. Isso já me aconteceu mais vezes na vida do que eu tenho paciência e tempo para enumerar.

Enfim. Decisão (mais uma vez) renovada de sair somente com uma pessoa de cada vez, ou então com grupos compostos por gente cujo modus operandi eu já conheça de longa data. Sair no tapa por atenção nunca foi a minha praia.

Mother Gothel disapproves of your behaviour.

Hosepipe ban blues.

Não é exatamente desânimo, mas também impossibilidade. Não posso fazer fotos dentro de casa nessa escuridão.

O verão de 2012 resolveu inexistir e, fora dois ou três dias bastante esparsos de calor, a chuva praticamente não pára de cair. Começamos abril com o governo banindo a população de usar mangueiras (hosepipes) para regar plantas ou lavar carros, porque a estiagem havia secado as reservas e ameaçava gerar uma crise. Nem tivemos tempo de reclamar: São Pedro ouviu a conversa e resolveu abrir as torneiras. As reservas já estão transbordando, assim como os rios - que acabaram invadindo casas e provocando prejuízo. Meio sem graça, o governo cancelou a proibição às mangueiras já que agora aparentemente temos mais água do que precisamos. Resultado da chuva: as plantas que comprei em Jersey e trouxe para Londres com todo o cuidado morreram afogadas na água da chuva, e eu não tenho mais vontade de pisar no quintal.

Chove demais nessa cidade. Vou repetir, e reforçar: chove. DEMAIS. nessa cidade.
Você começa a compreender a natureza sombria, cinzenta e levemente desesperada dos londrinos. Crescer aqui é para os fortes e estoicismo quase nunca combina com extroversão.

Bem antes de o verão inexistente começar a inexistir, um raro dia de sol (mas não de calor) em Leigh-on-Sea:

Outro dia, outro registro de um verão que deixa praias vazias, mesmo em Jersey (“the sunniest place in the british isles”, anuncia o slogan desesperado ao ver tantos quartos de hotéis desocupados em pleno junho):

Status meteorológico: Meia opaca fio 100.

Essa moça passa os dias sentada na entrada no metrô de Tottenham Court. Além de sempre muito triste, ela é uma das pessoas mais bonitas que já vi. Tem um rosto de personagem de conto de fadas, especialmente nas raras vezes em que sorri - quando por exemplo alguém lhe entrega uma garrafa d’água. Talvez ela preferisse que estivesse fazendo calor. Talvez isso tornasse as noites na rua menos difíceis.

Pensei em assistir esse musical semana passada. Bastante propício para o clima chuvoso.

O céu em Little Britain e as nuvens que resolveram montar acampamento pelo verão inteiro.

Onde foi o dia de São Swithin. Reza a lenda local que, se chover no dia do santo, choverá pelos próximos 40 dias.

St Swithun’s day if thou dost rainFor forty days it will remainSt Swithun’s day if thou be fairFor forty days ‘twill rain nae mare

Ontem não caiu uma gota de água. Sol pela manhã, nublado lá pela hora do almoço, sol abrindo novamente e até uma ameaça tímida e breve de calor por volta das seis da tarde. O povo se animou com o sinal divino e previu o começo tardio de um verão escaldante, que se estenderia até o final de outubro ou, com alguma sorte, se tornaria numa espécie de “verão indiano” (fora de época) e estaríamos desmontando a piscininha do jardim na véspera de Natal.

Amanheceu chovendo hoje.

Portsmouth Historic Dockyard

De início eu não estava muito animada, mas acompanhei Respectivo ao porto de Portsmouth domingo passado. Como sempre, tudo começou com café:

Em seguida, pausa para foto de tiete com Henricão Oitavo. FOCO NO CODPIECE do distinto, pfvr.

Eu muito quis uma bonequinha de Ana Bolena; mas só se viesse com cabecinha removível pra gente brincar de decapitação por motivos de: suposto piriguetismo. ♥

Razão principal da visita: HMS Victory! Pena que estava sem os mastros (em reforma). Ainda assim tão, tão lindo… Ou linda, já que aqui a gente se refere a navios no feminino.

Luxo e rykheza na cabine do Admiral.

Funcionalidade na cozinha. A dieta dos marinheiros era um tédio; biscoitos duros e quase sempre cheio de insetos, pouca carne, pouca manteiga, pouco queijo, algumas ervilhas - mas waheey, muita cerveja!

Plaquinha no chão do deck informando o local exato onde o famoso Nelson tomou pipoco. Esqueci de fotografar o barril onde o corpo dele foi conservado em cachaça na viagem de volta à Inglaterra.

Havia uma exposição de figureheads no museu, aquelas figuras colocadas na proa dos navios.

Curti especialmente essa da Eurídice pagando peitinho, à direita. Ela não teve um destino muito feliz na sua vida mitológica, portanto a cara de quem comeu e não gostou.

Que a gente tenta replicar, sem muito sucesso porque o staff do museu inteiro naquele momento olhava para a nossa direção, esperando o desenrolar dos fatos. Fiquei com vergonha. Apologies.

Olha o tamanho desse camarada aqui.

“England Expects (too much, sometimes)”.

Era possível fazer passeios de barco em volta do dockyard. Não deu tempo dessa vez; fica para a próxima.

Voltando para casa fazendo “caminho alternativo”. As auto estradas aqui costumam ser um tédio, então de vez em quando a gente programa o navegador para evitá-las. Encontrar pequenas villages com casinhas coloridas e rebanhos de ovelhas pelo caminho ou esses túneis de árvores quando a estrada corta florestas compensam a viagem mais longa. :)

With this joy comes a mourning

Promoção da Harrods, 50% de desconto. Sempre quis esmaltes Paul & Joe e não tenho vergonha de admitir que a beleza do vidrinho constitui 80% do motivo.

Cada cor tem uma estampa diferente para a caixinha. Love. ♥

Os da L.A. Colors (abstraia esse Leighton Denny filando espaço na foto) são baratos mas a cor não dura. No máximo uma semana e começa a desbotar. Uma pena, mas por 99 centavos e uma infinidade de cores, não vou reclamar.

Estou na minha “fase azul”, aparentemente:

Não disse? :)

Chegou a Frankie nova e estreei minha capinha do Rilakkuma rosa.

Doces japoneses, direto da Japan Center @ Piccadilly. Por que embalagens tão lindas para doces tão sem graça?

Me enganei: vi esse verde e achei que o Pocky Mousse era sabor maçã verde. Nope, darling - CHÁ verde. Argh.

Revista + esmalte grátis = uma das melhores combinações editoriais. :)

Capinha para iPhone que comprei na Primark. Fofa, mas transforma o celular num tijolo.

Finally got myself some Paul & Joe nail polish @ Harrods sales. Not ashamed to admit that the pretty bottles were the main reason why I bought them. Every colour has a different floral patterned box. The ones by L.A. Colors are cheap and cheerful, too bad the colour starts to fade after a few days - but for 99p I’m not going to complain. I got my the brand new Frankie, Blue Valentine dvd and took the pink Rilakkuma mobile case for its first outing. I always find with japanese sweets that they’re far prettier than actually tasty - never sweet enough, for starts. Those are from Japan Center @ Piccadilly. I got that Pocky Mousse by mistake; instead of green apple as I believed, this one’s in fact green TEA - argh. It’s always nice to get freebies with magazines, especially nail polish! And the cute mobile case is by Primark, too bad it makes the phone a bit on the heavy and bulky side.

jacaranda tree - josh garrels

What do you think of getting lost?

Gatwick North Terminal ontem, por volta das nove e meia da noite:

É engraçado dizer “voltei para casa” quando estou voltando de Jersey. Quando chego lá, cheguei em casa. Quando volto para cá, voltei para casa. O mesmo vale para o Brasil, que sempre será a minha casa. Confuso? Imagine eu. Ser expatriado = nunca estar em casa em lugar algum, sempre estar em casa em qualquer lugar. Aquelas raízes que eu tinha medo de ver crescendo dos meus pés para dentro do chão do meu quarto de adolescente ressecaram e morreram; agora eu me sinto livre. Meio sem direção, é verdade, mas não trocaria a sensação do vento soprando as velas por nenhum porto seguro.

Mas enquanto fazíamos as malas para voar de volta para a capital, os olhos dele se encheram de lágrimas. Saudade antecipada do silêncio, das paredes azuis do quarto onde eu sempre dormi tão bem, da casa que fizemos juntos. Eu entendo. Mas de novo, deixo essa decisão para o vento. Espero que ele me leve para eu devo ir porque acredito que no momento nem eu saiba onde é esse lugar e que, no fim das contas, as nossas vontades serão iguais.

And this is Jersey! No sábado chegamos por volta das três da tarde e foi difícil achar um restaurante que ainda estivesse servindo almoço. O clima estava ridiculamente perfeito, o céu uma piada de tão azul e conseguimos essa mesa na janela no Navigator, em Rozel, que já estava fechando para a pausa vespertina. Almoçamos só nós dois e o staff do restaurante.

Sentei-me e absorvi a vista. Incrível pensar que eu morava aqui perto e costumava vir andando sentar nessa praia.

Nossas entradas foram iguais: salada de mozzarela de búfala, prosciutto defumado, pimentões grelhados e azeitonas.

Meu peixe: pargo servido com vieiras grelhadas. Eu não curto muito a consistência dessa parte vermelha.

O prato principal dele: truta ao molho de camarão. Estava melhor que o meu. ODEIO QUANDO ISSO ACONTECE. Obrigada.

No domingo tivemos a festa de aniversário da Mel, o recheio dessa cobertura de iogurte aí embaixo.

Rolou cerveja, vinho, champagne e brigadeiro, e depois todo mundo veio para a minha casa assistir a Inglaterra ser chutada para fora da Euro 2012 nos pênaltis. Quer dizer, os meninos assistiram (menos Respectivo, que não curte futebol e se enfiou num pub com um amigo); as meninas foram fumar maconha e dançar Tchu Tcha na cozinha, em volta de cerca de 40 coxas de galinha do tamanho de tacos de baseball cobertas em molho barbecue que a mãe da aniversariante trouxe da festa dentro de um saco de lixo. I kid you not. As 38 restantes devem estar no freezer até hoje.

E esse foi o almoço no último dia, horas antes de partir pro aeroporto. Menos foco na comida, mais foco na lindeza que é o pier de Gorey - infelizmente o toldo cobrindo a vista para o castelo de Mont Orgueil. Maldita chuva.

E este foi o fim de semana. Chegando em casa ontem à noite o dvd esperava por mim; obrigada, Amazon. :)

O livro me esperava já há tempos. :)

next in line - walk the moon

through fox’s eyes, I’ve been watching you

Acordei cedo e fui ao shopping comprar o presente da filha da amiga, que aniversaria no domingo. A festinha será em Jersey e, por bondade do acaso, eu estarei lá durante o fim de semana a fim de preparar a casa para um open viewing com possíveis interessados na semana que vem. O tempo aqui está  nublado e venta muito, por isso voltei logo para casa para relaxar e finalmente ouvir o cd novo da Tori Amos, Night of Hunters. É um álbum conceitual e eu costumo ter medo dessas coisas. Mas o fato é que eu gostei do conceito em si e das críticas que li. Certamente não é uma obra comercial e é preciso ouvir algumas vezes para que a estranheza do início seja substituída por admiração pela beleza dos arranjos clássicos (o álbum é 100% acústico) e da poesia dolorosa resultante da profunda viagem de autoconhecimento da personagem.

Os vocais do álbum e fotos do livro trazem a participação da Natashya, filha da Tori. Fiquei impressionada com a voz da menina e o quanto ela se parece com a mãe.

Acho que esse é um daqueles álbuns estranhos que se desenvolvem e “crescem” depois de algumas audições. De qualquer maneira, beautiful. ♥

i’m getting old and i need something to rely on

Larguei o colega em Victoria Park, no último dia da Lovebox: Lana del Rey, Chaka Khan e Grace Jones. E VOLTEI PRA CASA. *choro* Eu até teria ficado, mas fui vencida pela pãodurice (achei o preço do ingresso meio caro) e velhice (preguiça e saudade do meu sofá, q). Só falta agora comprar uma cadeira de balanço, par de pantufas e kit de tricô pra iniciantes. O gato eu já tenho. Terceira idade chegou matando e nem esperou a menopausa.

E o estacionamento do Westfield Stratford vai fechar amanhã pelos próximos TRÊS MESES. Me faltam palavras pra expressar o quanto eu estou odiando essas olimpíadas.

St. Paul’s Cathedral, AQUELA LINDA:

Por fotos não dá pra compreender o tamanho desse negócio. É gigantesca. Melhor vista é da Millenium Bridge, saindo do Tate. Parece que a catedral vai crescendo à medida em que caminhamos em direção a ela, soberana em meio aos prédios modernosos e sem graça da cidade.

Melhor filial da EAT é essa do South Bank, especialmente nos fins de semana quando dá pra sentar, ler o jornal, comer bolinhos, saladas, tomar café, sopinhas, tudo isso fazendo people watch com a galera que sai do Borough Market logo ali do lado (e que também vale a visita).

A filial do Nando’s que fica ali perto também é a melhor da cidade; está instalada nos arcos logo abaixo dos trilhos, tem pé direito alto, lustres gigantes, um globo espelhado do tamanho do universo, detalhes em bronze nas paredes e um staff super atencioso. Eu nem acho tanta graça na comida (galeto com molho apimentado), mas o ambiente é tão cool que vale a experiência. Chegue cedo e pegue uma mesa ao lado das janelas imensas; o queijo haloumi grelhado é NECESSÁRIO. :)

Passei a manhã no shopping procurando uma calça jeans pros meninos. Mais alguém odeia quando uma modinha se impõe e aí ninguém mais consegue comprar NADA que não seja aquilo? Todas as lojas cismaram que todos os homens querem usar skinny jeans. E com BOTÕES ao invés de zíper. O uniforme hipster virou  mainstream e pode ser adquirido por 8 lilibetes na Primark.

O domingo acabou, amanhã a visita volta pro Brasil, minha casa está um chiqueiro e eu não durmo direito há várias noites. Passei a semana andando pela cidade e comendo porcaria e mesmo assim perdi mais um quilo. Estou só o pó, mas estou feliz. :)

a turista acidental.

Como estou com visita do Brasil em casa, andei turistando pela cidade para acompanhar. Nem sempre a gente acerta o gosto das pessoas em relação a lugares e coisas para fazer, e o motivo pelo qual eu não faço “guia de Londres” para o blog é o mesmo que me impede de fazer um “guia do Rio de Janeiro”: pessoas são diferentes umas das outras e o que interessa a mim pode não interessar a você. Eu, por exemplo, já fui a Paris cinco vezes e nunca pisei no Louvre, nem pretendo. Mas já enchi a cara de caipirinha nas promoções de happy hour (duas por cinco euros!!) dos inferninhos do Latin Quarter e passei tardes inteiras fazendo nada vendo a vida passar enquanto ninava amorosamente uma xícara de chocolate no Boulevard Saint Germain. Eu de fato não sirvo para guia turístico e digamos que esta foi uma semana “complexa”.

Mas ao levar as pessoas pelos trajetos que eu já deveria conhecer melhor e percebendo que não, eu não conheço tão bem assim, me bateu um súbito amor por essa cidade superlotada, barulhenta e hostil. Uma vontade inesperada de tentar conhecê-la a fim de entendê-la. De dar a chance que eu não costumo dar aos lugares até que seja tarde demais - vide Rio, Jersey, Hannover… Reclamar menos e ouvir Londres um pouco mais: taí meu projeto pra segunda metade de 2012. :)

Uma das coisas que eu achava que jamais iria fazer aqui: ir à London Eye, a roda gigante vitaminada às margens do Tâmisa em Westminster. Levei um amigo até lá e, como ele é deficiente, acabei ganhando um ingresso como “acompanhante” (that sounds slightly seedy). E lá fui eu, acima das nuvens (leve exagero poético) ver o Big Ben de cima. E, como boa gorda, aproveitar para comer pipoca. Nevermind the crumbs.

A foto aí embaixo é de Leicester Square, no West End (onde ficam os cinemas, os teatros com musicais, os bares, clubes, A LOJINHA DA HAAGEN DAZS, etc) e esse é um dos prédios mais bonitos da praça, infelizmente sendo usado como uma espécie de cassino cafona. Mas ainda assim ele embeleza a paisagem com sua beleza barroca e o melhor de tudo, fica bem perto da LOJINHA DA HAAGEN DAZS! ok parei.

Almoço em Camden. Por seis dinheiros a moça chinesa enche a sua marmitinha de arroz ou noodle + uma infinidade de acompanhamentos diferentes. Aí tinha frango ao molho agridoce, cubos de frango empanado com sal e pimenta, uma espécie de bife não muito bem identificado e legumes ao curry. Há diversas barraquinhas de comida e, se você não curte chinesa, pode escolher entre indiana, africana, espanhola, japonesa, italiana, brasileira, mexicana, tailandesa, pizzas, donuts, etc. E ainda dá pra experimentar antes de optar porque os vendedores, gritando por  atenção, praticamente enfiam amostrinhas goela abaixo dos que passam pelos corredores entre as barracas. Quando nos ouviu falando em português a vendedora chinesa deixou o inglês de lado e passou a berrar em portunholiano: “VENGA COMER! COMIDA!” What.

Fomos também a Notting Hill onde visitamos sebos de livros, de vinil, lojinhas de antiguidade, artesanato e curiosidades. Os amigos compraram biografias e um livro de poemas da Patti Smith, enquanto eu babei nos singles dos Smiths e do Cure.

Acabamos o dia num bar de tapas ao lado de uma pracinha gostosa, com mesas debaixo de uma árvore e lotado de gente vestindo preto, bebendo muito e falando alto. Pensei que se tratava de uma festa de empresa mas depois descobrimos que na verdade se tratava de um pós-funeral e a galera estava bebendo o morto. Que devia ser escocês, porque geral estava enchendo as fuças de Famous Grouse e do nada apareceu gente cantando em gaélico e um cidadão vestindo saia xadrez e tocando Scotland the Brave numa gaita de fole, enquanto todos aplaudiam e dançavam e uma moça toda vestida de rosa ria entre lágrimas. Tocante.

Na Oxford Street, aproveitando as promoções da HMV. Uma biografia ilustrada linda da Madonna (capa dura por quatro lilibetes!), um livro sobre a cena musical de Manchester recheado de fotos, dvds de Blue Valentine e Wilde (o segundo não está na foto) e esse CD/livro da Tori Amos cuja existência eu até então desconhecia (cinco lilibetes). Em breve farei um review, ok? Só que jamais.

E, por falar em Lilibete… Taí a linda em pessoa e TODA NATURAL, só que feita de LEGO e sentada não no palácio de Buckingham, mas no último andar da Hamley’s. Favor reparar no Corgi.

Jóias da coroa:

Fiquei esperando a cerimônia de troca da guarda e não rolou. Espero que estejam pagando hora extra a esse amigo aí, porque OLHA, o coitado não tem folga.

Há mais fotos desses dias (e de outros) que não estão no celular.
Assim que eu puder dar uma respirada, volto aqui com elas. Promise. :)

look skywalker do dia

Ready to depart. Hoje foi a primeira vez que eu tive coragem de usar esse chapéu de crochê (H&M) porque achei que ornou com o casaquinho preferido dos últimos tempos (H&M). O vestido é TopShop, assim como a pulseira. Marcinho lá atrás photobombeando meu look skywalker do dia. ♥