HERE, Kitty!!!!

Por duas horas hoje eu acreditei que um dos meus piores pesadelos recorrentes tivesse se realizado: que minha gata havia escapado porta afora e sido comida por uma raposa. Mas a infeliz apenas tinha conseguido se esconder MUITO bem em algum lugar da casa e não respondeu aos meus chamados. Marido até voltou para casa a fim de me ajudar na busca. Quando eu já havia dado a esperança por perdida ouvi um miado na sala. OLHA.

Ainda não me recuperei da tensão e nem da hipotermia nos dedos por ter saído para procurá-la vestindo roupas pouco apropriadas para a temperatura. Passei meia hora sem poder mexer a mão com um mínimo de destreza, o que foi salutar porque do contrário eu teria esganado a bicha.

Pause.

Amigos, sumi. E não voltei ainda.

Estou no Rio desde o começo do mês porque meu pai se acidentou e precisou passar por uma cirurgia na cabeça. No momento ele está acamado, necessitando ser amparado para andar e precisando de cuidados em tempo integral. Ficarei aqui por mais alguns dias e volto para casa no início de Dezembro.

Meu acesso à internet tem sido errático: evito “lan houses”, roubo wi-fi liberado do vizinho, quando disponível - gostaria de aproveitar para agradecer à “Júlia” e “Adrienne” pela generosidade de não pôr senha na conexão. Obrigada, obrigada, e continuem assim por favor. :)

Sorry por não avisar antes, mas o ritmo aqui está punk rock, pra dizer o mínimo. Não estou respondendo emails mas estou encontrável no facebook. Papai está melhorando aos pouquinhos e estamos todos aqui nos dedicando ao seu total restabelecimento.

Só um soluço. Volto já. :)

And the wind blows.

Fui dispensada do serviço obrigatório de juri da corte.

Cheguei cedo (apesar da ventania da véspera, que fez estragos aqui no sul da Inglaterra, causou caos no sistema de transportes e prejudicou a viagem de muitos), mas não precisei falar nada com ninguém. Uma sorte, especialmente depois de ter sido destratada na segunda feira quando tentava explicar o meu caso: não posso ser jurada tendo transtorno de ansiedade, mas como eu não trabalho ou recebo benefícios nesse país, nunca achei que seria preciso ter um “crachá” (aka. atestado médico) provando a minha situação.

Estava na sala há alguns minutos, resignada. A ansiedade ainda não havia começado a se manifestar, mas eu sabia que a paz iria durar apenas algumas horas (com sorte) antes que eu começasse a me comportar de maneira errática. Já havia conseguido pegar a cadeira preferida (e necessária; costas para a parede, mesinha em frente, recarregador para os aparelhos), já havia ido ao banheiro. Estava quentinha. Eu estava escrevendo uma mensagem no celular. Foi quando ouvi meu nome; era a supervisora me chamando. Sorrisão, toda simpatia. Levantei-me e ela, ainda exibindo a sua nobre dentição britânica (sem piada, aqui; os dentes da moça são muito bons), disse “pode pegar as suas coisas!” O meu alívio começou a se manifestar no passo apressado com que a segui até o pequeno escritório; refreei a velocidade, tentando manter as aparências. Entrei cautelosa pela porta de vidro - a mesma que eu gostaria que me tivesse sido aberta na véspera, a fim de que eu explicasse meu caso sem que o resto da sala tivesse que ouvir.

Ela, simpatia vazando dos poros, avisou que meu marido havia ligado. Tudo começa a fazer sentido. E que ela sentia muito pelo que estava acontecendo com o meu pai. E que por esse motivo ela ia me dispensar do serviço. Totalmente. E eu, triste e ansiosa como estava, senti minhas mãos aquecerem (sem o suor e a palpitação do dia anterior, no entanto), meus músculos relaxarem. Alívio. Me fez assinar uns papéis de presença, me pediu de volta o cartãozinho da merenda, desejou boa sorte e me disse tchau.

Nunca um adeus foi tão doce.

Ao invés de pegar o elevador direto, desci o primeiro andar pelas escadas a fim de conseguir fazer essa foto da janela (na véspera meu celular estava descarregado).

image

Old Bailey Court of Justice.
Espero, de coração, nunca mais ver você desse ângulo (ou seja, de dentro).

Próxima parada, estação de Saint Paul.
Pelo caminho, belezas:

image

image

Metrô pra casa. Central line, eastbound.
Depois de algumas estações, ele ficou só pra mim, Como isso é raro.

image

E ao passar o Oyster card e sair da estação, ver tantas folhas ainda nas árvores e perceber que o outono havia resistido à ventania de ontem:

image

Tal como eu espero resistir também.
A todas as ventanias, vendavais, tempestades e tufões. Me and my loved ones. Strenght. Faith. O alívio virá.

{ voltaremos em breve com a programação normal Tokyo Tales. :) }

Tokyo, Day One

Como todos, todas e seus cachorros, gatos, papagaios e urubus sabem, eu sempre quis conhecer Tóquio. Não sei explicar exatamente o porquê; o desejo vem desde a adolescência, quando eu me dirigia à Liberdade atrás de mangás que eu nem mesmo conseguia ler e docinhos cuja beleza da embalagem era metade da razão da compra. Sempre fui fã de todos os clichês: animes, J-pop (e música tradicional, também), sushi e artes marciais (me apaixonei por Okinawa depois de assistir Karatê Kid II, hihihi). Há tempos venho tentando realizar o sonho: no ano passado estávamos enrolados com mudança, e no ano anterior eu descobri no dia em que iríamos comprar as passagens que meu passaporte estava vencido. Oops!

A maioria das pessoas talvez pense automaticamente em templos budistas, kimonos, cerimônias do chá e monte Fuji ao imaginar a terra do sol nascente. Já eu penso nessas coisas também, mas só depois de pensar em letreiros luminosos, gothic lolitas e Harajuku girls, gadgets adoráveis, tempura e tonkatsu, cafés temáticos, mochis coloridos, miniaturas, Hello Kitty, J-pop e Blythes, Pullips, BJDs… Sim, Tóquio é a minha Disney. Passei a oportunidade de visitar a casa do Mickey quando era adolescente porque sabia que Tóquio ia ser muito melhor. Eu nunca fui à Disney depois dessa oportunidade perdida, mas algo me diz que eu não estava errada. Eu amei tanto aquele lugar que depois de uma semana tive que conjurar coisas como saudades da minha cama, do meu banheiro e da minha gata para conseguir me arrastar até o aeroporto e voltar para casa. Na maior parte do tempo a situação era I NEVER EVER EVER WANT TO LEAVE! A coisa tava nível colocar “procurar imóveis para alugar em Tóquio” nos lembretes do iPhone. Nem o preço e o tamanho dos apartamentos me fez desistir. Big, BIG city crush, kiddos…

Então eu vou me desculpando com quem esperava um relato cheio de paisagens bucólicas e dragões de pedra, mas a vibe aqui vai ser Modern Japan - ou GYARU GOING WILD ON CANDIES. ♥ Não tivemos tempo de ir a Kyoto, mas na próxima viagem - que já está marcada - ficaremos duas semanas ao invés de apenas uma para ter tempo de pegar um shinkansen (o famoso trem bala) e ir conhecer o countryside. E iremos mais tarde, em meados de Novembro, porque o outono japonês demora um pouco mais para pegar força na peruca e semana passada a maioria das árvores ainda estava verdinha… Não ligo muito para o hanami (o festival das cerejeiras em flor, na primavera) porque temos bastante cherry blossoms na Inglaterra também; o meu negócio é mesmo o outono, outono, outono e maples japoneses vermelhinhos. Por outro lado, ter ido em Outubro nos permitiu testemunhar o halloween craze e é divertido ver o quanto os japoneses aparentemente se empolgam com esse feriado tão “importado” e afastado da cultura deles. Vi muito mais displays de halloween em Tóquio do que em Londres.

Disclaimer rápido: os meus relatos de viagem são só isso, mesmo: uma maneira de guardar imagens vistas (maioria de celular - sorry, mas carregar câmera pesada e acabar não usando: nunca mais) e momentos vividos, e não fazer um “guia turístico” ou ter a pretensão de mostrar “como o Japão e os japoneses são” - eu sempre reviro os olhos quando vejo blogs de viagem fazendo isso porque afinal a gente passa uns DIAS no país e não saímos de lá aptos a escrever enciclopédias sobre cultura e comportamento. O que vocês vão ver aqui é a minha impressão e as coisas que eu apreciei; as suas podem ser diferentes, então não tomem por lei nada que eu disser e, se alguma bobagem for dita, agradeço que me corrijam, okie? Good. :)

image

As coisas não começaram muito bem pra gente, não. Respectivo me acordou cedo, mas negligenciou de me contar que teríamos que sair em uma hora. Dei uma lesmada na cama, fui ao banheiro, analisei a situação do que ainda teria que terminar de pôr na mala e só quando ele anunciou “TRINTA MINUTOS PARA SAIR!” eu me dei conta de que OH, SHIT! Resultado: saímos de casa meia hora atrasados, o que foi suficiente para pegar todo o engarrafamento matinal da M25 e da North Circular. Foi uma viagem longa até o aeroporto, cheia de buscas desesperadas por atalhos e extremamente tensa. Respectivo nervoso, berrando a cada 20 segundos “I DON’T THINK WE’RE GOING TO TOKYO!” e eu tão chocada pela possibilidade que nem conseguia chorar.

Chegamos em Heathrow no exato momento em que o vôo fechava. Só não desesperei porque há meia hora estava me acostumando com a idéia de que iria perdê-lo. Fomos para o balcão de atendimento ao consumidor e é nessas horas que eu dou graças a Mun-rá por ser cliente British Airways ao invés dessas companhias low-cost que proliferam por aí oferecendo “vôos baratos” (mas metendo a faca em taxas e cobranças absurdas; uma delas queria cobrar pelo uso do banheiro na aeronave!). Fomos prontamente realocados no vôo da tarde para Narita, sem custo extra, sendo que a companhia não tinha a menor obrigação de fazer isso (estávamos inclusive usando milhagens). Agradecimentos à BA por tratar seus clientes com empatia e compreensão ao invés de apenas fontes ambulantes de dinheiro.

image

Esse foi o café da manhã MAIS RELAXANTE da história da humanidade. Depois de todo aquele thriller, sentar pra comer esses teacakes tostadinhos com manteiga e geléia + um latte cremoso foi o mais perto que eu já estive do paraíso enquanto sentada num pub de aeroporto. Fizemos uma horinha perambulando pelo duty free do aeroporto (quem diria que depois de toda aquela correria a gente ia acabar tendo tempo pra matar? Até comprei uma mochila Cath Kidston super levinha e que se provou super útil na viagem) aguardando a hora de fazer o check-in. O avião decolou pontualmente no começo da tarde e 12 horas depois descemos em Tóquio - no final da manhã. Haja jet lag…

image

Primeiro contato com um “washlet”, o vaso sanitário ninja que lava suas partes (frontal e traseira) e em alguns casos até seca e desodoriza. PRIMEIRO MUNDO OR WHAT? O “som” é um barulhinho fake de descarga, porque as japonesas aparentemente costumam ter vergonha dos barulhinhos ocasionais que a gente faz no trono e acabavam dando a descarga o tempo todo para disfarçar, desperdiçando água no processo. Daí temos esse botãozinho mágico que faz só o barulho, resolvendo o momento awkward de maneira ecológica. Não é lindo?

image

Primeiro display de “fake food”, ainda no aeroporto.

Depois de recebermos orientação (em inglês) de uma simpática funcionária do aeroporto, pegamos um Skyliner Express direto para o centro, o que levou menos de 40 minutos em absoluto conforto vendo casinhas, rios, florestas e montanhas pelo caminho. Descemos na estação de Nippori e de lá pegamos uma conexão para Akihabara, onde ficava o nosso hotel. Uma das primeiras visões que se tem da área é o IMENSO prédio da Yodobashi, uma loja de departamentos tamanho mamute com oito andares (sem contar os subterrâneos) de informática, eletrônicos, celulares, eletrodomésticos, beleza, papelaria e brinquedos, coberta de letreiros e led displays luminosos na fachada. Foi ali que a ficha de que eu estava mesmo em Tóquio começou a cair. Nosso hotel ficava logo ali pertinho da Yodobashi e da estação de Akihabara. :)

image

Várias pessoas me aconselharam a não perder tempo nesse distrito, conhecido por seus outlets de eletrônicos; e como eu não estava a fim de comprar iPads ou câmeras quase evitei, mesmo. Porém quase não havia vagas de hotéis nas áreas que queríamos (só os muito caros tinham disponibilidade) e o APA Akibahara-Ekimae foi o mais “barato” e centralmente localizado que encontramos - com direito a wi-fi no quarto. Surpresa: ter ficado ali acabou sendo a melhor coisa porque Akihabara é totalmente a minha cara (até rimou): colorida, agitada, ruas cheias de gente jovem circulando até tarde, restaurantes, bares, cafés (incluindo muitos “maid cafés”; falamos disso em breve), livrarias, LOJAS DE BRINQUEDO ♥ e de videogames vintage, de anime/mangá, model kits e todas as tralhas/cacarecos japoneses que fazem meuzolhinhos brilharem. Pra quem é da tribo otaku, ou geek, ou ainda interessado em cultura pop japonesa,  Akihabara não é nada menos que um ponto de peregrinação obrigatório. Para ter uma idéia, tinha uma loja da Volks e outra da Azone a alguns minutos do nosso hotel. MONEY PITS, THEY WERE. :/ Obviamente percebe-se que eu só entrava no hotel pra dormir…

image

Anime por toda a parte. Cavaleiros do Zodíaco no trem:

image

Outra vantagem é que Akihabara está na JR Yamanote, uma linha de trem circular que cobre diversas áreas centrais de Tóquio. Em meia hora eu estava em Harajuku/Omotesando, por exemplo, sem ter que trocar de trem e pagando apenas 190 yens. Result! Em se tratando de transporte muitas vezes eu optava pelo caminho mais simples (sem baldeação) mesmo que fosse um pouco mais longo, porque entender o sistema de transporte pode levar tempo. Não existe apenas uma companhia de metrô, como em Londres ou o Rio, por exemplo; existem várias e cada uma cobra um valor diferente, que também muda de acordo com a distância do trajeto. Sem mencionar os trens, que partem das mesmas estações. E como todos os mapas com preços são em japonês, você acaba ficando no escuro e tendo que fazer malabarismo para descobrir o valor necessário a pagar. Então digamos que a Yamanote foi uma mãe quando podíamos usá-la. :)

image

Seguuuuuuuuuuuuuuuuuuuura, peão!!!

Não existem zonas de preço claramente demarcadas (em mapinhas em inglês…) para ajudar o turista. Para facilitar você pode comprar um passe diário (que é meio caro; cerca de 10 libras) mas permite ao turista usar todas as linhas de metrô e trem em todas as zonas, sem stress. Sinceramente? Pra quem vai fazer vários lugares no mesmo dia vale o preço, porque economiza tempo e o stress em lidar com um sistema que não é exatamente “tourist friendly”. Táxis estão disponíveis; não achei extremamente caros mas também não são baratos, e com os engarrafamentos comuns na cidade podem acabar custando uma fortuna. Pegamos uma vez só, para cobrir uma distância pequena, e saiu o mesmo preço do bilhete diário “all areas”. No brainer.

Deixamos as malas com a simpática mocinha da recepção (ainda não era hora de fazer check in) e fomos esticar as pernas e reconhecer a área.  Primeiro passo foi dar uma fuçada rápida no shopping que fazia parte da estação e também na Yodobashi, já que ela estava ali mesmo…

image

Pessoa nem vai comprar câmera, mas resistir, quem há de?

image

Nesse momento acima, enquanto me afogava em centenas de fitas adesivas de papel washi, eu lembrei dazamyga fãs de scrapbooking e FBs e RIALTO. De nervoso. So many options, so little time…

image

Pra quê colocar uma modelo ou celebridade sem graça na embalagem da sua tinta de cabelo se você pode colocar uma BLYTHE, não é mesmo, minha gente? ♥

E chega então aquela hora tão feliz de encher o bucho. Assim que entramos num restaurante, TODO o staff (até o pessoal da cozinha) começou a berrar alegremente em japonês e eu levei uns segundos para entender que estávamos sendo saudados. Aparentemente é hábito que os fregueses sejam recebidos dessa forma (os decibéis e o tamanho do coral variam de acordo com o estabelecimento, claro…) como forma de demonstrar que estão sendo reconhecidos e valorizados. Quando você vai embora a gritaria se repete. Um amor. ♥

Recebemos nossos menus (em inglês!) e copos de água com gelo: também é hábito prover a mesa com refis de água gelada grátis e aquelas toalhinhas umedecidas em água quente, para que as pessoas limpem as mãos. Assim que fizemos a nossa escolha tocamos uma campainha para chamar a atenção do atendente, que veio CORRENDO em nossa direção. O pessoal é atencioso sem ser pegajoso; servem de forma eficiente e educada, sem ficar se arrastando em frente à mesa perguntando se “está tudo bem”, se você “já terminou” ou enchendo a sua taça de vinho sem que você peça - o que eu particularmente detesto. Não é comum dar gorjetas no Japão, então ninguém tem que fingir puxar o seu saco por causa de grana. A atenção com que você é servido é genuína.

image

Primeira refeição completa na área, um belo prato de tonkatsu (porco empanado cortado em tirinhas) ao molho curry com arroz japonês. Estava delicioso e o prato custou cerca de 6 libras (20 reais). Tomamos também uma cerveja Kirin. Só me arrependi de ter comido todo o arroz, porque já não estava tão acostumada a ingerir carboidratos em grande quantidade e me senti pesada. Não foi culpa da comida, no entanto, e eu recomendo a CoCo Ichibanya Curry House: não é um lugar “sofisticado”, tem clima de boteco, mas você será extremamente bem atendido e o menu em inglês com fotos é bônus em qualquer lugar. :) Ou então você poderá examinar réplicas perfeitas do que está disponível no restaurante já na própria vitrine, se houver um display como esse aqui (que estava na entrada de um maid café local):

image

Essas “panquecas” abaixo também era super populares, mas juro que não as entendi. Pareciam fatias de pão de forma empilhadas, com coberturas diversas de sorvete, chantilly, frutas, mel e biscoito. Talvez sejam brioches, mas o ponto é: depois que você come a fatia de cima, tem que comer as de baixo puras, sem nada? Eles dão mais chantilly? Mistério para ser solucionado numa próxima visita à cidade, porque nessa não sobrou barriga para isso tudo aí não. (o preço das panquecas começava em 17 reais)

image

image

Por falar em menu/comida nós não tivemos muitos problemas. Alguns lugares têm menu em inglês, mas a maioria tem apenas a versão em japonês com fotos; é olhando pra elas que você escolhe, e é apontando que você pede a comida. Não é tão awkward como parece, os atendentes parecem estar acostumados a isso. Devo dizer que fiquei chocada com a altíssima qualidade do atendimento no Japão. Não somente em restaurantes, mas em qualquer estabelecimento, pequeno ou grande. Você entra e é saudado, você pede alguma coisa e eles entendem e correm pra atender, você leva a mercadoria para pagar e o caixa sorri e fala com você o tempo inteiro (você não vai entender nada, apenas retribuir o sorriso e balançar a cabeça, mas é extremamente fofo), depois aponta graciosamente com as duas mãos o valor a pagar na tela da máquina registradora, entrega o seu troco e a mercadoria também com as duas mãos e uma reverência. Não importa se você comprou um laptop ou um rolinho de fita adesiva, o tratamento é exatamente o mesmo. Retribua tanta gentileza com o mínimo: não esqueça o konichiwa (olá), o sumimasen (com licença) e o domo arigato (muito obrigado). Sorria sempre, e se mandar uma reverênciazinha com a cabeça então… ganhou, playboy. NADA será um problema e eles farão o que puderem para atendê-lo bem. Senti que as pessoas, ao contrário do que acontece em vários lugares do mundo, não demonstram ter vergonha ou ressentimento por servir. Muito pelo contrário.

image

A cidade também possui vários estabelecimentos como esse aí em cima; mini-botecos que consistem apenas de um balcão (atrás do qual o cozinheiro prepara a comida) e uns quatro ou cinco banquinhos para os clientes. Geralmente ficam próximos a estações de trem e a rotatividade é grande: você deve comer e sair para liberar o lugar; nada de conversinha, outra cerveja ou um café. O preço costuma ser mais em conta; tinha prato completo incluindo a sopinha misô por 500 yens (cerca de 11 reais) e se você não se incomoda com a relativa falta de conforto e nem com a certeza de que NÃO vai encontrar menu em inglês (vai ser difícil TER menu… aponte pras fotos na parede) é uma excelente opção pra comer bem e pagar pouco. Nós até quisemos provar algumas coisas, mas infelizmente estamos velhos demais pra comer encarapitados num banquinho, com luz forte e vapor de cozinha na cara… Fica pra próxima.

E lá fomos nós queimar as calorias do curry saracoteando pela night iluminada e multicolorida de Akihabara… J-pop em alto volume saindo das lojas, adolescentes abraçados a travesseiros no formato de heroínas peitudas de anime tentando pescar brindes em maquininhas eletrônicas, gente cantando em karaokês, bares onde se pode jogar RPG nas mesas despejando pelotões de meninos nerds e fofos pelas calçadas carregados de sacolas contendo mangás ou indo para a Super Potato jogar videogames vintage - Virtual Boy, anyone? :) Tem até um Gundam café!

image

image

image

Aí em cima temos os letreiros na entrada da Maidreamin’, um dos vários “maid cafés" que se espalham por toda a parte. As mocinhas ficam na calçada vestidas de “governantas francesas” distribuindo folhetos para os passantes, convidando-os a entrar. Elas são todas mignon, parecem bonequinhas de anime, falam com voz fininha (a fim de soar ainda mais femininas) e são absolutamente adoráveis; a vontade de pegar meia dúzia delas, enfiar na mala e levar pra casa beira o irresistível.

Ao entrar você encontra um café como qualquer outro, só que as mocinhas vestidas de maids (iguais às que estavam lá fora atraindo a clientela) vão fazer dancinhas, te chamar de senhor ou senhora, sentar na mesa para conversar, desenhar bichinhos na espuma do seu cappuccino com cobertura de chocolate, enfim… fazer o cliente se sentir importante e desfrutar da companhia de uma moça alegre e bonita que vai tratá-lo bem. Meio machista, mas enfim, I won’t judge. Todo mundo parece estar se divertindo. Os meninos, claro, não podem tomar liberdades ou sequer tocar qualquer parte do corpo das moças; tudo acontece num ambiente descontraído, porém de absoluto respeito. Eu achei que as maids são as equivalentes modernas e mais low profile das tradicionais gueixas, voltadas para o mercado “adolescente otaku” ao invés dos ricos executivos que podem pagar pelas companhia das belas mulheres que treinam música, dança e entretenimento por anos e anos.

Decidimos tomar uma cerveja e fomos parar no Tofuro, um restaurante de culinária edo que ficava quase ao lado do hotel. Cervejinha estilo lager delícia, feita por eles mesmos, e esse pratinho cortesia com umas coisas que eu estou tentando identificar até hoje… Reconheci algas, notei a bolinha verde que parecia ervilha (gosto levemente diferente, no entanto) e algo vermelho que lembrava uma goji berry. As coisas que pareciam ser carne eu não faço a menor idéia do que sejam. Mas como era cortesia e tava gostoso, peguei os meus hashis e mijoguei. Matar não mata, fia…

image

Depois de passar alguns minutos mesmerizada com a “cabeça de peixe falante” no cartaz abaixo, resolvi pedir uma outra bebida. Era uma espécie de licor de morango com leite e estava muito gostoso - só que não havia traço de álcool no licor. Vai ver eu entendi errado e nem era licor e sim syrup. Whatever. Down in one… gulp!

image

Well, por hoje é só! Em breve (I hope) a segunda parte da mini-maratona oriental da Lolla Moon. :)

Glad to live in a world where there are Octobers.

Eu sei que sou a Doida do Outono, you don’t have to tell me. :)

image

image

image

É a minha estação preferida, seguida da primavera. O inverno é chuvoso e escuro e longo demais, o verão aqui na cidade costuma ser quente demais (saudades da brisa do mar e da temperatura mais clemente de Jersey), com a luz matinal invadindo a sua janela antes das seis e se esfregando na sua cara sonolenta. Mas não reclamo. Podia ser pior. Podiam ser os 45 graus e a umidade assassina do Rio de Janeiro…

De modo geral prefiro as estações intermediárias, do “começo” da mudança ao invés da mudança full-blast with lasers. :) A primavera a gente aqui sente como uma espécie de renascimento das cores, das flores, da luz, de tudo o que é vivo depois de quatro ou cinco meses de árvores peladas, mortas e chão coberto de gelo e lama. É uma maravilha para a alma quando você já não aguenta mais os rigores do inverno + sua pele ressecada pelo aquecimento central. O outono é o começo dos dias mais curtos, das cores mudando nas árvores, da expectativa por voltar a usar casacos e gorrinhos e echarpes e tomar chocolate quente na frente de uma boa lareira quando você já não aguenta mais suar no verão. Mas cada estação tem a sua importância; desde a agricultura (sem isso a gente não come, certo?) até para os olhos e para a alma das pessoas.

Aqui o outono está só começando. Mas a temperatura já caiu um bocado e é só respirar mais fundo para sentir o ar diferente. As frutinhas (comestíveis ou não) colorindo as árvores que ainda estão verdes. Num sábado eu vi as folhas das horse chestnuts (que costumam ser as primeiras a cair) ao longo da avenida principal de Woodford Green já começando a amarelar e pensei, “tenho que voltar para vê-las antes que caiam todas”. Na segunda feira eu já estava lá, é foi quando fiz essas fotos. No sábado seguinte os galhos já estavam nus.

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

Dizem que o outono desse ano promete ser bem colorido por conta das condições climáticas: uma primavera chuvosa seguida de um verão quente e seco. Só espero ele venha DIREITO - com delicadeza, e não com a chuva desabando bruscamente já no começo de outubro, cobrindo o céu de nuvens escuras e o vento atropelando as folhas das árvores e derrubando-as antes que tenham a chance de exibir suas cores e só então cair. É extremamente frustrante quando isso acontece, como se a natureza tivesse nos passado a perna, queimando uma etapa importante e levando a beleza embora antes do tempo. Tomara que esse ano escape da sanha do inverno apressadinho. Estou aqui torcendo for a proper autumn, cheio de cor e de luz. :)

image

The days were all empty rooms you waited in

Outubro chegou chegando. Frio nos pés, necessitei meias, não adiantaram; necessitei também sapatos.

image

Menos de uma semana para Tóquio. :)
Achei um hotel (apart, com cozinha e tudo) excelente e numa localização ótima. Infelizmente, dois problemas: não tem wi-fi, só wired internet - o que significa que eu teria que levar meu laptop pesado ao invés de apenas o iPad. Mas o deal breaker mesno foi que o hotel não tem front-desk. A gente pegaria as chaves num local “combinado” (e isso sendo TÓQUIO, quem confia que iria encontrar?) e precisaria ficar sem a ajuda de um staff bilingue durante a estadia. Num país como o Japão, onde a maioria das pessoas não fala inglês e o idioma local para nós é indecifrável, seria bom poder contar com pelo menos algumas pessoas que pudessem socorrer em caso de apuros.

Uma pena, porque eu adoro ficar em lugares que tenham cozinha… Mas nop, é melhor pagar mais caro por um lugar mais customer friendly. Ficaremos em Akihabara, o distrito dos eletrônicos  (e dos otakus…). E o hotel tem concierge, wi-fi grátis (veremos se funciona…), oferece café da manhã opcional, tem frigobar, TV e a chaleira elétrica pra fazer chá/café no quarto de manhã. Yay!

Quero comprar um chapéu bem idiota pra usar. E não quero levar muita roupa para não pesar na mala. Eu raramente viajo tendo compras em mente, mas Tóquio sendo o paraíso das tralhas, vai ser impossível resistir. De roupa levarei o que couber no corpo (blusa, jeans, casaco, meia calça, chapéu) e:

+ calcinhas 
+ leggings 
+ meia calça
+ um casaco (previsão de tempo bom, mas nunca se sabe)
+ uma blusa extra
+ um saia leve

Sou péssima na hora de fazer malas; ou levo roupa demais, ou roupa de menos. Raramente acerto. Por isso dessa vez me comprometi a fazer um “lookbook” e decidir o que vou usar com antecedência - espero que o clima ajude, não virando inesperadamente do calorzinho de meia estação que está previsto para o frio de lascar. Não quero arriscar e ir com a mala quase vazia, porque comprar roupa no Japão pode ser complicado. Mas também não quero levar nem mesmo um alfinete além do que vou usar. Toda grama é preciosa. ♥

Revistinha meiga (Her Vintage Life) que eu achei na WHSmiths:

Meu pedido da Yozocraft chegou hoje:

image

Cuteness overload. A faxina acabou, sairemos para jantar (it’s Friday!) e depois vou me jogar no journalling. ♥ E fazer mais pudim de leite low carb, porque a primeira receita foi sucesso - receita em breve. :)

 

Finding places.

É legal essa fase onde praticamente nada tem lugar fixo e você pode ficar experimentando e mudando as coisas de lugar, tentando descobrir onde elas se encaixam melhor. Como a minha avenca estava DETESTANDO morar no escritório, murchando e secando apesar de toda a água e carinho, eu a coloquei na sala e o meu rádio voltou a alugar o espaço em cima da cômoda.

Pus essas rosinhas fantasia só pra animar o ambiente até eu comprar flores de verdade - ou artificiais mais convincentes. Flores naturais são lindas e podem durar um tempão se você cortar os cabinhos na diagonal, trocar a água com frequência e adicionar um pouco de açúcar. :) Curioso é que a parede do escritório é um lilás bem clarinho, mas sempre parece branca nas fotos.

O closet está começando a tomar forma. Mas essas paredes amarelas (sim, acredite) das fotos abaixo já não existem mais. Desde domingo eu tenho trabalhado duro pintando uma parede por dia. Quem adivinhar a cor ganha um chocolate diet. :D

Yup, eu comprei uma penca de gaveteiros Malm. Eles são baratos, práticos e têm um design bem clean. Eu poderia esperar anos para conseguir gaveteiros usados bonitos, fuçando brechós e lojas de segunda mão ou do Ebay (todas fora de Londres, porque os preços daqui são ridículos) pagar mais caro por eles e ter que pedir ao Respectivo para ir buscar gastando o triplo do valor da compra em combustíbel. Enquanto isso as minhas roupas continuariam amassadas dentro de caixas de papelão. Quer saber? Malm it is. Se um dia eu enricar, dôo todos e compro novos.

O do banheiro foi pintado, mas nem tinta esmalte segurou direito. Recomendo lixar antes, faz toda a diferença. Esses aí do closet vão permanecer branquinhos, mas estou providenciando uns puxadores bem bonitos pra eles. Essa empresa aqui faz overlays lindos, já na medida certa para móveis da Ikea (incluindo o Malm). Pena que eles obviamente estão nos Estados Unidos. Oh well… Dá pra fazer parecido com mini-sancas de madeira encontráveis em qualquer loja de DIY daqui; está na lista de projetos futuros. :)

Essas cortinas também vão dançar muito em breve. Até gosto do motivo floral, mas a tonalidade verde vômito não funciona.

É, eu compro bastante na Floris. ♥ É claro que essas sacolas, apesar de bonitinhas, estão aí temporariamente. Ainda faltam prateleiras, espelhos, quadros nas paredes, armários… Por enquanto estou apenas espalhando as coisas aleatoriamente, na esperança de que alguma delas encontre o seu lugar. Mas esses são apenas detalhes, partes de um processo que não termina nunca e é gostoso sempre. No fim das contas, a coisa mais importante de todas já se encontra em seu lugar definitivo: eu. O resto é diversão. ;)

Not so pretty in pink

Meio sumida, very busy, lidando com problemas da vida real (computador em processo de falecimento, meu pai com labirintite caindo pela casa, a pensão não-resolvida da minha mãe) e alegrias da vida real (pintando cômodos, montando móveis e - last, but not least! - minha passagem para o Japão finalmente comprada! embarco em duas semanas e aceito sugestões e dicas de quem já visitou, ok?) Quando sobra tempo eu me meto a fazer DIY (destroy it yourself…), nem sempre com resultados positivos…

Outro dia estava eu saltitando alegremente dentro da BLITZ London de Brick Lane quando dei de cara com essa peça:

image

Na fila do caixa pra pagar, coloquei-a em cima do balcão e a menina à minha frente acariciou o couro da maleta e exclamou “I love that!”. Foi quando abri o zíper (ui!) e revelei a belezura:

image

Ta-da! Uma máquina de escrever vintage. Com papel vintage semi-datilografado ainda no rolo. :) Estava querendo uma faz tempo para usar nas minhas colagens/journaling e, claro, para fins de embelezamento do meu escritório. ♥ É claro que eu queria mesmo uma Royal vintage como essa, mas são quase impossíveis de achar no Ebay. E sinceramente eu preferia não ter que comprar pela internet, por medo de chegar danificada - máquinas de escrever são coisas delicadas (e pesadíssimas; o shipping é sempre caro).

Essa aí eu trouxe pra casa no metrô, carregando com todo o cuidado. Felizmente não era hora do rush e eu pude vir sentada com ela no colo. Testei logo ao chegar, ainda meio confusa com os “controles”; desde o fim da infância eu não brincava com uma dessas, mas todo o modus operandi me voltou de imediato assim que comecei a ajustar o espaçamento e de repente era como se eu tivesse 12 anos de novo…

image

TAC! TAC! Meldels, a FORÇA necessária para disparar a letrinha de encontro ao papel! Anos de moleza com o teclado macio dos computadores me deixaram fora de forma… Ginástica para os dedinhos! Me perguntei COMO eu conseguia encher folhas e mais folhas de papel ofício A4 em algumas poucas horas de “inspiração” (eu escrevia livrinhos de histórias, copiava letras de música, tentava poemas, fazia meu diário…), mas aí lembrei que o preço pago pelo meu vício de datilografar eram dedos absolutamente moídos no dia seguinte. Lembro da noite que passei acordada (da novela das oito às cinco da manhã) terminando um trabalho de escola que havia deixado para o último segundo. Ouch, dedinhos! Dia seguinte eu mal conseguia segurar o lápis (e as pálpebras caindo de sono…) na aula.

image

Quanto à corzinha meio sem graça da dita cuja - eu queria uma máquina em tons pastel, afinal de contas -, well, eu tinha planos… e também metade de uma lata de Japlac rosa sobrando do espelho e gaveteiro que pintei meses atrás. :)

image

Não tinha como dar erro, pensei. Japlac gruda até em bosta, verifiquei. A metade da lata seria mais do que suficiente, calculei. Ok, a tinta parecia ter engrossado um pouquinho desde o último uso, mas só dar uma mexidinha e problema resolvido, right?

Right??

image

Wrong. Ficou uma merda. A tinta estava de fato grossa demais e deixou a pobre máquina com cara de bolo mal confeitado de padaria. Na foto acima você pode ver as marcas das pinceladas, que não deveriam estar aí. O acabamento devia estar liso feito bunda de bebê, e no entanto ficou cheio de ondas feito o mar de Copacabana em dia de ressaca. Damn!

image

É claro que depois eu peguei um pincel fino e contornei delicadamente o logotipo aí em cima. Mas esse não é o problema; o que afundou meu barco foi a tinta, mesmo. :( Solução: lixar a dita cuja com lixa beeeem fininha para remover essas marcas, essa tinta empelotada e pintar novamente, dessa vez com tinta nova E DILUÍDA.

More work ahead. Mas vai ficar bonita, ah se vai. Não gastei 45 pilas e carreguei você no colo pra casa com o cuidado de quem carrega o primeiro filho pra ISSO, baby.

*chora na cama que é lugar quente*
*volta pro Ebay e procura uma Royal vintage*

:(

And it’s autumn again.

E pensar que há cinco minutos atrás era verão…

O último pôr do sol do Verão 2013. :)

As folhas amarelas avisam que esse ano, que começou ONTEM, já entrou na reta final. A macieira do vizinho está carregada de frutos vermelhos e sinto saudades dos meus pés de maçã, pêra e figo lá de Jersey. Que eu ignorei por anos e a primeira fruta que comi deles foi colhida pela minha sogra, o que me fez arrepender de ter deixado tantas maçãs apodrecerem porque eram deliciosas. Tínhamos duas variedades diferentes: uma era meio azedinha e teoricamente só servia para cozinhar e usar em receitas; mas a outra, apesar de feinha, era doce feito açúcar. E com o bônus dos apple/pear blossoms na primavera! ♥

Hoje fui para Woodford Wells dar comida para os patinhos no lago. Muito amor pelo outono refletido na água:

Na volta o ônibus passa por diversos bairros habitados pela galera do subcontinente - Índia, Paquistão, Bangladesh… E pelo visto eles gostam bastante de comer fora, porque a quantidade de restaurantes indianos atendendo quase que exclusivamente à clientela local é de impressionar. E quase todos representam a cozinha de uma localidade diferente; é um tal de “punjabi cuisine”, “gujarati cuisine” e eu acho engraçado porque, apesar de tanta variedade regional, comida indiana pra mim é tudo a mesma coisa: uma papa de legumes com curry (não muito diferente de vômito) em cima de arroz pilau. E antes que os chatos dêem ataque, declaro que AMO comida indiana. ♥

Por falar em vômito (eu sei, eu sei…) andei me perguntando por que afinal tanta gente reclama de cachorro que faz cocô na calçada, mas não se manifesta a respeito de bêbados que vomitam na rua. Porque vômito espalha e FEDE muito mais do que bosta canina. Coisa insuportável. Se tem uma coisa que me entedia é gente que não sabe beber e insiste, ou que bebe unicamente pra ficar bêbado e depois perde a linha “chamando o Hugo” em via pública. Ou seja, 90% dos jovens desse país… Tem uma “pizza” de vômito azedo assando na minha calçada e pelo visto vou ter que esperar uma boa chuva resolver o problema. Se eu tivesse presenciado o feito, teria obrigado o distinto a comer.

Espero que os mais sensíveis não estejam lendo esse post durante o almoço.

Estação de Waterloo com o The Shard fazendo figuração ao fundo.

No domingo eu comprei plantas, consegui plantar a metade e ainda tive tempo de montar um gaveteiro. Com o gaveteiro extra no lugar, me pus a arrumar gavetas e armários e fiquei apavorada com o TANTO de roupa que eu tenho. Nada caro ou de muito boa qualidade, mas O TANTO. Acho que se eu jogasse metade fora ainda passaria uns seis meses sem repetir roupa. Tá nesse nível. Tem coisa que eu comprei na adolescência. Fico feliz por ainda caber em mim, e como eu mal uso e nunca lavo (hahahaha), não estraga. Ecos do passado ao pegar aquele moleton da PAKALOLO e aquela camisetinha listrada com bordado do PIU PIU que veio da finada Side Play.

I feel really old right now.

Resultado: decidi que vou ficar um ano sem Zara, ops, um ano sem comprar roupa, ou melhor, uns três meses sem comprar nada exceto o casaco de inverno 2013/14 - apesar de eu ter uma arara cheia de casacos de inverno e… ah, dane-se. :) Se eu conseguir pelo menos não comprar mais trinta pijamas de flanela na Primark em Dezembro (exceto os de tema natalino; esses são obrigatórios!) já me dou por feliz. E o que eu conseguir economizar, torrarei em canecas fofas como essa:

O bolo é de proteína isolada de soja e tem gosto de depressão e de histórias tristes envolvendo gatinhos - então não me inveje. :(

Keeping warm.

Isso aqui não é um blog de moda e eu não faço nada mais do que um “What I Wore Today”. Eu costumava dizer onde havia comprado cada peça, mas fiquei traumatizada quando li num desses blogs que reclamam de tudo (me identifico totalmente) que isso é brega. Acho válido quando se trata de um blog pop, a fim de evitar 300 perguntas iguais a essas nos comentários: “mas onde foi que você comprou esse vestido/bolsa/brinco/sapato/etc?”. E como eu não tenho um “blog pop” desde, sei lá, 2003, resolvi que não vou mais dar o caminho das pedras. Quem sabe assim alguém se anima a perguntar onde comprei e tira a poeira da minha caixa de comentários. Risos.

Preciso fazer: achar um lugar melhor para fotografar (ou reposicionar o espelho) e passar a usar o timer da câmera ao invés de apelar para a saída preguiçosa de fazer fotos ruins com o celular. Ou pelo menos LIMPAR ESSE ESPELHO.

image

Esse vestido veio de uma dessas lojas de fast fashion descontão por 12 dinheiros e achei a coisa mais macia e quentinha do planeta. Ele é SUPER largo (comprei o maior tamanho disponível) mas tem as mangas justinhas. Um efeito “manga asa de morcego”, só que ao contrário. Não dá pra usar com casaco por cima por causa do volume, mas para a meia estação tá perfeito. Difícil é conseguir dobrar e enfiar na gaveta - parece que estou tentando engavetar um edredon.

image

Só quando cheguei em casa percebi que a cor do vestido é quase idêntica à cor desses sapatos que eu tenho há pelo menos cinco anos e nunca usava por não ter nada que combinasse. Bônus points! E o esmalte cinza combinou com a meia. Pena que não usei pra sair. ;)

image

Enquadrar fotos is overrated.

image

Isso aí eu planejei vestir hoje pra ir a Richmond (é meio friozinho por lá e SEMPRE CHOVE assim que eu cruzo a fronteira), mas o solzinho me convenceu a mudar de idéia e pôr uma roupa mais leve (que eu esqueci de fotografar). Aí eu chego em Richmond e adivinha? Chuva.

image

O colete com forro de pele de ovelha FAKE (porque hoje em dia tem que fazer disclaimer, mesmo que eu coma ovelhas…) é do Respectivo. Meio grande em mim, mas é tão quentinho, acolhedor e combina com o outono. Senti IMENSAS saudades dele essa tarde, enquanto segurava meu latte embaixo de uma marquise esperando a chuva passar. Oh well. 

P.S.: O closet é o próximo na lista de “cômodos a serem organizados”. Guarda roupas já a caminho, cor de tinta escolhida e muito em breve, espero, terei um lugar arrumadinho e fotografável para as minhas roupas.

P.S.2: Desculpa, mas vou fazer propaganda da procedência do cachorro das fotos porque a história é legal. Ele se chama Trouble e pertence ao meu marido. Os dois se conheceram no departamento de pelúcias da F.A.O. Schwarz em Nova York e foi amor à primeira vista. O bicho vinha em três tamanhos, a escolher: Trouble, Big Trouble e VERY BIG TROUBLE. É claro que o VERY BIG TROUBLE foi o eleito e embarcou de volta pra Inglaterra no colo do Respectivo (não cabia na mala), garantindo um sem número de “awwww, how sweet! how cute!!” de todas as damas no vôo - incluindo as aeromoças gatas. Infelizmente ele estava viajando com a namorada (que não era eu, by the way) e não pode “aproveitar a popularidade”. Quel dommage. ;)

Com quantos caixotes se faz um aparador?

Uma das coisas que eu acho mais bacanas em blogs de decoração e DIY é a documentação do processo. Ou seja, ao contrário das revistas especializadas e os sites de decor-porn, o produto final não chega à tela do seu computador prontinho, fotogênico, magazine-ready. Entre o começo e o fim existe toda uma situação de caos generalizado, sujeira, projetos semi-prontos, fungo nos azulejos, móveis datados, louças sanitárias em cores, erm, “vintage”, paredes descascando, infiltração e mofo, ou seja… Not pretty.

Mas esconder essa parte, pra mim, equivale a varrer a sujeira pra baixo do tapete na hora de fazer as fotos para o site. O que eu até faria, confesso, CASO tivesse tapetes. ;) Só que se eu quiser esperar até a casa ficar “pronta” (casas NUNCA ficam prontas), bonitinha e, principalmente, eu esteja 100% satisfeita com ela para começar a falar sobre, eu jamais falarei e é melhor até a tirar a tag “casa” da lista. Por sorte essa casa foi totalmente reformada antes de ter sido posta à venda, por isso está tudo praticamente novinho, limpinho, sem  problemas estruturais. Ok, existe toda uma “vibe magnólia” percorrendo as paredes e eu não sou exatamente fã dessa tonalidade. Mas ela reflete bem a luz, não é ofensiva e eu também não estava a fim de pintar de branco - para valorizar as sancas. Então fica isso aí mesmo, o que economiza tinta, tempo e a saúde das minhas costas. :)

Pois ontem eu decidi fazer fotos dos cômodos da casa como eles estão agora, a fim de ter um registro do “antes” para quando eu fizer um “antes X depois”. Acompanhar o processo desde o começo é sempre mais interessante que apenas apreciar o resultado; afinal isso é uma casa de verdade, não um showroom da Tok & Stok. :)

Vou começar pela “sala de jantar”. Acho esse termo extremamente pedante, até porque EU janto na frente da TV. Mas enfim. Temos esse espaço, colado à “sala de estar” (*suspiro*) que eu decidi usar como comedouro para quando tivermos visitas - ou seja, nunca. Mas né, vamos voltar ao assunto: ontem pela manhã esse era o estado do digníssimo cômodo:

image

Cadeiras que ainda não tinham endereço fixo sendo pintadas, jornal para evitar respingos no chão, chão cheio de respingos anyway, flores mortas dentro de vasos, etcétera. Considerando que essa é uma das primeiras visões que alguém teria ao entrar pela porta da frente, eu achei que devia fazer algo a respeito. Ok, ninguém entra aqui, mas é a mesma coisa de não querer usar calcinha furada na rua caso um acidente aconteça e você vá parar no pronto socorro exibindo seus fundilhos esburacados para toda a equipe de plantonistas. Eu não me importo de exibir lingerie em estado avançado de decomposição para absolutamente ninguém, mas nem mesmo as aranhas que habitam a minha casa merecem ver desordem. É O MEU JEITINHO.

image

Apenas um esclarecimento quanto às cadeiras abaixo: comprei em Teresópolis, num “antiquário” - ok, vamos chamar de brechó, porque apesar do nome pretensioso na placa do lado de fora ( e eu quase não entrei por causa disso) era de fato o que o lugar era. Enfim, o conjunto era lindo, custou uma miséria e eu ainda levei uma cadeira de balanço de lambuja. Por isso é que fico desconsolada quando vejo vocês aí gastando fortunas com porcarias feitas de compensado vagabundo na Toque A Campainha. É só porque eles parcelam em 36 vezes? Prefiro passar 36 meses juntando o dinheiro e comprar algo velho, mas de boa qualidade. As bichinhas são de madeira maciça, assento e detalhes de palhinha e eu só tô pintando porque a madeira escura não combina com nada aqui em casa.

image

Mas o processo de pintar tem sido infernal por conta da quantidade absurda de detalhes, de ter que evitar a parte de palha (eu não protegi com fita, vai vendo…), e para ajudar a tinta que eu escolhi tem acabamento acetinado, mas textura de gloss. É UM INFERNO PINTAR COM GLOSS. É grossa e ainda escorre - o que destrói a peça se não for corrigido imediatamente, e são necessárias várias demãos com quase nada de tinta no pincel pra evitar. Um pé no saco. Por isso estou demorando. E essas cadeiras estavam aí há semanas…

image

Esse vaso conteve, em algum passado distante, flores amarelinhas. Que morreram todas - na verdade as bichas secaram, MUMIFICARAM - mesmo eu tendo sido generosa com água e afeto. Por isso meu saco transbordou e eu, puta da vida, xingando muito, finquei uns crisântemos (?) artificiais que achei dando sopa por aqui. O conjunto, metade plantas semi-mortas e metade plantas artificiais, parecia um mashup botânico entre filme de zumbi e filme de andróide. Tava feio, tava ridículo, tava escroto.

Esse espelho estava há meses jogado no cantinho. E antes dele havia ali uma pilha de caixas e caixotes de madeira contendo tralhas. Preciso admitir: fico feliz por NÃO ter registrado essa parte do processo. Em Jersey ele ficava em cima da lareira, mas tenho outros planos para a atual lareira e por enquanto ele estava sem propósito, perdido na vida, na rua, na chuva, na fazenda, chutando lata, dormindo na praça, etc.

image

Senti que precisava terminar aquelas cadeiras e tirá-las dali. Ou pelo menos TIRÁ-LAS DALI, porque não curto tapete, menos ainda feito de jornal. Mas aí o cantinho abaixo das janelas ficaria vazio. Foi quando lembrei da existência desses caixotes, que eu usava como estante de CDs/DVDs na casa alugada:

image

Alguns eu já havia pintado e estavam morando no conservatório (fotos em breve), mas meia dúzia estava ainda homeless desde a mudança. Pintei todos eles a jato e comecei a ter “idéias”:

image

Na verdade eu poderia ter usado apenas caixotes, mas eu não quis mexer nos que já estavam em uso no conservatório. Então peguei essa tábua (que herdamos com a casa) e os experimentos começaram:

image

Um lar para o espelho!

image

É até bonitinho, o bichinho. Compramos em Camden, num indiano que tem uma loja no Camden Lock. Ainda estávamos em Jersey, mas pusemos no carro e o espelho atravessou o canal da Mancha. E anos depois atravessou de novo, voltando pra London town. :)

Pintei a tábua e, EU SENDO EU, cinco minutos depois (antes mesmo de secar a tinta direito) ela já estava cheia de bosta em cima. Por que QUAL A GRAÇA de criar uma peça de mobília a partir de lixo que você tinha em casa se não for pra ENCHER DE LIXO? ♥

Êêêêêêê:

image

Notem a cadeira pintada (termineeeeeei! uma, pelo menos…) ali no cantinho. E o pote de plantas que eu tirei do banheiro e pendurei ai lado do armário azul.

image

Ok, tem bosta demais aí em cima (e espeaços vazios para mais bosta futura) e depois, claro, vai rolar uma edição, uma CURADORIA (haha) das peças mais representativas do meu estado de espírito. Mas planejo também mudar o display de acordo com as estações. Bulbos floridos na primavera. Em Dezembro, muito pisca pisca e bolinhas; o canto à esquerda grita “árvore de natal”. E o Halloween tá aí mesmo… ABÓBORAS. ♥ Pensei em pintar o espelho, mas achei que a cor original refletiu o tom dourado do piso. Qq6acham?

image

Por ora a minha avenca mudou de lugar (ela não está muito feliz com o aquecimento na casa anyway) e a minha calavera idem. Perceba a ironia desperdiçada ao colocá-la sobre um livro chamado “Death and the Afterlife” ao invés da minha edição de Poliana. Mais clichê do que isso só se ela estivesse sobre uma cópia de Hamlet.

image

That’s all folks. :) Em breve, fotos da cozinha e do conservatório; o estado atual da sala já foi coberto aqui.

Where do your kids live?

A mulher subiu as escadas atrás de mim girando o pescoço, olhando para os lados, investigando o ambiente, e eu apontei o cômodo cheio de caixas empilhadas me desculpando pela desordem. “Tá tudo empacotado ainda, mas esse vai ser mesmo o quartinho da bagunça”. Ela apontou para um canto “o que é aquilo?” e eu respondi, já murchando a voz e antevendo problemas: “minha casinha de bonecas” e ela, me olhando com perceptível desdém: “você coleciona essas coisas?” e eu suspirei internamente e respondi que “sim, mas também gosto de brincar com elas, fotografar…” e ela deu uma risadinha irônica cobrindo os dentes com a mão. “Some people NEVER leave childhood!”

Prefiro ter dez anos pra sempre a me transformar numa dessas pessoas que cobrem a boca com a mão quando riem. E que parecem ter orgulho de terem se tornado “adultas” como se houvesse, de fato, alguma grande vantagem nisso. Até porque o hábito de julgar, se preocupar com o julgamentos dos outros, zombar e ser bully tem mais a ver com a adolescência. Ou seja, você não cresceu ainda o tanto que gostaria, dearie…

Mulheres em especial têm esse complexo de maturidade poser. A menina mal menstrua e já está doando as bonecas para a irmã mais nova. Se demora a doar, sofre bullying das amigas. Chamam o namorado de “infantil” como se fosse ofensa, riem da coleção de carrinhos/videogames/bonequinhos do He-Man dele, se orgulham de ter um emprego e “não depender de marido” mas continuam subservientes na cozinha, na cama e no quarto dos filhos porque “isso é tarefa para mulher adulta”. Acham graça nas meias coloridas da outra (“nossa, fulana é uma criançona, né? risos”) enquanto seu próprio guarda-roupas vai ficando cada vez mais bege, mais cinza, mais preto, mais “utilitário” e “prático” e os vestidos com estampas coloridas e as camisetas com piadas que não foram jogadas fora na adolescência viram pano de chão.

Com 25 anos (ou menos) começam a pensar em bebês, porque “é coisa de mulher adulta, procriar” e, tendo jogado fora hobbies, paixões e interesses não sobrou mesmo muita coisa com que ocupar o tempo livre. E não percebem a ironia de ter seu universo tão adulto invadido por brinquedos em cores primárias e personagens infantis depois que as crianças nascem. De vez em quando elas encontram subterfúgios para extravassar o lúdico sufocado, comprando maquiagens “edição especial da Hello Kitty” e esmaltes com glitter. Mas tudo isso em nome da aparência, da beleza, que se ocupar de parecer bonita “é dever de mulher adulta”. A mulher adulta só precisa se fingir de boba na hora de esticar a mão no chuveiro e pegar a gilete. Porque adulta sim, mas sem pêlos! Exatamente como as crianças…

Não vejo qual a grande vantagem de ser adulta o tempo todo. A maturidade tem seus pós, mas também seus muitos contras. Adultos se tornam mais cínicos, e não é exatamente comemorando que eu descubro traços desse cinismo se multiplicando em mim. Travo uma luta diária para não encher meu guarda roupas de cardigans marrons, e cada casaco vermelho com botões de coração, cada vestido de bolinha, cada meia calça verde-limão é uma vitoria. Adultos são práticos, precisam ser responsáveis e via de regra não se excitam com muita coisa. Mulheres, por exemplo, costumam se excitar com sapatos. Ok, eu curto sapatos como a maioria das moças, mas eu não os chamaria de excitantes porque eles não me surpreendem. A adulta diz que sapatos são fabulosos porque fazem com que ela se sinta mais bonita, mais magra, mais rica, uma versão melhor dela mesma. E eu penso que crianças estão, geralmente, muito satisfeitas com quem elas são e isso tem que ser uma coisa boa. Quando a gente começa a querer ser outra pessoa é sinal de que nossas falhas estão se tornando aparentes. Estamos crescendo. Crianças não querem ser bonitas, magras ou ricas, crianças querem ser piratas, princesas, robôs, super heroínas, fantasmas, leões… E não precisam de sapato novo pra isso.

Some people, indeed, never leave childhood.
Bless them.