Posts on sep2011

fim de setembro.

it rained one afternoon while we were in NY. it was beautiful. so different to british rain. it was almost like i was back in rio. high humidity in the air, the winds “turning” before the rainfall, sitting outside at a café (under the canopy) and not feeling cold, and not minding at all the raindrops falling on my skin. 

i hate british rain. so cold, so endlessly dull and uneventful. it slowly saps away your will to live.

Setembro está mesmo acabando?
Olhando os folders de fotos dos anos anteriores (2008, 2009…) percebo que venho fotografando consideravelmente menos. E consideravelmente pior. Nunca tive o elusivo “olhar de fotógrafa”, mas acho que até a ambição de um dia vir a desenvolvê-lo se perdeu.

Não tenho mais vontade de atualizar sites. Tenho passado menos tempo online, o que é bom porque tenho lido mais e assistido filmes. A internet era um foco social que eu gostava de cultivar. Ficar menos tempo online = ter menos contato com pessoas. Isso é ruim porque a sensação de isolamento retorna, mas ao mesmo tempo me poupo de um sem número de irritações. Ler a timeline do Twitter e do Facebook, por exemplo, está beirando o insuportável. Não é todo mundo, claro. Eu poderia bloquear ou dar unfollow nos culpados, mas a energia dispendida na tarefa me parece enorme e deixar de frequentar esses lugares acaba sendo a escolha.

Estou num daqueles loops de preguiça e falta de foco terríveis, onde dias se passam sem que eu produza absolutamente nada. As horas não são intermináveis; elas VOAM como se eu tivesse estado ocupadíssima o dia todo, mas no final da noite não consigo me lembrar como as preenchi.

Quase outubro, quase três meses para o Natal. Christmas cakes e puddings já à venda nos supermercados, e ainda nem passamos pelo halloween. Por falar nisso, eu gostaria de passar o halloween em Jersey. Porque lá eu posso acender a minha abóbora na frente da casa em paz, sabendo que nenhum fedelho irá bater na porta perguntando “trick or treat?” (da única vez que isso aconteceu, colocamos batata frita dentro das sacolinhas, HAHAHA). Enfim, eu sempre posso acender a abóbora no jardim, longe das vistas dos capetas, fadas, bruxas e esqueletos - ah, a falta de imaginação dos ingleses na hora de celebrar esse feriado que os yankees, mesmo tendo copiado deles, fazem muito melhor.

Talvez seja apenas uma desculpa inconsciente para poder passar uns dias em Jersey porque estou com saudades do meu sofá, da minha geladeira e do meu quintal. E das gaivotas, e de tomar café no Hungry Man, e de andar até Rozel, e das folhas de outono, e de passear de carro com as meninas, e de almoçar no Bass & Lobster, e de comer bolo no Poplars e ir ao cinema no Waterfront.

Porque tudo são apenas formas diferentes de tédio.

Vai ter heatwave no fim de semana.

Girl goes shopping

Desculpem o sumiço voluntário, mas estive viajando. Dez dias em New York! Levei minha câmera e ela ficou lá, junto com o kit de três lentes descansando quietinha no fundo da mala. Sair para caminhar por uma cidade cujo transporte público não é muito bom (ou seja, você precisa cobrir distâncias a pé) carregando uma DSLR  pendurada no pescoço não existe. Eu gosto um bocado da minha coluna vertebral e do meu conforto, então não faz sentido carregar um estúdio fotográfico nas costas.

Enquanto isso uma palavrinha sobre o novo shopping que foi inaugurado aqui em Londres: Westfield Stratford! Já existia um outro Westfield aqui, nas imediações de Shepperd’s Bush (perto de Notting Hill) mas agora, com os estádios olímpicos sendo construídos em Stratford (uma área considerada de baixa renda e barra pesada, mas que está supostamente sendo “revitalizada” com essas obras e melhorias; tomara que sim) os senhores do capital decidiram que seria uma idéia interessante abrir um GRANDE! SHOPPING! CENTER! ali do ladinho, para que os turistas venham gastar dinheiro na Topshop, MAC e H&M.

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O novo Westfield (que, ao contrário do antigo, fica em East London; por que não se chamar EASTfield? Haha) foi inaugurado no dia 13. Nesta data eu estava acordando para o meu primeiro dia em Manhattan e perdi a festa. Ontem, primeiro sábado de volta, resolvi investigar. O shopping fica a apenas quatro estações de metrô de distância, mas resolvemos ir de carro. Chegamos por volta das duas da tarde procurando almoço, e em verdade vos digo: só conseguimos sentar numa mesa de restaurante para começar a pensar no que comer por volta das quatro.

EU NUNCA VI UM SHOPPING TÃO LOTADO NA VIDA.
Um dos meus princípios na vida é: nunca entrar em fila de restaurante. Se tiver fila na porta eu procuro outro lugar pra comer. Infelizmente tínhamos acabado de chegar, e pagar estacionamento só pra sair, ir comer em outro paradeiro e voltar seria pouco prático. Não havia UM restaurante sequer sem uma fila de pelo menos trinta pessoas na porta. Na fila do Nando’s (que no Rio certamente seria chamado de Palácio do Frango Frito) devia haver umas 150. Escolhemos um lugar chamado Las Iguanas unicamente pelo fato de a fila estar pequena. A comida era “latina” e eles serviam Brahma e Xingu… Além de uma caipirinha que aparentemente estava aceitável (e, não entendi a razão, ganhamos uma extra).

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A comida estava OK, mas nada especial. Depois de uma semana e meia na América eu achei as porções pequenas. Mas a vantagem é que pagamos infinitamente menos - mais sobre isso no post sobre NY.

Depois do almoço fomos conhecer o lugar e as lojas. Ou, pelo menos, tentar.

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Juro que eles não estavam dando nada de graça nesse McDonald’s…

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Três andares (e um mezzanino). O último é quase que exclusivamente dedicado a restaurantes e há um “espaço de orações”. Para todas as religiões, mas a gente sabe que aquilo só foi colocado ali por causa dos muçulmanos, que precisam rezar a cada X horas. Entrei por engano de chinelo, camiseta de halloween e pulseirinha de caveira e me olharam tão feio que eu praticamente evaporei dali. Ops!

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Vitrine hipster da Forever 21.

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Vitrine DELISH da Schuh (rede de sapatarias hipster britânica).

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O nome dessa loja de cosméticos é KIKO (senti vontade de perguntar pelo Chaves ou se era ali que a Dona Florinda comprava os rolinhos de cabelo, mas me contive) e é uma espécie de “MAC de pobre” - o layout da loja e a embalagem dos produtos sendo bastante parecida à queridinha dos beauty blogs. Já os preços são um espetáculo à parte; BEM mais baratos. Fiquei fascinada em especial pelos esmaltes: não consegui colocar nem a metade do catálogo de cores disponíveis nessa foto. Simplesmente LINDAS, incluindo cores com glitter, micro partículas e craqueladas. Vi todos os Chanel da moda lá, em imitações perfeitas; testei na loja e a cobertura é maravilhosa. E o precinho: 3.50 cada. Tô voltando lá semana que vem!

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A indefectível Apple Store hiperlotada de hipster que, na impo$$ibilidade de comprar um iPad, passa horas jogando Angry Birds no balcão. PHYNO.

Meu estrago: caderninho/cartelas de adesivo na Paperchase e uma penca de bonequinhas Lalaloopsy (oi, dez anos ♥).

Pronto, fim da aventura no templo do consumo. O resto do fim de semana será aproveitado na cama, lendo a americaníssima Nylon e o inglesíssimo (Anne Hathaway à parte…) One Day.

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Pixlr-o-matic

Hoje no twitter eu estava fazendo uma espécie de “diga-me que filtro do Instagram usas e te direi quem és”. As fãs do Early Bird, por exemplo: tudo “hipster-cupcake”. :) Foi quando o pessoal começou a comentar sobre novas apps de fotografia para smartphones, e então me deram a dica do Pixlr-o-Matic. À primeira vista os filtros e texturas me pareceram meio exagerados e cafonas, mas foi só testar para mudar de idéia.

Em alguns minutos eu dei uma “reciclada” nessas fotos aí embaixo que estavam hibernando há meses no iphone.

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Mesmo os filtros/texturas com mais cara de “blog de miguxa” como estrelinhas, bokeh colorido, chuva fake, etc. podem transformar uma foto - desde que seja a foto certa para aquele efeito. Não estou afirmando ter acertado a mão 100% aqui, mas pelo menos me diverti tentando. :)

E o que é melhor: pra quem não tem smartphone, dá pra fazer direto pela web OU baixar o programa e usar offline.

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The Smiths Project.

OMG. Janice Whaley regravou a discografia inteira dos Smiths (incluindo suas próprias versões das capas originais) e lançou em CD/box. Detalhe: não há instrumentos. Todos os sons em todas as faixas são cortesia da própria voz da Janice. Tudo disponível para ouvir online, comprar ou fazer download.


Ainda não consegui descobrir se gostei ou não, já que para mim versões da “sagrada” obra dos Smiths são sempre ou excelentes ou péssimas. Ouvi algumas faixas da Janice mas vou precisar ouvir outras e mais vezes para estabelecer uma opinião. A princípio achei mais interessante como projeto do que, de fato, bom de se ouvir. Mas a pergunta real aqui nem é “amei ou detestei?” e sim “como é que eu não fiquei sabendo disso antes??”

Você pode ouvir faixas no site do projeto ou no canal da Janice no YouTube.

Devilish feast

No domingo fomos almoçar na casa do mano mais velho do Respectivo. Minha vontade de ir não era das maiores - cheguei, num dado momento, a me recusar a acompanhá-lo. Mas capitulei porque ele foi legal comigo no sábado, me levando para passear no shopping de Romford (hahaha), almoçar no Outback (eu nem sabia que havia Outback fora do Brasil) e aguardando pacientemente enquanto eu fazia escova no cabelo - uma ocorrência tão rara quanto detestada.

O irmão é bacana, mas eu tenho restrições quanto à namorada. Boa pessoa, porém mulher e inglesa. TODAS SABE que eu tenho problemas com essas duas amostragens humanas em separado; quando combinadas a coisa tende a piorar. Fico com a sensação de que estou sendo observada, analisada e julgada (desfavoravelmente) o tempo todo e eu podia passar sem isso, obrigada. Também tenho a sensação de que algumas pessoas aqui toleram imigrantes numa boa, desde que eles fiquem em seus lugares - isto é, casados com conterrâneos, trabalhadores, humildes, longe das vizinhanças abastadas e devidamente pobres.

O irmão gosta de caçar. Não tenho muitos problemas com isso, até porque ele consome tudo o que mata. De certa forma é um carnívoro mais merecedor do que eu, já que põe na mesa aquilo que caçou com as próprias mãos, enquanto eu, defendendo de forma pouco convincente as vantagens de se estar plantada no topo da “cadeia alimentar”, compro meus bichos mortos já limpos, fatiados e higienicamente embalados em plástico e isopor. É difícil respeitar a morte de um ser vivo se a única parte que você vê dele é um bife que em nada lembra a gloriosa existência encerrada num abatedouro. Eu jamais atiraria para matar, mas isso não me faz melhor do que o cunhado; só me faz mais covarde. Ele construiu uma espécie de abatedouro/frigorífico nos fundos do jardim, em madeira pintada de vermelho com janelas brancas - igualzinho a uma casa de campo finlandesa, com direito a tinta importada da escandinávia. Lá dentro ele limpa, corta e congela as vítimas, digo, jantar.

Comemos carne de Bambi. Ok, na verdade o negócio mais parecia uma sopa. A namorada usou uma dessas panelas elétricas para cozinhar a carne lentamente, só que a meu ver a coisa cozinhou demais e havia mais caldo do que carne no prato. Como eu não toquei nas batatas, cenouras e batata doce, devo confessar que fiquei meio com fome. O sabor da carne de veado foi aprovado; lembrou carne de boi assada. Veado entra para a lista de “carnes exóticas degustadas na Europa”, ao lado de avestruz (na Alemanha) e rena (na Finlândia). Também provei lagosta pela primeira vez na França, e faisão e salmão em Jersey. Nunca comi coelho, apesar de rabbit pie constar da minha lista de “coisas para experimentar antes de morrer”.

De sobremesa havia uma mousse de frutas vermelhas, feita em casa, que parecia ter sido muito gostosa antes de ser esquecida no freezer… Toca colocar colheres de molho em água fervendo para tentar ajudar a derreter o bagulho; mas estava tão congelado (e a casa tão fria…) que o negócio permaneceu em Iceberg Mode On durante todo o tempo em que ficou plantado no meio da mesa, sendo cutucado, espancado e esfaqueado por todos aqueles que pretendiam comê-lo. Por sorte eu não podia anyway. :)

O curioso foi quando a namorada foi procurar a tal mousse no freezer da cozinha e não encontrou. “Procure no freezer grande, embaixo dos esquilos!” foi a resposta do cunhado. “Embaixo do QUÊ??”, perguntei eu, e então ela me levou até o freezer imenso que fica no tal abatedouro/frigorífico e dentro dele havia pequenos esquilos cinza congelados dentro de sacos plásticos, as patinhas na frente do corpo e os dentes de fora.

Esquilos cinza são vistos como “peste” na Inglaterra, já que não são originários das ilhas britânicas. Foram trazidos da América do Norte por algum idiota que os achou bonitinhos e acabou causando um enorme e irreparável desequilíbrio ecológico. Os esquilos cinza são maiores e mais agressivos que os pequenos vermelhos (nativos da Inglaterra), e vencem fácil a competição por comida. Além disso são portadores de um vírus que não lhes faz mal algum porém mata os vermelhos, fazendo com que eles estejam praticamente extintos no seu habitat natural (em Jersey os vermelhos permanecem, já que os cinzas felizmente não cruzaram o canal). Apesar disso não acho que promover uma carnificina de esquilos yankees vá fazer muita diferença agora. E depois, a culpa não foi deles.

A namorada se prontificou a explicar: “ele mata os esquilos e guarda para um amigo, que tem uma serpente de estimação; ela adora um delivery de esquilinhos!”. Engoli em seco pensando nos esquilos que moram no meu jardim em casa e passam o dia pegando sol sentados na cerca, coçando a barriguinha. Para completar o dia, o irmão declarou que atirou num gato que estava roubando a comida do gato da família - e que o próprio gato da família seria curado com um tiro quando ficasse doente, já que eles gastaram uma quantidade impossível de dinheiro tentando curar o anterior, em vão. Compartilho do sentimento, mas não consigo de maneira alguma aprovar o método.

Festa estranha, com gente esquisita.
Fiz um omelete quando cheguei em casa.